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Como está a vacinação de pessoas autistas e demais PcD em outros países?

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Saiba qual a priorização de autistas e demais pessoas com deficiência em diversos países da Europa, além de EUA e Japão

A vacinação de autistas e demais pessoas com deficiência contra o novo coronavírus tem sido assunto nas redes sociais. Cresce um movimento pedindo a priorização dessa população nos planos de vacinação durante a pandemia. Mas, como tem acontecido isso em outros países do mundo? (Leia nossa reportagem sobre o Brasil: “Grupos ligados ao autismo e pessoas com deficiência defendem a priorização na vacinação“).

A reportagem da Revista Autismo entrevistou fontes no exterior, em sua maioria, pais de autistas residentes em outros países, para saber como o assunto tem sido tratado por lá.

Estados Unidos

“O distrito escolar de Los Angeles irá exigir a vacinação de todos os estudantes para frequentar a escola, quando as aulas presenciais forem retomadas e as vacinas infantis para Covid-19 estiverem disponíveis. Será pré-requisito obrigatório como já são as outras vacinas do programa de vacinação infantil. Agora, iniciou-se a vacinação de  maiores de 65 anos aqui. Não falaram nada ainda sobre pessoas com deficiência.”, contou a brasileira Rachel Botelho, que mora na cidade de Los Angeles. Para o estado da Califórnia como um todo, a regra é que pessoas com deficiência que tenham maior risco de gravidade de Covid-19, acima de 16 anos, entram na fase 1C, ou seja, na terceira fase da prioridade 1.

Reino Unido

Na Inglaterra, entrevistamos a Fausta Cristina Reis, mãe de uma menina autista: “Aqui se diferencia grau de autismo principalmente como: autismo e sem déficit cognitivo (learning disabilities). Os autistas com déficit cognitivo associado estão na lista de prioridades. Não há ainda nenhuma informação oficial para a sequência da segunda fase pois ainda estamos na primeira fase, que são as prioridades”, revelou ela.

Holanda

Na Holanda, segundo a jornalista brasileira Fátima de Kwant, mãe de autista radicada naquele país há mais de 30 anos, a vacinação de pessoas com deficiência começou nesta segunda (18.jan.2021). “Vejo que no Brasil ainda é motivo de discussão, mas aqui PcD são grupo de risco e recebem a vacina contra a Covid-19 logo após os profissionais de saúde”, explicou ela.

Portugal

Neste momento só são prioritários os que vivem em lares residências ou são acompanhados por serviços de saúde que estão na lista de prioridades, como cuidados continuados, em Portugal, segundo informações do português Eduardo Ribeiro a respeito do plano de imunização daquele país.

“Estamos em confinamento mas mais leve que em Março do ano passado. O alívio de medidas no Natal, altura em que eram 2 mil casos por dia, resultou que estamos nos 14 mil casos. O número de mortes diárias também mais do que duplicou, foi para 200. No sul está um pouco pior e o sistema nacional de saúde, internamentos e principalmente cuidados intensivos, está com uma pressão enorme, quase a atingir os 100%”, contou Eduardo, que é presidente da direção da AIA (Associação para a Inclusão e Apoio ao Autista), em Braga.

Suécia

“Aqui na Suécia a vacinação começou pelos lares de terceira idade. Temos uma população considerável na faixa de mais de 70 anos e eles estão sendo os primeiros a serem vacinados. Esta semana começou a vacinação dos profissionais de saúde. O restante ainda não foi divulgado pela imprensa ou órgão oficial do governo sueco”, contou a mãe Gabriela Vel Kos, que mora na cidade de Gotemburgo.

Japão

No Japão, a mãe Priscila Kondo, não ouviu falar nada sobre priorização ainda. A província de Aichi, onde ela mora, entrou em estado de emergência novamente, mas só estão vacinando profissionais da saúde por enquanto.

Leia também “Grupos ligados ao autismo e pessoas com deficiência defendem a priorização na vacinação

Colar de Girassóis e autismo - Kim Baker - Revista Autismo

Colar de girassóis

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Em texto exclusivo para a Revista Autismo, mãe inglesa conta como foi o fato que viralizou no mundo inteiro

Kim Baker, do Reino Unido

O esquema de usar o cordão de girassóis como indicação de deficiências ocultas começou em junho de 2016 no aeroporto de Gatwick, Londres. A intenção era ser um sinal discreto para os funcionários, a fim de reconhecer o usuário (ou um acompanhante do usuário) que precisasse de ajuda, tempo ou assistência extra ao passar pelo aeroporto. Após o seu sucesso, esforços têm acontecido para estender o uso do cordão a outros lugares.

Deixe-me contar a vocês a minha experiência com o cordão. Em junho, viajamos para a Espanha e utilizamos o cordão de girassóis. Eu estava com o cordão e positivamente notei que a equipe [do aeroporto] o reconheceu e me fez um aceno de cabeça. Enquanto eu estava na fila para despachar nossas malas, um membro da equipe viu meu cordão e me pediu que lhe entregasse nossos cartões de embarque para que ele imprimisse as etiquetas do assento e do carrinho do bebê, de modo que elas estivessem prontas quando chegássemos à frente da fila. Enquanto era verificado pela segurança, meu marido teve que passar pelo scanner. Nesse ponto, meu filho já estava na fila há um bom tempo, o aeroporto estava cheio e ele ficando irritado. Nosso carrinho estava sendo escaneado e, enquanto eu recebia nossa bagagem, ia tentando fazer malabarismos com nosso filho, que estava nos estágios iniciais de uma crise. Perguntei a uma senhora pelo nosso carrinho e ela imediatamente o levou até nós e, enquanto eu estava lutando para ajeitar a pobre criança de volta no carrinho, ela se curvou e me disse em voz baixa: “Escute, por favor, não deixe ninguém te apressar hoje. Leve o tempo que precisar e faça o que for necessário”. Ela não fez muito, para ser honesta, ela poderia ter feito muito pouco além daquilo, naquele momento, mas ela foi gentil e isso bastou para fazer que eu me sentisse um pouco mais calma.

Depois disso não houve mais momentos de utilidade do cordão e chegamos em segurança ao aeroporto de Málaga. Quanto ao desembarque em Málaga, eu realmente não precisei de nenhum suporte adicional. No entanto, no caminho de volta para casa foi quando o serviço excepcional aconteceu. Entramos na longa fila para checagem de segurança e imediatamente um membro da equipe se aproximou de nós, pediu que o seguíssemos para obter assistência especial e fomos escoltados diretamente, sem filas. Mais tarde, na fila para entrar no avião, outro membro da equipe veio nos buscar e nos levou até à frente do avião, para embarcarmos primeiro. Eu me senti recebendo um atendimento incrível e fiquei muito impressionada.

Em agosto, publiquei no Facebook uma foto da minha família no avião, junto com uma pequena explicação sobre o cordão. Para minha surpresa, o post foi compartilhado 334.000 vezes e a conscientização a respeito do cordão se espalhou por toda parte. Continuei tentando aumentar essa conscientização e entrei em contato com várias companhias para que os adquirissem. Continuo tendo experiências positivas e uso o cordão onde quer que vamos.

Colar de Girassóis e autismo - Kim Baker - Revista Autismo
Foto original divulgada por Kim Baker que viralizou nas redes sociais.
Foto: Arquivo pessoal

Deixe-me esclarecer que o cordão não foi minha ideia – eu apenas fiz uma publicação inocente sobre ele numa mídia social, a qual obteve uma repercussão enorme. Se você deseja obter mais informações sobre o esquema envolvendo o cordão de girassóis, ou quer adquirir algum dos itens disponíveis, visite www.hiddendisabilitesstore.com. Finalmente, eu gostaria de deixar claro que o uso do cordão não é para furar a fila! Nem oferecer tratamento VIP. A idéia é que o cordão seja um símbolo para a equipe ou para pessoas em geral estarem cientes de que o usuário pode precisar de certos ajustes ou apoios. Isso pode significar passar à frente na fila, pode ser o acesso a uma área tranquila, a ter um pouco mais de espaço, ou simplesmente conscientização.

Kim Baker exclusivo para a Revista Autismo

Kim Baker é inglesa e tem um filhinho de 3 anos e meio. Ele foi diagnosticado com autismo um mês antes de completar três anos.