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Fenômeno de ‘autistas biscoiteiros’ na internet é discutido por autistas em podcast

Tempo de Leitura: 2 minutosO podcast Introvertendo, produzido por autistas adultos e com diálogos sobre o autismo, lançou nesta sexta-feira (10) o seu 187º episódio, chamado “Precisamos Falar Sobre Autistas Biscoiteiros”. O episódio foi conduzido pelo jornalista Tiago Abreu e o youtuber e pesquisador Willian Chimura, ambos autistas. Para o debate, os dois receberam a estudante de fonoaudiologia Germanna Parreiras e o estudante de ciências da computação Bruno Fillmann, também autistas.

Segundo os podcasters, autistas biscoiteiros seriam pessoas autistas que produzem publicações em redes sociais como o Instagram com o objetivo de ganhar curtidas sem, necessariamente, ter uma preocupação sobre a qualidade do conteúdo.

Chimura, por exemplo, defendeu que “biscoitar” na internet tem tudo a ver com os algoritmos das redes sociais. “O problema é que não fazendo isso, você fica em menos evidência. Ficando em menos evidência, obviamente você cresce menos nas redes sociais, você tem menos likes, você tem menos engajamento pelo algoritmo. E para o produtor de conteúdo, isso acaba dificultando um pouco”.

Para Germanna Parreiras, existem alguns perigos em torno do fenômeno de autistas biscoiteiros, principalmente em relação a interpretação de critérios diagnósticos do autismo. “Eu não me preocupo muito com o motivo, mas eu me preocupo com perfis que tem muitas visualizações ou que tem muito contato com pais e pessoas da comunidade e que tem uma certa responsabilidade em transmitir informações”, defendeu.

Bruno Fillmann, por sua vez, disse que “qualquer motivo é bom pra biscoitar, sinceramente”. Ele afirmou no episódio, também, que por mais que a atitude de alguns autistas e também de mães e pais que considera biscoiteiros sejam desagradáveis, não causam dano à causa do autismo. “Acho importante ressaltar que no final das contas essas pessoas não são o ‘inimigo’, sabe? Nem os pais irresponsáveis que postam as coisas que postam”, refletiu.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Greta Thumberg critica postura ambiental do Brasil em sessão no Senado

Tempo de Leitura: < 1 minutoA ativista sueca Greta Thumberg, de 18 anos e autista, esteve presente numa sessão temática do Senado sobre dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, a jovem fez críticas a postura de governantes brasileiros em relação à pauta das mudanças climáticas.

“As coisas que os líderes do Brasil estão fazendo agora são completamente vergonhosas. Especialmente à luz da maneira como vem tratando os povos indígenas e a natureza. O Brasil, com certeza, não começou essa crise. Mas os seus líderes estão adicionando muito combustível ao incêndio. E só porque os líderes do norte global falharam — e, sim, eles estão falhando — não há desculpa para o Brasil não ter um papel diferente”, disse ela.

De acordo com o G1, Greta também enfatizou sobre a importância de se preservar a Amazônia. “O mundo não pode pagar o preço de perder a Amazônia. Se nós perdermos a Amazônia, provavelmente iremos perder todas as possibilidades de alcançar o Acordo de Paris. E isso seria uma sentença de morte para incontáveis pessoas e incontáveis partes do mundo, não menos importante, no Brasil”, completou.

ONG de autismo no interior do Rio faz campanha por doações

Tempo de Leitura: < 1 minutoEm São Pedro da Aldeia, no interior do Rio de Janeiro, o Instituto de Amparo ao Autista Mãos Unidas iniciou uma campanha por doações para comprar um terreno e construir uma sede própria.

De acordo com informações publicadas pelo G1, a organização foi criada em 2015 e oferece serviços especializados para cerca de 80 autistas mensalmente por meio da atuação de profissionais voluntários. As doações diminuíram durante a pandemia e, desta forma, a organização pede por recursos de pessoas e empresários.

A ONG tem uma página no Facebook, onde mais detalhes sobre doações estão disponíveis.

‘As mães eram muito desconfiadas’, afirma Andréa Werner sobre autistas adultos na web

Tempo de Leitura: < 1 minutoA jornalista e ativista Andréa Werner participou de uma roda de conversa sobre autismo disponibilizada como episódio do podcast Introvertendo. “Experiências Inclusivas” foi lançado nesta terça-feira (29) e contou com as participações de Willian Chimura e Tiago Abreu. Na ocasião, os três comentaram sobre a participação de autistas nas discussões sobre autismo.

Andréa contou que em 2010, quando seu filho foi diagnosticado com autismo, não se recorda de ver autistas falando sobre autismo na internet. “E aí, quando começaram a aparecer, quando aparece um, dois, autistas falando assim, no Facebook, tinha uma baita desconfiança de ver”, disse ela.

A jornalista ainda contou que, na época, chegou a ocorrer um caso de uma pessoa que se passava por autista. “Apareceu uma pessoa que tava dando golpe mesmo, ela não era autista, ela fingia que era autista e não era, a gente descobriu e foi uma coisa horrorosa. Então as mães eram muito desconfiadas”, destacou.

Apesar disso, autistas começaram a aparecer com relatos sobre autismo e, segundo Werner, o Instituto Lagarta Vira Pupa, do qual é fundadora, possui mulheres autistas na direção. Ela também comemorou o fato de, atualmente, terem mais autistas falando sobre autismo.

“A gente sabe que a relação nem sempre é harmônica. [Mas] eu tenho essa relação muito harmônica e, na verdade, eu aprendo muito sobre o meu filho ouvindo autistas adultos”, contou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Castbox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Willian Chimura: ‘Acho muito não empático pedir para que autistas tolerem capacitismo’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO ativista e youtuber Willian Chimura concedeu entrevista ao portal Autismo e Realidade em matéria publicada nesta quarta-feira (27). Na ocasião, Chimura comentou as reações de autistas consideradas extremas ou radicais pela internet frente a atos preconceituosos de figuras públicas.

“Seria muito não empático julgarmos essa pessoa por conta de uma reatividade mais agressiva frente uma situação de preconceito. Eu acho muito não empático pedir para que autistas tolerem preconceito, tolerem capacitismo. Até formular a própria frase soa errado por si só”, observou.

Apesar disso, ele considerou que a agressividade pode gerar efeitos negativos. “Aí fica agressão contra agressão e o produto final disso acaba não sendo tão benéfico”, afirmou. Para isso, Willian afirmou que pretende ter uma postura mais moderada. Isso não significa, segundo ele, que ações mais enérgicas de outros autistas não sejam necessárias.

“Entendo que o movimento como um todo, inevitavelmente, vai ser composto por uma parte de autistas, de ativistas que também vão reagir dessa forma mais agressiva e eu considero, sim, uma parcela importante. Acho que é só uma questão de ponderar. A gente não pode ser quase 100% agressivo e também não podem faltar formas mais incisivas de se cobrar mudanças, principalmente em situações que envolvem mudanças sociais importantes. Também vejo importância na história do ativismo e dos movimentos sociais em que reações ditas violentas, ditas agressivas, em algumas situações foram as atitudes necessárias para provocar mudanças importantes”, completou.

Homenagem: Nilton Salvador, um precursor

Tempo de Leitura: 7 minutos

“Os pais devem ter consciência e saber que o excesso de zelo nunca conduzirá o autista para uma educação que dê bons resultados, e o mesmo ocorre com o descaso.”*

(Nilton Salvador)

Nilton Salvador é um dos grandes espíritos que, de vez em quando, são enviados por Deus para organizar um pouco a vida de nós, seres humanos comuns, e desavisados das grandes verdades da vida.

Mês passado Deus o chamou de volta: o trabalho estava cumprido, ele havia colocado no caminho certo milhares de pais e mães de autistas dando-lhes esperanças, exemplos, conselhos… dando-lhes fé!

A dor que hoje sinto pela perda física desse amigo, que me tirou o chão e me moeu o coração, não é nada comparada à alegria que devem ter tido Deus e todos os amigos espirituais pelo retorno dele à verdadeira Pátria!

 

 

Nilton Salvador, ativista em prol do autismo — homenageado por Cláudia Moraes na Revista Autismo nº 11 (dez/2020).
Nilton Salvador

Devo dizer quem foi Nilton Salvador para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo, pessoas que são recém-chegadas à causa autista. Para esses posso dizer que Nilton foi, antes de tudo, o pai de Eros, Anna e Gabriel; também o esposo devotado de Roseli Antônia. Nascido em Santa Catarina, foi morar e amar Curitiba como poucos. Tornou-se escritor para dividir com outros pais a sua trajetória com o filho autista, Eros. E esse seu protagonismo foi um presente para nós, outros pais de autistas brasileiros, perdidos na década de 1990, com filhos que constavam numa incidência de 1 a cada 10 mil nascidos, sem publicações nacionais que nos mostrassem que não estávamos sós. Em 1993, Nilton lançou seu primeiro livro, e maior sucesso, que se chamou Vida de Autista.

Na época da movimentação pelo Projeto de Lei do Senado nº 168, de 2011, que posteriormente resultou na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, com os autores Berenice Piana e Ulisses Batista à frente, um dos grandes alicerces foi Nilton Salvador, que se empenhou de todas as formas para que o Brasil pudesse, sim, ter a sua lei de defesa dos direitos dos autistas, o que graças a Deus se tornou realidade em 2012, o marco da história do autismo no Brasil: a Lei Berenice Piana (12764/12).

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“Há pouca representatividade de pretos no movimento autista”, afirma Polyana Sá

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, lançou nesta sexta-feira (13) o seu 144º episódio, chamado “Representação e Representatividade Autista'”. O episódio contou com a participação da estudante de Bioprocessos e Biotecnologia e ativista Polyana Sá, que dissertou sobre a participação de autistas nas discussões online sobre autismo.

Na ocasião, Polyana chegou a afirmar que o fato de ser negra é a característica que mais chama a atenção das pessoas em interações sociais e os efeitos do racismo no Brasil. “Há pouca representatividade de pretos, pretas, pretes, no movimento autista, porque a nossa população é uma população que tem pouco acesso às políticas públicas de saúde mental, tanto é que você não encontra muitos estudos a respeito disso”, lamentou.

Ela também refletiu sobre a possibilidade (ou impossibilidade) de ser completamente representativo quando o assunto é autismo. “Eu acredito que seja humanamente impossível a gente criar essa representatividade plena, mas um caminho pra gente seguir em busca de chegar próximo disso é a gente se preocupar em procurar esses autistas que se encontram em recortes mais ‘aprofundados’ do que os nossos e que às vezes não tem uma acessibilidade tão grande aos meios que nós já temos mais facilidade”, destacou.

Além de Polyana, também participaram do episódio o youtuber e pesquisador Willian Chimura e a estudante de arquitetura Carol Cardoso, ambos autistas. Os três ainda discutiram as diferenças dos níveis de autismo, a caracterização do autismo em produções culturais e jornalísticas, e questões regionais brasileiras relacionadas ao diagnóstico.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

“Estamos sendo negligenciados”, diz Willian Chimura a Danilo Gentili

Tempo de Leitura: 2 minutos

O youtuber e pesquisador Willian Chimura, diagnosticado com autismo, participou do programa The Noite, exibido pelo SBT e apresentado por Danilo Gentili em edição exibida nesta terça-feira (29). Na ocasião, Willian foi convidado no contexto de polêmicas envolvendo o humorista Léo Lins e os desdobramentos causados dentro da comunidade do autismo.

Chimura falou sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), desde o ponto de vista profissional, social e educacional. Em suas falas, destacou uma invisibilidade de adultos que, na sua visão, ainda é pouco discutida no Brasil e que estaria diretamente relacionada ao descontentamento de autistas e seus familiares com as declarações de Léo Lins.

“Nós estamos sendo negligenciados muitas vezes, e em certas situações pode ser difícil, na perspectiva de quem não vivencia o transtorno, de se entender algumas coisas. As pessoas que estão historicamente, em todo contexto, tendo os seus apoios e os seus suportes negligenciados, quando a gente tem a oportunidade, finalmente, de se posicionar em alguma coisa, a gente se posiciona”, disse.

Willian também explicou a diferença entre “comunidade do autismo” e “comunidade autista”, afirmou que, pela sua perspectiva, autismo não deve ser classificado enquanto doença e também chegou a dizer que não se identifica com um ativismo pautado, segundo ele, por atitudes punitivistas.

“Tem uma corrente do ativismo que é baseada em punição, por exemplo, que não é uma corrente que eu corroboro tanto. Por outro lado, eu vejo a necessidade de falar que não é simplesmente uma questão de tolerar, levar na boa. E eu me posiciono neste sentido”, destacou.

A participação de Willian Chimura no The Noite com Danilo Gentili foi a primeira vez que uma pessoa autista esteve sozinha num programa de televisão de alcance nacional. Outros autistas já apareceram em programas relevantes na televisão, mas sempre acompanhados de especialistas ou familiares.

Willian Chimura estreou seu canal no YouTube em fevereiro de 2019 e, em cerca de um ano de atividade, alcançou mais de 100 mil inscritos. Atualmente, seu canal é o maior de um autista na plataforma e um dos maiores feitos por uma pessoa com deficiência, com 168 mil inscritos. Além disso, Chimura também é membro do podcast Introvertendo.

A entrevista completa pode ser assistida abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ipqzYxrUSXM
Greta Thunberg — Autismo leve que muda o mundo — Revista Autismo

GRETA THUNBERG

Tempo de Leitura: 4 minutos

Autismo leve e hiperfoco que mudam o mundo

Fatima de Kwant

A pessoa mais comentada do ano é, sem dúvida, a ativista do meio ambiente, Greta Thunberg. A jovem de apenas dezesseis anos, nascida na Suécia, tornou-se a mais conhecida representante juvenil das comunidades mundiais que lutam pela preservação da natureza, tema bem em pauta, internacionalmente.

A curiosidade adicional é que Greta tem o diagnóstico de Síndrome de Asperger.

Caracterizada pelo discurso peculiar – que muitos acreditam ser uma manobra da esquerda internacional – Greta é amada e odiada ao mesmo tempo, um fenômeno mundial dos últimos tempos: ou se gosta ou se desgosta, ou se é a favor ou se é contra, sem meio termo, sem equilíbrio.

Sendo assim, a menina passa a ser “boa ou má”, pensamento maniqueísta da sociedade cada vez mais movida a crer no que outros dizem, em fake news, ou achar que a verdade é fake. Sociedade que acredita nos falsos profetas que os fazem crer em suas verdades como se elas fossem de todos. Por serem muitos, muitas são as opiniões extremas de quem admira ou despreza a jovem ativista.

Mistério

Mas qual é o mistério da Greta? Por que justamente esta jovem chamou tanta atenção do mundo, tendo audiências até com os maiores líderes mundiais? Não foi somente a tenra idade ou a aparência física, com as típicas duas tranças nos cabelos das quais não abre mão. 

Greta Thunberg é menina, autista e ativista pelo meio ambiente — três minorias em uma só pessoa. Todo mundo fala dela. Todo mundo acha que a conhece e conhece suas intenções. Fato é que poucos conhecem o autismo, e como se manifesta em pessoas de alto funcionamento. 

Greta é autista mesmo, Asperger. A dedicação ao meio ambiente, e a paixão com a qual abraçou a causa, a fazem parecer quase um soldado em guerra, enfrentando os líderes mais poderosos do mundo para defender seu ideal. Dizem que seus pais a influenciaram na opção pela causa, e a manipulam em suas escolhas. Porém, sejamos honestos: todos os nossos pais nos influencia(ra)m em alguma (ou mais) fase(s) da vida. Faz parte de pertencer a uma família. Com os autistas não é diferente. 

Autismo leve sempre pesa

A sociedade moderna se empenha na conscientização do autismo. O desconhecimento das décadas anteriores deu lugar à disseminação de informação em massa. No entanto, ao contrário do conhecimento do autismo infantil, ainda falta aprender mais sobre como o TEA se manifesta nas fases posteriores. Crianças autistas crescem e seguem necessitando de apoio. No caso do autismo considerado “leve” (nível 1), crianças bem sucedidas academicamente podem ainda se deparar com alguns desafios na adolescência e vida adulta. Não raro isso se dá nas áreas referentes à comunicação social (comunicação e interação). É o que aparenta ser a questão da jovem Greta, com imenso talento mas algumas limitações de comunicação — incluindo a expressão facial e corporal — que parecem ser a fonte de descrédito de seu discurso político. 

Hiperfoco

A capacidade de absoluta concentração em uma atividade é definida dentro do TEA como hiperfoco. Antigamente chamado de “obsessão”, o hiperfoco pode tomar horas da atenção de uma pessoa (autista), levando-a, por vezes, a comprometer o tempo em outras atividades. Em muitos casos, o hiperfoco é responsável pelo sucesso de muitos autistas de alto funcionamento, no que se destacam, justamente, pelo exercício daquilo em que “focam” com muita dedicação. 

No caso da Greta, o hiperfoco é o meio ambiente. Além disso, o modo de defender sua causa, com uma expressão facial e gestos um tanto irritadiços, quase gritando, podem ser reconhecidos nos autistas inteiramente convictos de suas palavras quando em debate ou discussão. É um jeito muito peculiar de ser, e de se comunicar, quando o autista têm absoluta certeza do que está falando. O próprio déficit de comunicação — inerente às características do Transtorno do Espectro do Autismo — justifica essa maneira de expressão social.

Símbolo

Greta pode não agradar a muitos pelo modo de defender suas convicções, mas, para várias pessoas das comunidades do autismo, a menina se tornou um símbolo de coragem e determinação ao não recuar ante às críticas e, inclusive, comentar sobre estas com um toque de humor sem demonstrar medo — a melhor resposta ao bullying. A dificuldade por ser mulher, autista e ativista por uma causa controversa não a inibiu, e isso, sem dúvida, é inspirador.

Muitos jovens autistas se reconhecem em Greta, ou a vêem como exemplo porque a menina conquista o que todos ambicionam (e merecem): ter voz.

Cada vez que um autista fala e a sociedade o desdenha, a mensagem é “você não tem voz”, “sua história não me interessa”, “você não sabe…não pode…não deve.” 

Seja como for, Greta, que foi uma das candidatas ao Prêmio Nobel da Paz 2019, é um nome já estabelecido mundialmente, fato extraordinário para qualquer jovem da sua idade. 

Greta desafia o preconceito e viaja por vários países levando uma mensagem, usando sua voz. Não é de se admirar que as pessoas a ouçam. O timing não podia ser melhor, já que as gerações mais novas de autistas leves estão, de fato, mudando o mundo.