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Jornal Nacional discute neurodiversidade nas empresas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Jornal Nacional exibiu, no último sábado (9), uma reportagem sobre empresas que tem se atentado para a temática da neurodiversidade. O telejornal mostrou como pessoas com deficiências como o autismo, TDAH e dislexia tem sido abordadas por programas de inclusão no mercado de trabalho.

Sabrina Aguiar, que é gerente de sistemas e tem TDAH, e abordou as características positivas de sua neurodivergência. “A gente tem debilidades, mas, em compensação, a gente tem superhabilidades. No meu caso, eu sou muito boa em lógica, análise e detalhes. E acabei me encaixando muito bem no cargo de programadora, de poder analisar vários números, volumes grandes de dados, entender requisitos, procurar padrões e trazer isso de forma a construir coisas novas”, afirmou.

Marcelo Vitoriano, diretor da Specialisterne no Brasil, também falou sobre a retenção de funcionários treinados pela empresa. “Por que as pessoas permanecem? Porque elas se sentem acolhidas nas suas necessidades. Se eu tiver uma situação que eu estou muito ansioso e preciso fazer uma pausa um pouco mais alongada, meu chefe vai entender isso. E tudo bem, né?”, destacou.

Confira a reportagem completa na Globoplay.

Adolescentes autistas em cidade de SP recebem curso de design

Tempo de Leitura: < 1 minutoUm projeto da ONG profissionalizante Unijovem e o Espaço Potencial em Marília, interior de São Paulo, tem levado um curso de design gráfico para jovens autistas de 14 a 18 anos.

Segundo informações divulgadas pelo Solutudo, esta é a segunda turma que o projeto tem capacitado e a expectativa é que os 15 estudantes concluam o curso ainda em 2022.

“Essa oportunidade gera, além de conhecimento, esperança e confiança para um futuro promissor dos jovens na área digital”, afirmou Luís Fernando de Sena, coordenador do Unijovem.

Specialisterne anuncia seleção e capacitação de autistas para vagas na IBM

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Specialisterne Brasil anunciou, nesta terça-feira (14), um processo de seleção de candidatos autistas para participar da capacitação profissional para futura atuação na IBM, em Hortolândia (SP), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Para os contemplados, o treinamento se dará de forma online, durante 5 semanas.

Foram anunciadas cinco posições para o processo seletivo: software developer, technical owner, tester, business analyst e digital chance. Para todas as vagas, é fundamental ter diagnóstico de autismo e proficiência em inglês. Experiência profissional não é exigida.

Confira a publicação da Specialisterne Brasil com detalhes da vaga:

[Atualizado em 16/09/2021 com expansão das vagas para incluir SP e RJ]

Museu na Espanha contrata autistas para atender mais de 3 mil visitantes por dia

Tempo de Leitura: 3 minutos

UM TIME DE 30 AUTISTAS

Por Francisco Paiva Junior,
com colaboração de Marcelo Vitoriano

Imagine uma empresa em que todos os seus funcionários fossem neurodivergentes, a maioria autistas. Treinados para acolher e dar informações a quem chegasse à empresa e com total empatia para com os visitantes neurodivergentes, afinal, os autistas saberiam melhor que ninguém o que é ter hipersensibilidade auditiva, por exemplo, ou outras questões que tornam o dia a dia dessas pessoas um desafio. Agora, pare de imaginar e saiba que essa iniciativa já existe! Sim, um museu na Espanha fez isso: a Casa Batlló, em Barcelona.

Casa Batlló é um museu, projeto de Antoni Gaudí (1852-1926), famoso arquiteto espanhol e figura que marcou o Modernismo catalão, mas nunca se encaixou no perfil de nenhum movimento artístico. Sua genialidade é o selo de seus edifícios e seu estilo é ímpar na história da arquitetura, com a maioria de suas obras na cidade de Barcelona — como sua obra-prima, o inacabado templo da Sagrada Família. O edifício do museu projetado por Gaudi figura na lista do patrimônio mundial da Unesco, e fica na Ilha da Discórdia (um bairro modernista da cidade), aberto para visitação e já muito envolvido com projetos sociais.

Conversamos com o espanhol Francesc Sistach, CEO da Specialisterne Espanha, que foi a empresa responsável pelo programa de recrutamento e treinamento do time de autistas do museu. A missão da Specialisterne, que é uma empresa dinamarquesa de impacto social fundada por um pai de autista, é preparar e incluir pessoas com autismo no mercado de trabalho. A filial brasileira da empresa abriu as portas no final de 2015. Hoje a empresa já tem presença em 23 países — o último deles foi a França —, tendo, no mundo todo, incluído mais de 10 mil pessoas autistas no mercado de trabalho (150 no Brasil). A meta da Specialisterne é chegar a 1 milhão!

Sistach, muito entusiasmado com a iniciativa, contou que após meses fechados por conta da pandemia de Covid-19, havia planos de o museu reabrir para visitação. “Eles já tinham uma pessoa com autismo na área administrativa, portanto já estavam muito contentes em ter um autista na equipe. Então, falamos: ‘Agora é a oportunidade de ampliar o escopo do projeto e fazer um grande trabalho de neurodiversidade!’. No princípio pairou uma dúvida se autistas seriam as melhores pessoas para interagir com visitantes do museu. Mas, para essas funções, encontramos pessoas dentro do espectro que tinham mais habilidades sociais, pois, num museu, não se exige tanta interação social, é algo mais limitado, controlado, esporádico”, explicou ele.

Com uma metodologia específica para este projeto, hoje há mais de 30 pessoas com autismo trabalhando lá e mais outras pessoas, com outras características, como TDAH e dislexia. Um dos pontos turísticos mais buscados da Espanha, recebendo em média (antes da pandemia) mais de um milhão de visitantes por ano, teve uma abertura parcial em abril, após o início do controle da pandemia e vacinação naquele país,  e veio aumentando os dias e horários de abertura gradualmente. Atualmente já abre diariamente, com três grupos alternando os turnos de trabalho.

“Está funcionando muito bem, e o discurso de cada funcionário está sempre muito bem preparado e a habilidade de trabalhar muito bem, fazendo a mesma coisa por muitas horas, dando sempre a mesma resposta, sempre muito correta e precisa. E penso que teremos uma baixa rotatividade de funcionários, evitando algo que é muito comum nesta área, pois muitos autistas não se incomodam em fazer a mesma coisa exatamente todos os dias, como é preciso num museu desses”, argumentou Francesc Sistach, que também foi responsável por implantar as filiais da Specialisterne no Brasil, Itália e outros países da América Latina. “Os autistas têm a capacidade de ficar num trabalho rotineiro por muito mais tempo”, completou ele.

Para o mês de setembro está programada uma campanha de comunicação para mostrar à sociedade a iniciativa da Casa Batlló, “Isso será muito positivo para eliminar alguns obstáculos de preconceito contra autistas. Aqui temos um museu com 30 autistas coordenando a visitação de mais de 3 mil pessoas por dia. Creio que isso vai ajudar a romper diversas barreiras mentais em todo o planeta, a respeito do amplo espectro do autismo, que é muito diverso, e que podemos pensar em muitas outras oportunidades para autistas”, contou Sistach com um sorriso de orelha a orelha.

CONTEÚDO EXTRA

Google Cloud lança programa de carreira para autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Google Cloud anunciou a criação de um programa mundial de carreira para autistas, cujo objetivo é de contratar e apoiar autistas para atuar na área de armazenamento em nuvem. O projeto é desenvolvido em parceria com a Stanford Neurodiversity Project e tem o objetivo de treinar mais de 500 gerentes do Google Cloud para facilitar a contratação de profissionais autistas.

Segundo o comunicado da empresa, o objetivo é diminuir as barreiras existentes no processo de recrutamento e entrevista de autistas no mercado de trabalho. “Por esses motivos, ofereceremos aos candidatos deste programa acomodações razoáveis, como tempo de entrevista prolongado, perguntas com antecedência ou condução da entrevista por escrito em um documento Google, em vez de verbalmente por telefone”, afirmam.

Empresa Amiga da Pessoa Autista: a inclusão na prática

Tempo de Leitura: 2 minutosComo as pessoas autistas e seus familiares estão sendo tratados nas empresas e instituições, públicas ou privadas, em relação ao atendimento, mercado de trabalho e acesso aos serviços e execução de sua cidadania na realidade do nosso cotidiano?

Foi com essa demanda que a REUNIDA-Autismo idealizou o projeto Empresa Amiga da Pessoa Autista, em que pretende oferecer, em três etapas, treinamento e consultoria para as diversas instituições, para que a comunidade do autismo seja tratada com respeito, dignidade e conforme o previsto na Lei 12.764/2012, que visa garantir os direitos da pessoa com TEA.

Entendemos que muitas vezes os atos de discriminação e preconceito nos meios profissional e corporativo, provém de desconhecimento e falta de treinamento. E já está mais do que na hora das empresas se preocuparem com a responsabilidade social.

Apesar das garantias legais, todos os dias temos relatos de familiares e de pessoas autistas que tiveram sua dignidade ferida e seus direitos desrespeitados como cidadãos e pessoas com deficiência.

Para combater isso, usando da educação como caminho de inclusão, esse projeto da REUNIDA-Autismo traz esse compilado de palestras, sendo uma etapa voltada ao atendimento, a seguinte para a adaptação dos processos de contratação de pessoas autistas e o último visando a permanência do indivíduo no emprego propiciando adequações estruturais, atitudinais e orientação aos colegas de trabalho para otimização do ambiente.

Posto isso, a primeira etapa desse nosso projeto já está em execução, pronta para tornar qualquer empresa que trabalhe com atendimento ao público mais inclusiva e capaz de atender a comunidade do autismo da maneira que ela tem direito e merece.

Acreditamos que com isso todos ganham, porque essa comunidade, além de ser uma parcela volumosa da nossa sociedade, que se bem tratada e fidelizada pode trazer maiores lucros e prestígio aos estabelecimentos, temos também a convicção de que uma sociedade mais inclusiva é um ganho para todos pois a diversidade está em todo lugar e ela que nos faz crescer.

Para solicitar informações do projeto Empresa Amiga da Pessoa Autista, requerer os treinamentos para sua Empresa/Instituição ou para sugerir para uma empresa que você ache que precisa conhecer essa iniciativa da REUNIDA-Autismo, entre em contato pelo e-mail: [email protected].

 

‘As pessoas acham que o autista só serve pra arrumar prateleira e não é bem assim’, diz ativista

Tempo de Leitura: < 1 minutoMembro da Associação da Síndrome de Asperger no Transtorno do Espectro do Autismo (ASA-TEA MG), a ativista Izabel Barros deu uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo sobre a inclusão de autistas no mercado de trabalho, e falou sobre ações para ajudar autistas a encontrarem vagas condizentes com seus perfis profissionais.

“As pessoas acham que o autista só serve pra arrumar prateleira e não é bem assim. A gente procura talentos para sair do empilhar caixa, porque as pessoas com TEA têm talentos apurados e hiperfoco”, disse ela, que também destacou a importância da aceitação do autismo.

A ativista também abordou a questão da acessibilidade. “Muitas vezes as empresas preferem contratar pessoas com deficiência que é cadeirante, por exemplo, porque constroem uma rampa e está tudo bem. Com um autista a rampa não é física, é uma rampa que a gente chama de atitudinal. Essas rampas atitudinais demandam um maior afeto, um olhar mais aberto, sair da caixinha. Não é só uma barreira física”, disse.

Dirigido por Sophia Mendonça e Selma Sueli Silva, documentário ‘AutWork’ é selecionado para festival no Reino Unido

Tempo de Leitura: 2 minutosO curta-metragem documental “AutWork – Autistas no Mercado de Trabalho“, uma produção do “Mundo Autista” dirigida por Sophia Mendonça & Selma Sueli Silva, mãe e filha diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), foi classificado para a seleção oficial do festival “List-Off Global Network: First-Time Filmmaker Sessions“.  O documentário, que concorre na categoria Melhor Curta-Metragem, marca a estreia na direção cinematográfica da dupla de jornalistas e escritoras e investiga a inclusão de autistas no mercado de trabalho.

Dirigido por Sophia Mendonça & Selma Sueli Silva, documentário "AutWork" é selecionado para festival no Reino Unido — Canal Autismo / Revista AutismoO evento é sediado em Pinewood Road, na Inglaterra e ocorre entre 24 e 31 de maio deste ano. Os cinco melhores filmes de cada categoria serão selecionados pelo público após exibição e votação online. Os finalistas serão avaliados pelo júri interno do festival, que definirá os vencedores, e exibidos no Pinewood Road e no Los Angeles Lift-Off Film Festival em Raleigh Studios, Hollywood. Para Selma Sueli Silva, a repercussão internacional é uma oportunidade de “ampliar a visibilidade do Espectro e da pessoa autista, facilitando a oportunidade de mais acolhimento e menos preconceito”.

A dupla de cineastas atualmente se vê envolvida em novos projetos no cinema e o próximo documentário tem previsão de lançamento no final deste ano. “Como contadoras de histórias, estamos sempre em busca da oportunidade de ampliar o repertório sobre temas que foram pouco ou nada discutidos, ou não tiveram a chance de serem discutidos sob determinada ótica”, analisa Sophia Mendonça.

Trailer

Confira o trailer de “AutWork – Autistas no Mercado de Trabalho”:

 

Documentário

 

 

Iniciativas vitoriosas de autistas ganham o mundo

Tempo de Leitura: 3 minutosNo início deste segundo ano de confinamento forçado, nos reunimos com editor da Revista Autismo e propusemos a pauta sobre autistas e mercado de trabalho. Francisco Paiva Júnior ponderou que já tinham sido abordados vários aspectos desse assunto. Como eu e minha filha Sophia Mendonça já estávamos esboçando o roteiro de um documentário que iria ao encontro dos autistas que já estivessem no mercado, resolvemos manter a pauta e escrever sobre isso. E assim fizemos. (Matéria Autwork, da Revista Autismo número 12, de março.2021, páginas 12 e 13).

Nesta quinta, 13.mai.2021, recebemos o comunicado de que o filme “AutWork – Autistas no Mercado de Trabalho”, uma produção do “Mundo Autista” dirigida por Sophia Mendonça & Selma Sueli Silva, com edição da cineasta Radija Ohanna de Oliveira, foi selecionado para o festival “List-Off Global Network: First-Time Filmmaker Sessions”, no Reino Unido.

Ficamos animadas, pois já havíamos recebido vários retornos de como “esse trabalho tocou a alma e coração de quem o assistiu, dando voz a tantos e diferentes autistas”, conforme palavras da terapeuta ericksoniana, Mônica Cabanas, que atualmente reside na cidade do México.

Uma de nossas entrevistadas, à época, foi Joyce Rocha, 28 anos, UX Designer, abreviação de User Experience ou “Experiência do Usuário”, com foco em acessibilidade digital. Ela é autista e teve o diagnóstico há 6 anos.

Joyce atua, também, no Hackathon Autismo Tech, elaborado e promovido pela FIAP – Faculdade de Tecnologia de São Paulo, em parceria com a startup aTip. Nascido em 2018, o Hackathon Autismo Tech já está na terceira edição e busca encontrar soluções tecnológicas que promovam a inclusão de profissionais no espectro autista. Depois de integrar a primeira edição, Joyce sugeriu a participação expressiva de autistas, por serem eles, a fonte das demandas da competição. “Eu sou UX Designer, trabalho com a experiência do usuário, então não adianta criar nada para um usuário que você não tenha o contato direto com ele”.

A segunda edição aconteceu durante a pandemia e o Hackathon Autismo Tech foi readaptado para ocorrer virtualmente, o que foi, segundo os participantes, um grande aprendizado e oportunidade para receber equipes de todo o Brasil, o que resultou em variadas maneiras de se pensar a inclusão. Nasceu, nesta edição, a empresa Inclusão Humanizada que hoje atua na área da consultoria a empresas que se abrem para a contratação de pessoas autistas.

Milena Yamamoto é fundadora da iniciativa Inclusão Humanizada, e embaixadora do movimento “Autismo Tech”. É pós-graduanda em Web Full Stack pela PUC Minas e teve o diagnóstico em 2018, aos 28 anos e, desde então, se empenha em construir projetos voltados para autistas.

Ela explica que na terceira edição, além do Hackathon, a competição em que a galera vira a noite trabalhando em ideias inovadoras, alguns autistas serão capacitados em 3 trilhas, mini-cursos, que são: game Developer (jogos), Salesforce Developer (programação), Testes & QA (testes e controle de qualidade). Ao todo, serão selecionados 60 autistas, 20 por trilha (curso), que serão capacitados em 11 semanas. As inscrições foram abertas em 02 de abril e se encerram em 20 de junho.

Já para o Hackathon as inscrições serão abertas em 05 de julho e vão se encerrar em 29 de agosto. O evento é totalmente on line e gratuito e contará com uma semana para o desenvolvimento do projeto, de 04 a 10 de outubro. São 150 vagas (considerando as 60 pessoas já inscritas nas trilhas de capacitação) para times multidisciplinares.

Milena enfatiza a oportunidade de os autistas se unirem em torno desse propósito de capacitação e da competição, para fazer uso como plataformas de transformação social, empoderamento e inclusão, com os autistas como protagonistas de todo esse processo.

Os times possuem autistas que se identificam com gênero diferente dos padrões pré-estabelecidos socialmente e isso é algo muito amplo, o que levou inclusive, à criação de um chat, o Discord, para interação entre os autistas. Muitos dos participantes se dizem, finalmente acolhidos como pessoas e não como o rótulo do autismo. Hoje, portanto, o Hackathon AutismoTech deixou de ser somente um evento e passou a ser um movimento, um coletivo, um espaço para discussão, debate e acolhimento.

Confira o documentário “Autwork – Autistas no Mercado de Trabalho”:

Empresa em SP cria programa para contratação de autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA unidade da Johnson & Johnson em São José dos Campos, no interior de São Paulo, abriu um programa para contratar autistas. O objetivo é de que pessoas dentro do espectro do autismo ocupem vagas em diferentes atividades.

De acordo com informações publicadas pelo G1, o programa já contemplou a contratação de cinco autistas, apesar de ser recente. Os selecionados desempenharão atividades até junho em duas divisões – negócios e áreas corporativas. A gerência do processo seletivo é da Specialisterne, empresa internacional notável por oferecer apoio e capacitação a autistas.

Grupo Ânima promove sessão comentada do filme ‘Autwork’ neste sábado (10)

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O documentário “AutWork – Autistas no Mercado de Trabalho” (2021), que investiga a inserção de autistas no ambiente profissional brasileiro, será exibido no Cine Comentado promovido pelo Grupo Ânima neste sábado (10), às 10h00. O evento contará com a presença das diretoras do filme, Sophia Mendonça & Selma Sueli Silva, ambas autistas, e do CEO da Specialisterne Brasil, Marcelo Vitoriano, um dos entrevistados da obra. As inscrições podem ser feitas neste link. 

A produção é assinada pelo canal “Mundo Autista” e tem edição e montagem de Radija Ohanna, de obras como “Fale com Ele” (2019) e “Desajustados” (2017), premiado no Chile no Five Continents International Film Festival e no festival francês 12 Months Film Festival. “AutWork” teve sua estreia em 01 de Março deste ano e é fruto da parceria do Mundo Autista com a Revista Autismo, que traz, em sua última edição, a versão em reportagem da obra. 

“Queríamos abordar a inclusão profissional sob uma nova ótica, a dos autistas que já estão inseridos no mercado e como se dá esse processo”, afirma Selma Sueli Silva. Para Sophia Mendonça, que também é jornalista e escritora, “a produção e repercussão do documentário me fizeram recuperar a minha paixão pelo que eu sou em essência: uma contadora de histórias. É bom estar de volta ao ponto primordial”, comemora.

AutWork – O autista no mercado de trabalho

Tempo de Leitura: 7 minutosEstima-se que possamos ter 2 milhões de pessoas no TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), no Brasil. Já em países da Europa, cerca de 85% dos autistas estariam fora do mercado de trabalho. Apesar de não termos números a respeito disso no Brasil, empresas da área estimam que por aqui não seja diferente, em grande parte, devido a dificuldades de incluírem autistas em seus quadros funcionais. 

Para Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria de sustentabilidade e diversidade, essa situação está mudando: “Do ano passado para cá, temos visto alguns avanços”. Com tantas pessoas autistas no país, é preciso desenvolver ferramentas e estruturas para que as empresas possam contratá-las e permitir que tenham os mesmos direitos de qualquer outro profissional.

Autistas no mercado de trabalho – meta ou realidade?

A Legislação de 1991 determinou que as empresas com mais de mil funcionários tenham mais de 5% dos seus quadros ocupados por pessoas com deficiência, mas 30 anos depois, barreiras para incluir as pessoas com deficiência em geral permanecem. Tal dificuldade é motivada pelo desconhecimento das empresas sobre como essa mão de obra pode ser benéfica, tanto para a pessoa com deficiência, quanto para a empresa. As barreiras são ainda maiores quando se trata de inclusão de pessoas com deficiência intelectual.

Empresas apostam no perfil de funcionário autista

O blog.ieac.net.br cita o caso da empresa internacional Auticon, prestadora de serviços na área de TI (Tecnologia da Informação), que contrata consultores de tecnologia autistas. Essa contratação começou quando o gerente de Recursos Humanos percebeu que muitos autistas apresentam habilidades acima da média, em relação aos neurotípicos, como serem mais detalhistas e analíticos. Essas habilidades são disputadas em empresas de TI. Dos mais de 200 colaboradores que trabalham na Auticoncerca de 150 são autistas, distribuídos pelas unidades da empresa na Alemanha, Reino Unido, França, Suíça e Estados Unidos.

No Brasil, a Organização Social de origem dinamarquesa, Specialisterne, promove a formação, capacitação e inclusão de pessoas autistas em empresas e organizações, desde 2016. O diretor geral da empresa, em São Paulo, Marcelo Vitoriano, 54 anos, é psicólogo e, nos últimos 4 anos, tem se empenhado em levar a neurodiversidade para dentro das empresas.

O apoio da Specialisterne a pessoas autistas acontece com o treinamento para desenvolver algumas habilidades e na preparação para o mercado de trabalho que é altamente competitivo. Na outra ponta, a organização também prepara as empresas para receberem pessoas neurodiversas. O diretor geral se emociona ao falar da história de tantas pessoas que não conseguiam entrar no mercado e hoje trabalham e impactam positivamente a realidade das empresas. Mais importante, essas pessoas estão mais felizes.

A empresa oferece curso gratuito de formação, com duração de 4 meses na área de tecnologia, e é procurada, geralmente, por autistas maiores de 18 anos, que apresentam dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Além disso, a empresa atua no desenvolvimento de algumas habilidades sociais de seus alunos, não para mudá-los, mas para que eles possam desenvolver estratégias sociais. Ao término da formação, a equipe da Specialisterne faz a mediação para a entrada da mão de obra neurodiversa em empresas parceiras. 

Marcelo afirma que “não adianta preparar as pessoas e jogá-las em empresas onde não há conhecimento sobre pessoas neurodiversas. “É por isso que queremos criar nas empresas, uma cultura de acolhimento adequado para receber o profissional neurodiverso. A criação da cultura de diversidade e inclusão de fato passa pelo ingresso na empresa de pessoas com todas as características: pessoas neurodiversas, disléxicos, de diferentes etnias, raças, faixas etárias, orientações sexuais”.

A inteligência no TEA

Estudos recentes, desenvolvidos na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, questionam as evidências que apontam a alta taxa de ocorrência de Deficiência Intelectual (DI) no Transtorno do Espectro Autista. Para a pesquisadora Daniela Teixeira Gonçalves, 31 anos, essa evidência é questionável, uma vez que, de modo geral, os testes de inteligência, como por exemplo, as Escalas Wechsler de Inteligência, pressupõem a habilidade de compreender e/ou produzir a linguagem, habilidade essa, frequentemente deficiente no autismo. A conclusão, portanto, é de que seria possível, ao utilizar esses testes, subestimar a inteligência desses indivíduos.

Daniela Gonçalves é psicóloga, doutora em cognição e comportamento pela UFMG, e explica que essa subestimativa ocorre porque a capacidade de uma avaliação exata estaria comprometida pela falta de instrumentos adequados, além do pouco conhecimento sobre o autismo. 

Mais recentemente, a variação natural dentro do espectro levou os pesquisadores a entender a DI como condição coexistente ao autismo e não como evidência diagnóstica do espectro. A doutora Daniela esclarece que testes padrão ouro¹, de medição da inteligência, exigem muito a compreensão da linguagem em seus questionamentos e o uso da linguagem verbal nas respostas. Dessa forma, quando esses testes padrão são aplicados a pessoas autistas, eles podem apresentar resultados que subestimam sua inteligência, pois não levam em consideração a inteligência fluida responsável pela capacidade de pensar e raciocinar de forma abstrata e de resolver problemas. 

Os testes medem somente a inteligência cristalizada, que envolve o conhecimento resultante de aprendizagem anterior e experiências passadas. Ou seja, o aprendizado, em grande parte, vem dos relacionamentos sociais, o que coloca os autistas em desvantagem. 

Entretanto, os pesquisadores, atualmente, têm grande preocupação em corrigir essas distorções na aplicação de testes de Quociente de Inteligência – QI², com a utilização de instrumentos adequados a nossas múltiplas inteligências. 

Neurodiversidade que inspira

A tendência de iniciativas para a inclusão dos autistas no mercado de trabalho não tem volta devido à relação “ganha-ganha-ganha” entre os três envolvidos: empresa, funcionário autista e cliente. Ou seja, todos os envolvidos nesse processo têm ganhos perceptíveis. Um bom exemplo dessa nova realidade é dado pela Kantar Ibope Media, a divisão latino-americana da Kantar Media, líder global em inteligência de mídia. Com operações em 15 países latino-americanos, a Kantar Media, atualmente, é a maior companhia do mundo em medição de audiência de televisão. Em trabalho muito mecânico e processual de sua área de medição do investimento publicitário, os funcionários “assistem” a 14 horas de programação, em uma hora, para codificar os comerciais que escaparam ao algoritmo.  

Foi dessa maneira que Suzana Kubric, 41 anos, diretora de Recursos Humanos da Kantar e responsável pela diversidade e inclusão, dentro da empresa, na América Latina, percebeu que a natureza do trabalho exigia muita atenção a detalhes, rotina. Por causa da natureza da função, pessoas neurotípicas conseguiam se manter no cargo somente por, no máximo, 3 anos. Há 4 anos, Suzana assumiu a diretoria de RH com o sonho de encontrar funcionários com deficiência que suprissem essas necessidades da função, utilizando suas potencialidades. 

A Kantar possui um programa de inclusão e diversidade e foi por intermédio dele que Suzana buscou um grupo de pessoas detalhistas e que gostassem de rotina. Direcionada à Specialisterne para o trabalho de inclusão de neurodiversos, foi criado um projeto-piloto com duas vagas.

A diretora ressalta: “o processo seletivo tem de ser adaptado pois, comumente, o recrutador e o líder que avaliam as pessoas, já têm um viés inconsciente, que padroniza a expectativa do profissional desejado”. Suzana insiste que é preciso esclarecer as características específicas do entrevistado neurodiverso, como não olhar no olho, a presença de movimento repetitivo ou a manifestação de fobia social. É aí que entra a parceria com a Specialisterne que faz uma pré-seleção de pessoas que se adaptem à determinada função. Só depois dessa seleção preliminar é que o candidato é entrevistado pelo líder do time. À essa altura, os líderes também já estão preparados e conscientizados sobre o perfil do candidato autista. O foco é sempre nas potencialidades e não na deficiência.”

O piloto foi um sucesso e, após 6 meses, os gestores solicitaram ao RH mais 8 vagas. Um dos candidatos a essas novas vagas não se adaptou à função, assim como pode acontecer com pessoas neurotípicas. Ficaram nove funcionários autistas mas logo veio a pandemia. Suzana lembra que não foi fácil pois houve uma suspensão de contratos, embora esses funcionários continuassem recebendo. Mas só depois que os gestores já estavam tranquilos na gestão, à distância, das equipes de neurotípicos é que os neurodiversos passaram a atuar em home office. Entretanto, algumas atividades foram eliminadas, mas a equipe de RH conseguiu realocar o pessoal em outras funções, com novos treinamentos à distância. 

Por tudo isso, a diretora celebra que “a pandemia tem sido um período de grande aprendizado para a Kantar, para a família e para os neurodiversos que tiveram de absorver todas as mudanças, fora do ambiente da empresa. Foi um momento de autopercepção para eliminar pensamentos engessados e criar uma segunda visão para as diferentes situações surgidas”. A diretora de RH enfatiza que “é preciso agir com muita empatia e clareza, para alcançar uma inclusão genuína.”

Enã Rezende - reportagem "AutWork" - Canal Autismo / Revista Autismo

Para quem acredita que somente autistas ‘feras’ em informática e matemática conseguem boa colocação no mercado de trabalho, veja na versão estendida desta reportagem (somente online) a história do médico Enã Rezende Bispo do Nascimento, 28 anos, clínico geral, formado pela Universidade de Cuiabá (MT). Ele continua estudando para atuar na área da neurocirurgia.

Autista fora do mercado de trabalho

De quem é essa ‘culpa’?

Segundo dados colhidos junto a empresas de intermediação no mercado de trabalho, apenas 15% dos autistas com diploma de nível superior estão empregados, o que, para muitos, é justificado por suas limitações. Mas não é bem assim, como nos mostra Márcia Moreira Machado, 44 anos, que trabalha na SAP SE Executive Board, uma empresa líder de mercado em software empresarial que, como uma organização global, conta com funcionários de mais de 150 nacionalidades.  

Márcia é autista, diagnosticada já adulta, trabalha na SAP como desenvolvedora de softwares há 5 anos e já foi responsável pela acessibilidade dos produtos. Ela conta que não concluiu a graduação pois não conseguia permanecer muito tempo em sala de aula,a faculdade que ela cursava não tinha um programa de ensino à distância e quando faltava somente apresentar seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ela mudou de cidade sem concluir a graduação.

Márcia foi direcionada para ser school master de um time. Ela conta que “iria organizar, perceber problemas antes que acontecessem, possibilitar que o time fluísse no trabalho sem problemas” e completa: “Eu não entrei como funcionária de cota, para preencher número. Eu fui direcionada a uma função por minhas habilidades”. Entretanto, houve acompanhamento e adaptações na comunicação, para a hipersensibilidade sensorial entre outras.

A mulher autista é muito diferente do homem autista e Márcia acredita que as empresas que fazem essa intermediação deveriam atentar mais a essas diferenças. Para ela, “ainda esperam muito que a profissional autista mulher seja igual ao homem autista”. Mas, ela acrescenta, “existe um time de diversidade e inclusão que promove palestras e conversas para que as pessoas compreendam melhor umas às outras, para diferenças de etnias, culturas, sexuais, de idade e de deficiências”. Márcia conclui que “o quadro de funcionários é muito diverso, portanto, o cuidado e as ações devem ser constantes.”