23 de fevereiro de 2023

Tempo de Leitura: 2 minutos

Não sei o quanto vocês acompanham as leis de direitos dos autistas. O autista, segundo nossa legislação é uma pessoa com deficiência e se enquadra nas leis onde as “PcD’s” se encaixam.

Em 2016, a lei 13.409 insere nas leis de cotas, as pessoas com deficiência nas universidades federais. Alguns estados aderiram essa lei para universidades estaduais, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul.

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Quando uma universidade abre vagas com cotas para pessoas com deficiência, possivelmente ela se prepara para o acompanhamento das necessidades desses alunos, pelo menos é o que se espera, não é mesmo?

Pensando muito mais no percurso de formação do que no ingresso da universidade, um grupo de jovens autistas da USP se reuniram em um coletivo para pensar nos caminhos possíveis para a inclusão acadêmica. Esse é o CAUSP – Coletivo de pessoas Autistas da USP.

A acessibilidade é uma questão de políticas públicas e de atitudes que expressem algumas leis para além do papel. Enquanto o Estado não se ocupa efetivamente do assunto, a sociedade civil não fica de braços cruzados e segue na luta.

Não há livro que relate os inúmeros constrangimentos, bullying e ataques constantes à auto estima desses jovens durante suas vidas escolar. Tanto de colegas, familiares típicos e até de professores. As instituições como um todo não aderem ao combate do capacitismo atitudinal e ficam passivas a total destruição das descobertas das competências.

Mudança dá trabalho, melhor manter o que já dá certo. Dá certo para quem?

A diversidade humana é uma realidade e não há uma resposta universal para abarcar toda a humanidade. Ah, mas se vamos tratar cada um de forma diferente nunca vamos agradar ninguém, dizem muitos. Não se trata de agradar, mas de ensinar.

Dia desses em uma aula que ministrava, disse ao grupo que ter trabalhado toda minha vida profissional  com autistas tinha me feito uma pessoa melhor: mais paciente, mais tolerante, mais ouvinte, mais compreensiva e muito, mas muito mais criativa. Minha filha, criada com autistas, não precisou se transformar, é uma leitora nata da diversidade.

No bate papo de hoje, quero dizer que de novo, os autistas estão fazendo algo que precisa ser ouvido e colocado em prática: oferecer justiça social. É pela justiça que conseguimos retirar os obstáculos que nos impedem de chegar onde podemos estar. Não basta apenas adequar materiais, precisamos romper o capacitismo e acreditar na competência mesmo quando ela vem vestida de uma forma que não conhecemos.

O CAUSP está liderando um trabalho de conscientização do autismo na comunidade universitária; necessitam dos colegas típicos para serem apoiados e auxilia-los na construção do papel acadêmico; até mesmo aceita-los em trabalhos em grupo, situação nada recorrente durante os anos do ensino fundamentos e médio.

Pais típicos e atípicos: seus filhos crescem. Apresentem a diversidade a eles, auxiliem na construção de personalidades anticapacitistas, cobrem das escolas posicionamentos de acessibilidade: a sociedade precisa mudar.

Todos querem Uma advogada Extraordinária ou The Good Doctor, mas lembrem-se para que pudessem ser o que são precisaram passar pela universidade.

Fica a dica: Mais informação, menos preconceito.

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É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

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