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Unicamp constrói núcleo de capacitação em autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está trabalhando na construção do Programa de Atenção aos Transtornos do Espectro do Autismo (PRATEA), parte da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. O objetivo é que o PRATEA seja um campo de capacitação para professores da educação infantil e profissionais médicos que trabalham com diagnóstico para identificar as demandas e necessidades de crianças autistas.

Segundo a instituição, o prédio foi financiado com recursos de emendas parlamentares da ordem de R$1,75 milhão de reais do deputado federal Paulo Freire Costa (PL). A coordenadora do PRATEA, Eloisa Valler Celeri, estima que existam cerca de 10 mil autistas em Campinas. “É necessário que haja disseminação de informações que facilitem aos familiares, educadores e profissionais da saúde no auxílio à percepção precoce de sinais do TEA. A despeito dos avanços no reconhecimento e nas garantias legais, ainda há grande escassez de recursos de cuidado”, afirmou.

Assembleia Legislativa do Pará aprova reserva de bolsas para autistas em universidades privadas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Assembleia Legislativa do estado do Pará aprovou, na última terça-feira (17), o texto do projeto de lei nº 63/2021, que visa a obrigatoriedade de reserva de bolsas para estudantes autistas em universidades privadas do estado. O projeto foi criado pelo deputado Miro Sanova (PDT), e segue para sanção do governador Helder Barbalho (PMDB).

Segundo o portal O Liberal, o texto passou por mudanças, com o intuito de incluir também estudantes com Síndrome de Down. “A matéria não alcança todas as escolas. Nos preocupamos em colocar o projeto em grandes escolas e universidades e isso é uma grande vitória do parlamento. Sabemos da dificuldade de conseguir tratamento e atenção para esse público. O projeto é mais um avanço para quem tem familiares com autismo ou Síndrome de Down, que sabem da dificuldade que é buscar ajuda”, disse o deputado Sanova.

Quantos autistas há nas universidades brasileiras? — Revista Autismo

Coletivos de autistas expandem entre universidades públicas

Tempo de Leitura: < 1 minutoAutistas universitários têm criado, em todo o país, os chamados “coletivos autistas”, articulações coletivas de autistas universitários com foco em inclusão e permanência de estudantes dentro do espectro. O primeiro, o Coletivo Autista da USP, foi criado em maio e várias outras universidades pelo Brasil têm adotado o mesmo estilo.

Até o momento, instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) possuem coletivos autistas locais, com páginas disponíveis no Instagram.

Em entrevista ao Jornal da USP, a estudante Giulia Jardim Martinovic, criadora do Coletivo Autista da USP, explicou o contexto que gerou a ideia. “Quando entrei na faculdade, em 2019, senti falta de apoio específico e vi amigos autistas desistindo de se formar. Um rapaz me contou uma experiência muito ruim, em que um professor disse que a universidade não era lugar para ele, que ele deveria procurar um curso técnico”, afirmou.

‘Os autistas precisam de direção’, diz fundadora do Coletivo Autista da USP

Tempo de Leitura: < 1 minutoGiulia Jardim Martinovic, uma das fundadoras do Coletivo Autista da USP, projeto que visa amparar autistas da Universidade de São Paulo (USP) ativo desde 12 de maio deste ano, conversou com a equipe do Canal Autismo sobre a iniciativa. Segundo ela, a intenção é promover ajuda estudantil com monitoria, cursos e apoio psicológico a estudantes autistas, sobretudo aqueles recém chegados a instituição.

“Os autistas precisam de direção, sabe? E a USP é um lugar (por enquanto apenas online) que você tem que montar sua grade, você tem que trazer as coisas, não é igual a faculdade particular, [em que] tá tudo feito, tá tudo montadinho pra você, com todas as orientações. Então, o pessoal fica bem perdido”, disse ela.

A estudante ainda afirmou que há uma evasão de autistas na universidade e que ela enfrentou dificuldades. Por isso, o coletivo também oferecerá atendimento psicológico ministrado pelo psicólogo Magno Jonas Ribeiro. “É algo que muita gente sentiu falta, sabe? Um lugar que você pode conhecer outros autistas, entender que você não é estranho, ter outras pessoas como você, sabe?”, destacou.

Universitários autistas criam coletivo de apoio na USP

Tempo de Leitura: < 1 minutoEstudantes universitários autistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram, em maio deste ano, o Coletivo Autista da USP. O projeto tem o interesse de garantir apoio para a permanência de estudantes autistas dentro da universidade. O coletivo foi criado pelas estudantes Giulia Jardim Martinovic e Girlene Cavalcanti Novo.

Segundo a página do projeto no Facebook, a intenção é de oferecer grupos de apoio psicológico, palestras sobre o autismo, monitoria em diversas disciplinas, mentorias sobre estudos e carreira e cursos a partir do mês de agosto.

Jovem autista é aprovado para cursar Medicina na UFG

Tempo de Leitura: < 1 minutoJonathan Henrique da Silva, de 25 anos, ganhou destaque nas redes sociais na última semana. Autista, o jovem foi aprovado para cursar Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG), no campus Colemar Natal e Silva, localizado em Goiânia (GO).

Jonathan é natural de Arapongas, no interior do Paraná, e concluiu o ensino médio em 2012 numa escola pública. Nos anos seguintes, o jovem seguiu estudando por conta própria em casa enquanto também trabalhava. Entre o fim do ensino médio e a aprovação na UFG, veio o diagnóstico de autismo em 2017.

“Por conta do diagnóstico de Síndrome de Asperger, estou ainda mais convicto para, inclusive, atuar na pesquisa que envolve o autismo, área tão pouco explorada clinicamente”, disse ele em entrevista do portal Só Notícia Boa.

O jovem não é o primeiro autista do curso de Medicina da UFG. Outro caso também conhecido é o de Otavio Crosara, graduando desde 2014 e membro do podcast Introvertendo. Ele contou sua experiência no curso no episódio “Autistas na Medicina“, lançado em fevereiro de 2020.

Na Universidade Federal de Jataí (UFJ), recentemente desmembrada da UFG, também ocorreu uma aprovação de uma pessoa autista no curso de Medicina em 2021: foi o caso de Rubia Carolina Nobre Morais, também conhecida como Carol da página Autizando.

Estudante autista barrada na USP ganha bolsa nos Estados Unidos

Tempo de Leitura: < 1 minutoElisa Fremer, estudante autista de 17 anos que ficou conhecida recentemente por não poder cursar Engenharia civil na Universidade de São Paulo (USP) após ter obtido a quinta melhor nota do processo seletivo da Fuvest, recebeu uma bolsa de estudos na StartSe University, localizada em San Francisco, nos Estados Unidos.

Uma das polêmicas em torno de Elisa foi o fato de ter desenvolvido seus estudos em casa. Por adotar o homeschooling, a estudante não tinha certificado de conclusão do ensino médio. Além disso, é diagnosticada com autismo.

Junior Borneli, CEO da StartSe, destacou que a bolsa também cobre seus gastos no exterior. “Nós, da StartSe, acreditamos que não são os diplomas que definem nossas habilidades, mas sim o conhecimento que se adquire. Por isso, decidimos acompanhar a Elisa no seu desenvolvimento”, afirmou.

Quantos autistas há nas universidades brasileiras? — Revista Autismo

Quantos autistas há nas universidades brasileiras?

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O Censo da Educação Superior afirma que são 1.532, mas será que o número corresponde à realidade?

Os dados mais recentes do Censo da Educação Superior, promovido anualmente desde 1995 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), afirma que existem 1.532 autistas no ensino superior brasileiro. Apesar do número oficial, não existe uma forma exclusiva para que as instituições alcancem estes dados e, com isso, cada universidade utiliza seus próprios meios.

Entre as apurações institucionais e a publicação dos números pelo Inep, todas as informações são repassadas pela figura do pesquisador institucional. Servidor responsável por preencher os dados do sistema do Censo juntamente ao Inep, é uma figura presente nas instituições privadas e públicas. Sua responsabilidade, também, é de assegurar que os dados sejam fidedignos.

Além das dificuldades relativas à precisão dos números, o Censo da Educação Superior leva em consideração a décima edição do Código Internacional de Doenças (CID-10), atualmente em vigor, e que será atualizado em 2022, e, como consequência, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é subdividido em categorias em que logo entrarão em desuso. Em entrevista, o Inep justificou que o questionário será modificado em 2021.

Fora sua importância estatística, os dados do Censo da Educação Superior colaboram na criação e execução de políticas públicas, como o Programa de Acessibilidade na Educação Superior (Incluir). Mas, sem precisão de dados, a implementação de políticas é prejudicada. Neste sentido, a equipe da Revista Autismo procurou funcionários de acessibilidade e inclusão em três universidades federais de três regiões do país.

Burocracia

A Universidade Federal de Goiás (UFG), uma das principais da região Centro-Oeste do país, não possui um número exato e confirmado de autistas em seu corpo de estudantes. Os dados do Inep retornaram, em 2018, 5 alunos com “Síndrome de Asperger” e 2 com “autismo infantil” em todas as instituições federais do estado de Goiás, mas só na UFG estima-se que haja mais de 10 autistas matriculados.

Ana Claudia Antonio Maranhão Sá, atual diretora do Núcleo de Acessibilidade da UFG, afirma que há um desafio institucional. No ato da inscrição, por exemplo, os estudantes identificam suas deficiências. Os dados são repassados para o núcleo, que checa manualmente cada declaração por meio de ligações ou mensagens de email. No entanto, isso é feito de forma sistematizada apenas nos últimos anos, quando a instituição passou a ter cotas para pessoas com deficiência.

A esperança é que, em breve, os dados sejam mais precisos. Ana afirmou que, para isso, procurou a Diretoria de Gestão Técnica (DGT) da universidade, a qual, por sua vez, solicitou dados para o Centro de Recursos Computacionais (Cercomp). As planilhas geradas demonstravam diferenças em 3 diferentes pontos da matrícula dos estudantes: confirmação da matrícula online, matrícula presencial e atendimento pelo núcleo no sistema de cotas. Por isso, solicitou uma customização do sistema, prevista para até o final de 2019.

Hoje, os gráficos ainda são confusos. Os dados referentes a estudantes com deficiência são divididos em cinco categorias, parte delas genéricas; entre elas, “deficiência intelectual” e “não informado/não especificado”. Membros do núcleo acreditam que os estudantes autistas possam estar distribuídos, sem maiores critérios, nas duas categorias. Além do autismo, o diagnóstico de Altas Habilidades envolve problemas parecidos.

“Muitas vezes os diagnósticos não são fechados corretamente. E muitas vezes desconhecemos este aluno que acaba entrando na universidade, mas não sabemos quem é porque ele não nos procura e acaba passando despercebido pelo sistema. Ele tem sofrimento, tem dificuldades, mas fica sem nos acionar pelo desconhecimento do professor ou da sua unidade”, contou.

Questionada sobre as razões pelas quais o Inep ainda divide em “autismo infantil” e “Síndrome de Asperger”, Ana foi cautelosa. “Eu penso que o Inep, sendo um órgão daquele porte, essas especificidades não chegam”.

Responsabilidade

O Incluir, Núcleo de Inclusão e Acessibilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), não possui precisamente o número de autistas presentes na instituição. Em entrevista, a psicóloga Camila Menezes Ferreira Guerreiro afirmou que dois estudantes eram acompanhados pelo núcleo, e um deles não está mais com a matrícula ativa.

“A universidade não possui mapeamento geral dos estudantes com deficiência que nela ingressam. O que temos é o número de estudantes [nesta categoria] que entram por cotas. Mas isso não é responsabilidade do nosso setor. Nossa perspectiva de atuação é de assessoria. Como partimos do modelo social de deficiência, em que não é o indivíduo que deve se adaptar e sim o ambiente, a responsabilidade é da universidade como um todo”, afirmou.

Como assessoria, o foco do Incluir tem sido em promover eventos de capacitação e rodas de conversa sobre deficiência, além da assistência estudantil. Em termos de autismo, Camila contou que o estudante é ouvido para que seja identificadas suas especificidades e, com a participação do aluno, o Incluir promova estratégias de acessibilidade. Também são reunidos professores e coordenações de curso, conforme as situações.

Os dados do Censo da Educação Superior 2018 retornam 25 estudantes autistas nas instituições federais do estado do Rio Grande do Sul. Conforme a classificação do Inep, são 15 dentro do chamado “autismo infantil” e 10 na categoria “Síndrome de Asperger”. Camila observou que não foram identificadas barreiras institucionais na chegada dos estudantes ao Incluir. “Muito pelo contrário, achamos que o acesso ao nosso trabalho é bem claro”.

Autodeclaração

O norte do país, estatisticamente, é o que possui o menor número de autistas. Em todo o estado do Pará são classificados apenas dois estudantes nas instituições federais com “autismo infantil” e nenhum com Asperger. No entanto, apenas no campus Belém da Universidade Federal do Pará (UFPA), são assegurados mais de 25 estudantes diagnosticados. Quem garantiu foi a psicopedagoga Rosilene Prado, coordenadora da equipe de Transtorno do Espectro Autista e Deficiência Intelectual da Coordenadoria de Acessibilidade (CoAcess).

Entrada do campus da Universidade Federal do Pará.

Segundo Rosilene, o acesso mais próximo da equipe são dos estudantes que entraram pela política de cotas. “Alguns TEAs querem concorrer no geral. Alguns se identificam [como autistas], outros não, a maioria não se identifica. Para isso, fazemos muitas campanhas nos dias 2 de abril e 18 de junho. Nessa ampla divulgação aparece um colega ou um professor de algum aluno sinalizando e fazemos toda a aproximação. Só vem pra cá se ele tiver interesse, nós respeitamos isso”, destacou.

A autodeclaração, de certa forma, é um ponto crítico na identificação do número real de autistas no ensino superior brasileiro. Envolve uma série de questões – incluindo o fato de alguns autistas que não se veem como pessoas com deficiência – até parte dos laudos médicos, ainda orientados pelo CID-10 e sem grandes especificações. “Muitos que chegavam aqui nem sabiam que movimento é esse que eles tinham, a estereotipia. E nós fazemos um trabalho neste sentido, de autorreconhecimento”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Prado conseguiu detalhar e listar, conforme o atendimento de todos os seus estudantes, suas comorbidades. Entre elas, há dislexia, epilepsia, gagueira e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). As maiores barreiras enfrentadas por estes estudantes, segundo sua avaliação, são atitudinais, arquitetônicas e metodológicas.

Possibilidades

Diante das tensões que envolvem os subdiagnósticos, é difícil afirmar se o Censo da Educação Superior conseguirá ser mais verossímil a curto prazo. Mas ainda há passos possíveis de serem caminhados pelas universidades: os profissionais fixos do núcleos de acessibilidade, como realidade recente, precisam também encarar a novidade do autismo como deficiência. Criar pontes entre os órgãos e os estudantes em suas unidades acadêmicas é fundamental.

A figura do pesquisador institucional também, de certa forma, precisa dialogar mais frequentemente não apenas com os sistemas de gestão acadêmica, mas as instâncias que, diretamente, lidam com a temática da inclusão. São pequenos passos, mas pontos fundamentais para que mais tarde, autistas figurem melhor nas estatísticas e, consequentemente, nas políticas públicas.

CONTEÚDO EXTRA

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Universidade Federal e Revista Autismo fazem bate-papo ao vivo com professores de pós-graduação

Tempo de Leitura: 2 minutos

A UFSCar em parceria com a Revista Autismo realizou dia 21 de janeiro de 2014 um bate-papo ao vivo através do perfil da revista no Facebook. A proposta partiu do Laboratório de Aprendizagem Humana, Multimídia Interativa e Ensino Informatizado (Lahmiei) da universidade federal, que convidou três professores do novo curso de pós-graduação em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, que se inicia neste ano (2014) — Celso Goyos, Valéria Mendes e Ana Arantes.

Novo curso

Estão abertas, até 10 de fevereiro, as inscrições para este novo curso de pós-graduação lato sensu, que tem como objetivo capacitar profissionais para atuar de acordo com os princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA, da sigla em inglês para Applied Behavior Analysis) — o objetivo é melhorar a qualidade dos serviços prestados à pessoa com autismo.
Voltado a profissionais das áreas da saúde e educação e a envolvidos direta ou indiretamente com pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), o curso exige somente que os candidatos interessados possuam diploma de nível superior em qualquer área.

Instituto para autismo

Além da nova pós-graduação, o departamento de Psicologia da UFSCar desenvolve um projeto para criar um Instituto para autismo. A professora Giovana Escobal, coordenadora do projeto, explica: “A meta do Instituto é ser uma referência no desenvolvimento de pesquisa, atendimento e capacitação de pessoas que trabalham com transtornos do espectro autista”.

O prédio em que Instituto funcionará já está construído, e a inauguração e o início das atividades estão previstos para o primeiro semestre de 2015.