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Matraquinha lança livro ilustrado para auxiliar na comunicação alternativa

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Com 104 páginas e uma grande diversidade de figuras, livro tem versão impressa e também digital

O que você faria para oferecer mais qualidade de vida para seus filhos? A família do Gabriel Yamuto, diagnosticado com autismo, e criadora do app de comunicação alternativa Matraquinha, lançou o livro ilustrado “Matraquinha — Autistas independentes através da comunicação”.

Segundo Wagner Yamuto, pai e um dos criadores do aplicativo,  “com esse livro, além das figuras que estão no app Matraquinha, será possível colar fotos de objetos, brinquedos, lugares, familiares, alimentos, que a criança ou adolescente tenha mais familiaridade”, explicou Yamuto, que também é colunista da Revista Autismo.

São 104 páginas com figuras dos mais variados temas, como, por exemplo: animais, alimentos, transporte, emoções, transporte, lugares, escola etc. O livro impresso está disponível na Amazon (https://www.amazon.com/dp/6599805000?ref_=pe_3052080_397514860) para compra imediata.

Versão digital

Também existe a versão digital (em arquivo PDF) e está disponível no site do Matraquinha:  em https://www.matraquinha.com.br/pecs/.

Matraquinha lança livro ilustrado para auxiliar na comunicação alternativa — Canal Autismo / Revista Autismo

Grabriel Yamuto com seu livro ilustrado do Matraquinha.

CONTEÚDO EXTRA

Ou você gosta de brigadeiro ou está errado

Tempo de Leitura: 2 minutosRecentemente foi aniversário do meu filho Gabriel, ele acaba de completar 13 anos e com o fim da pandemia conseguimos reunir a família para comemorar essa data muito especial.

O tema deste ano foi a Patrulha Canina, um desenho com filhotes de cães que precisam salvar o dia das armações de um prefeito malvado, de problemas ambientais e até mesmo para encontrar um bolo de aniversário perdido.

Apesar da idade dele, o conteúdo infantil ainda é o preferido, por outro lado, o Naruto, personagem de anime para adolescentes, começou a surgir em sua playlist.

Neste ano a experiência foi incrível, pois pela primeira vez ele participou ativamente da criação da festinha de aniversário: ele escolheu o bolo, os doces e os enfeites. Os ensaios para cantar os parabéns começaram semanas antes com a ajuda da irmã caçula, a Thata.

Mesmo sem falar por causa da apraxia da fala. ele se esforça e vez ou outra saem algumas palavras com um som familiar.

O grande dia chegou, ele mesmo escolheu a roupa e desta vez preferiu ir de chinelo do tipo slider, aqueles que não possuem aquelas tiras que divide o dedão dos demais dedos e que, de meias, dão uma aparência bem assustadora, como diz a minha filha.

O dia estava liberado e quando digo isso me refiro aos quitutes e doces, o que estivesse na mesa do bolo poderia ser comido por qualquer um, inclusive por ele que percebeu logo e não deixou passar batido.

Chegou o momento mais esperado, nos posicionamos na mesa e a cantoria começou, ele juntou os braços ao corpo, levantou levemente os antebraços e começou a bater palmas que estavam incrivelmente sincronizadas com pequenos saltos e um sorriso jamais visto em seu rosto.

Em alguns momentos ele olhava para a irmã, para minha esposa e para mim com aquele baita sorriso de alegria. Noutros, ele observava a família cantando, gritando, assoviando, batendo palmas, fazendo aquela festa que ele tanto merecia.

“… É pique, é pique

É pique, é pique, é pique

É hora, é hora

É hora, é hora, é hora

Ra-tim-bum!…”

Antes de cantar o nome dele, ele já estava com alguns brigadeiros na boca e saindo da mesa com mais alguns nas mãos.

Estes são momentos que ficam em nossas memórias e cada novo desafio que é superado precisa e deve ser comemorado.

Você consegue se lembrar da primeira vez em que comeu um brigadeiro?

Parabéns, meu filho.

Mamãe, Papai e Thata te amam!

Escola do desfralde

Tempo de Leitura: 2 minutosComo está sendo o desfralde do seu filho?

Por aqui foi um processo bem tranquilo, mas nem sempre foi assim.

Quando começamos a pesquisar escolas para matricular nosso filho, a primeira pergunta que os amigos faziam era:

— O Gabriel já desfraldou?

O desfralde ainda não tinha acontecido, o Gabriel tinha 2 anos, e tampouco tínhamos o diagnóstico de autismo. 

Começamos a correr contra o tempo, afinal de contas, isso é quase considerado um crime segundo as “regras sociais”, e foi nesse exato momento que as coisas começaram ir ladeira abaixo.

Além dos desafios que o meu filho precisava enfrentar por causa do autismo, ele ainda precisava entender o que estava acontecendo com o seu corpinho. As frustrações, estereotipias e crises aumentaram conforme o nível de estresse foi crescendo.

De certa forma, ele sabia que precisava dar conta daquela nova demanda que foi imposta, e por outro lado, eu, que deveria ser um porto seguro, estava mais preocupado com as tais regras sociais. Perdi a paciência por diversas vezes, me aborreci e acredito que ele tenha percebido em meu olhar os sinais de que não acreditava que ele conseguiria superar aquele desafio.

Tivemos que criar uma rotina de levá-lo ao banheiro de hora em hora para minimizar os famosos escapes de xixi. Além disso, para a hora do cocô, tivemos que aprender sobre leitura corporal.

— Como assim, leitura corporal?

Toda vez que ele precisa fazer cocô, o corpo dele apresenta determinados sinais que antecedem o evento e aprendemos a fazer essa leitura. Simples assim, sem regras e fórmulas mágicas.

Hoje, com 12 anos de idade, ele passou a pedir para fazer xixi e finalmente conseguimos aposentar a fralda geriátrica no período noturno. Deixamos acontecer naturalmente, e o sinal de que ele estava preparado foi a própria fralda, ela já vinha amanhecendo seca por um bom tempo.

Atualmente, eu entendo que esse processo deveria ser mais respeitoso e, se tivéssemos que passar por algo parecido, minha escolha seria buscar outra instituição de ensino. A mesma sociedade que me julga, não me acolhe e vira as costas quando eu mais preciso.

“Xixi, xixi, xiiiiiiiiiiiii acho que escapou aqui”… Deixa eu correr lá!

Família que criou aplicativo para filho autista, participa de especial de fim de ano na Record TV

Tempo de Leitura: < 1 minutoNeste ano, a Record TV gravou o especial de final de ano Família Record com parte do elenco da emissora e contou com uma plateia mais que especial: famílias que estão impactando centenas de milhares de pessoas com seus projetos pessoais e a família Yamuto, criadora do aplicativo Matraquinha, foi uma delas. O programa foi exibido nos dias 20 e 21.dez.2021 com reprise no dia 24.

“Foi uma experiência incrível e estamos superfelizes com o impacto que o Matraquinha tem causado em todas as pessoas que usam o app diariamente”, disse Wagner Yamuto.

Família

Por causa do Gabriel, filho autista do casal Wagner e Grazy Yamuto nasce o app de comunicação alternativa Matraquinha. Junto com Adriano Yamuto, tio do Gabriel, o casal lançou o app em 2018 e, desde então, tem impactado a vida de mais de 250 mil famílias espalhadas por todos os cantos do mundo.

A família composta pelos pais, tio e a avó Eliane foi sorteada para participar de uma gincana, teve um clipe com um resumo da história e recebeu um prêmio de 5 mil reais por ter vencido a competição.

Vídeo

 

Guia de Atividades do André agora também está no app Matraquinha

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Projeto desenvolvido pelo Instituto Mauricio de Sousa e Revista Autismo traz brincadeiras lúdicas, que podem ser feitas em casa, e ajudam no desenvolvimento dos autistas

O Guia de Atividades do André, o personagem autista da Turma da Mônica, está disponível gratuitamente no aplicativo de comunicação alternativa Matraquinha. O informativo conta com dicas e orientações de brincadeiras para  as famílias realizarem em casa, com sugestões de lazer que podem ser utilizadas neste período de férias escolares.

O projeto foi elaborado em uma parceria do Instituto Mauricio de Sousa com a Revista Autismo, e conta com informações do Centro Neuro Days e patrocínio da Academia do Autismo. O guia apresenta brincadeiras e atividades lúdicas para as horas livres, que ajudam no desenvolvimento e na autonomia de crianças inseridas no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pelo aplicativo, os usuários também podem acessar a revista “Um Amiguinho Diferente”, elaborada em 2003, quando o desenhista Mauricio de Sousa criou o personagem André, estrela da capa e das páginas internas do projeto. Por meio dessas histórias, é possível entender, por exemplo, o que é ecolalia e a dificuldade que existe na compreensão de frases abstratas.

O guia pode ser baixado gratuitamente no site do Instituto Mauricio de Sousa, aqui no Canal Autismo, ou ainda na Academia do Autismo.

App grátis

O link para baixar o aplicativo Matraquinha, que é gratuito, está no site matraquinha.com.br.

Meu filho não fala. E agora?

Tempo de Leitura: 2 minutosQuando minha esposa e eu adotamos o nosso filho, ele tinha 10 meses de vida e seu desenvolvimento estava de acordo com o esperado. Logo após completar 1 ano, notamos que ele não falava nenhuma palavra.

Começamos a investigar, fizemos audiometria, ressonâncias, eletroencefalograma, e chegamos ao ponto de fazer exames de cariótipo, que nada mais é do que uma foto dos nossos cromossomos.

O tempo foi passando e ele completou 2 anos. Todos a nossa volta diziam que criança é assim mesmo: cada uma tem seu tempo. Sempre vinham com a história da amiga, da vizinha que tinha um afilhado que começou a falar com 4 anos e agora é um cientista. Discurso feito até pelo pediatra do meu filho.

Quando ele completou 2 anos e meio, resolvemos matriculá-lo em uma escolinha, pois ele vivera 10 meses em um abrigo e devia ter faltado estímulos. Eu estava tão certo e tão convicto desta teoria que nem me preocupei.

Ele começou na escolinha e, passados alguns dias, a psicomotricista solicitou uma reunião em que sugeriu que marcássemos uma consulta com um neuropediatra. Fizemos o sugerido, no relatório dela o Gabriel estava descrito exatamente como ele era, e seguimos em frente.

Até me lembro que, no dia da consulta, meu filho começou a uivar, imitando lobos que ele tinha visto em algum desenho recente. Minha esposa e eu demos risada.

A doutora nos chamou, conversou conosco por 10 minutos enquanto observava o Gabriel e disse:

Seu filho tem autismo.

Apenas choramos e foi assim até chegar em casa.

E seguindo a orientação do livro Autismo – Não espere, aja logo! saímos em busca de ajuda. Iniciamos terapias e começamos com a fono e a psicóloga.

Quando perguntamos para a fono se um dia ele viria a falar, ela respondeu com toda certeza do mundo:

– Não sei. Mas o fato de não falar, não significa que ele não possa se comunicar. A comunicação vai muito além da fala.

Com o passar do tempo, aprendemos a ouvi-lo e a traduzir suas tentativas de comunicação verbal.

Boacha é bolacha, piti é pizza, gogó é leite com achocolatado e batata ele sempre falou certinho.

Quando estamos junto com ele a comunicação é mais fácil, pois minha esposa e eu viramos seu tradutor. Mas, e quando não estamos, como ele poderia fazer?

Em terapia, ele aprendeu a usar a prancha de comunicação e passou a ter uma qualidade de vida muito melhor. Quando ele quer alguma coisa, basta pegar a figurinha e mostrar para quem estiver próximo dele.

Com o passar do tempo, algumas figuras se perderam, transportar o fichário para todos os lados começou a se tornar uma atividade complicada e começamos a usar aplicativos de comunicação alternativa. As duas propostas funcionam muito bem e podem ser até complementares.

Sei que sou suspeito para falar, mas super recomendo o aplicativo Matraquinha 😉

Dê voz a quem você ama!

Beijo na vaquinha

Tempo de Leitura: 3 minutos

coluna: Matraquinha

Gabriel adora sentir a adrenalina correr por seu corpo e os passeios preferidos dele e da família são os parques de diversão e os que têm contato com a natureza.

Nos parques de diversão a atração preferida dele é a montanha-russa, seja a seca ou a molhada.

Geralmente nós vamos no vagão da frente, onde a emoção parece ser maior, e confesso que em algumas montanhas dá um medinho.

Quando os vagões começam a se mover, Gabriel abre um sorriso que só ele tem e começa a olhar para trás, só pra conferir se os outros tripulantes da missão estão preparados (e onde somente os fortes sobreviverão).

A primeira etapa é a subida e algumas são bem altas, em seguida vem uma curva que é feita lentamente para a direita e no final da curva tem a descida bem acentuada, daquelas que por milésimos de segundos fazem você se arrepender de estar ali no primeiro acento.

Nesse momento, toda a tripulação já perdeu o fôlego por alguns instantes, e quando menos se espera, escutamos os gritos de emoção dos demais vagões. E é nessa hora que o Gabriel olha pra mim e solta a maior e mais alta gargalhada que ele consegue dar. Ele também mordisca os dedinhos das mãos de tanta emoção.

Naquelas montanhas que em vez de trilhos há um canal com água é a mesma coisa, e o adicional da água torna tudo muito mais divertido e emocionante.

Mas, nem só de adrenalina se vive e o contato com a natureza também é fundamental. Na praia por exemplo, o Gabriel passa minutos e mais minutos apertando a areia e muitas horas dentro do mar.

Já tentamos ir ao zoológico, mas o distanciamento em que os animais devem ficar dos visitantes não o apetece, portanto aprendemos que temos de ir onde o contato possa ser mais próximo.

Vivemos na cidade de São Paulo e em uma cidade bem próxima há uma fazendinha, daquelas onde é possível que as crianças alimentem os coelhos, cabras, galinhas, patos, porquinhos, ovelhas. O lugar tem até búfalos e emas.

Gabriel sempre está acompanhado do tablet, pois toda a sua comunicação depende desse dispositivo, mas por alguns minutos ele larga tudo e parece entrar em sinergia com os animais.

Andar a cavalo, é uma das atrações que ele mais ama.

Alimentar os patos é sempre um risco, pois eles ficam no lago e a água é um ponto fraco do meu filho. Ele sempre tenta entrar para um mergulho com os patinhos…

Os coelhinhos são fofos e ele adora passar a mão. Numa das visitas, a responsável pelo cercadinho entregou cenouras nas mãos das crianças para que elas pudessem alimentar os coelhos, e, quando percebi, o coelhinho de nossa responsabilidade não estava comendo nada, quem estava comendo a cenoura era o Gabriel.

Já os animais que comem capim e feno, esses podem estar mais tranquilos e não perderão a refeição.

Na última vez em que estivemos nessa fazendinha, resolvemos levá-lo para ordenhar a vaca, e essa atividade tinha horário marcado.

Quando chegamos a fila estava enorme. Mesmo assim ficamos ali (e sempre tentamos ficar). De repente o Gabriel saiu correndo em direção à vaquinha que já estava preparada para a ordenha. Ele parou em frente à cabeça dela, fez carinhos nas orelhas por alguns minutos, suas mãos foram descendo pela testa em direção ao focinho e deu-lhe um beijinho. Também deu mais uns três pulinhos mordiscando os próprios dedinhos e foi embora.

Tentei entender o que tinha acontecido, mas resolvi deixar pra lá. Afinal de contas, a conversa era entre eles. E merece privacidade ;).

André vai pra dentro do app Matraquinha

Tempo de Leitura: 2 minutos

Instituto Mauricio de Sousa e a startup Matraquinha fecham parceria para trazer mais informações sobre autismo com o personagem André, da Turma da Mônica

A partir de agora, as aventuras do André, um garotinho que chegou para cativar toda a Turma da Mônica, estão dentro do app de comunicação alternativa Matraquinha. Por meio de suas aventuras, os mitos que envolvem o autismo vêm sendo desfeitos.

Todas as dificuldades, que normalmente estão presentes em pessoas dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), são apresentadas de forma lúdica, respeitosa e informativa.

No aplicativo, seção do André, estão disponíveis conteúdos criados em parceria com a Revista Autismo. Os usuários também podem acessar a revista “Um amiguinho Diferente”, de 2003, quando Mauricio de Sousa criou o personagem André. Por meio dessas histórias, é possível entender, por exemplo, o que é ecolalia e a dificuldade que existe na compreensão de frases abstratas.

Fonte de informação

“Estamos extremamente animados com essa parceria. O Matraquinha tem sido a voz de centenas de milhares de crianças e adolescentes e agora também será fonte de informação sobre o autismo com o André e toda a Turma da Mônica”, diz o CEO e cofundador do Matraquinha, Wagner Yamuto.

“Essa parceria com o Matraquinha nos deixa muito felizes. É um ponto de contato importante com as famílias de crianças que fazem parte do espectro do autismo. A revistinha um ‘Amiguinho Diferente’ busca informar sobre os principais sinais do autismo, e as HQs, em parceria com a Revista Autismo, tratam as características do André de maneira divertida e leve. O Matraquinha é uma maneira de levar esse conteúdo a um público mais amplo”, comenta Mauricio de Sousa.

 

Matraquinha — Lançado em 2018, Matraquinha é um app de comunicação alternativa para ajudar crianças e adolescentes com autismo a transmitirem seus desejos, emoções e necessidades por meio de dispositivos móveis (smartphones e tablets). A comunicação da criança é feita por meio de figuras e que, ao serem clicadas, fazem com que uma voz reproduza o que a criança deseja transmitir. O app pode ser baixado gratuitamente no Google Play, a loja de aplicativos para celulares e tablets que utilizam o sistema Android.

Instituto Mauricio de Sousa (IMS) — Fundado nos anos 90, o IMS realiza projetos, campanhas e ações sociais focados na construção de conteúdos que, por meio de uma linguagem clara e lúdica, estimulam o desenvolvimento humano, a inclusão social, o incentivo à leitura, o respeito entre as diferenças, a formação de cidadãos conscientes e conhecedores de seus deveres e direitos.

Não está sendo fácil pra ninguém

Tempo de Leitura: 2 minutosSegundo os especialistas, as rotinas trazem mais conforto e segurança para que nossas crianças não precisem lidar com o inesperado e desde o começo ficou muito claro a importância delas em nossas vidas.

Conseguimos seguir rotinas?

Quase sempre, mas existem fatores externos que não conseguimos controlar e esse é o problema.

Hoje o Gabriel tem 12 anos, as terapias fazem parte de nossas vidas há 10 anos, e sempre procuramos trabalhar com a principal dificuldade que ele possui: as interações sociais.

“Bom dia.”

“Boa tarde.”

“Boa noite.”

“Tudo bem?”

“Tudo, e com você?”

Pois bem, em março de 2020, o mundo foi surpreendido por uma pandemia cuja principal ferramenta de contenção é o distanciamento social.

Agora, me diga, como explicar para o meu filho que tudo o que ele fazia antes tem que ser feito de outro jeito?

Os abraços e apertos de mão que ele tanto adora, devem ser feitos à distância com um breve acenar, ou o famoso “soquinho”, ou a batida de antebraço.

Aos 5 anos de idade, meu filho abraçava manequim de lojas. Você tem ideia do que é isso?

Ele também frequentava uma escola regular e que, de forma repentina, foi excluída de sua rotina, assim como as terapias, as visitas à casa da vovó, vovô, tios e amigos…

Sabe o que aconteceu? Está sendo o caos na terra. 

Não sei na sua casa, mas aqui ficou e está sendo bem difícil. Se não é fácil para um adulto, tento imaginar o que se passa na cabecinha dele.

Além de tudo isso, ele não consegue usar a máscara, o que deixa nossas opções bem mais restritas.

Passamos os dias sobre momentos de gritos, choros, crises, e ele até começou a roer as unhas, coisa que nunca tinha feito antes. Por outro lado, não posso negar que existem momentos de interação, diversão, abraços, risadas e muito amor.

Lembre-se de que não está sendo fácil pra ninguém, e nem devemos usar isso como consolo, mas precisamos nos cuidar, porque para cuidar de nossas crianças, antes de mais nada, precisamos estar bem.

Precisamos cuidar de nossa saúde física e mental, por isso, alimente-se bem, durma bem, beba bastante líquido e tente reservar alguns minutos para si mesmo. Tente combinar este tempo com o seu marido, ou esposa, ou companheiro(a). Comece com 15 minutos.

Se você não tem um parceiro, veja se alguém de sua rede de apoio pode ajudar, ligue para seu irmão, seu pai, sua mãe, seu amigo, vizinho etc. Acredito que eles entenderão o seu pedido.

Dê uma volta no quarteirão, só você com seus pensamentos. Demore 5 minutos a mais no banho. Assista a um filme. Escute uma música. Dance como se não houvesse amanhã. Mas faça alguma coisa por você.

Eu sei que dizem que somos fortes, fomos escolhidos pelo universo e mais aquele monte de adjetivos que nos colocam em um pedestal de heróis, mas não somos.

Criamos uma armadura emocional para nossa proteção e de nossas crianças, mas debaixo dessa armadura há alguém com sentimentos, que sofre e chora igual a qualquer um. E também precisamos de alguém que cuide da gente.

Se você precisar de um ombro amigo, tenho dois pra lhe emprestar.

Fique bem!

Família que criou app para autistas, recebe capacitação do programa HealthTech Barretos

Tempo de Leitura: < 1 minutoUma iniciativa do Sebrae-SP e Hospital de Amor, por meio do Hub Harena Inovação, o programa HealthTech Barretos selecionou o Matraquinha, aplicativo de comunicação alternativa para participar do processo de aceleração, todo o programa será online e terá duração de 12 semanas. Ao todo, participam 14 startups do setor de saúde.

As startups inscritas passaram por uma análise inicial da equipe do Sebrae para avaliar a aderência aos critérios do programa: grau de inovação, modelo de negócio e potencial de escala. As startups qualificadas foram convidadas para apresentar o pitch (apresentação rápida de uma ideia ou oportunidade de negócio) para uma banca formada por dois profissionais do Sebrae, um médico do Hospital de Amor e um representante da comunidade de startups de Barretos, o Bruto Valley.

“A aprovação neste programa é mais um indicador que estamos no caminho certo e será de extrema importância para a evolução do Matraquinha”, ressalta Wagner Yamuto, co-fundador da empresa.

Aplicativo

Matraquinha é um app de comunicação alternativa para ajudar crianças e adolescentes com autismo a transmitirem seus desejos, emoções e necessidades através de dispositivos móveis (smartphones e tablets).

A comunicação da criança é feita através de figuras e que, ao serem clicadas, fazem com que uma voz reproduza o que a criança deseja transmitir.

Mais informação sobre o programa estão no site contato.sebraesp.com.br/healthtech/. E, sobre o Matraquinhahttps://www.matraquinha.com.br.

Família que criou app para autistas, recebe capacitação do programa Healthtech Barretos - Canal Autismo / Revista Autismo

Telas do aplicativo Matraquinha.

 

Eleven, então tá… tá certo

Tempo de Leitura: 2 minutos

– Bom dia, filho!

– Bom di. (sic)

– Tudo bem?

– Tudo.

– Qual o seu nome?

– Ga – bi – nel (Gabriel).

– Quanto anos você tem?

– Eleven.

– Quanto anos você tem?

– Eleven.

Perguntei mais duas vezes e a resposta foi eleven.

– Então tá, tá certo também.

Esta é a nossa rotina de todas as manhãs e um dos momentos em que o Gabriel tem maior interação conosco.

Acredito que seja pelo fato de ter acabado de acordar e os estímulos externos ainda não são suficientes para incomodá-lo. 

Certo dia, fui todo orgulhoso dizer aos meus amigos que o Gabriel fala em inglês e já mandei a pergunta:

– Gabriel, quanto anos você tem?

– ONZE.

– Quantos anos filhos?

Só pode ser brincadeira, fiquei com cara de bobo e ele nem esboçou a vontade de falar eleven.

O Gabriel foi diagnosticado com autismo e também apraxia da fala. A apraxia de fala na infância é causada pela dificuldade em programar comandos motores que ativam a musculatura da fala, na ausência de déficits neuromusculares.

A minha forma de entender é a seguinte:

Imagine uma ponte inacabada, você quer chegar ao outro lado e todos os dias que você chega na borda de um dos lados, acaba voltando pois não consegue saltar um vão tão grande.

Até que um dia você chegou em uma das bordas, mas o desejo de chegar ao outro lado era tão grande que respirou fundo, pegou a distância necessária, saltou e quando menos percebeu tinha conseguido chegar.

Vou explicar na prática como isso aconteceu recentemente.

Minha esposa e eu levamos o Gabriel para tomar uma vacina, chegamos no posto de saúde e ele estava tranquilo mas achando tudo muito suspeito.

Tudo estava indo bem, crianças entravam na sala e depois saíam felizes. Ele estava assistindo a vídeos em seu tablet e até aí, tudo dentro da normalidade.

Quando precisamos ir a médicos ou postos de saúde, sempre explicamos a condição do Gabriel e neste dia não foi diferente.

A enfermeira sabendo disso, já deixou tudo preparado para que pudéssemos entrar, vacinar e sair.

O Gabriel entrou de cabeça baixa por causa do tablet e bem no momento que entramos, a enfermeira estava dando aquela batidinha com a ponta dos dedos na seringa para tirar o ar que sempre acaba ficando lá dentro ao puxar a medicação.

Ele arregalou os olhos e falou:

— Xixi. Xixi. Xixi.

Colocou a mão no pipi e saiu correndo procurando um banheiro. Todos caíram na risada e mesmo assim, depois do xixi não teve como escapar. Tomou a vacina no braço, ganhou um pirulito e voltamos pra casa.

Desta vez, ele saltou para o outro lado da ponte sem pegar distância e a primeira palavra que lhe veio à cabeça foi xixi.

Vou confessar que não foi tão simples assim, quando estávamos nos preparando para ele tomar a vacina, sentei na cadeira e o coloquei em meu colo, mas o medo era tão grande, que ao tentar evitar a picadinha no braço, ele fez um movimento mais brusco que conseguiu entortar o pé da cadeira e nos esborrachar no chão. Felizmente ninguém se machucou e sobrevivemos para contar mais esta história. 

Autismo na escola

Tempo de Leitura: 3 minutos

coluna: Matraquinha

O período escolar é uma das principais etapas de nossas vidas e o que dizer quando se trata dos nossos filhos?

As expectativas que criamos são infinitamente superiores ao que poderíamos imaginar para nós mesmos. Muitas vezes,  esperamos que aquelas crianças que têm 2 anos, tornem-se cientistas da NASA, quando adultos.

Pensamos em um esporte como natação, que dizem ser um dos mais completos, e cursos de idiomas (para os dias atuais, apenas o inglês não é mais suficiente).

Até que chega o momento em que nos damos conta de que alguma coisa não está indo muito bem. Depois de muito refletir, chegamos à conclusão de que deve ser falta de estímulo. Entramos em lojas de brinquedos educativos e compramos aqueles aramados para trabalhar a coordenação, peças com letras, números, formas geométricas etc.

Começamos os trabalhos no mesmo dia, com as horas das atividades em planilhas, afinal de contas sem esforço não teremos a recompensa. Vamos lá!

Em um belo dia, a escola marca uma reunião com a psicomotricista que nos relata as dificuldades percebidas em nosso filho e no final da conversa nos entrega um relatório que deveria ser levado a um neuropediatra.

Fizemos o sugerido e em 10 minutos de conversa com a neuropediatra, nosso filho foi diagnosticado com autismo.

Todas aquelas expectativas se foram com as lágrimas que escorriam em nossos rostos. Ficamos um tempo sem saber o que fazer, mas a vida já nos tinha mostrado a que veio alguns anos antes.

Enxugamos o rosto e definimos como principal objetivo a qualidade de vida do nosso filho. Dentro de todas as dificuldades que o autismo apresenta, nossa meta é que ele consiga e possa ser feliz.

Mesmo com pouca idade, ele já tinha passado por três escolas e todas vieram com a justificativa de que não poderiam atender às suas necessidades especiais. As mesmas escolas, que nos receberam de braços abertos e nos afirmaram que ele teria todas as ferramentas possíveis para um desenvolvimento completo e pleno.

Parece familiar este discurso?

Pois é, infelizmente é familiar para muitos de nós.

Certa vez, a diretora da escola nos chamou e explicou que ele deveria refazer a pré-escola, pois ainda não tinha habilidades suficientes para acompanhar os demais colegas e isso poderia ser muito prejudicial para sua autoestima.

Minha esposa e eu concordamos e ainda fomos avisados de que ele não teria a formatura com a turminha, pois não faria sentido, uma vez que o ano seguinte continuaria na mesma série.

Na semana seguinte, fomos convocados para outra reunião e recebemos o aviso de que ele deveria ir para o primeiro ano do fundamental por causa da idade.

Com a mesma tranquilidade que recebemos o primeiro aviso, recebemos este e já que o ano seguinte seria no primeiro ano, nada mais justo do que ele participar do encerramento deste ciclo junto com os demais amiguinhos e participar da formatura.

A diretora arregalou os olhos e disse:

Mas ele não fez os ensaios com a turma e não dá tempo para isso.

Nós respondemos:

OK, mas nada impede que ele suba ao palco vestido com a beca e pegue seu canudo, e isso ele vai fazer.

Ela ainda contestou, dizendo que o evento era muito longo e começou a lista de razões para não deixá-lo participar.

Nós fomos enfáticos e dissemos que ele não precisava dançar, recitar poemas etc. 

Depois de muitos argumentos de todos os lados, a diretora entendeu que não estávamos dispostos a privar o Gabriel daquela experiência e houve apenas uma condição: ele precisaria de um acompanhante na coxia do teatro.

No dia da formatura chegamos no horário combinado e ficamos aguardando nos chamarem para irmos até a coxia, vestir a beca e esperar o momento de brilhar.

Os amiguinhos começaram a ser chamados e quando subiam ao palco, recitavam um poema bonitinho e chamavam alguém da família para subir ao palco e concluir a cerimônia.

Quando o terceiro amiguinho subiu, chamei a professora e falei que o Gabriel também chamaria alguém especial. Ela ficou branca, e desembestou a falar, argumentando que ele não tinha ensaiado, não conseguiria, e que ele não era capaz.

Até que alguém anunciou o Gabriel, peguei na mão dele, pegamos o canudo e a mestre de cerimônia pediu para ele se sentar. Respirei fundo, levei-o até o microfone e nesse momento foi possível perceber a tensão de todos os envolvidos.

Cochichei no seu ouvido e segundos depois ele falou “mama”.

Minha esposa começou a chorar, eu comecei a chorar e quando notei todos estavam extremamente emocionados. Fomos aplaudidos e o resto é história.

Lembre-se de que a sua criança é capaz e nunca deixe o autismo ser uma sentença em suas vidas.