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Editorial – Revista Autismo edição nº 14

Tempo de Leitura: 2 minutosHá oito anos eu aguardo para publicar esta reportagem sobre a fake news de que o mundialmente famoso jogador de futebol Lionel Messi seria autista. Conforme o tempo passava, apareciam mais e mais evidências de a notícia ser fraudulenta. Eu, sempre tentando um contato com o jogador para ouvir diretamente dele tal informação, ou da família, porém celebridades quase sempre são inacessíveis. Recorri a amigos na Argentina, Portugal e Espanha… nada. Desisti. Resolvi publicar sem ouvir o craque.

O Messi até poderia ser autista. Mas, quem teria o direito de revelar isso seria o próprio jogador, assim como fez recentemente o bilionário sul-africano Elon Musk, ao vivo, num programa de TV nos EUA. Dizer isso contra a vontade dele já é um tremendo desrespeito. Agora, inventar essa história é ainda pior. Um motivo a mais para lamentar foi isso ter tido origem no Brasil.

Numa era em que o acesso à informação nunca foi tão facilmente obtido, ironicamente, é quando mais estamos suscetíveis a fake news, a notícias intencionalmente criadas para enganar. Quase toda informação hoje pode ser verificada em poucos minutos. Porém, a ânsia por compartilhar nos meios digitais, por demonstrar saber mais ou saber primeiro que o outro, nos faz cada vez menos leitores, cada vez mais disseminadores de informação — falsa ou não — sem curadoria, sem cuidado, sem o mínimo de atenção. Mal se lê o título! Aposto que muita gente verá a capa desta edição e nem ao menos perceberá aquele “não” na manchete. Pelo contrário, irá dizer algo como “Viu que o Messi é autista? Está na capa da Revista Autismo. Eu já sabia!”, como se fosse uma confirmação. Recorro a James Hetfield numa das melhores músicas do Metallica: “triste mas verdadeiro”.

Já que mencionei a capa, tenho de destacar que foi totalmente criada e desenhada por um autista, o talentosíssimo Lucas Ksenhuk, artista que já faz ilustrações para toda edição da Revista Autismo há muito tempo. Desta vez nos brindou com uma capa digna de ser emoldurada. Um craque!

Contracapa da Revista Autismo edição número 9 de junho/2020

Editorial

Tempo de Leitura: 2 minutos

Edição nº 9, junho.2020

Revista Autismo nº 9 - jun/jul/ago/2020 - Os impactos da pandemia

Tempos difíceis. Mas nada como uma crise para nos reinventarmos.

A crise financeira gerada pela pandemia de Covid-19 não poupou quase ninguém. E não foi diferente com esta Revista Autismo e todo o ecossistema da causa. Primeiro nos sentimos chamados a fazer algo pelos eventos do Dia Mundial de Conscientização do Autismo (majoritariamente em março e abril) na iminência de serem cancelados. Nos dias 12 e 13 de março, com o crescimento vertiginoso de mortes pelo novo coronavírus na Itália, vimos que seriam inevitáveis os cancelamentos e adiamentos. Do dia pra noite, organizamos o 1º Congresso Online pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo — que teve um público de mais de 40 mil pessoas, assistindo a 12 horas de conteúdo, em 34 palestras de autistas, pais, especialistas e até Mauricio de Sousa e sua filha Marina. Tamanho foi o sucesso que já planejamos repeti-lo todo ano.

Num segundo momento, nos vimos sem patrocinadores e sem a menor perspectiva de publicar esta edição de junho. Mas, é nessa hora que precisamos seguir a velha expressão “do limão fazer a limonada”. Saímos em busca de novos patrocinadores, de apoio, de suporte, de doações até, para manter a revista viva.

E foi aí que construímos uma edição maravilhosa, não só de conteúdo e design (modéstia à parte), mas também pela maneira como ela foi feita, com a ajuda de muitos: além da compreensão e auxílio dos nossos parceiros e fornecedores, tivemos doações de inúmeros anônimos e o apoio de novos patrocinadores, novos amigos da causa, aos quais somos imensamente gratos — inclusive fizemos, a eles, uma página de agradecimento (veja nossa contracapa e na imagem de destaque deste texto, no topo).

Saímos desta edição, que começou com nada mais que incertezas, aliviados por não interromper nosso ciclo de publicações trimestrais e, mais do que isso, revigorados e muito mais esperançosos. Ainda que estejamos passando por descomunal crise (estabelecendo um novo “normal” para todas as áreas, quiçá, para a vida humana), sobrevivemos e estamos ainda mais confiantes em manter e expandir nossa missão de levar informação de qualidade a respeito de autismo Brasil afora, quem sabe mundo afora!

Mais uma vez, nosso muito obrigado a todos que colaboraram para que esta edição pudesse existir!

Ícone: peça de quebra-cabeça - Revista Autismo

 

Editorial – edição 5

Tempo de Leitura: 2 minutos

Nosso número anterior foi um sucesso. Chegamos gratuitamente (graças à Jamef Transportadora e à Azul Cargo) a mais de 60 cidades no Brasil. E outras em Portugal (graças à TAP Cargo). Parcerias que nos ajudaram a levar informação, sem nenhum custo, a milhares de autistas, famílias e profissionais. Nosso muito obrigado!

A reportagem de capa desta edição trata do mercado de trabalho para pessoas com autismo. Tentei abranger todo o espectro e procurar informação dos mais diversos tipos de modalidade de trabalho, de empregos comuns e cotas a emprego apoiado.

A sessão Fake News desta edição ficou a cargo da mãe e jornalista Andréa Werner, que alerta para o perigo do dióxido de cloro, um alvejante potente batizado de MMS ou CDS que promete a cura de câncer a autismo — produto já proibido pela Anvisa. Famílias têm sido induzidas a crer que essa substância faz milagres e têm submetido crianças a este tratamento, que chega a causar descamação do intestino. É uma denúncia séria!

Uma longa entrevista é outro destaque. O cientista Diogo Lovato, especialista em genética do autismo, conversou comigo abordando um aspecto inusitado: poderia o autismo ser considerado uma evolução do ser humano, do ponto de vista da genética? Vale conferir e depois assistir ao vídeo do papo todo, sem cortes.

Nossa parceria com o Instituto Mauricio de Sousa traz outra história exclusiva. Desta vez, André e a Turma da Mônica explicam que devemos tomar cuidado com as expressões que usamos com alguns autistas, pois muitos deles levam as palavras ao pé da letra.

E neste número temos algo inédito! Uma verdadeira metarreportagem: um jornalista autista fazendo a cobertura do Dia do Autistão para a Revista Autismo (é quase a versão autista do filme Inception — A Origem). Tiago Abreu participou do evento e trouxe em texto e áudio uma reportagem com detalhes dos debates e do que é, exatamente, o país Autistão.

Boa leitura.

Francisco Paiva Junior, editor-chefe da Revista Autismo, é jornalista, pós-graduado em jornalismo e segmentação editorial, autor do livro “Autismo — Não espere, aja logo!” (editora M.Books) e pai do Giovani, de 12 anos, que tem autismo e é muito rápido para fazer contas de cabeça, e da Samanta, de 10 anos, que tem chulé e é exímia desenhista.

Editorial – edição 4

Tempo de Leitura: 2 minutos

Após cinco anos sem publicarmos, estamos de volta. Não mais como um projeto social numa ONG, mantendo-se apenas por doações e sem anúncios publicitários. Infelizmente, aquele modelo de negócio se mostrou insustentável. Agora somos uma social startup, uma empresa privada, para fazer a revista de uma forma profissional, como qualquer negócio comercial. Porém, com o mesmo propósito social que nos move desde o início: disseminar informação de qualidade a respeito de autismo, inclusive mantendo a revista gratuita, como sempre foi. Nossa missão.

Pra chegar até aqui, muitas pessoas acreditaram e colaboraram para este projeto tornar-se real. Não posso deixar de agradecer ao pai e publicitário Martim Fanucchi, que fundou a Revista Autismo junto comigo, em 2010.
Só nós dois sabemos o quão difícil foi. Muito obrigado, Martim, que esteve comigo neste projeto até dezembro de 2018. Não esqueço também do pai Zinho Casagrande, que doou toda a impressão da primeira revista, o número zero. E à Associação Areópago Atibaiense, que patrocinou toda uma edição da revista. Eles fizeram justo o que seria perfeito para aquele início de história: acreditaram. Sou grato também à nossa revisora oficial até hoje, a mãe Marcia Lombo.

E não posso me furtar de agradecer à ONG Consciência Solidária, de Atibaia (SP), que abraçou nosso projeto sem medir esforços, em 2011, principalmente à eterna presidente Lucila Mari Hashimoto e sua escudeira, Sonia Andrade Guedes. Vocês duas não têm ideia de quantas famílias ajudaram mantendo este projeto vivo.

Agora seguimos nossa estrada, por um novo rumo. Mas sem perder jamais a essência. E já sendo gratos a parceiros que estão acreditando nesta nossa nova fase, além dos anunciantes, à Sociedade Brasileira de Pediatria, que tem uma coluna aqui, e às empresas que levam a revista para chegar gratuitamente a mais de 50 cidades em todos os estados do Brasil: pelas rodovias, à Jamef Transportadora, e via aérea, à Azul Cargo. E um agradecimento especial a ninguém menos que Maurício de Sousa, que terá uma página em todo número da Revista Autismo, uma parceria com a Turma da Mônica falando de autismo.

Neste número, temos vários artigos, reportagens e colunas, de pais e de autistas, pois a ideia é também dar voz a autistas adultos, muitas vezes negligenciados na sociedade. Em resumo: aqui tem muita informação — a mais eficaz arma contra o preconceito.

Vem comigo devorar esta revista!

Editorial – Edição 0

Tempo de Leitura: 3 minutos

Esta é a edição de lançamento da Revista Autismo — a número zero -, a concretização de uma meta buscada há muito tempo por pais e profissionais: levar informação séria e transparente de forma impressa, principalmente a pais e familiares de autistas que não têm acesso à internet (ou habilidade para isso). Destaque-se que há muita informação na internet (confiável e não confiável).

A revista é produzida por pais e profissionais que fizeram dessa luta pela democratização da informação a respeito de autismo uma meta, a qual hoje está sendo alcançada e dando seu primeiro passo de muitos que virão. São pessoas que se conheceram no mundo virtual da internet, em listas de discussões e e-mails, buscando informação sobre um mesmo tema: o autismo. E decidiu-se sair só do online para também o offline, para o bom e velho papel — além de ter um complemento na internet — para disseminar e pulverizar informação  respeito  dos transtornos autísticos do comportamento no Brasil todo. Importante destacar que é a primeira revista exclusivamente sobre autismo na América Latina e a primeira do mundo em língua portuguesa.

E essa publicação têm a convicção de nascer como uma ferramenta útil, sobretudo por várias autoridades no assunto que deram sua contribuição por meio de textos imensamente ricos de informações e esclarecedores em suas áreas. A todos eles, nosso muito obrigado pela confiança.

A Revista Autismo traz informação imparcial: publicando métodos e intervenções chancelados, como também tratamentos alternativos e métodos ainda não aceitos ou comprovados pela medicina tradicional. Na prática, os pais tentam fazer o que acreditam ser o melhor para seus filhos autistas — ou que estejam dentro do espectro autista. E nessa luta por fazer o melhor, se deparam com a mais variada gama de intervenções, e muitas vezes podem ficar pulando de galho em galho para esta ou aquela terapia. Cuidado! Siga orientação profissional, siga seu instinto de pai ou mãe, mas opte sempre pelo que mais for compatível com seus valores, suas crenças e que não traga desconforto ou enormes sacrifícios ou riscos a seus filhos. E o principal: busque orientação profissional. Ao mesmo tempo que digo cuidado, também digo que não tenha medo de tentar, insistir, persistir. Quem vai colher os frutos das vitórias ou derrotas dessa batalha são vocês pais e, principalmente, seus filhos. Portanto, amem-nos, aceitem-nos, não se conformem e ajam — mãos à obra!

Aqui você saberá o que é autismo e verá muitas opções de tratamento, elevando a qualidade de vida do indivíduo e da família afetada por esta síndrome. Saberá das várias dúvidas que a ciência ainda tenta desvendar, mas que tem uma certeza incontestável: quanto antes começarem as intervenções, melhor será a condição de vida da pessoa com autismo. Por isso a suspeita e o diagnóstico precoces são armas que devemos lançar mão com muita rapidez e perspicácia. Agir já!

Em vários artigos, há símbolos codificados, que são QR-Codes, os quais são explicados no texto da página seguinte — não deixe de conferir essa inovação.

O site da revista, www.revistaautismo.com.br, propõe-se a ser uma extensão da publicação impressa, com informações atualizadas e complementos dos textos aqui publicados.

Termino agradecendo o empenho de todos. Foram colaborações em conteúdo, em material, em informações, em contatos, em divulgação ou na simples torcida para que esse projeto desse certo. E já deu! Nosso muito obrigado a todos que colaboraram de alguma forma.

A você que nos lê, desejamos suprir um pouco de sua ânsia por informação a respeito desse tão complexo tema que é o autismo. Ajude-nos a divulgar esse trabalho e a democratizar a informação a respeito do espectro autista. Leia a Revista Autismo e deixe para que outros possam ler, divulgue. Não só para colaborar com as famílias afetadas pela síndrome, mas também para sensibilizar a sociedade, mídia e governos para o que atualmente é uma epidemia mundial, conforme nossa reportagem de capa.

Boa leitura!

Paiva Junior
Editor-chefe, Jornalista, pós-graduado em Jornalismo e Segmentação Editorial, pai do Giovani, de 3 anos, que está no espectro autista, e da Samanta, de 1 ano, com desenvolvimento típico.

E-mail: [email protected]

Twitter: @PaivaJunior