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É dia das mães — Canal Autismo / Revista Autismo

Algumas perguntas a todas as mães

Tempo de Leitura: < 1 minutoDurante o mês de abril, mês da conscientização do autismo, somos chamados para muitas palestras, lives e conversas sobre TEA e pessoas autistas.

Tenho lido, estudado e escrito muito sobre direitos e muito pouco sobre maternidade atípica.

As propagandas sobre o Dia das Mães me fizeram refletir sobre o tema e gostaria de fazer algumas perguntas a todas as mães.

Como é ser mãe do garoto ou garota que não convida o coleguinha para sua festinha de aniversário?

Como é ser mãe da criança que vê seu coleguinha sozinho no pátio do recreio e não faz nada?

Como é ser mãe de filhos que estudam em um colégio que rejeita vagas para crianças que “atrapalham”?

Se a resposta for: “ah, eles são agressivos ou mordem. São ‘especiais’ e não sei como lidar”, gostaria de te convidar a refletir comigo.

Crianças atípicas não mordem simplesmente por morder. Morder pode ser a última saída de uma criança que se sente acuada, rejeitada e não compreendida. Como a sua em muitas situações.

Muitas pessoas falam da empatia do autista: são ou não são empáticos?

E você, mãe típica? Quantas vezes foi empática com uma mãe de um coleguinha “especial’ de seu filho ou filha?

Quantas vezes ligou para ela para perguntar como colaborar para que a adaptação dele em sala de aula possa ser mais inclusiva?

Quantas vezes pesquisou sobre como conversar com seu filho para compreender o coleguinha e colaborar para uma escola mais acessível?

O futuro cresce nos nossos lares.

Que futuro você quer para seu filho?

Se desejar um mundo diverso, colorido e empático é preciso que você, mãe típica, abrace a neurodiversidade e eduque seu filho para o acolhimento das diferenças.

ONDAmor de mãe

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Cláudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo

Fala-se muito de maternidade típica e atípica. Quanto a mim, penso que toda maternidade é atípica, pois os pequenos seres que nos chegam são ímpares e não vêm com manual, ou com regras pré-determinadas. E, assim, também, todas as mães são atípicas, porque o papel que desempenham é sempre novo e se inicia com cada gestação.

Não creio que a deficiência faça uma mãe ser atípica. Na verdade, a deficiência só lhe dá doses a mais de sentimentos que qualquer mãe precisa ter, como sabedoria, paciência, resiliência, entre outros. E, para aquelas que esses sentimentos sempre associados à maternidade lhes faltam, o resultado será desanimador para os filhos, pois a maternidade não é inerente a todas as mulheres. O equipamento físico não é o que determina a maternidade. Pela vida, desfilam exemplos de madrastas e mães adotivas que exalam os sentimentos maternais mais genuínos.

O que posso dizer de quase todas as maternidades é que existe um amor incondicional pelos filhos, que nos põe à prova durante toda a vida, pois cada fase vem cheias de desafios.

Junto aos desafios, vêm os encantamentos, como a primeira comunicação, a certeza de que alguém necessita dos seus cuidados, das suas aprovações/reprovações, do seu saber e do seu sentir.

No livro Anne de Green Gables (Lucy M. Montgomery), a pequena órfã Anne, que não havia sido alvo de nenhuma maternagem, discorre sobre a beleza da palavra “cuidar”, o que ela fazia instintivamente com aqueles que se aproximavam de seu bem-querer. Então, os sentimentos ou não relativos à maternidade podem desabrochar em qualquer coração que se disponha a amar.

Eu sou mãe do universo, tenho dois astronautas que nasceram do meu ventre, e, embora adultos, orbitam e orbitarão sempre ao meu redor. Digo que sou mãe do universo, porque, como Anne, eu sempre tive empatia com os seres que precisam serem cuidados. Fui mãe de bonecas, de animais, de sobrinhos, de amigos, de estrangeiros, de tantas pessoas autistas, de todos os que se aproximaram de mim e detectei carência materna. Fui mãe da minha mãe e também de outras mães e chegar a esse nível da maternidade me graduou na mais bela função que um ser humano ou não pode ter, desde que tenha espaço no coração.

Feliz Dia de Todas as Mães! 

Não é fácil ser mãe de autista

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Jeane R. Cerqueira 

Conselheira Estadual da ONDA-Autismo em Minas Gerais. Terapeuta, autista e mãe atípica.
@jeaanerc @psieducarjeane
Por que o autismo é um problema?
Não é. As pessoas o veem como um problema.
Porque a sociedade NÃO está preparada para conviver e aceitar o “diferente”.
E porque muitas vezes, apesar de boas intenções, muitos querem invalidar os sentimentos e certezas da mãe que logo percebe que alguma coisa em seu filho o diferencia das outras crianças.
E é aí que começam os problemas!
Os pediatras, salvo exceções, afirmam categoricamente que está tudo bem; que cada criança tem seu tempo e que é tudo coisa da cabeça da “mãezinha” que anda se preocupando demais…
Depois vem a luta para explicar aos amigos e aos familiares o porquê de suas suspeitas e preocupações. “Tá inventando problema onde não tem!” “Coloca ele (a) na escola que resolve.”
E a luta vai se estendendo até que um dia a mãe encontra um profissional que lhe ouve e considera suas preocupações.
E a criança é avaliada por um, por dois, por muitos profissionais.  Até que enfim chega o diagnóstico e com ele a esperança das evoluções e das conquistas através das terapias.
Mas… As pessoas ainda continuam questionando a mãe.
E acreditem: – questionam os profissionais que avaliaram também!
E gente que nunca leu nada (informações seguras) sobre autismo e que conhecem apenas autistas estereotipados e apresentados pela TV e seriados, se veem no direito e até no dever de “alertar” essa mãe que essa criança não é autista.
Por que? Bom, porque ela é “tão bonita”, porque ela é “tão inteligente”, porque ela FALA e porque ela não tem “cara de autista “.
E a mãe que precisa e deseja apenas cuidar do filho autista passa a ter que lidar com tudo isso, todos os dias.
E olha que nem citei aqui a batalha travada contra planos de saúde que não oferecem terapias adequadas e se negam ao ressarcimento por isso; contra o sistema público de saúde que oferece consultas e sessões de terapia de 25 minutos e acha que está quase nos fazendo um favor; contra as escolas, públicas e privadas que negam matrícula e que usam um mesmo plano de ensino individualizado para TODOS os estudantes autistas da escola.
Então, quando uma mãe te contar sobre o diagnóstico do autismo do filho dela, ouça e respeite.
Porque não é fácil ser mãe de autista.

Ansiedade em mães com filhos autistas

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Paula Frade

Conselho de Profissionais da ONDA-Autismo, Moderadora Projeto TEAcolher , Pedagoga; Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento, Mentora de mães atípicas 

 

Você conhece alguém que tem transtorno de ansiedade?

Muito provavelmente a sua resposta foi sim, uma vez que pessoas diagnosticadas com ansiedade aumento consideravelmente, principalmente nesse período de pandemia.

Durante a semana, atendo muitas mães que têm filhos autistas, sendo a maioria diagnosticadas com ansiedade. Mas esse dado não é apenas uma coincidência. De acordo com pesquisas recentes, mães de crianças autistas são diagnosticadas com ansiedade cada vez em uma frequência maior.

De acordo com o DSM-5 (2013), os transtornos de ansiedade são caracterizados por medo e ansiedade excessiva, além de perturbações comportamentais. O medo está relacionado a algo real ou percebida, já a ansiedade seria a antecipação de ameaça no futuro.

Mas por que observamos uma frequência cada vez maior desse transtorno nessas mães? A ciência aponta que o diagnóstico de autismo acarreta em grande impacto em grande parte das famílias, principalmente para seus cuidadores. Normalmente, as famílias se questionam em relação ao diagnóstico, além de conviverem com diversos sentimentos antagônicos.

Tendo em vista esse cenário, há grande propensão em desenvolver transtorno de ansiedade e depressão nas mães dessas crianças uma vez que, em muitos casos, são elas que cuidam dos filhos integralmente e, geralmente, com uma rede de apoio bastante escassa.

Pensando nos dados que a ciência nos traz, observamos mais uma vez o quão importante é acolher essa mãe. Afinal, em muitos momentos, ela vive um mar de incertezas, não conseguindo ou sem tempo de verbalizar o que sente, porque sua rotina é tão avassaladora que não consegue olhar para si. Em muitos casos, ela consegue perceber que algo não vai bem consigo, mas não consegue se quer se cuidar, uma vez que todo seu tempo está destinado a cuidar de seu filho.

Antes de dizer para esse mãe “você é muito ansiosa…pare de ter tanto medo…quanto vitimismo…”, dê um passo para trás para olhar todo o cenário vivido. Em muitos dos casos, essas mães acabam não desabafando sobre seus sentimentos com medo de julgamentos descabidos, mesmo sabendo que seu peito grita por ajuda.

Carta aberta para mães atípicas

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Paula Frade

Conselho de Profissionais da ONDA-Autismo, Moderadora Projeto TEAcolher , Pedagoga; Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento, Mentora de mães atípicas 

 

Ei, mãe atípica, hoje eu quero falar com VOCÊ!

Estou passando aqui para lhe lembrar que, por mais difícil que tenha sido seus dias, lutas intermináveis, rede de apoio escassa e uma solidão que as vezes parece não ter fim, você precisa acreditar que algo bom vai chegar, mesmo que demore, porque todas as suas lutas serão honradas.

Sim, eu sei que em muitos momentos parece que o mundo não compreende você, que a vida dos outros é sempre mais tranquila que a sua e que sua jornada parece andar para trás. Mas, deixa eu te falar uma coisa. Talvez você nem se lembre disso, mas você é um ser humano incrível, faz a diferença na vida de muita gente e, sim, MUITA gente se espelha em você.

Sua determinação, empenho, resiliência e amor, são características admiráveis e que traz luz a vida de muitas pessoas. Nunca se esqueça que milhares de pessoas gostariam de ter a sua vida, viver a sua história, porque ela é linda, mesmo enfrentando dezenas de batalhas diariamente.

Ah, minha querida, se eu estou aqui nesse Instagram e imersa na pesquisa sobre autismo e qualidade de vida é porque EU acredito em você e sei posso ajudá-la nessa travessia. Confesso que gostaria de fazer MUITO mais, por isso eu não me canso de buscar, incessantemente, por relatos e evidências científicas para apresentar a você o que há de mais novo na ciência para lhe ajudar em sua jornada.

Quer um conselho? Reserve uns minutinhos do dia de hoje e escreva por quais motivos você é grata e quais são os motivos que lhe incomoda. Tenho certeza que você terá mais a agradecer e ter mais motivação para mudar as situações que tem controle.

Lembre-se: você não nasceu para dar errado.

Buscar as soluções para questões que estão sob nosso controle só depende de nós.

Com carinho, respeito e gratidão,
Paula Frade

‘Isso explicou toda minha vida’, diz mãe autista sobre diagnóstico tardio

Tempo de Leitura: < 1 minutoMaíra Cavalcante tem 47 anos, mora em Lauro de Freitas, na Bahia, e tem um filho autista. Em 2020, ela também foi diagnosticada com autismo e montou um grupo de apoio de mães de autistas chamado Mães Autismo.

Em entrevista a revista Crescer, ela falou sobre o próprio diagnóstico. “Desde minha infância faço acompanhamento com psicóloga e psicomotricidade, mas não tinha diagnóstico. Isso explicou toda minha vida, todas as dificuldades, exclusões e capacitismo que enfrentei”, afirmou.

A autoestima e os desafios que cercam as mães de pessoas autistas

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado; Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

O excesso de trabalho a que é submetido o gênero feminino, há muito, é conhecido pelo senso comum. Segundo Deddeca et al. (2009, p.11),

Os resultados gerais mostram que, em 2006, homens e mulheres na condição de ocupados tinham jornadas totais de trabalho de 49 horas e 56 horas, respectivamente. Contudo, a composição da jornada total era significativamente distinta entre sexos. Os homens tinham uma jornada de trabalho média equivalente à jornada constitucional de 44 horas e destinavam cinco para a reprodução social. As mulheres exerciam jornadas de 37 horas no mercado de trabalho e 19 horas para a reprodução social, resultando em uma jornada de trabalho total em média 15% superior à dos homens.

Com esses dados, evidenciamos a jornada dupla a que são submetidas mulheres típicas, mas e quando a jornada se torna tripla porque a mulher é mãe, e ainda mais sendo mãe atípica? Tendo essa alta carga de trabalho, responsabilidade e tempo tão reduzido para si, é possível que essa mulher tenha autoestima e cuide de si também?

A autoestima pode ser definida como a capacidade de valorização, ou não, da própria identidade; se há satisfação em ser quem se é; se há autoconfiança e reconhecimento de valor.

Posto isso, a autoestima alta é importante para que o ser humano apresente bem-estar emocional, interaja melhor e com mais segurança com seus pares, aceite melhor que todos temos pontos fortes e fracos. A autoestima alta também permite ao sujeito sair de uma zona de conforto e encarar melhor os problemas do dia a dia.

Em contrapartida, a baixa autoestima é se sentir incomodada quando alguém a elogia, decidir-se por algo se torna uma questão difícil, relutar em dizer não, dar desculpas constantemente, autocomparar-se e desmerecer-se.

Cabe salientar que é importante que sejam desenvolvidas ações em prol de aumentar a autoestima de mães atípicas, de prevenção de quadros de ansiedade, de depressão e de outros transtornos muito comuns nessa população. Além dessas ações, destacar situações, como quando a mãe atípica consegue elevar sua autoestima, ela deixa de cair em algumas “ciladas” como pensamentos negativos sobre sua condição materna, comparação com os filhos das demais, enredar-se em conversas de profissionais que querem mantê-las fragilizadas para “venderem” terapias ou produtos relacionados ao autismo. Alguns maus profissionais também contribuem com a baixa autoestima das mães atípicas quando invalidam seus saberes e seus valores, não permitindo que se coloquem em consultas ou tratamentos, com a péssima premissa de que são “apenas mães”.

Dessa forma, para que essa mãe possa aumentar a autoestima, é preciso mostrar-lhe que  a sua maternidade atípica pode ter acertos e erros, como também acontece na maternidade típica. Aceitar que é um ser humano, às vezes, falível, e que esteja consciente que, se houver erro, esse não precisa tornar-se motivo de martírio eterno. Assim como também enxergar a possibilidade de que é capaz de reverter erros e escolher novos caminhos.

Nesse sentido, o projeto TEAcolher da Onda Autismo busca apoiar essas mães, incentivando-as a terem metas para si que sejam realistas e que possam ser cumpridas. Os assuntos sobre autoestima, tratados no grupo e em nossas lives, giram em torno de: fugir do perfeccionismo e olhar para si mesma, percebendo suas capacidades, sua beleza e valores; buscar aprender sempre, sozinha e/ou com o grupo; compartilhar saberes; sentir que tem direito à felicidade; saber perdoar-se; fazer exercícios físicos; autocuidado com o corpo e a alimentação saudável; buscar psicoterapia; sentir-se segura para, se quiser, falar sobre questões que as aflija; e comemorar seus acertos e avanços.

Vamos juntas nessa ONDA!

Referência:

DEDECCA, Claudio Salvadore et al. Gênero e jornada de trabalho: análise das relações entre gênero e jornada de trabalho. 2009. Disponível em: Scielo Brasil On-line: https://www.scielo.br/j/tes/a/cswHtBM54kVcgFmNwrM9Mcd/?lang=pt# Acessado em: 10 de setembro de 2021.

Mãe autista, mãe atípica e maternidade atípica

Tempo de Leitura: 3 minutosMãe autista, maternidade atípica, mãe atípica, mãe típica. Afinal, o que significa tanta nomenclatura diferente? A mãe típica é aquela que se enquadra no senso comum de normalidade. Assim, se tiver filho típico, exercerá a maternidade típica. Mas se o filho for atípico, fora do senso comum da normalidade? Então, a mãe típica exercerá uma maternidade atípica. Desse modo, a mãe autista com dois filhos, um típico e outro não, será…? Uma mãe atípica exercendo a maternidade atípica e atípica.

Fui chamada de mãe típica, mas sou mãe autista, com maternidade atípica

Sempre soube que havia algo diferente com minha filha. Dessa maneira, busquei o diagnóstico por anos. Ele veio quando ela estava com 11 anos. Nesta época, fui considerada mãe típica com maternidade atípica. Ainda assim, surpreendia os profissionais das áreas da educação e da saúde. Eu sabia explicar muitas reações de minha filha. Mais que isso, eu me reconhecia nelas. Meu psicólogo à época descartou essa possibilidade.

Então, segui a vida. Entretanto, meu cérebro neurodivergente sempre existiu e me apontava soluções nem sempre aceitas pela equipe que nos acompanhava. Contudo, sabia que estávamos no caminho certo. Em 2015, passei a compartilhar minhas vivências com o mundo. Nascia, no YouTube, o canal Mundo Autista. Sophia estava com 18 anos.

Mães típicas com maternidade atípica

Em primeiro lugar, de maneira surpreendente, nossos vídeos alcançavam cada vez mais pessoas. Assim, agradeço a todas elas. Era certo que eu e minha menina compartilhávamos nossas vivências. Não tínhamos receitas prontas. Não éramos profissionais das áreas da educação ou da saúde.

No entanto, muitas mães se inspiravam na gente. Somos jornalistas e entrevistámos educadores e profissionais da saúde. O compromisso era, e ainda é, levar informações confiáveis ao nosso público. Se dependesse de mim e de Sophia, nenhuma família se sentiria sozinha, como eu e ela fomos um dia.

Mãe autista, portanto, atípica

Em 2016, recebi meu diagnóstico. Como resultado, veio a revelação. Em suma, eu sou autista grau leve, com transtornos da ansiedade generalizada e obsessivo compulsivo. Ou seja, por um lado, senti-me aliviada. Mas, por outro, fiquei preocupada com as mães típicas que se espelhavam na prova real de meu discurso de maternidade. Minha filha entrava para a fase adulta, com ótima performance. E muito por causa de meu cérebro que sempre foi neurodivergente. Foi assim, que decidi me esforçar ainda mais. Iria levar informações reais, embasadas e confiáveis a todas as mães. Quaisquer que fossem elas.

Ampliando horizontes

Em resumo, depois de muito estudo, de muita prática e de muita vivência, ampliei a atuação do Mundo Autista. Além da inclusão, somamos outras áreas. Agora falamos da educação, comunicação, comportamentos, cultura, construção da paz. E ainda, somos um espaço para todos os ‘lugares de fala’.

Enfim, nos abrimos para a diversidade humana. E, dessa maneira, passamos a colher a riqueza das diferenças que se complementam. O resultado é a construção lúdica e responsável de uma nova sociedade. Igualitária, equânime, humanista e democrática.

Afinal, o caminho da inovação pela criatividade nasce do somatório das riquezas singulares. Para enxergarmos isso, é preciso um ‘outro olhar’ e um ‘outro coração. E, claro, muitas, muitas vozes.

As vozes do fascinante mundo do autismo. Valeu!

Obrigada Canal Autismo (Francisco Paiva Júnior) que se une a nós com a mesma visão da força humana a partir das diferenças. Valeu Estado de Minas, pelo diálogo no DiversEM, espaço dedicado a contribuir para uma cobertura mais plural e diversa.

E nossos convidados: Crea Felicidad, uma equipe de líderes interdisciplinares com um trabalho personalizado para criar a felicidade em todas as vidas. Aquela felicidade que só a pessoa sabe como é e aquela que você deseja ter.

E mais: educador e doutor, Márcio Boaventura Júnior. A mestranda em Comunicação Social, Sophia Mendonça. O psicólogo e professor de Yoga, Renan Kleber. A professora doutora e socióloga, Andreia dos Santos. A psicóloga, Adrianna Reis. A jornalista Gabriela Guedes. A jornalista e terapeuta ericksoniana, Mônica Cabanas. A contadora de histórias, Roberta Colen. A Dra. Kelly Robis, psiquiatra. Além de um time incrível que vem por aí.

Ah, e obrigada a você, que é nosso seguidor. Sem o seu apoio, nada disso se tornaria real.

‘O diagnóstico dele não era o destino nem dele nem meu’, diz atleta paralímpica mãe de autista

Tempo de Leitura: < 1 minutoDrica Azevedo tem 43 anos, é atleta paralímpica e está em Tóquio para as Paralimpíadas de 2020 que ocorrem este ano. Ela possui um filho, Benício, de 7 anos, que é autista. O processo de busca por um diagnóstico começou em 2018, quando a criança tinha 3 anos. Atualmente, Drica compartilha as experiências de maternidade atípica em torno do autismo.

“Quando busquei o diagnóstico do Benício, em 2018, quando ele tinha três anos, eu já imaginava que ele estava no espectro do autismo. Mas era muito complicado para conseguir consultas, era muito caro. Quando veio esse diagnóstico, o que mais escutei foi que: ‘Agora você vai ter que parar de treinar, porque vai ter que se dedicar exclusivamente ao Benício’. E eu não aceitava. O diagnóstico dele não era o destino nem dele nem meu. Decidi então que queria progredir no esporte, porque o esporte poderia me dar os meios de cuidar do Benício e melhorar a qualidade de vida dele e da minha família”, disse ela ao UOL Esporte.

Mãe e autista

Tempo de Leitura: 2 minutosHoje em dia vemos bastante conteúdo sobre autismo, de mães sobre seus filhos, profissionais da saúde, autistas adultos, e isso é incrível. Mas, conforme olhamos mais de perto, percebemos que dentro deste público existem subgrupos ainda mais específicos. É um deles que vou abordar neste texto. Não do ponto de vista da mãe com filho autista, mas da mãe que é autista. 

Diagnosticada aos 31 anos, depois de procurar desesperadamente um neurologista, eu não aguentava mais não superar expectativas (minhas ou da sociedade). Estava eu com meus filhos, sem nunca ter conseguido trabalhar e precisando de dinheiro, tendo sido passada pra trás por muita gente, sem saber andar de ônibus, sem saber receber visitas em casa, sem conseguir interagir minimamente com outras mães e, inclusive, virando alvo das rodas de conversa dessas mães por ser “antipática” ou “metida”. 

Desde então o que me trouxe mais alívio foi a certeza de que eu sabia para onde ir. Sem cura, mas sim a possibilidade de aprender algumas coisas, adaptar outras para que não me agridam, e aceitar outras que fazem parte de mim e não podem ser mudadas. 

Aprendi que se serve uma visita com café e bolachinhas, que para transmitir mais confiança ao falar com alguém devo deixar minhas mãos mais quietas. Adaptei a necessidade que as pessoas têm de “olhar nos olhos”, e hoje, em uma conversa formal, quando a conduta administrativa pede o olhar direto, eu olho entre as sobrancelhas. Aceitei que andar de ônibus para mim não funciona. O barulho infantil me incomoda, mas eu consigo lidar com isso usando protetores auriculares e compreendi que é uma expectativa minha querer que as crianças fiquem quietas,  mas nem sempre será assim. 

Ser mãe para mim é algo que eu consigo e amo fazer. A necessidade que as crianças têm de uma rotina encaixa-se com a minha necessidade de rotina. Gostamos das mesmas coisas e eu converso melhor com crianças sobre espécies de dinossauros e desenhos do que sobre a vida alheia, como geralmente é na roda de adultos. Minha maior dificuldade ainda são coisas básicas e necessárias, como ganhar dinheiro. Aprendi minha profissão sozinha, mas até o simples contato com o cliente me desestabiliza e interfere muito na minha vida. Sou incapaz de trabalhar formalmente com as surpresas que existem em uma empresa. Minha mente é como um trilho de trem. Tem um caminho específico a percorrer, e se o trem sai do trilho não dá para simplesmente colocá-lo de volta, ou criar um novo trilho ali, de repente.

‘As pessoas são cruéis’, diz mãe atípica sobre preconceito

Tempo de Leitura: < 1 minutoMariana Aguiar, estudante de jornalismo, recebeu o diagnóstico de autismo de sua filha aos 2 anos de idade após perceber várias atipicidades no comportamento da criança. Em entrevista, ela contou sobre a experiência da maternidade e o receio de como a sociedade encara autistas.

“As pessoas são cruéis, ainda existe muito preconceito em todos os lugares, então quando eu penso sobre isso eu realmente fico triste”, disse ela. Mariana acabou largando a graduação em Jornalismo em 2021 para dedicar-se à filha.

A reportagem ainda contou com comentários de Cristiano de Oliveira (autista adulto e responsável pelo documentário Stimados Autistas), Hugo Ênio Braz (moderador da rede Gaúcha Pró-Autismo), Francisco Paiva Jr. (editor da Revista Autismo), entre outros.

Mãe Autista – três gerações de muito amor e determinação

Tempo de Leitura: 3 minutosNunca vou me cansar de homenagear minha mãe que, aos 25 anos, separou-se de meu pai, com 3 filhas de 5, 3 e 2 anos. Dali para a frente, seria uma trajetória impossível para aquela mulher vinda da “Vila dos Marmiteiros”, que ainda não havia terminado o Ensino Médio, em pleno ano de 1967. Mas ela não sabia que era impossível e, em 2006, se aposentou como Procuradora da Prefeitura de Belo Horizonte, com suas ‘meninas’ formadas em Engenharia Civil, Comunicação Social e Direito.

A verdade era que minha mãe não sabia de muita coisa e se atirou à descoberta de algumas e outras, simplesmente, se tornariam conhecidas, somente, muitos anos depois.  Minha família tinha muitas pessoas consideradas ‘esquisitas’ e a primeira pessoa ‘esquisita’ da família a receber o diagnóstico de autismo grau 1, foi minha filha, Sophia Mendonça. Há 4 anos foi minha vez e minha mãe, claramente com muitos traços dentro do espectro, resolveu que agora, o diagnóstico para ela, não faria a menor diferença.

Olhando para trás eu percebo como minha mãe foi singular e precisa para que eu sobrevivesse à falta de um diagnóstico. Talvez por ter passado por tanta coisa semelhante a mim, ela era ‘cirúrgica’ em suas explicações sobre o mundo e a vida. Mais tarde, eu me casei e, como havia feito com o casamento, determinei uma data apropriada para ter o primeiro filho. Fiquei desorganizada quando o momento chegou, mas não veio acompanhado de uma segurança para ser mãe.

Talvez, se não fosse o meu cérebro neurodivergente, eu não seria mãe. É que eu não me via como tal, não havia uma lógica a seguir para o preparo à maternidade e isso tudo me gerou muita insegurança. Deixei a data passar e não tive o filho programado para o ano de 1993. Mas algo continuava martelando em minha cabeça: minha geração acreditou que a regra era casar e ter filhos. Assim, sete anos após meu casamento, Sophia chegou.

Ainda bem, hoje sou melhor ser humano que era antes da maternidade. O que não significa que a maternidade seja um presente necessário à plenitude da mulher, algo que nos alçará à condição de ‘santas’, praticamente. Não, de jeito algum. A maternidade foi o maior desafio de minha vida que redundou num imenso aprendizado.

Eu nasci como mãe em 06 de fevereiro de 1997, o que me requereu muito estudo, observação, tentativas, erros e acertos. Graças a esse hiperfoco no desenvolvimento da criança, percebi sutilezas que passaram despercebidas ao pediatra. Aos 11 anos, veio o diagnóstico de Sophia de autista grau 1.

Com a vinda desse novo norte, o diagnóstico, eu passei transferi meu hiperfoco para o ‘autismo’. Meu universo se ampliou e eu descobri a neurodiversidade. Descobri que o mundo não se estreita a partir daí, ele se alarga. Filho é coisa séria e sua educação deve ser cercada do propósito de que ele seja um valor para a sociedade. Hoje admiro Sophia para além de ela ser minha filha.

Se houve sofrimentos? Claro, e muito. Ainda há. Acredito que se soubesse do meu autismo antes, quando Sophia era adolescente, eu não teria conseguido. Entrei em crise, muitas vezes, com ela. Desejei que eu e ela não existíssemos, procurei, obstinadamente, a lógica para essa diferença de codificação..

E descobri, pois “o inverno nunca falha em se tornar primavera”, e é o rigor do inverno que garante a plenitude da primavera. A filosofia budista de Nichiren explica o princípio da “cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro”. Essas árvores suportam o rigoroso frio do inverno e, quando a primavera se aproxima, cada qual a seu próprio tempo se enche de flores de beleza singular.

Hoje, eu sei que a diversidade dos seres humanos expressa a missão ímpar e as qualidades peculiares de cada um. A Dra. Elise Boulding (1920–2010), pioneira em pesquisas sobre a paz, defendia que um dos requisitos mais importantes para edificar a paz é ter o espírito de apreciar e celebrar a diferença e a diversidade, além de reconhecer que cada pessoa é única e preciosa. Um viva a todas as mães que, a seu jeito, procuram acertar na missão de educar e entregar valores humanos para a sociedade.

Confira esse bate-papo entre mãe e filha: