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Meme Sincero: Máscaras sociais— Canal Autismo / Revista Autismo

Meme Sincero: Máscaras sociais

Tempo de Leitura: 3 minutosQuem acompanha mais de perto a história do autismo também acompanha uma crescente no número de casos de pessoas com TEA no mundo. Até mesmo quem não está tão a par do assunto consegue perceber o aumento nessa incidência o que pode até levar a um pensamento equivocado sobre uma possível epidemia de autismo, como já ouvi por aí.

Mas a realidade é que essa ascenção não se deve a uma epidemia ou a modismo, afinal definitivamente o diagnóstico de TEA não tem a ver com “estar na moda”.

A verdade é que atualmente os critérios para diagnóstico estão mais bem definidos e quando somamos isso com o fato de que temos profissionais melhores preparados para identificar tal condição é que chegamos as estatísticas que vemos atualmente.

Apesar do Autismo ser uma condição que permanece por toda a vida do indivíduo, sendo possível e inclusive indicado que se faça esse diagnóstico ainda na primeira infância, atualmente, pelos mesmos motivos supra citados, muitos adultos estão sendo diagnosticados tardiamente com essa condição.

Importante ressaltar que mesmo sendo diagnosticados apenas na fase adulta, essas pessoas sempre foram autistas, apenas não tinham um laudo profissional e por consequência, muitas vezes, também não tinham o acompanhamento adequado.

E aqui chegamos ao ponto da nossa pauta de hoje. Como é possível que alguém cresça e fique adulto sem que se perceba a sua condição de Autista?

Algumas coisas podem explicar isso. Pensando no próprio motivo citado para o aumento de diagnósticos atualmente, fazendo uma reflexão da cronologia pregressa, chegamos a conclusão que se hoje temos mais e melhores profissionais, no que diz respeito ao entendimento do TEA, há algumas décadas esses eram escassos e o acesso a um profissional capacitado para reconhecer o Transtorno era muito mais difícil.

Os manuais diagnósticos anteriores também não traziam tão claramente os aspectos a serem observados e não era incomum que pessoas autistas fossem diagnosticadas com outras condições ou até mesmo doenças como esquizofrenia, depressão, etc…

Mas ainda tem outro fator que acaba por dificultar. As máscaras sociais ou o “masking” que é como o termo é conhecido em inglês.

Muitos autistas costumam fazer uso desse artifício para tentar se enquadrar no contexto social. Isso é feito quase que inconscientemente, o que faz com que muitas vezes não apenas as pessoas ao redor não reconheçam a condição de Autista do indivíduo como também pode confundir profissionais no processo diagnóstico.

Às vezes a pessoa Autista consegue executar esse masking tão bem que passa a vida toda sem uma resposta para as questões inerentes a sua existência como pessoa neurodivergente.

Vejam que mesmo após o diagnóstico, sabendo de sua condição, alguns tendem a mascarar suas características autísticas, seja com intuito de não se sentirem diferentes, medo de serem excluídos ou mesmo por falta de aceitação própria.

Para os que não têm um diagnóstico então, essa máscara social vem muito mais forte pois ao mesmo tempo que não entende porque não é como os outros, acha que pode se inserir se agir como os demais.

Porém, isso tem um preço para o bem estar do cidadão, não sai de graça esse mascaramento. “Fingir” ser o que não é traz uma estafa, física e mental, que muitas vezes apenas quem convive mais intimamente ou a própria pessoa vivencia no seu lar os resultados disso.

E esses resultados vêm em forma de crises, dores no corpo, cansaço, desânimo, depressão, agressividade, isolamento e por fim, mais dificuldade de socialização.

Daí a importância do diagnóstico, mesmo que tardio, porque o autoconhecimento traz aceitação. E aceitação traz paz de espírito e pode livrar de culpas que muitas vezes nem eram suas mas que você carregava.

Meme Sincero: 'Seja um portador de bom senso' — Canal Autismo / Revista Autismo

Meme Sincero: ‘Seja um portador de bom senso’

Tempo de Leitura: < 1 minutoNão, não existe esse negócio de todo mundo é um pouquinho autista. O autismo é um espectro e as pessoas que existem nessa condição não são mais ou menos autistas. Todas são pessoas autistas que apresentam as características inerentes ao TEA. Ou seja, dificuldades de comunicação e socialização, interesses restritos e comportamentos repetitivos e estereotipados, cada um à sua maneira dependendo de suas vivências.

Já que nem mesmo para os que estão dentro do espectro existe o “muito” ou o “pouco” autista, não seria para as pessoas neurotípicas (ou seja, as que não são autistas) que existiria essa classificação.

Não existe também “cara de autista”. Muitas vezes a pessoa fala isso até com intuito de agradar. Mas saiba que o efeito, na maioria das vezes, é o inverso. Também soa preconceituoso você achar que é um elogio dizer que a pessoa não parece ser exatamente o que ela é.

Já quanto ao termo “portador de autismo”, saiba que além de equivocado é também meio bobo. Não há como alguém portar algo que faz parte de sua existência. É possível portar objetos, mas uma condição de existência não se porta.

Então seja um portador de bom senso e evite essas falas.

Meme Sincero: A comunicação no TEA

Tempo de Leitura: 2 minutosQuando falamos das dificuldades de comunicação no TEA, profissionais especialistas e pessoas que convivem mais intimamente com pessoas autistas logo conseguem imaginar como essa característica se apresenta na prática. Entretanto, pessoas que não conhecem tão a fundo assim essa condição podem ter maior dificuldade de entender essa questão.

Mas o fato é que, por mais que não pareça, pessoas autistas independentemente do nível em que se enquadrem dentro do espectro possuem essa dificuldade, inclusive sendo esse um critério para o diagnóstico. E sobre isso que vamos tratar hoje.

Primeiramente, é necessário entender que comunicação vai muito além da fala, então por mais que a pessoa autista apresente a comunicação oralizada não quer dizer que a mesma seja efetiva.

Ainda, é importante ressaltar que comunicação se dá por uma troca, dependendo então tanto do emissor como do receptor, e daí mais um fator que explica a importância de todos entenderem onde estão os déficits no autismo a fim de minimizar as perdas na convivência.

Mas e na prática, como funciona tudo isso? Então aqui colocarei alguns pontos que podem ilustrar essas questões no nosso cotidiano.

Pensem que, numa conversa comum, além do que é falado ainda tem muito mais que é dito sem ser pelas palavras. Sinais corporais, expressões faciais, tudo isso fala junto com o que é oralizado numa conversa. E justamente nesses pontos que a pessoa autista tem dificuldade de interpretação. Mesmo na fala propriamente dita, aquela que é verbalizada, ainda assim muitas vezes a pessoa diz uma coisa querendo dizer outra, faz uso de figuras de linguagem, metáforas, ironias, onde a pessoa com TEA também tem dificuldade de interpretação.

E para complicar um pouco mais, não apenas enquanto receptor, a pessoa autista apresenta esses déficits. Também como emissor existem essas características no sentido que muitas vezes a fala não condiz com suas expressões faciais ou com seu gestual, o que também dificulta a troca, mesmo que a pessoa seja oralizada.

Diante disso, podemos vislumbrar também como a importância da comunicação, ou a dificuldade de, tem estreita ligação com os outros critérios imperativos para o diagnóstico do TEA, a dificuldade de interação social e os interesses restritos e comportamentos repetitivos e estereotipados.

Percebam que ao comunicar de maneira ineficaz, a interação social também fica prejudicada por consequência, pois a socialização é muito dependente de comunicação. Quanto aos interesses restritos, obviamente também irão afetar nesse sentido pois torna-se difícil a interação quando o repertório é muito preso apenas a determinado assunto. E para concluir, comportamentos repetitivos e estereotipias também causam estranhezas que podem não facilitar a troca num contexto de socialização quando o que se espera são comportamentos típicos dentro do que a sociedade tem no seu senso comum como um padrão de normalidade.

Meme Sincero: Dualidade no TEA

Tempo de Leitura: 3 minutosO autismo é algo realmente muito complexo e ainda hoje, apesar das características do transtorno estarem mais conhecidas, dos critérios de diagnóstico já serem muito bem definidos e de cada vez mais existirem profissionais capacitados para lidar com essa condição, ainda assim é muito complicado e o entendimento não é tão simples em vários aspectos.

Mesmo entre as características mais conhecidas ainda há muitas dúvidas sobre o que é bom ou ruim, quando algo é benéfico e quando é prejudicial. E por isso hoje venho falar para vocês sobre essa dualidade no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Comecemos pelo hiperfoco que, com certeza, quem já buscou entender um pouquinho sobre o autismo já ouviu falar. Muito comum ouvir do próprio autista que o hiperfoco é algo maravilhoso, e estar envolvido com aquele assunto que faz parte do interesse específico do indivíduo dá muito prazer. E garanto que o hiperfoco é realmente maravilhoso. Ele oferece oportunidades para que a pessoa autista seja muito boa naquele tópico, que saiba coisas difíceis de se saber sobre aquilo e que realmente possa ser especialista naquele tema.

Mas o que pode ter de ruim nisso então? É que ao focar muito em algo, consequentemente a pessoa não estará abordando outros temas, muitas vezes nem mesmo dando atenção de maneira superficial, deixando totalmente de lado outras demandas. E qualquer um pode imaginar que na vida não tem como se atentar a apenas aquilo que gostamos ou que temos interesse. E ainda mais penosa pode se tornar essa característica quando muitas das pessoas com TEA percebem que estão deixando outras coisas que são importantes de lado para dedicarem-se ao hiperfoco.

E as estereotipias ou stims, como muitos autistas preferem chamar, ajudam ou atrapalham?

Aqui mais um aspecto onde a resposta é dicotômica. Por muito tempo, profissionais que trabalhavam com o tratamento do TEA, pais e mães, buscaram manobras visando eliminar esses movimentos repetitivos porque acreditava-se que seriam algo sem função, portanto passíveis de serem extintos. Hoje, com os conhecimentos mais evoluídos, já se entende que nenhum comportamento é sem função. E, com os relatos de muitas pessoas autistas afirmando que essa característica é importante para regulação, demonstração de sentimentos e até mesmo comunicação, os rumos de terapias já são outros, dando um olhar mais cuidadoso para esse aspecto.

E isso quer dizer que sempre os stims são bons? Definitivamente não! Mesmo com esse entendimento de todas essas funções que as estereotipias exercem, ainda assim algumas podem ser extremamente prejudiciais no sentido de que acarretam um malefício extremamente superior as benesses. Como exemplo, podemos tomar o ato de arranhar a pele a ponto de fazer feridas, de bater nas próprias orelhas ao tanto de causar deformações no local. Ou seja, essas estereoripias também tem função de comunicar algo, expressar alegria ou tristeza ou até mesmo aliviar sobrecargas, mas de maneira a causar danos ao indivíduo. Portanto, é necessário que sejam reprimidas e substituídas.

Para complicar um pouco mais, mesmo em relação a aspectos que se têm como deficitários no TEA, ainda assim podemos ter, em contrapartida, algumas vantagens. Por exemplo, as questões relacionadas ao que chamamos de coerência central fraca, que é inerente ao TEA.

Explicando de maneira simplificada, essa é uma característica em que a pessoa tem dificuldade em olhar o todo, seja dentro de um contexto de socialização (o qual sinais dispersos indicam a nuance de uma conversa além do que é falado oralmente), seja na percepção de um ambiente (em que o contexto indica o tom do que está acontecendo) ou até mesmo na percepção de como funciona um brinquedo (por não conseguir focar no geral atentando apenas a uma peça específica ao invés de fazer de maneira funcional, como quando a criança pega um carrinho e brinca apenas com as rodinhas).

Entretanto, ao ter isso como características, a de focar no todo, ou seja, a coerência central fraca propriamente dita, logo a pessoa autista apresenta o que podemos chamar de uma coerência específica forte, que nada mais é do que justamente essa capacidade de focar tanto num ponto específico de modo que possa enxergar coisas que outros não perceberiam, de resolver problemas que uma pessoa típica teria mais dificuldades de solucionar e de maneira que muitas vezes pode surpreender pela originalidade e astúcia.

Por isso, é importante entender que antes de autistas as pessoas com TEA são indivíduos e como para qualquer outro ser humano, o importante é buscar o bem-estar sem se preocupar com o que parece ou não normal, mas sim com o que traz felicidade e respeito ao próximo, mesmo que o próximo seja bem diferente de você.

Meme Sincero: ‘Pessoas autistas gostam de socializar?’

Tempo de Leitura: 2 minutosPessoas autistas gostam de socializar? Aposto que na cabeça de muitas pessoas agora, a resposta que surgiu foi que não, afinal, os Autistas são aquelas pessoas que ficam isoladas no seu cantinho.

Diante dessa perspectiva, temos uma verdade, mas também há um equívoco.

Começemos pela verdade. Realmente, muitas vezes as pessoas autistas acabam por se isolar, ficando afastadas das demais. Entretanto, por mais que seja algo recorrente, ainda assim não se pode generalizar, pois fugindo um pouco dos esteriótipos, existem pessoas no espectro que conseguem estar enturmadas em grupo e até gostam da agitação e barulhos.

Mas e onde está o equívoco, então?

Está justamente no fato de determinar que as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não gostam de socializar. Aqui é preciso entender que uma das características do TEA é a dificuldade de socialização e a partir disso, compreender que ter uma dificuldade é bem diferente de não gostar. Ou seja, essa falta ou diminuição de socialização se dá pelas características inerentes ao transtorno que dificultam a inserção no meio de socialização.

A partir disso, haverão indivíduos, dependendo de suas vivências, fases do desenvolvimento, manobras que foram desenvolvidas a partir de auxílios terapêuticos ou não, que irão gostar mais ou menos de um contexto de socialização.

Então é necessário quebrar esse estereótipo  de que pessoas autistas não gostam de socializar ou preferem estar sozinhas. Alguns gostam e não conseguem, outros não gostam e ficam bem com isso, ainda existe quem não goste no seu momento atual de vida por já ter tentado muitas vezes e ter se frustrado com os repetidos insucessos, o que também é importante lembrar: nem sempre ocorre só pelas características autísticas como também pela falta de compreensão alheia; e ainda há quem goste e consiga socializar mesmo sendo uma pessoa no espectro do autismo.

Uma conclusão que podemos tirar dessa reflexão é que antes de ser autista, todos somos pessoas, com características, preferências e gostos individuais e que por mais que o TEA traga aspectos em comum entre os cidadãos nessa condição, ainda assim cada um experimenta o seu existir dentro das suas percepções diante do meio, como qualquer outro ser humano.

Meme sincero: dificuldade em demonstrar sentimentos e expressões

Tempo de Leitura: < 1 minutoComumente a pessoa autista tem dificuldades em demonstrar sentimentos e expressões. Isso é um fato marcante no autismo e por ser verdade é que se tem o mito de que autistas não tem empatia, pois às vezes, apesar de estarmos muito tristes ou felizes, a nossa feição não acompanha tal sentimento como o padrão neurotípico espera.

Outras vezes, não demonstramos tais sentimentos pela própria dificuldade de externar o que estamos sentindo mesmo, o que passa a imagem de insensibilidade. Eu por exemplo, por mais triste que esteja, é muito difícil que eu chore, o que faz parecer que uma situação que causaria tristeza em qualquer pessoa não me afeta.

Porém, existe esse outro lado que quem convive mais de perto com pessoas autistas já deve ter notado. Tem vezes que, ao contrário dessa falta de reatividade que expliquei anteriormente, nós autistas somos muito transparentes e não temos o traquejo social de esconder sentimentos em situações onde os neurotípicos têm facilidade em manter a discrição para dar suporte a certas ocasiões de socialização onde tal postura seria bem-vinda.

Resumindo, somos péssimos em executar essas “mentirinhas sociais” que são inerentes do convívio. Algumas vezes por não ver motivo em dizer ou demonstrar algo que não é verdade, outras por não perceber que aquilo faz parte do contexto de socialização implícito onde parece ser comum dizer algo que é o contrário dos fatos simplesmente porque na maioria das vezes as pessoas neurotípicas fazem perguntas esperando uma afirmação e não uma resposta.

Meme Sincero: ‘Ah, mas você fala: como que pode ser autista?’

Tempo de Leitura: < 1 minutoDéficit de comunicação nem sempre quer dizer que a pessoa não fale.

Quando se trata das características do autismo, em especial as que são critérios de diagnóstico, a dificuldade de comunicação está sempre presente — e aqui estão inseridas a comunicação verbal e não verbal.

Além disso, este aspecto está intimamente ligado aos outros pontos que servem de critério para diagnosticar o TEA, que são os interesses específicos e comportamentos repetitivos; além da dificuldade de interação social.

Pois pensem comigo: uma pessoa que, como é comum no autista, só fala de seus interesses específicos e tem dificuldade de se inserir em outros temas, logo terá dificuldade de comunicar, pois pode fugir facilmente do contexto num meio de socialização, como no exemplo da imagem onde o assunto de hiperfoco do menino, no caso hipopótamo, claramente não serviria para um flerte.

Logo, o interesse específico que ocasionou a dificuldade de comunicação social, culminou numa imensa dificuldade de interação social.

E assim é o TEA explicado em um meme.

Meme Sincero - A Cura - Revista Autismo

Meme Sincero: A Cura

Tempo de Leitura: 2 minutos

Meu nome é Fábio, autista de 40 anos, muitos já me conhecem como Aspie Sincero do Instagram. Nesses tempos estranhos de pandemia muitas coisas passam pela cabeça, muitas reflexões acerca do que realmente importa na vida. E se tem algo que importa na vida são os filhos.

Por isso esse texto hoje não vai falar muito sobre mim, até porque minha rotina não mudou muito, pois como trabalho na linha de frente de combate à Covid-19, não tive pausa na labuta ou mudança para home office, por exemplo — também, como não tenho um círculo de socialização avantajado, meu dia a dia seguiu praticamente o mesmo.

O assunto então, vai tratar de meu filho mais novo, que tem 14 anos, também autista e que foi curado nesse período.

Breno, como ele se chama, é um garoto muito esperto, faz suas terapias semanalmente em busca de uma tão esperada autonomia. Frequentava o ensino regular, que foi pausado, como também para todas as crianças ou adolescentes nessa época, e segue agora em casa, isolado como tantos estudantes de todas as idades.

Esse isolamento tem sido encarado de forma muito tranquila por ele. Procuramos manter uma rotina onde ele acorda, alimenta-se quase sempre do mesmo cardápio, assiste suas aulas online e depois segue para seus jogos no computador, que faz parte dos seus interesses específicos.

Mas e a cura? Vocês devem estar se perguntando, fale sobre a cura!

Pois digo a todos que ele conseguiu a cura. Converso muito com ele e sempre pergunto como ele está se sentindo. Já tivemos muitas barreiras para que ele conseguisse se expressar, mas hoje em dia essa parte é tranquila, ele consegue me relatar muito bem seus sentimentos.

E foi numa dessas conversas que ele me contou como tudo estava mais leve pra ele. O déficit de socialização e comunicação social tinham quase desaparecido. A ansiedade e a dor por ver todos socializando, e ele não conseguir se enturmar, já não ocorriam. O bullying tinha sumido do seu cotidiano. As surpresas de mudanças repentinas já não o incomodavam.

Então quer dizer que o autismo dele foi curado? Não meu povo, o autismo segue ali, intacto junto à sua existência. A cura a qual me refiro foi dos martírios de uma existência cheia de intolerância, preconceitos e a falta de adaptações razoáveis, as quais tornariam a vida da pessoa autista mais simples e prazerosa.

Agora está ele aqui, isolado como todos de sua idade, sem socializar, sem demandas de comunicação onde preceitos sociais subentendidos lhe causariam conflitos. Não tem mais ele que se enturmar ou se reunir porque ninguém mais o faz e não há bullying no confinamento do seu lar.

Com isso, alguém pode até pensar que estou feliz com esse enredo, mas não é exatamente assim que me sinto. Claro que tenho alegria de ver meu filho bem em um momento tão difícil que o mundo está passando, porém, é uma tristeza que me atinge em notar que grande parte das angústias do TEA resolveram-se com o afastamento dele da sociedade e não com a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Ícone: peça de quebra-cabeça - Revista Autismo