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‘Sou feliz assim’, diz professora diagnosticada tardiamente com autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoA professora Kelly Mayane recebeu o diagnóstico de autismo na vida adulta. O processo de conhecimento sobre o autismo começou quando sua filha, de menos de 2 anos, apresentou sinais do autismo.

Em entrevista ao G1, ela falou sobre o impacto do diagnóstico. “Eu entrei em estado de luto. É assim que eu posso falar. Não foi fácil, mas ao mesmo tempo eu fui entendendo que muitas coisas que aconteceram na minha vida hoje fazem certo sentido. É possível viver feliz. Eu amo minha profissão, amo ser professora e ensinar. Amo meu esposo e minhas filhas, só que da minha maneira e sou feliz assim”, afirmou.

Crescer dói

Tempo de Leitura: 4 minutosPassei mais de 50 anos tentando me adaptar à uma tipicidade que não era minha. Tenho memória viva de, desde os 3 anos de idade, observar as pessoas à minha volta. Queria entender aquela sensação de “cadê o meu lugar?”. Éramos eu, minhas irmãs e meus pais. Porém, de repente, com a separação deles, éramos eu, minhas irmãs, minha mãe, minha vó, meu vô e meus 8 tios. O tio mais novo era da idade de minha irmã mais velha, 5 anos. E o mais velho, era três anos mais novo que minha mãe. Ele tinha 22 anos. Entre os tios, duas tias de 8 e 13 anos. Eu não tinha a menor ideia de que era uma pessoa com deficiência. Hoje sei que sou. E, tanto antes como agora, uma verdade me atravessa: crescer dói!

Crescer dói mesmo

Ao dividir minha vida em infância, adolescência, juventude, fase adulta até os 50 anos, ela fica mais ou menos assim. Durante a infância me agarrei ao que me era ensinado pelos adultos. Tentei entender o que havia me trazido ao convívio de uma família imensa. Tentava entender as regras, duvidava de que eram iguais para todos. Mas segui-las, ainda era o meu melhor alento. Minha irmã mais velha, de repente, passou a se comportar quase como adulto. Contudo, a mais nova, coitada, era alvo constante dos deboches dos tios maiores. Ela voltara a fazer xixi na cama, depois que meus pais separaram. Hoje penso que, caramba, ela só tinha 2 anos.

Na adolescência, embora já tivéssemos nosso próprio canto, minha vida piorou. E muito. Ficava perdida entre as tarefas da casa, as da escola e a necessidade de me relacionar com mais pessoas que antes. Nesta época, comecei a agir por erro e acerto para tentar entender as pessoas. Meu objetivo era passar o quanto mais despercebida que pudesse. Quanto mais eu crescia, mais eu entendia, com a minha própria vida, que crescer dói. Em outras palavras, o mundo ficava cada vez mais complicado. As constantes dessa constatação de complicação crescente? Ora, as pessoas e as situações que as envolviam.

Crescer não tem linha de chegada, logo…

Quando a juventude chegou, percebi que este momento é uma espécie de transição para a vida adulta plena. Ou seja, na juventude, tudo que o que as pessoas podem, elas começam a cobrar de você. Muitas pessoas reunidas são o que chamamos de sociedade. Quando a sociedade cobra e você não reage como ela espera, babau. Nascem os rótulos.

Nesta época, comecei a receber tantos rótulos, que tive de repensar minha vida. Eu era a ‘sem esportiva’, a ‘nervosinha’, ‘a boazinha’ – quando agradava todos, mas nem sempre agradava a mim mesma. Foi aí que ‘me ferrei’.

Infelizmente, criei a regra de que se você agradar todas as pessoas, você terá uma vida mais harmoniosa. Isso para evitar atritos. É que as pessoas costumam ser cruéis quando se aborrecem. Ou quando as coisas não caminham do jeito que elas querem. Em outras palavras, muitas pessoas se aborrecem quando situações e outras pessoas não se encaixam na expectativa delas. A tal sociedade, lembram?

Enfim, adulta!

Agradava o outro, mas o que fazer com as emoções e confusões que cresciam dentro de mim? A coisa mais complicada da vida é tentar se encaixar a um contexto que você sequer entende. Acrescente-se a isso, as regras de um mercado competitivo e pernóstico das décadas de 80 e 90.

Foram muitas experiências ‘non sense’, outras bem sofridas mesmo. Entretanto, a cada dia, eu entendia mais da dinâmica de cada grupo. Família, trabalho, autoridades, colegas, grupos religiosos. Cada qual com suas peculiaridades. De vez em quando eu me confundia e aí era crise na certa.

Mas, até para isso, elaborei estratégias de modo a não ser considerada ‘fora da medida da régua’. Por exemplo, eu não sabia discernir atitudes e palavras que sinalizam que a mulher está ‘na pista’. Desse modo, criei uma faceta ‘descolada’ com todos. Dessa forma, a percepção era de que eu tratava todos de maneira igual. Sem deferências. Sem problemas, portanto.

Outra estratégia, era não permitir que a interação caminhasse para um ponto que eu não dominasse. Caso acontecesse, eu já tinha a minha lista de saídas estratégicas. Mas, a verdade, era que essa vigília constante, esse esforço para classificar e segmentar todas as interações de minha vida, me levaram a um cansaço crônico. Eu não sei relaxar. Minha cabeça se mantém em alerta, 24 horas ao dia. Relacionar exige técnicas e dá trabalho. Muito trabalho.

Depois dos 50 e do meu diagnóstico. Aqui também, crescer dói

Desde 2003, sou acompanhada por psicólogos, com alguns intervalos sem eles. Há uns 2 meses, finalmente, encontrei uma profissional que entende de gente. Além disso, entende de pessoa autista. Finalmente, consigo organizar minhas demandas de autoconhecimento pós diagnóstico.

Contudo, de uns dias para cá, estou muito mexida. É que, com o autoconhecimento vem uma espontaneidade e leveza libertadoras. Eu as acolho e me dou bem com elas. Mas, infelizmente, muitas pessoas (de novo a sociedade), estão estranhando minhas atitudes. E era para estranhar mesmo. Pois cada um de nós, tem o próprio jeito de ser.

Assim, o diferente vem para somar, para ativar o nosso gatilho da negociação e da criatividade. Vem para ousar pensar em algo fora da caixa. Tenho tido alguns e louváveis acolhimentos. No entanto, você que me lê, muitas pessoas insistem para que eu volte para a caixinha, para o padrão. Aquele formato velho conhecido da maioria. Algo que não os instiga a ações diferentes das de sempre.

Oh, céus. Eu não quero que a minha recém-descoberta diferença afaste as pessoas de mim. Eu quero apenas uma chance. Não, eu não sou chata. Também não sou prolixa. E nem me estendo para além da paciência alheia. Saibam que eu apenas busco, depois do diagnóstico, encontrar o meu ponto de equilíbrio. Então, eu dispenso a antiga zona de conforto que agrada mais às pessoas. Mas que me sangra por dentro.

Aqui e agora, eu existo. Resisto e insisto

Eu estou aqui. Eu existo. Da maneira que eu sou. Pouquíssimas pessoas me conhecem e me aceitam dessa forma. Algumas na família, uma amiga que sempre foi meu suporte quando trabalhamos juntas. Eu sequer tinha o diagnóstico. Outra amiga pós diagnóstico. Meus quatro afilhados: três na área da comunicação e uma na área policial. Minha filha, certamente. E um homem que, a despeito dos nãos da própria vida, ousou me amar.

Essas pessoas, sim, conhecem minhas limitações. E minha luz. A elas, eu me entreguei plena. Eu ofereci o meu melhor. E é por elas, e por você que me lê, que eu sigo. Não vou desistir jamais. Afinal, crescer dói. Mas eu existo e insisto.

Drauzio Varella discute autismo na vida adulta em podcast — Canal Autismo / Revista Autismo

Drauzio Varella discute autismo na vida adulta em podcast

Tempo de Leitura: < 1 minutoO médico e divulgador científico Drauzio Varella lançou, no podcast DrauzioCast, um episódio sobre autismo em adultos neste mês de abril. O debate ocorreu com a participação de Mayck Hartwig, neuropsicólogo especializado no atendimento a adultos autistas e responsável pela página Adultos no Espectro no Instagram.

Ouça:

A educação de pessoas adultas autistas

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado;  Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

No Brasil sentimos uma grande lacuna na oferta de serviços educacionais e outras intervenções para adultos com TEA.

Penso ser pelo fato de que ainda não conseguimos desconsiderar o autismo como sendo especificamente infantil, então não nos damos conta que  jovens e adultos continuam ao longo da vida necessitando de atenção. Se apenas ofertamos educação em período obrigatório, impedimos que pessoas adultas usufruam de atenção educativa.

É necessário e urgente que pensemos na ampliação do conceito de educação que contemple todas as etapas da vida do indivíduo, levando em conta que o autismo é de ordem crônica, e não se limita a infância.

Ninguém é impassível as mudanças proporcionadas por uma educação adequada, que entenda especificidades, respeite estilos de aprendizagem, contemple habilidades e ofereça possibilidades.

Ao pensarmos em bom programa educacional para adultos, ter em mente a promoção de: habilidades de comunicação, sociais, emocionais, cognitivas e também as vocacionais.  Investirmos de forma positiva em áreas como atenção, memória e funções executivas.

Proporcionar flexibilidade na formação, pode fazer com que adultos autistas desenvolvam melhor o controle de situações, encontrem soluções para reduzir o stress e a ansiedade, ser capaz de melhor generalizar, desenvolver ou aumentar empatia, lidar com as emoções, ter melhor autoestima, entre outros.

Em relação a adaptações curriculares,  o que é algo ainda difícil para educadores que lidam com pessoas autistas adultas,  propor conteúdos com bastante estrutura e pistas visuais, respeitar o ritmo de aprendizagem, eleger prioridades, sequenciar,  respeitar os gostos e a vontade do aluno quanto a conteúdos (pode ser que o aluno já tenha visto  o conteúdo proposto repetidamente ou foge aos seus centros de interesse, aí ele não se anima, ou até mesmo se nega a cumprir as atividades)  e  por fim, é  imprescindível que o currículo proposto seja adequado ao nível de funcionamento da pessoa com TEA.

Educadores busquem aprimorar e obter formação para o atendimento educacional de adultos, e não pensar que conhecimentos relativos ao desenvolvimento infantil sejam adequados para atender aos de idade mais avançada.

Também vemos ser importante perceber que muitos alunos com TEA podem estar mais aptos para lidar com questões de aprendizagem aos 20 anos, do que estavam com 10; sendo que ao chegarem a idade adulta, muitos deles possam ter aprendido a lidar melhor com certos comportamentos,  a  gerir  conflitos relativos ao stress e ansiedade, possam lidar melhor com as dificuldades relativas  aos interesses restritos.

Na vida e na educação é essencial termos objetivos, para a educar adultos com TEA, os objetivos devem ser voltados as competências, identificar os interesses pessoais e os vocacionais, priorizar habilidades e aptidões para orientar os alunos em formações acadêmicas e profissionais, visando também a sua empregabilidade.

Autistas apresentam potenciais que por vezes nem sequer imaginamos, isso se dá por darmos mais foco as limitações do que as possibilidades, a nossa visão limitada aliada por vezes a nossa inércia, faz com que desprezemos imensas capacidades.

Arregacemos as mangas e lutemos para que todos possam ter acesso a educação ao longo da vida e ao mercado de trabalho, não apenas os considerados “ grau leve” ou os que usufruem de privilégios econômicos. Para sermos uma sociedade mais justa a educação deve realmente ser direito de todos.

Que o trabalho e contribuição dos pais sejam valorizados e reconhecidos, abrindo espaço para parceria entre educadores e pais.  Antes de planejar programas, adaptar e promover ações, consultar os pais ou outros membros da família que sejam importantes para o desenvolvimento do adulto com TEA.

Investir na educação de pessoas adultas com autismo é investir na capacidade humana de se desenvolver ao longo da vida; todos podem aprender e seguir no aprendizado, adquirir novas habilidades e se tornarem seres humanos mais completos, mais produtivos e mais felizes!

Autismo na vida adulta

Tempo de Leitura: 4 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado;  Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

É assim que vemos nossos filhos(as) autistas adultos hoje?

É assim que a sociedade em que estamos inseridos os trata?

Há mais de 20 anos, quando comecei a busca por um diagnóstico correto para meu filho, digo correto porque diagnósticos ele teve muitos, mas todos equivocados, e ele o conseguiu realmente aos 12 anos de idade.

Foram tantas lutas que tive de travar com o desconhecimento do transtorno, com o preconceito, com a falta de informações, com a falta de atendimento clínico e educacional especializados, com a falta de políticas públicas.

Naquele período, éramos poucos pais, sozinhos, contra um mundo que desconhecia o autismo. E a proporção de autistas, segundo as estatísticas naquela época, era de mais ou menos 1 a cada 10 000 nascidos, e hoje com a proporção de 1 a cada 59, continuamos ainda travando quase que as mesmas lutas.

E é por haver trilhado um caminho que muitos de vocês ainda não trilharam, pois acredito que muitos sejam de pais de crianças, é que estou aqui, para lhes chamar a atenção para a questão do autismo na fase adulta.

Para dizer-lhes que é preciso conscientizar a sociedade sobre esse tema.

Há bastante tempo, uma senhora me contou, que ao receber o diagnóstico do filho, o médico lhe disse:  -Seu filho tem Autismo Infantil.

E ela como desconhecia o assunto, ficou atordoada no começo, ao receber a notícia, mas depois pensou com seus botões: – É uma doença da infância, quando ele crescer tudo já terá passado.

Como eu já havia dito no começo do texto, essa foi uma forma de se acalentar.  Mas só um tempo depois, pesquisando, foi descobrir que o autismo não desaparecia com a infância. Seu filho poderia melhorar, mas que continuaria sendo um autista, na adolescência, na idade adulta e na senilidade…

Com o passar do tempo, vem a experiência e o coração dos pais sempre se aperta quando pensam: – O que vem depois? O que será de meu filho quando eu já não mais estiver por aqui?

Uma vez li a seguinte frase: “No autismo, o movimento para a vida adulta deve ser como cair em um abismo. Mas, recordo-me que, ainda no tema abismo”. Nietzsche disse: “Quando você olha muito tempo para dentro de um abismo, o abismo olha de volta para dentro de você”.

E essa é uma verdade que nós pais de autistas adultos descobrimos da pior forma: a queda no abismo e os seus questionamentos sobre nós.

Com isso estou querendo dizer que a diferença entre os serviços disponíveis às crianças e os disponíveis aos adultos é gritante.

Autistas adultos, de uma maneira geral, não têm acesso ao trabalho; a escola (quando os aceita) já não é adequada; muitos terapeutas passam a não acreditar que eles venham a apresentar melhoras e acham que investir neles é tempo perdido; não há lazer adequado; os pais já estão cansados, envelhecidos e sem o mesmo pique do início da vida.

Em tudo fica mais difícil para os adultos. A falta de residências abrigadas ou assistidas, onde eles possam conviver com outras pessoas de sua idade, e onde os pais possam ter confiança em deixá-los, tiraria de suas costas o peso de não saber o futuro dos filhos quando eles já não estivessem por aqui. Essa é também mais uma das nuances da dura realidade que as famílias têm de passar.

Charlotte Moore, autora do livro George & Sam (sobre seus dois filhos autistas), diz com muita propriedade que “quando seus filhos estão presos em um mundo de gritos e autoagressão, você gostaria de receber um tratamento seguro para aliviar os sintomas”, mas que não é o mesmo que “desejar que o autismo desapareça”.

Além disso, não é isso que os pais com os pés na realidade do transtorno querem para os filhos, que seus “autismos” desapareçam. Queremos mesmo é a oportunidade de tratá-los, a oportunidade de fazer diferente, de poder abrir-lhes o horizonte.

Como se não bastassem todas sobre os pais, precisamos ainda mostrar às pessoas e principalmente aos governantes (sim, aqueles que nós mesmos colocamos no poder) que o destino de um autista adulto não deve se limitar a ingerir grandes doses medicamentosas (afim de tranquilizá-los) e serem colocados em frente a uma TV pelo o resto de suas vidas.

Eles podem se tornar adultos independentes e produtivos para a sociedade, e para isso, eles só necessitam de investimento. Um projeto de atendimento ao autista adulto é vantajoso, nossos governantes precisam aprender a olhar a longo prazo.

O custo que um autista adulto dá aos cofres públicos, se este for investido num atendimento especializado, é menor que os gastos com internações constantes ou prolongadas, com medicações excessivas e muitas vezes desnecessárias.

Também não devemos aqui olhar apenas o lado do investimento financeiro, mas o investimento na qualidade de vida de cidadãos, que devem ter os seus direitos respeitados.

Fornecer apoio e atendimento especializado para melhorar a vida dessas pessoas e suas famílias tem compensação certa ao longo do tempo. E a nós, pais, caberá o direito que ainda não nos é dado: viver uma velhice sem tantas preocupações em relação àqueles que estaremos deixando neste mundo.

Também o direito inalienável de morrer, isto mesmo, eu estou falando sério, “o direito de morrer”, pois até isso nos é negado na atual situação de nosso país com relação ao apoio que deveria ser dado aos autistas no caso da morte de seus pais.

É certo que nós, pais de autistas, temos os nossos muitos superpoderes, pois fazemos multiplicar dinheiro para pagar as intervenções, somos polivalentes e multifacetados, temos a propriedade de estar em vários lugares ao mesmo tempo, precisamos de poucas horas de sono, muitas vezes somos pais, terapeutas, educadores, enfermeiros, cabeleireiros, etc.

Agora, o poder de sermos eternos ainda não nos foi dado, mas, bem que se pudéssemos escolher…

Mãe descobre autismo de filhos em épocas diferentes da vida

Tempo de Leitura: < 1 minutoEufrasia Agizzio é manicure, ativista e tem dois filhos. O caçula, Victor, foi diagnosticado com autismo logo na infância. O mais velho, Rodolpho, recebeu o diagnóstico anos depois. Os dois estão em pontos diferentes no espectro – sendo Victor um caso mais “severo” e Rodolpho mais “leve”.

Em 2011, Eufrásia criou a Associação de Monitoramento dos Autistas Incluídos em Santa Bárbara d’Oeste. “Elas eram minhas clientes, acompanharam o nascimento do Victor, toda essa história, a busca pelo diagnóstico, a dificuldade de inclusão, as terapias que ficam muito caras, enfim, eram pessoas que eu tinha contato diário”, disse ela ao portal Liberal.

‘É muito divertido e me instiga muito’, diz dentista autista sobre profissão

Tempo de Leitura: < 1 minutoAos 27 anos, Jaqueline do Nascimento está se preparando para concorrer a uma vaga de doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ela é autista e mora em Assaré, no interior do Ceará.

“Eu recebi uma bolsa para um curso a longa distância de farmacologia na Harvard Medical School, então, eu já fiz esse curso e atualmente eu estou me preparando, junto a alguns mentores que estão me auxiliando — tanto dos EUA quanto brasileiros — para o doutorado na área de prótese. Um dos meus objetivos é que seja na Harvard School of Dental Medicine, no ano de 2022”, disse ela ao G1.

Ela se formou em Odontologia há cerca de dois anos, depois de ter cursado em uma instituição privada por meio de vaga aberta pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). Jaqueline se afirma satisfeita com a profissão. “Eu não vejo o fato de ser dentista como algo trabalhoso, que seja árduo, cansativo. Muito pelo contrário, é muito divertido e me instiga muito, porque é a oportunidade de colocar meu conhecimento em prática na vida das pessoas que me procuram”, afirmou.

Ativistas conversam sobre autismo e suicídio em evento em Macapá

Tempo de Leitura: < 1 minutoMembros da Onda-Autismo no estado do Amapá promoveram, na última sexta-feira (24), uma roda de conversa sobre autismo e suicídio em Macapá, capital do estado. O evento reuniu familiares de autistas com a mediação de Bruna Reis, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e diferenças individuais.

Segundo os organizadores, o tema é importante no debate do autismo na vida adulta. “Para quem está iniciando agora nesse processo de diagnóstico para o transtorno do espectro autista, seja pessoal, de um filho ou de algum familiar, pode ser assustador. Depressão, ansiedade, tentativas de suicídio entre os pais, são dados cada vez mais alarmantes. É necessário que além da pessoa autista, seu familiar seja ajudado. Faz-se necessário de forma cada vez mais urgente políticas públicas para o autista adulto, bem como para seus familiares”, disseram.

(Com informações de Lucivaldo Nascimento)

Autistas adultos comentam desafios diários de autocuidado em podcast

Tempo de Leitura: 2 minutosO podcast Introvertendo, produzido por autistas adultos e com diálogos sobre o autismo, lançou nesta sexta-feira (10) o seu 186º episódio, chamado “Autocuidado e Autonomia”. O episódio foi conduzido pela engenheira Thaís Mösken, a arquiteta Carol Cardoso e o jornalista Tiago Abreu, todos autistas. Os três conversaram sobre os desafios em torno de autocuidado, mesmo nos casos do autismo dito “leve”.

Um dos argumentos dos podcasters é que autonomia não é um patamar constante, como defendeu Carol Cardoso. “Eu entendo que a autonomia não é exatamente como se fosse um patamar a que se chega e que é inabalável. Eu acho que principalmente no autismo, quando a gente tem habilidades muito boas em um campo e habilidades bem ruins em outros campos, é muito difícil a gente dizer que alguns têm autonomia e outros não tem”, argumentou.

Thaís mora sozinha desde 2018, quando se mudou de São Paulo para Florianópolis ao passar num processo seletivo de trabalho, e contou que algumas situações ainda são desafiadoras em sua vida. “Às vezes, por mais que você tenha planejado, coisas que saem completamente do planejamento acontecem. Existem alguns casos, dependendo de como tá a minha estabilidade emocional naquele momento, parece uma coisa desesperadora, é alguma coisa pequena que saiu do esperado, que saiu ali da minha rotina e eu não sei como lidar com aquilo por algum tempo”, disse.

Já Tiago viveu parte de sua vida em Goiânia e se mudou para Porto Alegre em 2021. Ele defendeu a ideia de que, em alguns casos, questões sociais e de renda podem ser um impeditivo para maior autonomia de autistas. “Eu conheci vários autistas que, do ponto de vista da convivência, eu sabia que eles tinham aquilo que a gente poderia chamar de potencial, tinham habilidades muito boas pra algumas coisas. E tinha uma coisa terrível que era muito evidente de que marcaria a vida daquela pessoa negativamente para sua autonomia, que é falta de dinheiro. E isso era muito triste”, afirmou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

O que é Fenótipo Ampliado do Autismo – FAA?

Tempo de Leitura: 2 minutos

É comum que pais ou irmãos de crianças que estão dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentem características do autismo. Entretanto, não preenchem os requisitos mínimos para serem diagnosticados com o transtorno. Dessa forma, as características presentes nas famílias acontecem de forma mais leve. A prevalência do transtorno nas famílias varia de 12 a 30% e os pais do sexo masculino apresentam mais características do que as mães.

Certamente, são pessoas com o Fenótipo Ampliado do Autismo (FAA), que confirmam as teorias de que o transtorno pode ser passado, também, geneticamente, dos pais para os filhos. Porém, vale lembrar que o TEA tem uma base neurobiológica complexa e hereditária.

Sintomas do FAA

Depois de meu diagnóstico, tivemos a descoberta na família de mais duas pessoas e vários FAA. Por exemplo, minha avó materna apresentava retraimento social, leve dificuldade de linguagem e comunicação, rigidez quanto à sociabilidade e muita dificuldade para adaptação a mudanças.

Já a minha mãe, se escondia de mim e minhas irmãs quando se sentia sobrecarregada. E também ficava muito tempo calada. Porém, o que mais me chamava a atenção era o esforço que fazia para não perder os prazos judiciais. Ela se formou em direito. Contudo, as características podem aparecer de formas variadas em maior ou menor grau. Desse modo, não apresenta uma generalização de quais sintomas seriam mais recorrentes.

Somente uma avaliação adequada pode distinguir o que é sintoma, o que é do contexto ou comportamental, trazendo assim linhas de tratamentos favoráveis para os pacientes.

Minha mãe e o FAA

Depois do meu diagnóstico, ficaram mais evidentes as características “autísticas” de minha mãe. Assim, nós, filhas, sabemos que ela vai falar o que pensa de maneira assertiva. E mais, ela geralmente não escolhe as palavras para que sua fala se torne mais branda.

No entanto, o que me encanta em minha mãe é a disposição de aprender tudo que cause interesse a ela. Portanto, ela pode falar horas sobre filmes que assiste, os benefícios das plantas medicinais e até mesmo política pode virar um hiperfoco.

Mesmo de férias, Irene não descuida da saúde, aos 80 anos. Ela tem Parkinson e é FAA.

Mesmo de férias, Irene não descuida da saúde, aos 80 anos. Ela tem Parkinson e é FAA.

Com ou sem autismo, é preciso saber viver

No início de agosto, mamãe completou 80 anos de vida. Certamente, 80 anos de vida para viver. E ela faz isso muito bem. Quando foi para o interior de Minas, com minha irmã, fez uma entrevista com uma pessoa que chamou a sua atenção pela lição de vida.

Agora, em setembro, ela está em João Pessoa com minha outra irmã. Sempre se divertindo e cuidando da saúde. Da mesma maneira que autismo não é sentença de infelicidade, a vida, aos 80, também não é sinônimo de tristeza. Com ou sem autismo, é preciso saber viver.

O jeito autista de ser no dia a dia

Tempo de Leitura: < 1 minutoEssa semana, enfrentei uma ‘overdose’ de meu jeito autista de ser. Em primeiro lugar, comecei fazendo um teste de avaliação neuropsicológica. O objetivo era reorientar meu acompanhamento terapêutico. Foi o que bastou para a ansiedade e o medo começarem. E ainda, teria de me preparar para a viagem que eu faria. Minha mala estava pronta há um mês. Ainda tinha a preocupação com minha filha, que não iria. Conclusão: estresse nas alturas.

“Eu também sou assim”

Pior ainda é tentar desabafar com alguém e ouvir: “Não é só autista não. Da mesma forma, eu também sou assim”. O que as pessoas desconhecem é a intensidade dessas emoções para o cérebro neurodivergente. Se elas são grau 10 para o neurotípico, para o autista o grau é 1000. No meu caso, são anos repetindo certas ações. E sempre com a sensação de desamparo. Pondero que são armadilhas do cérebro. Mais uma tentativa frustrada. Ou seja, nem mesmo assim, eu consigo me livrar do aperto no peito.

Sabedoria da psicóloga

Ao terminar minha avaliação neuropsicológica, dentro do uber, escrevi para a psicóloga: “Já sei o resultado: Tenho personalidade distorcida, sou medíocre e lenta”. A resposta dela: “Vou trocar as definições para mudar sua distorção cognitiva. Medíocre não, ansiosa. Lenta, não, perfeccionista e rígida. E mais: personalidade distorcida nem existe….”

Autoaceitação

Depois do diagnóstico, me reconheci. Aceitei minhas características. E mais: estou aprendendo a lidar com elas. Um dia de cada vez. Com autorrespeito e amorosidade. Hoje, consigo fazer este texto, mesmo sabendo que viajo amanhã, bem cedo. E, claro, vou ter orgulho de mais uma vitória. Viajar ainda me exige muito esforço.

Ativistas no MT criam associação focada em autismo na vida adulta

Tempo de Leitura: < 1 minutoMães, pais e autistas adultos residentes em Cuiabá, capital do Mato Grosso, criaram a associação Autistas Adultos do Brasil (AAB). O objetivo é trazer maior participação, autonomia e desenvolvimento de habilidades de autistas adultos para a luta por políticas públicas. Um dos motivos para a criação da organização era a ausência de pautas relacionadas ao autismo na vida adulta em outras associações existentes no município.

“Por onde eu andei eu só li, ouvi falar e fazer ações para crianças, no máximo pra adolescentes, mas nada pra adulto, em nenhum lugar Brasil. Nada direcionado a esse público com foco, com a intenção no público adulto. Por isso me vi obrigada a dar início”, disse Branca Kalinowski, uma das mães participantes da associação, em entrevista ao portal Olhar Direto.

Renan Ferreira, autista e membro da AAB, lamentou a ausência de projetos voltados à autistas adultos pelo poder público. “[É] um grande problema que o Governo não incentive projetos para a inclusão de autistas na iniciativa de empregos, em empresas privadas ou públicas. Não fornece incentivo, assessoramento, acompanhamento psicológico ou ajuda financeira para quem tem dificuldade de permanecer em um ambiente sociável”, comentou.

Por ter lançamento recente, a associação possui apenas contato por telefone, por enquanto, o qual é (65) 98148-8842.