27 de julho de 2023

Tempo de Leitura: 2 minutos

Ninguém vê, “ninguém diz” – palavras quando as pessoas tomam ciência que determinada pessoa é autista, mas todos apontam os dedos se observam uma criança ou até mesmo adultos, entrando em meltdown.

Todos apontam os dedos se uma criança se balança ou se pula para cima e para baixo constantemente.

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Raramente as pessoas param para refletir que aquele comportamento ‘inadequado’ pode estar ligado à falta de acessibilidade social e que gera exagerados desequilíbrios, principalmente sensoriais, em algumas pessoas: estamos falando de neurodiversidade e doenças raras.

Isso está prestes a mudar, porque projeto de lei (PL) 5486/2020, que estabelece o uso da fita com desenhos de girassóis como símbolo de identificação das pessoas com deficiências ocultas, foi sancionado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin no dia 18 de junho. Fátima de Kwant, brasileira, radicada na Holanda e ativista de longa data, é a embaixadora HDSUNFLOWER (embaixadora do cordão de girassóis para doenças invisíveis – tradução livre da autora) para a América Latina.

Mas porque girassóis e não o cordão de peças de quebra cabeças?

Primeiramente, porque as peças de quebra cabeças são específicas para indicar o autismo. E a campanha é sobre condições invisíveis, acolhendo a todos para maior acessibilidade.

Em segundo lugar, em toda a Europa, o cordão de girassóis é amplamente reconhecido e respeitado, principalmente nos aeroportos. Aeroportos são locais geralmente de longas filas e espera, contexto perfeito para crises de toda forma: pânico, ansiedade, desregulação sensorial, angústia. Um evento de meltdown em um aeroporto, além de constrangedor, pode ser perigoso, justamente pela falta de informação da população geral. O cordão, facilita a identificação da pessoa e ela poderá receber o acolhimento necessário.

Precisamos entender que a identificação das “Hidden diseases” é salutar para informar que elas existem e estão entre nós.  Ela ajuda no combate ao preconceito e discriminação, oferecendo a informação correta ao observador, aquele que julga comportamentos ‘esquisitos’, comportamentos de ‘gente louca’ e que dizem: ‘mas precisava de tudo isso?”.

Sim, precisava, se não precisasse não teria acontecido. Cérebros processam informações de formas diferentes entre as pessoas.

Mas, usar o cordão não rotula a pessoa? A pessoa já é rotulada, mas por palavras chulas que não representam o enorme esforço diário a que são submetidas diante de uma sociedade não acessível. Palavras como: louco, esquisito, estranho, maluco, retardado, exagerado, psicopata, mimado; apenas para citar alguns exemplos dos ‘rótulos sociais’ impostos quando se permite a ignorância sobre algo que existe e precisa ser conhecido.

Aderir à campanha é informar; é tornar visível o que passa desapercebido pelas autoridades que negam atendimento adequado e acolhimento.

Um jardim de Girassóis pode mudar políticas públicas; pode mudar uma sociedade que insiste em negar a presença de pessoas que necessitam de mudanças em acessibilidade já.

Vamos juntos mudar os rótulos.

Vamos florir esse continente e mostrar flores raras que embelezam nossas vidas com sua diversidade.

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É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

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