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A autoestima e os desafios que cercam as mães de pessoas autistas

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado; Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

O excesso de trabalho a que é submetido o gênero feminino, há muito, é conhecido pelo senso comum. Segundo Deddeca et al. (2009, p.11),

Os resultados gerais mostram que, em 2006, homens e mulheres na condição de ocupados tinham jornadas totais de trabalho de 49 horas e 56 horas, respectivamente. Contudo, a composição da jornada total era significativamente distinta entre sexos. Os homens tinham uma jornada de trabalho média equivalente à jornada constitucional de 44 horas e destinavam cinco para a reprodução social. As mulheres exerciam jornadas de 37 horas no mercado de trabalho e 19 horas para a reprodução social, resultando em uma jornada de trabalho total em média 15% superior à dos homens.

Com esses dados, evidenciamos a jornada dupla a que são submetidas mulheres típicas, mas e quando a jornada se torna tripla porque a mulher é mãe, e ainda mais sendo mãe atípica? Tendo essa alta carga de trabalho, responsabilidade e tempo tão reduzido para si, é possível que essa mulher tenha autoestima e cuide de si também?

A autoestima pode ser definida como a capacidade de valorização, ou não, da própria identidade; se há satisfação em ser quem se é; se há autoconfiança e reconhecimento de valor.

Posto isso, a autoestima alta é importante para que o ser humano apresente bem-estar emocional, interaja melhor e com mais segurança com seus pares, aceite melhor que todos temos pontos fortes e fracos. A autoestima alta também permite ao sujeito sair de uma zona de conforto e encarar melhor os problemas do dia a dia.

Em contrapartida, a baixa autoestima é se sentir incomodada quando alguém a elogia, decidir-se por algo se torna uma questão difícil, relutar em dizer não, dar desculpas constantemente, autocomparar-se e desmerecer-se.

Cabe salientar que é importante que sejam desenvolvidas ações em prol de aumentar a autoestima de mães atípicas, de prevenção de quadros de ansiedade, de depressão e de outros transtornos muito comuns nessa população. Além dessas ações, destacar situações, como quando a mãe atípica consegue elevar sua autoestima, ela deixa de cair em algumas “ciladas” como pensamentos negativos sobre sua condição materna, comparação com os filhos das demais, enredar-se em conversas de profissionais que querem mantê-las fragilizadas para “venderem” terapias ou produtos relacionados ao autismo. Alguns maus profissionais também contribuem com a baixa autoestima das mães atípicas quando invalidam seus saberes e seus valores, não permitindo que se coloquem em consultas ou tratamentos, com a péssima premissa de que são “apenas mães”.

Dessa forma, para que essa mãe possa aumentar a autoestima, é preciso mostrar-lhe que  a sua maternidade atípica pode ter acertos e erros, como também acontece na maternidade típica. Aceitar que é um ser humano, às vezes, falível, e que esteja consciente que, se houver erro, esse não precisa tornar-se motivo de martírio eterno. Assim como também enxergar a possibilidade de que é capaz de reverter erros e escolher novos caminhos.

Nesse sentido, o projeto TEAcolher da Onda Autismo busca apoiar essas mães, incentivando-as a terem metas para si que sejam realistas e que possam ser cumpridas. Os assuntos sobre autoestima, tratados no grupo e em nossas lives, giram em torno de: fugir do perfeccionismo e olhar para si mesma, percebendo suas capacidades, sua beleza e valores; buscar aprender sempre, sozinha e/ou com o grupo; compartilhar saberes; sentir que tem direito à felicidade; saber perdoar-se; fazer exercícios físicos; autocuidado com o corpo e a alimentação saudável; buscar psicoterapia; sentir-se segura para, se quiser, falar sobre questões que as aflija; e comemorar seus acertos e avanços.

Vamos juntas nessa ONDA!

Referência:

DEDECCA, Claudio Salvadore et al. Gênero e jornada de trabalho: análise das relações entre gênero e jornada de trabalho. 2009. Disponível em: Scielo Brasil On-line: https://www.scielo.br/j/tes/a/cswHtBM54kVcgFmNwrM9Mcd/?lang=pt# Acessado em: 10 de setembro de 2021.

Sobre autistas, sincericídio e padrões do cérebro neurodivergente

Tempo de Leitura: 3 minutosA busca de autistas por padrões para compreender o mundo à sua volta, acontece frequentemente, porque pessoas com cérebro neurodivergente necessitam de padrões para criar regras que os ajudem na decodificação do mundo e das relações sociais.

Há uma crença generalizada de que o autista não sabe mentir e, por isso, cometem sincericídio a todo momento. Não é bem assim. No sincericídio, a verdade costuma ser relativa, e a pessoa não pensa para falar, desconsiderando o que o outro sente ou mesmo deseja. Simplificando, cometer sincericídio significa expressar fatos e opiniões sem refletir sobre como aquilo pode afetar as pessoas e o mundo à sua volta.

O autista não é levado por motivos tão rasos ao não ter filtro quando expressa uma opinião e acaba por cometer o suicídio na fala sem filtro ao se expressar com autenticidade e excesso de sinceridade. Essa falta de filtro traz situações constrangedoras à família, à relação amorosa e até ao mercado de trabalho. Sabemos que a verdade absoluta nas relações poderia gerar o fim da convivência social. Por isso mesmo, algumas mentirinhas são incentivadas e conhecidas como ‘mentirinhas sociais’. Como o comportamento é resultado do processamento de informações que acontecem de forma diferente no cérebro considerado típico e o cérebro neurodivergente, essas mentirinhas podem ser aprendidas.

Literalidade da Linguagem, Teoria da Mente, Rigidez de Pensamento e Disfunção Executiva

No entanto, alguns fatores complicam esse aprendizado para as pessoas que estão dentro do TEA – Transtorno do Espectro do Autismo, como a literalidade da linguagem, que nos impede de perceber jogos com as palavras, segundas intenções ou indiretas, nos leva, também, à utilização das palavras com seu significado denotativo, literal.

Outro fator é o déficit de teoria da mente que é, praticamente, inexistente na pessoa autista. Dessa maneira, temos muita dificuldade para reconhecer sentimentos, interesses, expectativas, ou até mesmo intenções da pessoa com quem falamos. É como uma ‘cegueira’ diante do contexto social.

A rigidez de pensamento é um pesadelo para mim até hoje. Sou do tipo 8 ou 80, tudo ou nada. Sempre tive dificuldades para relativizar, ou amo ou odeio. Hoje menos, pois há muitos anos, desenvolvo a leitura do caminho do meio. Por isso, sou budista do budismo de Nichiren Daishonin – buda japonês do século 13. A relativização das coisas e circunstâncias é um bem precioso para evitar sofrimentos intensos. Por isso, essa habilidade é tão perseguida pelos autistas.

Por último, o fantasma da disfunção executiva nos arranca o freio social que é o que não permite que a maioria das pessoas aja no impulso. Oh, God! Antes que pudesse evitar já tinha falado e as consequências da minha fala ou ação é que me apontavam que (de novo) eu agi sem considerar tais consequências.

Mas, com toda a sinceridade (risos!) não posso dizer a vocês que nunca minto. Tenho dificuldades sim, mas até a mentira pode ser aprendida. Por exemplo, um dia um namorado chegou com um bolo de fubá para me agradar pois eu amo bolos – menos o de fubá. Já haviam me alertado que dizer isso, exatamente, como eu penso, poderia magoar meu namorado. Então, fingi que havia gostado. Não entendo como ele percebeu que eu não estava sendo sincera.

Nesse dia, meu namorado me ensinou uma lição preciosa. Ele falou que nessa situação eu deveria ser sincera, usando palavras carinhosas pois, caso contrário, ele poderia sempre trazer bolo de fubá para mim. Assim, eu entendi que até as mentiras sociais são complicadas e podem trazer consequências desagradáveis. Resolvi ler o passo 2 do Manual das ‘Mentirinhas Sociais’: como dizer a verdade e escolher as palavras certas para diminuir o risco de magoar quem a gente gosta. Difícil? Um pouco. Impossível? De jeito nenhum.

‘Crises de ausência na infância’

Tempo de Leitura: < 1 minutoNa semana passada (23), o neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo explicando as crises de ausência na infância.

Liberalesso fala da importância de se diferenciar epilepsia de ausência na infância de uma crise focal, em que os tratamentos são totalmente diferentes. No vídeo, ele explica as diferentes crises de ausências típicas, suas características e como o eletroencefalograma é decisivo para um diagnóstico de uma epilepsia ausência.

Vídeo

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

 

 

 

 

 

‘O tratamento do Autismo acaba ou é por toda a vida?’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo nesta sexta-feira (04), explicando sobre a importância do tratamento do autismo contínuo.

“O transtorno do espectro do autismo dificilmente tem um começo, meio e fim, o tratamento não tem tempo pré-determinado”, diz Liberalesso. No vídeo, ele destaca a importância de um diagnóstico precoce, profissionais de boa qualidade, alta intensidade na intervenção com tratamento adequado, além de ser contínuo.

Vídeo

Paulo Liberasso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

Vídeo do Liberalesso: ‘Curvas de aprendizagem e desenvolvimento neuropsicomotor’

Tempo de Leitura: < 1 minutoNesta quarta-feira (27), o neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo explicando as curvas de aprendizagem e desenvolvimento neuropsicomotor.

No vídeo, Liberalesso faz uma comparação no desenvolvimento de uma criança típica e atípica, mostra que apesar da criança atípica ter um atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, é possível que, com um tratamento eficaz, essa criança se aproxime cada vez mais de um desenvolvimento neurotípico, o que pode deixar essa diferença imperceptível.

Vídeo

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

‘Desenvolvimento da fala até os 4 anos’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo nesta segunda-feira (24), comentando a respeito do desenvolvimento da fala até os quatro anos de idade.

Liberalesso fala sobre o equívoco de alguns médicos em dizer que a criança não falar até os quatro anos de idade é normal e que faz parte do processo. Paulo comenta: “Ela pode, sim, ter algumas alterações motoras na fala, mas até completar esses quatro anos, a criança tem que estar em um processo de evolução constante, com a fala quase perfeita”. Ele ainda destaca a importância de uma intervenção precoce quando se constata alguma alteração no desenvolvimento da fala.

Vídeo

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.