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Podcast discute enquadramento da experiência no autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoO podcast Introvertendo, produzido por autistas adultos e com diálogos sobre o autismo, lançou nesta sexta-feira (17) o seu 216º episódio, chamado “O Enquadramento da Experiência”. O conteúdo, que foi apresentado e narrado pelo jornalista Tiago Abreu, aborda o seguinte questionamento: autistas falam apenas sobre o seu próprio autismo ou podem falar com um olhar externo?

Segundo Tiago, o enquadramento da experiência é uma limitação de que autistas que participam do ativismo do autismo são apenas autistas. Na opinião do podcaster, isso não reflete a comunidade do autismo de fato. “A cada ano que passa, vamos descobrindo mães e pais de autistas que na verdade são autistas, profissionais conhecidos do autismo que se descobrem autistas, e por aí vai…”, afirmou.

Ele afirmou que o tema foi inspirado por uma situação desagradável durante uma entrevista. “Fui interrompido por uma colega de profissão quando tentei falar sobre o autismo de forma mais geral ou conceitual. Ao mesmo tempo, fiquei lembrando de quantas vezes fui chamado para eventos de autismo para falar apenas sobre o autismo em primeira pessoa. E comecei a perceber que já se tinha críticas parecidas em outros âmbitos feitos por outras minorias, como pessoas negras, LGBTs e até de outras deficiências. Queria fazer uma espécie de ensaio narrado e muita gente se identificou”, afirmou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Influenciadora que zombou de vaga para autistas pede desculpas — Canal Autismo / Revista Autismo

Influenciadora que zombou de vaga para autistas pede desculpas

Tempo de Leitura: < 1 minutoLari Rosa, maquiadora e influenciadora digital que fez um comentário sobre uma vaga exclusiva para autistas em um estacionamento de shopping em Goiânia, se pronunciou em suas redes sociais após a repercussão negativa do vídeo. Inicialmente, Lari afirmou que foi uma brincadeira. Mais tarde, ela publicou uma nota, dizendo que “minhas palavras não podem ser vistas como brincadeira” e “garanto também que, da minha parte, nunca mais vai se repetir”.

No vídeo, Lari apresentou a legenda: “Vaga para autista… vaga pra gordo não tem não né?” e, em outro stories, afirmou que “a vaga é tão colorida que achei que era vaga pra viado”.

Alexandre Frota propõe sanções para quem discriminar pessoas autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) é autor do projeto de lei 1064/22, que prevê sanções administrativas à pessoas físicas, jurídicas e agentes públicos que discriminem pessoas autistas. As punições podem variar a multas, advertência e acompanhamento de palestras sobre o autismo.

Segundo a Câmara dos Deputados, o projeto está em tramitação e já passou pela Comissão de Direitos das Pessoas com Deficiência.

Capacitismo linguístico — Canal Autismo / Revista Autismo

‘Capacitismo linguístico’

Tempo de Leitura: < 1 minutoNa semana passada recebi, pelo direct do Instagram, um vídeo no qual o professor Leandro Karnal recebe uma pergunta de uma senhora, muito emocionada, sobre até quando ele usaria a palavra a “autista” para exemplificar situações do cotidiano.

Recentemente, ele fez uma bela reparação sobre o tema, mas creio que ainda não se atingiu o significado esperado.

Não se trata de pedir desculpas, pois a intenção nunca é ofender ninguém. Trata-se do conhecimento da questão como um todo, amplamente.

Quando usamos uma metáfora, queremos fazer uma comparação de forma implícita. Por exemplo, “ele tem uma pedra no lugar do coração”. A pedra é dura. Se ela é dura, então o coração é realmente duro, insensível.

Ao dizermos que uma pessoa tem um “isolamento autista”, julgando que o isolamento é uma negativa de comunicação com o mundo, cometemos dois graves erros:

  1. Não há como não se comunicar; mesmo se isolando, a comunicação está lá: “não quero me relacionar”;
  2. O autista não se isola por opção, mas por muitas vezes, não conhecer os caminhos para tal.

Esse foi um exemplo perfeito de capacitismo linguístico: o uso da linguagem de forma discriminatória. Sim, discriminatória. Quem quer se isolar do mundo? É algo esperado das pessoas? Não.  E, quando implicado numa associação com o autismo, dizemos que o comportamento do autista não é o esperado.

Aqui, não se trata do “politicamente correto” ou “mimimi”, mas sobre a compreensão de um tema tão complexo que envolve milhares de pessoas e, que aliás, não possuem mais o isolamento como característica de classificação diagnóstica.

Então, falar de isolamento autista é, no mínimo, ultrapassado.

Autistas criticam expressão "anjo azul" em podcast — Canal Autismo / Revista Autismo

Autistas adultos criticam expressão ‘anjo azul’ em podcast

Tempo de Leitura: < 1 minutoO podcast Introvertendo, produzido por autistas adultos e com diálogos sobre o autismo, lançou nesta sexta-feira (29) o seu 210º episódio, chamado “O Problema do ‘Anjo Azul’”. Com apresentação de Luca Nolasco e co-apresentação do jornalista Tiago Abreu, o episódio trouxe a participação de Polyana Sá, ativista e estudante de engenharia. Os três são autistas e discutiram as origens e impactos da expressão “anjo azul”, usada na comunidade do autismo por alguns familiares.

Polyana explicou os motivos pelos quais muitos autistas não gostam da expressão. “Quando você chama uma pessoa de ‘anjo azul’, você está atribuindo a ela características infantilizadas como se fosse alguém que nunca crescesse, que sempre fosse inocente e precisasse sempre de amparo para realizar suas atividades do dia a dia, quando na verdade a gente sabe que autistas não são assim”, afirmou.

Tiago, por sua vez, afirmou que existe uma confusão entre familiares em achar que um termo carinhoso, e aparentemente positivo, não tenha implicações negativas. “A ideia de ‘anjo azul’ é uma forma de reduzir a humanidade de autistas. O capacitismo é toda situação que coloca pessoas com deficiência em um patamar de desigualdade, seja muito para baixo ou muito para cima. É essa percepção de autistas como sujeitos que estão completamente fora do comum, do ordinário da vida”, destacou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Dentista que atende crianças com deficiência no PR recebe apoio da comunidade do autismo — Canal Autismo / Revista Autismo

Dentista que atende crianças com deficiência no PR recebe apoio da comunidade do autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoEdson Higa, dentista que atende crianças com deficiência em Curitiba, ganhou notoriedade após receber uma multa do condomínio e reclamações de vizinhos. O caso gerou revolta em famílias com deficiência e ativistas prestaram apoio público ao profissional.

Localmente, organizações de direito das pessoas com deficiência e pacientes de Edson realizaram uma manifestação em frente ao Centro Comercial Cândido de Abreu. O caso também chegou a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na última terça-feira (12).

Na comunidade do autismo, o caso também repercutiu. Usuários promoveram a hashtag #somostodosedsonhiga nos comentários de publicações de Edson. A advogada Tatiana Takeda disse: “Quero acreditar que a Justiça estará ao seu lado”.

O youtuber Willian Chimura chegou a gravar um vídeo e pediu aos seus seguidores que curtam a página de Edson no Instagram e lhe deem mensagens de apoio.

Preconceito x discriminação: temos muito a aprender — Canal Autismo / Revista Autismo

Preconceito x discriminação: temos muito a aprender

Tempo de Leitura: 2 minutosQual o primeiro passo da inclusão? No duelo entre Preconceito x Discriminação temos muito a aprender. Em primeiro lugar, vamos entender o conceito de cada um dos termos.

É comum, confundirmos discriminação e preconceito. Portanto, é importante entender que uma ideia preconcebida é preconceito. Por outro lado, discriminação é ato ou efeito de discriminar. Ou seja, é o tratamento preconceituoso a certas categorias de pessoas. Desse modo, quando alguém age guiado somente por sua opinião, há a discriminação. Em resumo, nossas ações denunciam nosso preconceito.

Preconceito x Discriminação: é preciso aprender

Contudo, devemos redobrar o cuidado. Afinal, a lei estabelece punição para os crimes de discriminação. Da mesma forma, para o preconceito de raça, cor, etnia, religião e outros. Assim, o resultado é a pena de reclusão de um a três anos e multa.

No entanto, na prática temos que saber:

  1. O preconceito é um pré-julgamento.
  2. No entanto, a discriminação é o ato de diferenciar, de dar tratamento diferente.

Como resultado, a discriminação é a manifestação das preferências e opiniões pessoais. Em detrimento de um tratamento equânime entre as pessoas. Dessa maneira, criamos rupturas sociais entre as pessoas.

Qual a diferença entre igualdade e equidade?

Certamente, a igualdade se refere a situações idênticas para todas as pessoas e situações. Entretanto, a equidade se refere à capacidade de apreciar e julgar com retidão. Ou seja, com imparcialidade e justiça.

Por isso, dar um tratamento equânime a todos os julgamentos é exercer uma justiça natural. Ou, em outras palavras, aquela que reconheça imparcialmente o direito de cada um. Aliás, com igualdade e moderação.

Preconceito x Discriminação: a informação é uma ferramenta poderosa

Assim, a informação é antídoto ao preconceito. Por exemplo, em geral, o julgamento pessoal é o que nos leva ao preconceito. Então, para evitarmos que isso aconteça, devemos nos informar e pesquisar. Além disso, assim, evitamos incorrer em crime, claro.

Seguranças do Metrô barram autista com cão de serviço

Enquanto não entendermos isso, situações como a de Arthur, de 22 anos, vão acontecer. Ele estava acompanhado por um cão de serviço e queria tomar o metrô. O animal o ajuda a desempenhar funções consideradas desafiadoras. Por exemplo, interagir com outras pessoas em ambientes públicos.

Entretanto, o jovem não conseguiu embarcar de imediato, neste sábado, 21. Ou seja, houve o impedimento vindo de agentes de segurança da empresa. Além disso, um deles, ironizou que o cachorro não poderia entrar no elevador. Ele explicou que, acima de tudo, ele não era deficiente.

É preciso mais informação e menos preconceito

Arthur argumentou que estava tudo em ordem. Até apresentou a carteirinha de vacinação do cão. Além do crachá e cópias da Lei da Pessoa com Deficiência. Mas, o funcionário disse que aquela lei não se aplicava para o embarque no metrô.

O que o agente desconhece é que pessoas autistas podem utilizar cão treinado como acompanhante. Isso facilita a autonomia deles. A Lei 12.764 de 2021 assegura às pessoas autistas os mesmos direitos garantidos às pessoas com deficiência.

A Companhia esclareceu que após checar as informações, autorizou o embarque. Além disso, a equipe está sendo orientada para que atendimentos em casos assim, tenham respostas mais rápidas.

E você? Já sofreu algum tipo de discriminação?

Autista com cão de serviço afirma que foi barrado em metrô no DF — Canal Autismo / Revista Autismo

Autista com cão de serviço afirma que foi barrado em metrô no DF

Tempo de Leitura: < 1 minutoArthur Skyler Santana de França, 22 anos, publicou um desabafo no Twitter no último sábado (20). Na publicação, o jovem, que é autista, disse que foi barrado por seguranças no metrô do Distrito Federal pelo uso de um cão de serviço, que o ajuda em funções diárias.

O caso repercutiu nas redes sociais, sobretudo na comunidade do autismo. Procurado pelo Metrópoles, Arthur contou novamente o ocorrido. “O primeiro agente me disse que Atlas não poderia entrar no elevador, pois o cachorro não era deficiente”, disse ele.

Após a situação e a discussão provocada no âmbito do autismo, há a probabilidade de mudança na lei que estabelece o Estatuto da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, para incluir cães de serviço, não só cães guia, para assistência de pessoas com deficiência.

Atualização:

Nesta terça (23.nov.2021), Arthur e Atlas estiveram no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para discutir essa questão. Abaixo, veja o que Arthur postou no Twitter, com um vídeo.

 

[Atualizado em 24/11/2021, 09h38 com postagem do Arthur no Twitter]

Mãe de autista relata hostilidade em ônibus no interior de SP

Tempo de Leitura: < 1 minutoUma mulher de 43 anos deu queixa à polícia em Limeira, interior de São Paulo. Ela afirma que uma passageira em um ônibus a agrediu verbalmente por causa de sua filha autista.

O caso teria ocorrido após a criança, de 3 anos de idade, começar a cantar. “Uma mulher olhou para trás, sentada dois bancos para frente, e falou: ‘mãe, tem como você fazer sua filha calar a boca?’. Eu não acreditei, eu ainda fui educada: ‘por favor, senhora, não entendi’. ‘Isso, faz filha calar a boca. Ou ela cala a boca, ou você desce do ônibus com ela ou vai sentar lá atrás”, disse ela ao G1.

Segundo a mãe, a criança teve crises e a passageira culpou-a pelo autismo da filha.

Meme Sincero: A desconstrução do preconceito

Tempo de Leitura: 2 minutosHoje o texto é autorreflexivo. Para vivermos uma coletividade mais inclusiva e nos tornarmos melhores, não apenas individualmente como também em comunidade, é primordial que comecemos por nós mesmos a transformação que almejamos.

Precisamos entender e aceitar que estamos inseridos em uma estrutura preconceituosa enquanto sociedade, pois fomos criados em um contexto de exclusão e segregação.

Historicamente, as minorias e as pessoas divergentes, que fugiam do que era considerado como padrão, eram excluídas, subjulgadas ou exterminadas, e, ao longo do tempo, houve um esforço no sentido de fazer parecer que tal absurdo seria aceitável.

Por muito tempo, tivemos normoses em nosso curso, sendo confundido com o normal. Pessoas escravizadas, açoitadas e rebaixadas por causa do gênero, exterminadas pela sua etnia, trancadas e sendo torturadas por ter alguma deficiência são apenas alguns dos muitos exemplos que podemos citar.

Mas os tempos são outros! Será?

Mais do que uma afirmação, essa expressão é um desejo, pois ainda não se pode afirmar que de fato isso seja uma verdade. Atualmente ainda vemos muitos resquícios dessas barbáries citadas e não podemos mais admitir ou inventar desculpas para isso.

Não pode o costume, o estrutural ser uma venda que nos fecha os olhos para a verdadeira evolução da humanização em nosso meio. Não dá pra continuar discriminando com o subterfúgio de que sempre foi assim, de que não teve intenção ou de que não sabia.

Mesmo sem intenção, somos capazes de machucar. Se não sabemos, precisamos de humildade para aprender, com nossos erros, com os dos outros e com ouvidos receptivos para quem está disposto a nos ensinar. Menos desculpas e mais flexibilidade quando ofendemos, discriminamos ou somos preconceituosos.

Não nos justifiquemos, escutemos! Não somos os seres soberanos que decidimos quando algo afeta alguém. Quem sabe o quanto dói é o ser que foi ferido e não quem atingiu.

E, se sempre foi assim, então sempre esteve errado, e é tempo de mudança, tempo de crescer. Não espere que alguma das causas passíveis de sofrer com o preconceito e a discriminação atinja você ou alguém próximo para que você lute contra, pois essa é uma causa de todos. Não ache que apenas as minorias sofrem com essas questões, porque a verdade é que toda a sociedade perde quando as diferenças não são respeitadas. O normal é ser diferente e ainda bem que é assim.

Por fim, repetindo o que disse no início, vamos começar por nós a mudança que queremos. Não espere aceitação para um filho seu se você não aceita o filho do próximo. Não existem dois tipos de preconceito. Estamos todos na mesma causa, e a intolerância contra um é a intolerância contra todos, pois, ao diminuir outro ser humano, estamos nos diminuindo enquanto humanidade.

Pai de autista, baterista do Molejo denuncia capacitismo; vizinha é indiciada

Tempo de Leitura: < 1 minutoJimmy, baterista do Molejo, denunciou à Polícia Civil juntamente com a esposa, Cristiane Sales, que o filho do casal George, autista e com 7 anos de idade, foi vítima de capacitismo. A ocorrência se deu com uma vizinha que mora no mesmo condomínio que a família, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que afirmou: “depois que autismo virou moda, retardado tinha mudado de nome”.

Em entrevista ao G1, Cristiane afirmou que as ofensas se deram quando George brincava com outra criança. “Começou a querer me identificar através do meu filho. Que ele seria um doente, uma criança com problemas. E como eu não atendi nessa identificação, ela também perguntou se era o filho de um preto, um pagodeiro, favelado, pai de uma criança doentinha”, disse.

Na última terça-feira (14), a polícia indiciou a vizinha que teria sido responsável pelo ato. “Se eu deixar para lá, vou estar virando as costas para tudo aquilo que eu acredito, e para outros Georges também. Meu filho não pode crescer achando que ser ofendido é normal. Vamos até o final com isso aí”, Jimmy afirmou na ocasião.

Jimmy e George chegaram a gravar um vídeo, divulgado nas redes sociais, com detalhes sobre a situação.

Os médicos precisam de reciclagem – não existe “cara de autista”

Tempo de Leitura: 2 minutos“Você não tem cara de autista.” Ouvi essa frase de muitos profissionais da saúde. Médicos pensam que são Deus. Claro que não é bem assim. Generalizações são perigosas. Na verdade, só a maioria. As exceções ficam na conta daqueles médicos que se reconhecem seres humanos e conseguem, assim, enxergar a humanidade de seus pacientes. Resta a essa maioria que persiste por um caminho que não cabe mais no mundo do século 21, fazer uma boa reciclagem, urgente.

Toda vida importa

O mundo caminha para a inclusão. Toda vida importa. Todo ser humano também. Outro dia, me consultei com um clínico geral. Muito competente e pouco empático. Para ele, bastava me examinar, pedir exames, checar o resultado dos exames e prescrever a medicação.

Minhas perguntas o incomodavam. Como se eu, como paciente, não fosse acrescentar nada à anamnese feita por ele. Expliquei que meu cérebro neurodivergente, precisava entender o que estava acontecendo comigo para a eficácia do tratamento. Foi o que bastou. Se já estava ruim, ficou pior.

“Você não tem cara de autista”

O doutor, olhou para mim e proferiu a tão conhecida quanto antipática frase: “Você não tem cara de autista.” E aí sim, o médico-deus pareceu ter adquirido salvo conduto para ignorar minhas preocupações. Não validava nada que eu dizia, era como se o autismo me fizesse menos capaz diante de pessoas típicas. Esses profissionais da saúde salvam vidas, mas podem nos matar, lentamente, toda vez que enxergam o diagnóstico e não a pessoa. Lembrei das mil vezes que minha filha foi ignorada pelos médicos. Muitos só enxergaram suas limitações sem validar a cidadã e mais, de ser humano. Lembrei de Carlos Drummond de Andrade: “Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo. Mais vasto é meu coração.”