Posts

A relação entre a não extradição de Julian Assange e o autismo

Tempo de Leitura: 2 minutos

Nesta segunda de manhã (4.jan.2021), a Justiça do Reino Unido decidiu a não extradição de Julian Assange para os EUA, e um dos argumentos tem ligação direta com o autismo.

Desde setembro de 2020, a imprensa britânica passou a noticiar que Assange recebeu o diagnóstico de Síndrome de Asperger — uma categoria de diagnóstico em desuso hoje, popularmente conhecida como uma espécie de “autismo leve”.

Asperger contém, então, duas características centrais do que compreendemos hoje como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA): dificuldade de interação social e comunicação, e comportamentos restritos/repetitivos.

Diagnóstico

A avaliação de autismo na vida adulta geralmente concentra relatos familiares, testes de habilidades sociais e uma investigação de características do autismo ainda na infância e uma série de profissionais. É um diagnóstico difícil de ser feito e muitas vezes negligenciado.

No caso de Assange, ele foi descrito como uma pessoa inteligente, com interesse rígido em certos tópicos (o que geralmente chamamos de hiperfoco), dificuldade de gerir conversas e interações, poucas amizades ao longo da vida e muitas atividades solitárias.

Uma descrição bem aprofundada sobre o debate em torno das características (e até mitos) do autismo no tribunal estão na cobertura do caso, feita pelo tabloide britânico Daily Mail.

Traços de autismo

O debate em torno de Assange ser autista não é novo. O próprio Julian Assange disse em 2011 que enxergava traços de autismo em si mesmo e ainda fez uma provocação ao dizer que “todos os hackers” teriam Asperger.

Um lado interessante deste debate é o quanto o autismo dito “leve” sempre foi beneficiado (inclusive culturalmente) pela ideia de sujeitos desajeitados, extremamente inteligentes e de poucos amigos. E isso voltou à tona — aqui tem um artigo de opinião interessante, da escritora australiana Kathy Lette: “I knew Assange was autistic – it explains why people read him unfairly“.

É curioso também observar o quanto o autismo — como um diagnóstico — tem ilustrado casos peculiares de obstrução da Justiça. Recentemente, o hacker preso por atacar sistemas do TSE, de 19 anos, se declarou Asperger.

Por fim, vale reforçar que a nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a CID-11, entra em vigor em 2022. E, a partir de então, o termo “Síndrome de Asperger” pode ser finalmente sepultado — e tudo estará integrado no TEA.

CONTEÚDO EXTRA