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Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista!

Tempo de Leitura: 3 minutos

Perdi as contas de quantas vezes ouvi: “Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista!”. A notícia de que seu filho é autista e está no TEA é resposta para muitas dúvidas. Entretanto, é também, ponto de partida para inúmeros questionamentos. Alguns pais choram, outros sentem-se decepcionados. Outros, ainda, ficam completamente perdidos. Assim, o impacto emocional é inegável.

Certamente, ninguém imagina ter um filho diferente de um padrão pré-concebido de normalidade. E se não imagina, não se prepara. Não se preparando, se surpreende. Mas, esse preparo anterior seja essencial. Contudo, ele passa a ser no pós-diagnóstico.  

Entretanto, é preciso se dar conta de que é possível, termos filhos competentes e autônomos. Para além do autismo. Quando o diagnóstico vem na infância, os desafios no desenvolvimento podem ser vencidos com estímulos. É hora de nos reunirmos com o médico e determinarmos as possíveis intervenções.

E agora?

Normalmente, as primeiras intervenções vêm com fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicóloga. Há casos em que a fisioterapia, educador físico, musicoterapia são indicados também. Chegamos ao segundo passo, solicitar ao médico uma análise das condições coexistentes. Ou comorbidades como essas condições são conhecidas.

Dessa maneira, evitamos colocar tudo que acontece com nosso filho na conta do autismo. E, certamente, somos capazes de direcionar de forma assertiva as intervenções. E o uso de medicamentos, se for o caso. O autismo em si, não é uma doença. É a característica de quem possui cérebro neurodivergente – aquele que cria sinapses/conexões entre os neurônios, por meio de estímulos. Como se tivesse que criar conhecimento e habilidades motoras a partir de um ‘passo a passo’.

Devido ainda, às características do cérebro neurodivergente, há outras habilidades que já vem praticamente prontas para os autistas. Por exemplo, memória privilegiada para algumas questões, facilidade em alguns campos do conhecimento. Esse último, pode até ser o seu talento, pois o autista quando gosta de um assunto, passa a estudá-lo à exaustão. Aliás, essa é uma boa entrada para apresentar ao aluno autista os diversos campos do conhecimento. Sob a ótica de seu interesse maior, é claro.

Meu filho é autista. Como fica a família?

Por isso, perguntas como: “Será sempre assim?” “Meu filho vai sofrer bullying?” “Não será compreendido?” “Como posso fazer para ajudar logo?” “Quando ele vai falar?” são naturais mais trazem muito mais ansiedade ao processo. O que costuma não ser positivo.

Melhor é abandonar o padrão ofertado pela sociedade. Então, você debruça o olhar sobre seu filho. Joga luz em suas habilidades e não em suas limitações. Os pais irão, neste primeiro momento, nortear o caminho para que o filho consiga fazer emergir, o máximo de seu potencial. E não o potencial do menino A ou B.

A pior escolha é a negação do diagnóstico. Isso não faz as características do TEA desaparecerem e trazem sofrimento aos nossos pequenos. Além, é claro, de inibir ou retardar, as intervenções e estímulos necessários desde o diagnóstico. Seu filho vai sobreviver. Claro que vai. Autismo não é doença. Mas não vai alcançar grande parte da funcionalidade necessária à vida adulta. Eu e Sophia que o digamos!

Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista!
É preciso cuidar de quem cuida.

É importante ainda, cuidar da saúde mental e emocional de toda a família. Alguns estudos demostram que o TEA pode gerar, nos pais da criança, sentimentos de baixa autoestima, culpa, perda de confiança no futuro. E até mesmo, estresse conjugal, crises de ansiedade e pânico, problemas de sono e redução de renda familiar. Ou seja, a família passa a gastar dinheiro com terapias e eventuais medicações. Além do fato de que um dos pais, comumente as mães, ou reduz carga horária de trabalho ou pede demissão para se dedicar totalmente à criança.

Além disso, muitas vezes, o marido abandona a família ou se afasta das responsabilidades exigidas de toda a família. Certamente, essa atitude redobra as demandas de todos no lar. Esse fato é lamentável. Algumas pesquisas evidenciam que um casamento sólido e solidário, associado a compreensão da família em seu entorno, fortalecem o relacionamento. E o mais importante: tornam os tratamentos mais eficazes e duradouros para esta criança com dentro do TEA.

É preciso que a sociedade entenda o mundo das diferenças como rico em possibilidades para a criatividade necessária ao avanço da humanidade. E então? Vem com a gente construir uma nova realidade de inclusão!

E agora? Quem era deixou de ser?

Tempo de Leitura: < 1 minutoUma petição do Center of Neurodivergence pede a revisão do ainda não lançado DSM – 5 – TR.

A versão da “bíblia” dos transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria prevê uma mudança nos critérios diagnósticos de autismo favorecendo uma leitura mais conservadora do transtorno.

Segundo o Center of Neurodivergence a nova leitura restringe o diagnóstico, deixando milhões de pessoas sem sequer a possibilidade diagnóstica para autismo.

A discussão veio à tona pela entrevista dada ao podcast the Modern Therapist’s Survivel Guide pelo co-chair revisor do DSM, Michael B. First, afirmando que:  “os critérios mais conservadores buscam reduzir as taxas de prevalência de diagnóstico de autismo, pois estar no espectro é superdiagnosticado e se tornou muito prevalente culturalmente” (tradução da autora).

Em termos práticos, o que isso pode significar?

Para o Center of Neurodivergence, é um  grande problema sistêmico, que envolve desde o diagnóstico até os atuais números de prevalência que são de 1:44 nascidos segundo o CDC, Center of Disease Control.

Segundo estudos, o aumento do número de casos se deu pelo crescente número de profissionais capacitados para diagnósticos mais precisos, além do avanço e proliferação de informação sobre o espectro.

Quando achamos que estamos caminhando para frente, alguém diz que o diagnóstico é amplo demais e que devemos ser mais conservadores para diminuir a prevalência.

Não estamos mais discutindo prevalência; autismo não é doença e contamos a neurodiversidade para aprofundar o tema sobre a diversidade do cérebro humano.

Não se pode deixar de ser o que se é.

Uma palavra não pode mudar uma história de vida.

APA anuncia DSM-5-TR, versão atualizada do DSM-5

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Associação Americana de Psiquiatria (APA) lançará, na próxima sexta-feira (18), o DSM-5-TR, uma versão atualizada e revisada do DSM-5, de 2013. No campo do autismo, houve apenas uma mudança em relação ao manual original: agora, para se encaixar num quadro de autismo, autistas precisam se encaixar em todas as subcaracterísticas do domínio de dificuldade de comunicação social.

A nova edição do manual acompanhou um comentário do psiquiatra Michael First que gerou debate na comunidade do autismo. Em uma entrevista dada para o The Modern Therapist’s Survival Guide, o médico afirmou que os critérios agora são mais “conservadores”, para evitar um “sobrediagnóstico” e “banalização” do autismo.

O que é ter cara de autista?

Tempo de Leitura: < 1 minutoO que é ter cara de autista? Certamente, não existe “cara de autista”. Então, como reconhecer um autista? A avaliação diagnóstica é o caminho. Mas é algo complexo, que exige protocolos. Principalmente, em casos sutis. Assim, ser autista não está em determinado gesto. E, certamente, nem em maneirismos. Dessa maneira, é preciso observação cuidadosa. Enfim, conhecer os diversos aspectos da vida da pessoa.

Por exemplo, para a neuropsiquiatra Raquel Del Monde afirmar “você não parece autista”, é demonstração de pouco conhecimento sobre a condição. Os traços que definem o autismo não são óbvios ou visíveis. Enfim, existem vários autistas que não se enquadram numa análise mais superficial. Aliás, oque é ter cara de autista, não é mesmo?

Banalização do diagnóstico?

Desse modo, não “parecer” autista não significa que a pessoa não apresente prejuízos significativos em sua trajetória. Ou, então, que não demande suporte profissional. Aliás, no autismo leve, a pessoa pode ter um histórico de dificuldade nos relacionamentos afetivos. E até, no ambiente de trabalho.

Pensar na banalização do diagnóstico do autismo é leviano. Isso, porque pessoas aparentemente mais “funcionais” recebem, tardiamente, o diagnóstico. Mas, quem sustenta esse ponto de vista, não faz ideia do que é o dia a dia de um autista.

E quem “parece autista”?

Portanto, não aparentar as características do TEA não significa muita coisa. Inclusive, quando as características são mais evidentes, o autista costuma ser subestimado. Por isso, a informação é tão importante. Afinal, mais informação, menos preconceito!

Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre o assunto:

 

Publicado originalmente no Mundo Autista.

Marcos Mion fala sobre diagnóstico de autismo no Prêmio Multishow

Tempo de Leitura: < 1 minutoO apresentador Marcos Mion participou do Prêmio Multishow ocorrido na última quarta-feira (8). Na ocasião, Mion falou sobre o aumento do diagnóstico do autismo e a importância do diagnóstico em todas as fases da vida, incluindo a adulta.

“É cada vez maior o número de adultos que se descobrem autistas. O TEA abrange cada vez mais formas diferentes de funcionamento cerebral e social. Não tenham medo. Ninguém é igual a ninguém e o autismo é apenas mais uma das inúmeras formas de pensar”, disse ele.

Assista o vídeo:

Autismo e a nova CID-11

Tempo de Leitura: 5 minutos

A nova CID (11) une os transtornos do espectro num só diagnóstico alinhando-se ao mais atual DSM (5)

Janeiro de 2022 é o mês em que passa a vigorar a nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, mais conhecida pela sigla CID-11 (no original em inglês, ICD-11International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems),lançada em junho de 2018 pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Para o autismo e síndromes relacionadas, o novo documento entra em sintonia com a alteração feita em 2013, no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, o DSM-5 (sigla para: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que reuniu todos os transtornos que estavam dentro do espectro do autismo num só diagnóstico: TEA.

A versão anterior, a CID-10, trazia vários diagnósticos dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD — sob o código F84) como: Autismo Infantil (F84.0), Autismo Atípico (F84.1), Síndrome de Rett (F84.2), Transtorno Desintegrativo da Infância (F84.3), Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados (F84.4), síndrome de Asperger (F84.5), Outros TGD (F84.8) e TGD sem Outra Especificação (F84.9). Agora, a versão 11 une todos esses diagnósticos no Transtorno do Espectro do Autismo (código 6A02 — em inglês: Autism Spectrum Disorder — ASD), as subdivisões passaram a ser apenas relacionadas a prejuízos na linguagem funcional e deficiência intelectual. A intenção é facilitar o diagnóstico e simplificar a codificação para acesso a serviços de saúde. A exceção ficou por conta da síndrome de Rett (antigo F84.2), que fica com um código separado: LD90.4 e, portanto, fora do “guarda-chuva” de diagnósticos do TEA. A atualização chega 21 anos depois da CID-10 ter sido lançada, em 1990.

“Quem já tem um laudo ou um documento citando um código da CID-10 não precisa ‘atualizar’ seu diagnóstico para a CID-11, a menos que alguma legislação exija. Os diagnósticos anteriores continuam valendo. Nessa transição para a CID-11, não haverá adequação automática. O médico deverá se adequar à classificação escrevendo o código que compete a seu diagnóstico. Dar um código CID cabe ao médico, então não será automático. Muitos ainda continuarão usando a CID-10 até que a legislação para os novos laudos deixe de aceitar a antiga classificação”, explica a médica Iara Brandão, de São Paulo (SP), que é neuropediatra e geneticista.

 

Autismo na nova CID-11 - Canal Autismo / Revista Autismo - Guarda-chuva de diagnósticos CID-10Autismo na nova CID-11 - Canal Autismo / Revista Autismo - Guarda-chuva de diagnósticos CID-11

Asperger

Outra consequência com essa nova versão é o “fim” do termo “síndrome de Asperger”, que já não consta no DSM desde 2013 e agora, em 2022, sai também da CID e não é mais mencionada como um diagnóstico. Em tese, esse diagnóstico passa a ser de TEA com nível 1 de suporte, ou seja, no CID-11, código 6A02.0: Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional. 

O pesquisador William Chimura fez um vídeo bem didático sobre isso, intitulado “O último dia da Síndrome de Asperger” — que pode ser visto no canal dele no Youtube. Lá, Chimura explica as questões polêmicas envolvendo o médico austríaco Johann “Hans” Friedrich Karl Asperger, que deu nome à síndrome. Oficialmente, portanto, o termo passa a estar em desuso.

“Como no Brasil, oficialmente usa-se a CID — e não o DSM — como base para codificar os diagnósticos e causas de morte, é apenas a partir de janeiro de 2022 que o termo ‘síndrome de Asperger’ sai de cena nacionalmente para todos os efeitos”, detalha o médico psiquiatra Thiago Cabral Pereira, de Curitiba (PR).

Organização Mundial da Saúde

A CID fornece uma linguagem comum que permite aos profissionais compartilhar informações de saúde em nível mundial. O documento da OMS, hoje com aproximadamente 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte, é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o planeta. 

“A CID é um produto do qual a OMS realmente se orgulha. Ela nos permite entender muito sobre o que faz as pessoas adoecerem e morrerem, e agir para evitar sofrimento e salvar vidas,” disse o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no lançamento da nova CID, em junho de 2018.

Versão eletrônica

O trabalho de elaboração do documento levou mais de 10 anos, e a CID-11 é a primeira versão totalmente eletrônica. A ferramenta foi projetada para uso em vários idiomas: uma plataforma de tradução central garante que suas características e resultados estejam disponíveis em todas as línguas traduzidas.

“Um dos mais importantes princípios desta revisão foi simplificar a estrutura de codificação e de ferramentas eletrônicas. Isso permitirá que os profissionais de saúde registrem os problemas (de saúde) de forma mais fácil e completa”, afirma Robert Jakob, líder da equipe de classificação de terminologias e padrões da OMS.

Novos capítulos

Essa é a primeira grande revisão da CID em quase três décadas, que agora traz capítulos inéditos, um deles sobre medicina tradicional. Embora milhões de pessoas recorram a esse tipo de cuidado médico, ele nunca havia sido classificado neste sistema. Outra sessão inédita, sobre saúde sexual, reúne condições que antes eram categorizadas ou descritas de maneiras diferentes — por exemplo, a incongruência de gênero estava incluída em condições de saúde mental. O distúrbio dos jogos eletrônicos foi adicionado à seção de transtornos que podem causar dependência.

A 11ª versão da CID reflete o progresso da medicina e os avanços na pesquisa científica. Os códigos relativos à resistência antimicrobiana, por exemplo, estão mais alinhados ao GLASS (Global Antimicrobial Resistance Surveillance System), o sistema global de vigilância sobre o tema. As recomendações da publicação também refletem, com mais precisão, os dados sobre segurança na assistência à saúde. Ou seja, situações desnecessárias com risco de prejudicar a saúde – como fluxos de trabalho inseguros em hospitais – podem ser identificadas e reduzidas.

Em resumo, como era e como ficou

Segue a listagem de todos os código em vigor da CID-10 e a nova classificação da CID-11:

Autismo na CID-10

  • F84 – Transtornos globais do desenvolvimento (TGD)
    • F84.0 – Autismo infantil;
    • F84.1 – Autismo atípico;
    • F84.2 – Síndrome de Rett;
    • F84.3 – Outro transtorno desintegrativo da infância;
    • F84.4 – Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;
    • F84.5 – Síndrome de Asperger;
    • F84.8 – Outros transtornos globais do desenvolvimento;
    • F84.9 – Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

Autismo na CID-11

  • LD90.4 — Síndrome de Rett
  • 6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)
    • 6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
    • 6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
    • 6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;
    • 6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;
    • 6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;
    • 6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;
    • 6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

 

(Esta foi a reportagem de capa da Revista Autismo nº 15, para o trimestre de dezembro/2021 a fevereiro/2022 — veja aqui o índice da edição completa ou baixe a versão digital neste link)

CONTEÚDO EXTRA

Laudo de autismo passa a ter validade indeterminada em Sergipe

Tempo de Leitura: < 1 minutoO governador de Sergipe Belivaldo Chagas sancionou o projeto de lei nº 188/2020, que visava estender o prazo de validade de laudos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O texto foi de autoria do deputado estadual Luciano Pimentel.

Segundo o Faxaju, antes o laudo tinha que ser renovado de tempos em tempos. Pimentel disse que a sanção era um avanço. “O autismo ainda é um transtorno pouco conhecido e todas as vezes que evidenciamos esse assunto estamos quebrando barreiras, tanto para romper o preconceito quanto para garantir que os direitos dos autistas sejam realmente respeitados”, afirmou.

‘Eu tive uma grande sorte’, diz Marcos Petry sobre diagnóstico na infância

Tempo de Leitura: < 1 minutoO youtuber Marcos Petry participou do programa Espaço Aberto ao lado dos pais na última quarta-feira (21). Na ocasião, Petry falou sobre o diagnóstico de autismo na infância e o quanto foi importante para ele.

“Quando eu descubro ser autista, eu descubro em uma idade em que não se fala sobre isso. Eu tinha de 7 pra 8 anos de idade. […] Mas eu tive uma grande sorte. Uma sorte de, antes disso, meu pai e minha mãe terem passado um quadro comigo de lesão cerebral. Eles dispenderam tanta força, acreditar em mim, que o autismo (como minha mãe fala) acabou se tornando apenas uma característica”, afirmou.

Assista a entrevista completa:

‘Quando descobri o diagnóstico do meu filho, jurei que ele não seria mais uma criança escondida’, disse mãe

Tempo de Leitura: < 1 minutoA coordenadora Laryssa Smith, ao receber o diagnóstico de autismo do filho Pedro, relembrou uma situação vivida no passado, de uma criança autista escondida.

“Fui à casa de alguém conhecido e ouvi, de um quarto, uma criança que fazia barulhos diferentes. Os pais falaram que ela tinha uma deficiência. Quando descobri o diagnóstico do meu filho, jurei pra mim que ele não seria mais uma criança escondida dentro de casa”, disse ela em entrevista ao jornal O Globo.

A reportagem, que aborda o maior acesso ao diagnóstico do autismo e o conhecimento das famílias, também trouxe relatos da psicóloga Mayra Gaiato e o médico psiquiatra Guilherme Polanczyk.

‘Autismo é uma doença, síndrome ou transtorno?’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo na no fim de julho (dia 30) comentando a dúvida de muitas pessoas em diferenciar cada caso — se autismo é doença, síndrome ou transtorno.

No vídeo, Liberalesso explica os três diferentes tipos de conceitos para que as pessoas não confundam o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com uma doença ou síndrome.

Vídeo

 

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena (Centro de Reabilitação Neuropediátrica do Hospital Menino Deus), em Curitiba (PR).

Os muitos tons do autismo

Tempo de Leitura: 4 minutosSobre o contexto que inspirou o texto desta coluna, ele envolveu circunstâncias bem peculiares: recentemente, participando de uma live organizada por um colega, tive que responder a uma pergunta inesperada que me deixou numa bela saia justa. Já no final do encontro, meu colega pediu minha opinião sobre o seguinte tópico: considerando os casos de autismo grave e de autismo leve que têm tão poucas características em comum, qual seria a minha opinião sobre usarmos a mesma categoria diagnóstica para fins de classificação e tratamento?

Para minha sorte, a live excedeu o tempo permitido pela plataforma e a resposta acabou não sendo transmitida, nem foi gravada. Não que minha resposta tenha sido péssima, mas respondi sem a necessária reflexão. Privilégio esse que tenho agora.

Do que meu colega estava falando? Ele se referia ao fato de que, desde de 2013 com a publicação do DSM V, temos olhado para o autismo como uma categoria diagnóstica abrangente que envolve vários graus. O transtorno do espectro autista, como descrito no referido manual, é caracterizado por alterações na comunicação social e comportamentos repetitivos ou interesse restrito que se manifestam na infância e podem ou não ser acompanhados por marcadores genéticos identificáveis. Dentro ainda dessa categoria diagnóstica (e, repita comigo, autismo é uma categoria diagnóstica inventada pelas pessoas, não uma essência humana criada por um deus), distingue-se entre ocorrências graves, moderadas e leves. 

A distinção entre os diferentes níveis de autismo é mais complexa do que pode parecer. É comum associarmos deficiência intelectual e ausência da fala ao autismo grave. E isso, quase sempre, se mostra adequado. Mas a classificação, tal como sugerida, envolve principalmente o grau de comprometimento funcional e o nível de suporte que o indivíduo necessita. 

Dentro dessa nova categoria, portanto, colocamos os indivíduos que antes eram classificados como Asperger, os indivíduos com formas leves de autismo, aqueles com habilidades sensacionais e também aqueles com as formas mais graves. Todos autistas. Não como se fossem iguais, mas como se tivessem o suficiente em comum para serem considerados juntos para fins de diagnóstico e tratamento (sim, é para isso que servem os manuais diagnósticos). 

A questão diretamente colocada por meu colega, portanto, foi: será que há o suficiente em comum para ser útil uma categoria diagnóstica única e abrangente como essa? Nas entrelinhas, no entanto, havia muito mais do que apenas isso… Será que é positivo que eles tentem representar uns aos outros? Será que eles precisam dos mesmos cuidados e proteção? 

Para explorar um pouco tanto a questão principal como as entrelinhas da pergunta, vamos revisitar a história dessa alteração diagnóstica: O DSM V, principalmente a categoria AUTISMO, sofreu uma mudança profunda que se iniciou por volta de 2009 (talvez um pouco antes), embora a publicação do manual tenha ocorrido apenas em 2013. Foi muito controverso o processo que resultou nessa alteração. Na ocasião, eu ainda morava nos arredores de Boston, nos Estados Unidos, bem próximo de onde os “bam-bam-bans” da ciência se reuniam para produzir os novos critérios. Conversávamos sobre isso no cotidiano do trabalho e acompanhávamos as notícias e os rumores. Não havia consenso nem entre nós. A questão maior era — e continua sendo — a eliminação de uma categoria separada – Asperger – para essa forma tão peculiar de transtorno de desenvolvimento. 

Por que foi feita essa mudança? Porque fazia sentido do ponto de vista da ciência? Porque eles têm o suficiente em comum para serem tratados do mesmo jeito? Talvez houvesse argumentos nesse sentido, não sei dizer. Mas conheço outros argumentos também. Para citar apenas alguns eventos mais relevantes, em 1990 foi criado nos Estados Unidos um conjunto de leis extremamente robusto que expandia e aprofundava a legislação anterior.  Essa legislação, conhecida como IDEA (Individuals with Disabilities Education Act), entre outras coisas, incluía o autismo na categoria de deficiência e garantia a essa população todas as coberturas educacionais que já se aplicavam (EAHCA, 1975, 94-142) a indivíduos com outras deficiências. Foi uma mudança gigantesca nas coberturas para os autistas. Difícil descrever a quantidade de ganhos diretos e indiretos , de benefícios, proteções e direitos que isso trouxe aos autistas. Os anos que se seguiram apenas aumentaram e sofisticaram esses ganhos com outras mudanças nos textos originais da legislação. 

Porém, um grupo importante ficou esquecido nesse processo. Ficou à margem dos milhões de dólares do governo federal americano destinados a programas educacionais e de apoio (incluindo as especialidades que aqui no Brasil são restritas à saúde). Foi o grupo com diagnóstico de Asperger.

Resumindo, ainda que possa ter existido razões da ciência, foram – sem dúvida- as razões da política e da economia que impulsionaram as mudanças que estamos discutindo nos critérios diagnósticos. Os esforços poderiam ter sido dedicados à alteração da legislação em questão, de modo a incluir a população Asperger nas proteções da IDEA, mas isso envolveria lobby do mais alto nível em Washington. E o lugar dos Asperger dentro do conceito do autismo, embora ainda não oficial, já existia e era bem estabelecido. Fazia, portanto, todo o sentido pensar em uma revisão dos critérios diagnósticos. 

Vamos agora para 2021, no Brasil. O que isso tudo nos trouxe? 

Alguns ganhos são óbvios: A população autista ganhou número, peso, influência e representatividade. Isso trouxe e continua trazendo grandes ganhos para todos os segmentos do espectro. Famílias de autistas leves e graves, autistas leves ou os antigos Aspergers têm sido os grandes protagonistas nessa história. Muito mais do que qualquer um de nós, profissionais, são eles quem tem impulsionado as mudanças políticas e culturais que estamos observando.

Por outro lado, vemos também uma profunda divisão. Uma divisão, infelizmente, hostil. A tentativa de uniformizar as reivindicações e o discurso entre os extremos opostos do espectro tem apenas enfraquecido a todos. Não há um discurso comum para necessidades tão diferentes. O que tem que haver é respeito às diferenças de visão e às diferentes demandas. O autista leve não representa o autista grave ou seus interesses, não importa o quanto grite por isso. Da mesma forma, as famílias de autistas graves não conhecem as dores e desafios daqueles no quadro leve. 

Ajudariam mais a si próprios se pudessem se somar, respeitando as muitas coisas que não lhes são comuns. Sem isso, uma nova edição do DSM em um futuro não tão distante deverá ser escrita pelos homens e mulheres da ciência para, muito possivelmente,  colocar tudo isso em uma outra direção.

EUA autoriza dispositivo para auxiliar diagnóstico de autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de saúde dos Estados Unidos da América (EUA), aprovou um dispositivo de auxílio para diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O Cognoa ASD Diagnosis Aid é um programa e dispositivo médico baseado em machine learning e pode ajudar profissionais a diagnosticar autismo em crianças de 18 meses a 5 anos de idade.

Segundo informações divulgadas pelo FDA, o Cognoa ASD Diagnosis usa um algoritmo de machine learning com base em dados de familiares, cuidadores e outros profissionais para avaliar hipóteses de autismo em crianças. Se houver informações satisfatórias para um resultado, o aplicativo retorna se o caso é “positivo” ou “negativo” para autismo.

Em entrevista ao podcast Reload, a fonoaudióloga Natália Nunes comentou que um auxílio para o diagnóstico e intervenção precoce é importante. “Essa questão do diagnóstico precoce, do início do tratamento mais cedo possível pro paciente ter as suas habilidades neurocognitivas desenvolvidas, suas habilidades de fala, linguagem desenvolvida, são muito importantes, tem um impacto muito grande na dessa criança e dos familiares no geral”, afirmou.

Ouça o episódio: