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Cotas nas universidades — Canal Autismo / Revista Autismo

Cotas nas universidades

Tempo de Leitura: 4 minutos

Pessoas com deficiência, incluindo autistas, clamam por cotas em universidades

A vivência na universidade é usualmente lembrada como um dos momentos marcantes da fase adulta. Com autistas não costuma ser diferente. Discussões sobre o autismo em adultos, inclusive, se intensificaram nos últimos anos. Afinal, pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista necessitam de suporte em todas as fases da vida. Pensando nisso, investigamos como está a acessibilidade e a inclusão de autistas no ensino superior no Brasil de hoje. O que efetivamente tem sido feito para assegurar a permanência e entrada de pessoas com TEA no ambiente acadêmico? Nesta reportagem da Revista Autista, você vai conferir os desafios, projetos e controvérsias que rondam o tema.

Autistas na universidade

Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2019, apenas 0.43% das matrículas em universidades paulistas eram preenchidas por alunos com deficiência. Dessas vagas, apenas 200 estavam ocupadas por estudantes autistas. Portanto, coletivos de autistas estão se mobilizando para cobrar das instituições a aplicação de cotas para pessoas com deficiência. Esses grupos incluem estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Fundadora do Causp (Coletivo Autista da USP), a estudante de direito Gia Martinovic observa que apenas uma pequena parcela de autistas ingressa no ensino superior no Brasil. Desses, muitos desistem. Por isso, ela defende que a criação de cotas para autistas proporcionará uma maior conscientização da comunidade acadêmica sobre a existência dessas pessoas na universidade. A ativista, que se identifica como não-binária, percebe semelhanças entre o capacitismo enfrentado por autistas no ambiente acadêmico e a vulnerabilidade experienciada por outros grupos sociais, como pessoas de baixa renda, nesses mesmos territórios. Ambas as populações, afinal, não se encaixam no perfil “elitista” de adolescentes privilegiados, com oportunidade de estudos nos melhores cursos preparatórios. No caso de autistas, não é incomum haver déficit no ciclo de formação primária e secundária, por exemplo.

Ciência e afetos como aliados para a inclusão

Por meio de sua atuação no Coletivo Autista, Gia oferece acolhimento para estudantes autistas e promove a conscientização acerca das demandas desses indivíduos, cujas vivências tendem a ser negligenciadas na universidade, já que o autismo é uma deficiência “invisível”. Além disso, ela considera que os professores devem ter maior escuta aos alunos neurodivergentes (o que inclui outras condições, como TDAH e dislexia), de modo a corrigir os impactos de métodos avaliativos projetados com base em um modelo baseado apenas nas necessidades de neurotípicos. “Todo método avaliativo deveria ter uma alternativa. A professora/professor pode dizer para a classe: ‘quem tiver dificuldades com algum método avaliativo pode conversar no início/final da aula ou enviar um email’”, pondera. 

Para a professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sônia Caldas Pessoa, as políticas de cotas chamam à responsabilidade iniciativas voltadas à entrada e permanência das pessoas com deficiência nas universidades. Ela considera que a chegada dos editais suplementares aos programas de pós-graduação na UFMG representam um grande avanço tanto para a entrada desses indivíduos no ambiente acadêmico quanto para a abertura de novos caminhos nas reflexões conceituais e no mercado de trabalho.

Sônia Pessoa é uma das coordenadoras do Afetos, o grupo de pesquisa em Comunicação, Acessibilidade e Vulnerabilidades, da mesma instituição. Foi por meio dele que se formaram a primeira mestra com deficiência em Comunicação Social da UFMG e a primeira mulher transgênero e autista a completar um mestrado em toda a instituição. O Afetos surgiu em 2017 como um coletivo de pesquisadores focado na abertura à colaboração permanente com pessoas em situação potencial de vulnerabilidade, especialmente pessoas com deficiência. Segundo a pesquisadora, a ideia é que a ciência possa, a partir de uma dimensão afetiva, pensar os processos, fenômenos e singularidades dos sujeitos considerados socialmente fora do padrão. Desse modo, as pesquisas desenvolvidas no Afetos percebem as vulnerabilidades sob um outro olhar, no qual a experiência não se limita a fazer parte da narrativa de vida do sujeito, mas se revela peça importante para a reflexão científica.

UFMG nega matrícula de aluna diagnosticada autista

A UFMG adota cotas para pessoas com deficiência desde 2017. A instituição, entretanto, se viu imersa em uma situação polêmica quando a estudante de Ciências Biológicas Gabrielle Sousa (nome fictício para preservar a identidade da fonte) foi notificada por email que sua matrícula foi indeferida após parecer da Banca de Validação e Verificação PcD da universidade. “A última coisa que passou pela minha cabeça é que eu seria indeferida pela banca, justamente por eu ter laudo e trabalhar, na época, em uma vaga PcD na empresa. Foi uma surpresa estressante e comecei a passar mal”, lamenta a jovem. 

Gabrielle procurou a defensoria pública e conseguiu uma liminar para ser matriculada com o processo ainda em andamento, mas teve acesso às plataformas da instituição apenas duas semanas depois. “Eles demoram muito para fazer minha integração no sistema e tudo mais. Parece que a UFMG só está enrolando mais ainda. Eu tento entrar em contato para ter apoio pedagógico. Eu perdi algumas provas, perdi trabalhos. É muito constrangedor eu assistir às aulas e no momento em que o pessoal fala do trabalho eu não poder participar, porque não tinha matrícula ainda”, descreve Gabrielle. 

Segundo a diretora adjunta do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFMG (NAI), Regina Céli Fonseca Ribeiro, para preservar a privacidade das pessoas envolvidas, a UFMG não comenta resultados ou casos isolados de situações específicas. “Há canais formais internos e externos à universidade para a discussão, análise e questionamentos de resultados. Reiteramos aqui o compromisso da UFMG com a efetivação da política de cotas, cujo objetivo é democratizar o acesso da população brasileira à universidade pública. Cabe, portanto, à instituição estabelecer e zelar pelo cumprimento de procedimentos rigorosos de verificação, que são determinações legais a serem seguidas e uma responsabilidade que levamos muito a sério, a fim de salvaguardar a reserva de vagas para as pessoas que, por direito, atendam aos critérios estabelecidos. A UFMG se mantém permanentemente em diálogo na construção de sua política de acessibilidade para que ela cumpra, cada vez mais, essa função social de forma justa e solidária”, declarou Ribeiro.

Estudantes autistas de universidades paulistas reclamam a falta de cotas

Tempo de Leitura: < 1 minutoUniversitários autistas da USP, Unicamp e Unesp estão reivindicando que as instituições públicas paulistas tenham cotas para pessoas com deficiência, assim como ocorrem com as universidades federais.

Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, Guilherme de Almeida, estudante da pós-graduação da Unicamp, comentou o caso. “É lamentável que as universidades mais importantes do país não tenham essa preocupação. Não fazem nenhum esforço para garantir o acesso desse grupo aos cursos de graduação e o pior é que não dão condições para que quem entrou consiga estudar com qualidade”, afirmou.

SISU abre inscrições e tem vagas para autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Sistema de Seleção Unificada (Sisu) abre inscrições para universidades brasileiras entre 15 e 18 de fevereiro para estudantes que fizeram o ENEM. As vagas são oferecidas para ampla concorrência, mas também para ações afirmativas de pessoas com deficiência, que incluem autistas.

De acordo com o cronograma do Sisu, o resultado da seleção deve será divulgado no dia 22 de fevereiro. As matrículas nas universidades ocorrerão entre 25 a 28 de fevereiro.

Para acompanhar e se matricular, acesse https://sisu.mec.gov.br/

‘Muitas pessoas não acreditavam que eu conseguiria’, diz autista premiado por nota na Universidade de Coimbra

Tempo de Leitura: < 1 minutoDiogo Nolasco ingressou no curso de História na Universidade de Coimbra, em Portugal, com uma das maiores notas. Diagnosticado com autismo, ele ganhou o prêmio UC à Frente. Com uma paixão pela área reconhecida por colegas e professores, ele afirmou que, no entanto, não foi sempre assim.

“Ao longo do meu percurso escolar, muitas pessoas não acreditavam que eu conseguiria fazer o que quer que fosse. Sofri bullying, humilhação e sempre tive bastante dificuldade em socializar”, disse ele em entrevista dada a instituição. Ele também contou que, no ensino fundamental, recebeu apoio profissional para concluir os estudos e, desta forma, conseguiu.

Ele também falou sobre sua paixão pelo curso. “A História sempre foi a minha grande obsessão! As pessoas com as minhas características, dentro do espectro do autismo de nível 1, costumam ter, desde pequenas, um interesse particular por um tema específico e isso reflete-se, depois, ao nível das suas escolhas em termos de curso, de carreira. Há áreas da História pelas quais me interesso mais, nomeadamente o Cristianismo (a origem, a atualidade, as evoluções e as mutações) ou a Segunda Guerra Mundial. Estudar História sempre foi o que quis fazer, não me imaginava noutro curso”.

Apesar disso, Diogo também afirma que possui dificuldades no dia a dia. O estudante afirma que não acredita que possa ter carteira de motorista, por exemplo. Atualmente, uma vizinha o auxilia em sua ida para a universidade, dando-lhe carona.

Assista o vídeo completo da entrevista:

Projeto da UFMS atende crianças autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), no campus de Paranaíba, desenvolve um programa de extensão chamado InterTEA: intervenção dirigida ao Transtorno do Espectro Autista.

O projeto é coordenado pela professora Ana Luiza Bossolani Martins, conta com professores e psicólogos especializados em Análise do comportamento aplicada (ABA). “Nosso objetivo é atender famílias que possuem indivíduos com TEA para que estes possam aumentar e desenvolver suas habilidades em diversas áreas do desenvolvimento e assim promover sua independência, autonomia e inclusão social”, disse a professora para a Adifes.

Evento gratuito discute acessibilidade para autistas no ensino superior

Evento gratuito discute acessibilidade para autistas no ensino superior

Tempo de Leitura: < 1 minutoO evento “Adultos no espectro autista e a universidade: inclusão no ensino superior” está programado para 7 de outubro. A mesa redonda, organizada por estudantes autistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), será transmitida online e tem inscrição gratuita.

A mesa redonda contará com os professores e pesquisadores Mayck Hartwig e Mirian Castellain Guebert, com mediação dos estudantes Jhonata Santana Silva e Guilherme de Almeida Prazeres. Segundo anúncio dos organizadores, o evento “busca iniciar o debate sobre quem são esses sujeitos, as razões pelas quais o diagnóstico, mesmo que tardio, é fundamental e quais são os primeiros passos para a inclusão na universidade”.

Pesquisadora trans e autista é aprovada na qualificação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Na última quarta-feira, 25 de agosto, a pesquisadora Sophia Mendonça, vinculada ao Grupo Afetos, teve qualificada sua pesquisa de mestrado “A Interseccionalidade entre Autismo e Transgeneridade: Diálogos Afetivos no Twitter” pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Sophia é jornalista, escritora, apresentadora, além de mulher transexual e autista. Ela é autora de oito livros e mantém o portal “O Mundo Autista” e o canal do YouTube “Mundo Autista” com a mãe, a também jornalista e escritora autista Selma Sueli Silva.

O exame de qualificação contou com a participação da banca composta pela orientadora Profª. Draª. Sônia Caldas Pessoa (PPGCOM/UFMG), Profª. Draª. Camila Maciel Campolina Alves Mantovani (PPGCOM/UFMG), Profª. Draª. Maria Luísa Magalhães Nogueira (PPG-PSI/UFMG) e Profº. Dr.º Juarez Guimarães Dias (PPGCOM/UFMG).

A defesa da dissertação está prevista para fevereiro de 2022.

Unicamp constrói núcleo de capacitação em autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está trabalhando na construção do Programa de Atenção aos Transtornos do Espectro do Autismo (PRATEA), parte da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. O objetivo é que o PRATEA seja um campo de capacitação para professores da educação infantil e profissionais médicos que trabalham com diagnóstico para identificar as demandas e necessidades de crianças autistas.

Segundo a instituição, o prédio foi financiado com recursos de emendas parlamentares da ordem de R$1,75 milhão de reais do deputado federal Paulo Freire Costa (PL). A coordenadora do PRATEA, Eloisa Valler Celeri, estima que existam cerca de 10 mil autistas em Campinas. “É necessário que haja disseminação de informações que facilitem aos familiares, educadores e profissionais da saúde no auxílio à percepção precoce de sinais do TEA. A despeito dos avanços no reconhecimento e nas garantias legais, ainda há grande escassez de recursos de cuidado”, afirmou.

Assembleia Legislativa do Pará aprova reserva de bolsas para autistas em universidades privadas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Assembleia Legislativa do estado do Pará aprovou, na última terça-feira (17), o texto do projeto de lei nº 63/2021, que visa a obrigatoriedade de reserva de bolsas para estudantes autistas em universidades privadas do estado. O projeto foi criado pelo deputado Miro Sanova (PDT), e segue para sanção do governador Helder Barbalho (PMDB).

Segundo o portal O Liberal, o texto passou por mudanças, com o intuito de incluir também estudantes com Síndrome de Down. “A matéria não alcança todas as escolas. Nos preocupamos em colocar o projeto em grandes escolas e universidades e isso é uma grande vitória do parlamento. Sabemos da dificuldade de conseguir tratamento e atenção para esse público. O projeto é mais um avanço para quem tem familiares com autismo ou Síndrome de Down, que sabem da dificuldade que é buscar ajuda”, disse o deputado Sanova.

Quantos autistas há nas universidades brasileiras? — Revista Autismo

Coletivos de autistas expandem entre universidades públicas

Tempo de Leitura: < 1 minutoAutistas universitários têm criado, em todo o país, os chamados “coletivos autistas”, articulações coletivas de autistas universitários com foco em inclusão e permanência de estudantes dentro do espectro. O primeiro, o Coletivo Autista da USP, foi criado em maio e várias outras universidades pelo Brasil têm adotado o mesmo estilo.

Até o momento, instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) possuem coletivos autistas locais, com páginas disponíveis no Instagram.

Em entrevista ao Jornal da USP, a estudante Giulia Jardim Martinovic, criadora do Coletivo Autista da USP, explicou o contexto que gerou a ideia. “Quando entrei na faculdade, em 2019, senti falta de apoio específico e vi amigos autistas desistindo de se formar. Um rapaz me contou uma experiência muito ruim, em que um professor disse que a universidade não era lugar para ele, que ele deveria procurar um curso técnico”, afirmou.

‘Os autistas precisam de direção’, diz fundadora do Coletivo Autista da USP

Tempo de Leitura: < 1 minutoGiulia Jardim Martinovic, uma das fundadoras do Coletivo Autista da USP, projeto que visa amparar autistas da Universidade de São Paulo (USP) ativo desde 12 de maio deste ano, conversou com a equipe do Canal Autismo sobre a iniciativa. Segundo ela, a intenção é promover ajuda estudantil com monitoria, cursos e apoio psicológico a estudantes autistas, sobretudo aqueles recém chegados a instituição.

“Os autistas precisam de direção, sabe? E a USP é um lugar (por enquanto apenas online) que você tem que montar sua grade, você tem que trazer as coisas, não é igual a faculdade particular, [em que] tá tudo feito, tá tudo montadinho pra você, com todas as orientações. Então, o pessoal fica bem perdido”, disse ela.

A estudante ainda afirmou que há uma evasão de autistas na universidade e que ela enfrentou dificuldades. Por isso, o coletivo também oferecerá atendimento psicológico ministrado pelo psicólogo Magno Jonas Ribeiro. “É algo que muita gente sentiu falta, sabe? Um lugar que você pode conhecer outros autistas, entender que você não é estranho, ter outras pessoas como você, sabe?”, destacou.

Universitários autistas criam coletivo de apoio na USP

Tempo de Leitura: < 1 minutoEstudantes universitários autistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram, em maio deste ano, o Coletivo Autista da USP. O projeto tem o interesse de garantir apoio para a permanência de estudantes autistas dentro da universidade. O coletivo foi criado pelas estudantes Giulia Jardim Martinovic e Girlene Cavalcanti Novo.

Segundo a página do projeto no Facebook, a intenção é de oferecer grupos de apoio psicológico, palestras sobre o autismo, monitoria em diversas disciplinas, mentorias sobre estudos e carreira e cursos a partir do mês de agosto.