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Pós-graduação em Transtorno do Espectro do Autismo

Tempo de Leitura: 3 minutos

Em parceria com a FAEESP, Academia do Autismo lança curso em plataforma de educação continuada

Esta semana, a Academia do Autismo anunciou em suas redes sociais uma chamada que classificaram como “o maior anúncio de todos os tempos”, e o público pode descobrir do que se tratava: o lançamento de um curso de pós-graduação em Transtorno do Espectro do Autismo em parceria com a FAEESP.

Com início das aulas programado para o próximo dia 24 de maio, o curso é destinado a profissionais já graduados nas áreas de saúde, educação ou outras áreas relacionadas. As aulas serão liberadas sempre às segundas-feiras, dentro do CIA Autismo, a maior plataforma de educação continuada no transtorno do Brasil, criada pela Academia do Autismo em 2019.

O propósito da especialização é apresentar as características e a heterogeneidade de pessoas que estão no TEA, partindo do diagnóstico até suas demandas de intervenção nos contextos terapêuticos, familiar e educacional. Por meio desse aprendizado, as instituições esperam contribuir com a formação e especialização de profissionais interessados, para que esses possam avaliar suas práticas clínicas e educacionais e aprimorá-las.

Professores e disciplinas

Ao todo, é um ano de especialização, com 10 disciplinas que vão desde contextualização e critérios para o diagnóstico de autismo, até educação inclusiva e ensino estruturado. Para conseguir o certificado do curso, emitido pela FAEESP e reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), os alunos precisam escrever um artigo e obter nota 7 ou superior. Para isso, eles também vão contar com uma disciplina voltada para a metodologia científica.

Entre o corpo docente da especialização estão nomes já conhecidos como Fábio Coelho,  psicólogo especialista em autismo, pai de duas crianças no espectro e fundador da Academia do Autismo, além de outros como:

  • Carolina Quedas: possui Graduação em Educação Física e Fisioterapia. Doutora e mestre em Distúrbios do desenvolvimento pelo Mackenzie. Pós graduação física adaptada para populações especiais e Psicomotricidade. Graduação em Fisioterapia e Educação Física. Gestora do projeto TEA em movimento em Osasco. Coordenadora e Docente do curso de Graduação em Educação Física em SP. Docente de Pós graduação em diversas Universidades. Professora da rede estadual há 14 anos,
  • Djalma Freitas: Mestre em Psicologia pelo departamento de Psicologia Experimental da USP, Doutor em Psicologia pelo departamento de Psicologia Experimental. Diretor técnico do Centro Terapêutico-Educacional Potencializar (CETEP) em Jundiaí (SP), coordenador nível pós-graduação lato sensu em Neuropsicologia Aplicada ao Transtorno do Espectro do Autismo no Child Behavior Institute (CBI of Miami). Atua, clinicamente, com avaliação psicológica e neuropsicológica de distúrbios do neurodesenvolvimento, assim como, atua com intervenção baseada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) ao Transtorno do Espectro do Autismo,
  • Laura Mansur: médica formada pela Faculdade de Medicina de Campos. Pediatra formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)/ Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), Especialista em Desenvolvimento e Comportamento Infantil; Pediatra concursada das prefeituras de Campos dos Goytacazes (RJ) e Macaé-RJ,
  • Odila Mansur: possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Campos, Especialista em Educação Médica, Mestre em Cognição e Linguagem pela Universidade Estadual do NorteFluminense Darcy Ribeiro, Doutora em Educação, linha de Educação Inclusiva, na UERJ. Especialista em Psicopedagogia Clínica E Institucional. Pedagoga e Professora assistente da Cadeira de Pediatria da Faculdade de Medicina de Campos, coordenadora de Extensão da Faculdade de Medicina de Campos, pedagoga do Instituto Federal Fluminense Campos (RJ), coordenadora do Ambulatório Interdisciplinar de Atenção à Criança, no Hospital dos Plantadores.
  • Valéria Santos: Membro da ISAAC-Brasil, International Society for Augmentative and Alternative Communication. Fonoaudióloga pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MINAS); Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista TEA pela Child Behavior Institute of Miami (CBI of Miami); pós graduanda em Neurociências – pela UFMG. Qualificação profissional em Uso terapêutico de Tecnologias Assistivas: direitos das pessoas com deficiência e ampliação da comunicação, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
  • Fernanda Carneiro: Possui graduação em Terapia Ocupacional pela Universidade Castelo Branco (2005) e pós graduação em Medicina Tradicional Chinesa pela Escola Zang Fu de Acupuntura Clássica (2009). Tem experiência em reabilitação física e saúde mental em neonatologia e pediatria em clínicas e hospital geral. Docente do Curso de Terapia Ocupacional do Instituto Federal de educação, Ciência e Tecnologia (IFRJ), onde leciona as disciplinas de Integração Sensorial, Corporeidade em Terapia Ocupacional, Tecnologia Assistiva e Terapia Ocupacional Hospitalar. Formada no Tratamento Neuroevolutivo Conceito Bobath Infantil e possui Certificação Internacional em Integração Sensorial pela University South of Califórnia (USC) e a Western Psychological Services (WPS). Atualmente Coordenadora da Clínica Escola do IFRJ- Campus Realengo,
  • Maria Elisa Fonseca: psicóloga graduada pela PUCCAMP, possui mestrado em Educação Especial (Educação do Indivíduo Especial) pela Universidade Federal de São Carlos e formação pela Universidade da Carolina do Norte (USA) na área do autismo. Atua como coordenadora do CEDAP da APAE de Pirassununga-SP e consultoria na área da Educação Especial e autismo.TEACCH® Advanced Consultant pela University of North Carolina/USA, Diretora do 4 TEA Educacional. Possui ampla experiência com docência e formação EAD e Consultora em Autismo,
  • Sérgio Rabello: professor da disciplina de metodologia científica.

Mais informações: [email protected]

Autistas na mira do bullying escolar — Revista Autismo

Autistas na mira do bullying escolar

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Ações devem ser contínuas e alcançar toda a comunidade escolar, inclusive os familiares dos alunos

O bullying

Da década de 1980 para cá, o bullying assumiu maior projeção no cenário global e surgiu a necessidade de elaboração de uma norma brasileira que dispusesse sobre o assunto. Em fevereiro de 2016, entrou em vigor a Lei nº 13.185/2015 (Lei de Combate à Intimidação Sistemática), que conceituou a intimidação sistemática, ou bullying como sendo “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.

Em razão do aparecimento de novos formatos, tal lei dispôs que existem oito tipos de bullying, a saber: verbal, moral, sexual, social, psicológico, físico, material e virtual.

Veja-se que o bullying assumiu uma dimensão complexa e tal lei veio dispor sobre o acometimento junto, principalmente, às escolas.

Mais tarde, a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) para estabelecer que as escolas devem “promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying)” e “estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz”.

Desta forma, resta indiscutível que a escola possui responsabilidade sobre o bullying ocorrido em seu espaço físico oferecido como educacional e deve criar medidas preventivas para o que se pode denominar “um dos maiores males do século”.

O Autista

O autista, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA), é pessoa com deficiência para todos os fins legais. Portanto, todas as normas que amparam as pessoas com deficiência, também acodem este público cuja condição é tão peculiar, dada sua diversidade no espectro. Os graus de autismo podem estar distantes entre si, mas todos com suas distintas necessidades para que o autista seja incluído na sociedade da forma adequada e alicerçada no respeito às particularidades que o espectro proporciona em cada indivíduo nesta condição.

Essas peculiaridades tornam o autista a vítima perfeita para o bullying, em especial no ambiente escolar, local que frequenta e passa tempo substancial do dia.

Ocorre que, em razão de sua hipersensibilidade sensorial e da forma como enxerga (ou sente) o mundo, o autista, em regra, não é dado a convenções sociais e, por vezes, suas ações destoam daquelas esperadas pelos neurotípicos (não autistas).  É comum que os autistas tenham estereotipias, ou seja, ações gestuais, como por exemplo: balançar as mãos (flapping), movimentar-se de um lado para o outro (“pendular”) e gostar de girar (a si ou a um objeto). Além disso, a maioria deles não costuma (há exceções) entender metáforas e possuem uma grande dificuldade em compreender o que é abstrato.

Com essas características, dentre outras várias (tendo em vista a diversidade do espectro), o autista se destaca no meio acadêmico de modo a ser uma fácil vítima de bullying, justamente por não se enquadrar nas convenções sociais, ou mesmo nas brincadeiras dos colegas.

O Combate

As ações devem ser contínuas, bem como devem alcançar toda a comunidade escolar, de modo a envolver, inclusive, os familiares dos alunos.

Conseguir prevenir o bullying é um desafio para todas as escolas e combatê-lo se faz necessário na medida em que crianças e adolescentes autistas podem ter suas vidas afetadas pela violência e por consequentes traumas.

Não é simples conseguir fazer com que os alunos se interessem e se candidatem a elos de uma corrente “anti-bullying”. No entanto, com as orientações corretas e o incentivo da escola, é possível que muitos alunos possam contribuir e detectar possíveis vítimas autistas, bem como descobrir se um colega nesta condição está prestes a se tornar uma.

É necessário convencer os gestores escolares da importância de imprimir ações que vão ao encontro das Leis nº 13.185/2015 e nº 13.663/2018, bem como é preciso conseguir sensibilizar toda a comunidade escolar sobre a  importância do combate ao bullying.

Por isso, uma forma de combate é incitar os gestores a providenciar palestras e atividades pedagógicas que façam os alunos e familiares refletirem sobre as consequências do bullying, inclusive nos âmbitos criminal e civil.

Com relação ao aluno autista, que é uma potencial vítima aos oito tipos de bullying, há que se destacar a interferência do Poder Judiciário. Existem jurisprudências (julgados) que condenam os agressores ou seus responsáveis legais a pagar indenização por danos morais às vítimas (lembrando que a escola e a administração pública também podem ser acionadas). Desde que existam as provas necessárias, dificilmente a vítima perderia uma ação judicial neste sentido.

Além disso, importante destacar que existe um liame muito tênue entre o bullying e alguns crimes tipificados no Código Penal, sendo que cada caso deve ser analisado à luz das fontes de direito que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe.

Assim, com a sensibilização da comunidade escolar, inclusive dos familiares dos alunos, será possível diminuir e até mesmo extinguir as intimidações sistemáticas dentro da escola e evitar ações judiciais.

 

Adaptações e adequações curriculares com significações

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Leis que já existem e devem sair do papel para a prática, por um aprender eficiente

No Brasil, a necessidade de se pensar um currículo para a escola inclusiva tomou maior dimensão após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei nº 9.394/96, razão pela qual este artigo traz à tona esse documento, bem como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, aprovada em setembro de 2001 e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, aprovada em 2008, para uma análise de como contemplam as adaptações e adequações curriculares necessárias para oferecer um ensino de qualidade aos educandos com necessidades educacionais especiais incluídos no sistema comum de ensino.

O conceito de adaptações curriculares é considerado como: estratégias e critérios de atuação docente, admitindo decisões que oportunizam adequar a ação educativa escolar às maneiras peculiares de aprendizagem dos alunos, levando em conta que o processo de ensino-aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola (segundo o MEC/Seesp/SEB, em 1998).

As adaptações curriculares constituem, pois, possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos. Pressupõe que se realize a adaptação do currículo regular, quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. Não um novo currículo, mas um currículo dinâmico, alterável, passível de ampliação, para que atenda realmente a todos os educandos. Nessas circunstâncias, as adaptações curriculares implicam a planificação pedagógica e as ações docentes fundamentadas em critérios que definem: o que o aluno deve aprender; como e quando aprender; que formas de organização de ensino são mais eficientes para o processo de aprendizagem; como e quando avaliar o aluno.

Adaptações curriculares de modo geral envolvem modificações organizativas, nos objetivos e conteúdo, nas metodologias e na organização didática, na organização do tempo e na filosofia e estratégias de avaliação, permitindo o atendimento às necessidades educativas de todos os alunos em relação à construção do conhecimento. (como publicaram Oliveira e Machado, segundo Glat, em 2007).

Assim, com a intenção de possibilitar a inclusão dos alunos especiais preferencialmente no ensino regular, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê, entre outros, em seu artigo 59, incisos I e II, de currículo e terminalidade específica para o atendimento destes educandos, que a escola se mobilize para estruturar um conjunto de ações e providenciar recursos necessários que garantam o acesso e a permanência de todos os alunos, promovendo um ensino que respeite as especificidades da aprendizagem de cada aluno.

No documento denominado Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN Adaptações Curriculares em ação, elaborado pela Secretaria de Educação Especial, do Ministério da Educação — publicado originalmente em 1999 e reeditado em 2002 —, as adaptações curriculares devem ser entendidas como um processo a ser realizado em três níveis: no projeto político pedagógico da escola, por meio do qual é possível identificar e analisar as dificuldades enfrentadas pela escola, assim como, estabelecer objetivos e metas comuns aos gestores, professores, funcionários da escola, familiares e alunos; no currículo desenvolvido em sala de aula; e no nível individual, por meio da elaboração e implementação do Programa Educacional Individualizado (PEI).

De responsabilidade da instância político-administrativa, tem-se dentre as adaptações de acesso ao currículo: a criação de condições físicas, ambientais e materiais para o aluno, em sua unidade escolar; a adaptação do ambiente físico escolar; a aquisição do mobiliário específico necessário; a aquisição dos equipamentos e recursos materiais específicos; adaptação e/ou adequações curriculares; a capacitação continuada dos professores e demais profissionais da Educação; e recursos visuais adequados.

Um currículo adaptado para crianças com autismo relaciona princípios, operacionalização, teoria e prática, planejamento e ação, sendo que essas noções de planejamento e de concepção curricular estão intimamente ligadas à viabilização de sua concretização (segundo Monjón, em 1995).

Aos pais e responsáveis

A participação ativa da família é essencial porque colabora com informações sobre as necessidades do educando, seus interesses, como vê o que lhe é difícil, como interage, comunica-se com outros educandos. Nesse processo, a família tem a chance de especificar suas dúvidas, ansiedades e frustrações, como também de compartilhar, como mediador, o processo educacional  do educando (como publicou Sacristán, em 1998).

Não tenham receio de cobrar os direitos adquiridos por seus filhos. Enquanto família seremos as vozes que os representarão.

Não desanimem frente às dificuldades enfrentadas, lutem de cabeça erguida e cobrem pelos seus direitos com dignidade. Não estamos pedindo nenhum favor. É lei!

Sejamos fortes frente às adversidades, lembrando que nossos filhos dependem de nós para defendê-los.

Não podemos nos esquecer de que nossas crianças se tornarão pessoas adultas e com elas devemos caminhar juntos, com as suas esperanças, desejos, alegria, tristezas neste processo de transição. Eles precisam muito da nossa força, incentivo e motivação para um futuro menos intolerante e preconceituoso.

O amanhã dependerá do que fizermos hoje, quando teremos pessoas com deficiência, sim, mas com independência, autonomia, pessoas felizes e até, na medida do possível, no mercado de trabalho, mostrando para a sociedade toda a capacidade que existe em nossos filhos. Juntos somos mais Fortes!

 

A educação de pessoas adultas com autismo

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Investir na educação de autistas adultos é investir na capacidade humana

No Brasil, sentimos uma grande lacuna na oferta de serviços educacionais e outras intervenções para adultos com TEA. Penso ser pelo fato de que ainda não conseguimos desconsiderar o autismo como sendo especificamente infantil, então não nos damos conta de que jovens e adultos continuam ao longo da vida necessitando de atenção. Se apenas ofertamos educação em período obrigatório, impedimos que pessoas adultas usufruam de atenção educativa.

É necessário e urgente que pensemos na ampliação do conceito de educação que contemple todas as etapas da vida do indivíduo, levando em conta que o autismo é de ordem crônica, e não se limita à infância.

Ninguém é impassível às mudanças proporcionadas por uma educação adequada, que entenda especificidades, respeite estilos de aprendizagem, contemple habilidades e ofereça possibilidades.

Ao pensarmos em bom programa educacional para adultos, ter em mente a promoção de: habilidades de comunicação, sociais, emocionais, cognitivas e também as vocacionais — investirmos de forma positiva em áreas como atenção, memória e funções executivas.

Proporcionar flexibilidade na formação, pode fazer com que adultos autistas desenvolvam melhor o controle de situações, encontrem soluções para reduzir o estresse e a ansiedade, sejam capazes de melhor generalizar, desenvolver ou aumentar empatia, lidar com as emoções, ter mais auto-estima, entre outros.

Em relação a adaptações curriculares, o que é algo ainda difícil para educadores que lidam com pessoas autistas adultas, é preciso propor conteúdos com bastante estrutura e pistas visuais, respeitar o ritmo de aprendizagem, eleger prioridades, sequenciar, respeitar os gostos e a vontade do aluno quanto a conteúdos (pode ser que o aluno já tenha visto o conteúdo proposto repetidamente ou que este fuja aos seus centros de interesse, aí ele não se anima, ou até mesmo se nega a cumprir as atividades) e, por fim, é imprescindível que o currículo proposto seja adequado ao nível de funcionamento da pessoa com TEA. Educadores, busquem aprimorar e obter formação para o atendimento educacional de adultos, e não pensem que conhecimentos relativos ao desenvolvimento infantil sejam adequados para atender aos de idade mais avançada.

Também vemos ser importante perceber que muitos alunos com autismo podem estar mais aptos para lidar com questões de aprendizagem aos 20 anos, do que estavam com 10; sendo que ao chegarem à idade adulta, muitos deles podem ter aprendido a lidar melhor com certos comportamentos, a gerir conflitos relativos ao estresse e ansiedade, a lidar melhor com as dificuldades relativas aos interesses restritos.

Na vida e na educação, é essencial termos objetivos. Para educar adultos com TEA, os objetivos devem ser voltados às competências, identificar os interesses pessoais e os vocacionais, priorizar habilidades e aptidões para orientar os alunos em formações acadêmicas e profissionais, visando também a sua empregabilidade.

Autistas apresentam potenciais que por vezes nem sequer imaginamos, isso se dá por colocarmos mais foco às limitações do que às possibilidades, a nossa visão limitada aliada por vezes à nossa inércia, faz com que desprezemos imensas capacidades.

Arregacemos as mangas e lutemos para que todos possam ter acesso à educação ao longo da vida e ao mercado de trabalho, não apenas os considerados “grau leve” ou os que usufruem de privilégios econômicos. Para sermos uma sociedade mais justa, a educação deve realmente ser direito de todos.

Que o trabalho e contribuição dos pais sejam valorizados e reconhecidos, abrindo espaço para parceria entre educadores e pais. Antes de planejar programas, adaptar e promover ações, consultar os pais ou outros membros da família que sejam importantes para o desenvolvimento do adulto com TEA é primordial.

Investir na educação de pessoas adultas com autismo é investir na capacidade humana de se desenvolver ao longo da vida; todos podem aprender e seguir no aprendizado, adquirir novas habilidades e se tornar seres humanos mais completos, mais produtivos e mais felizes!

Portugal: Autismo, inclusão e legislação 2008/2018

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Como eram e como passaram a ser as leis portuguesas que abrangem o autismo

Eduardo Ribeiro, de Portugal

No ano de 2008, foram dados os primeiros passos legislativos para a inclusão de crianças com perturbações do espetro autista na escola, com a publicação do Decreto Lei 3/2008 de 7 de janeiro, o qual “define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário dos sectores público, particular e cooperativo”.

Os princípios orientadores deste diploma, definiam que a escola não podia “rejeitar a matrícula ou a inscrição de qualquer criança ou jovem com base na incapacidade ou nas necessidades educativas especiais que manifestem”, gozando estes de prioridade na matrícula, tendo o direito a frequentar o jardim-de-infância ou a escola nos mesmos termos das restantes crianças. Procurava-se reconhecer a singularidade das crianças e dos jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente, oferecendo respostas educativas adequadas.

A participação dos pais foi relevada e, no que concerne a alunos com autismo,  as escolas ou agrupamentos de escolas, para melhor adequar o processo de ensino e aprendizagem, podiam desenvolver respostas específicas diferenciadas para alunos com perturbações do espectro do autismo através da criação de Unidades de Ensino Estruturado. Cada aluno também teria de ter definido um programa educativo individual e plano individual de transição para a vida pós-escolar (obrigatória).

A adequação do processo de ensino e de aprendizagem integra medidas educativas tais como o apoio pedagógico personalizado, adequações curriculares individuais ou currículo específico individual, e adequações no processo de matrícula, no processo de avaliação e ainda o uso de tecnologias de apoio.

Previa também a intervenção precoce na infância, objeto posterior de diploma legal específico (DL 281/2009 de 6 de outubro) e o desenvolvimento de parcerias com instituições particulares de solidariedade social e centros de recursos especializados.

Em 2009, a Lei n.º 85/2009, de 27 de Agosto veio estabelecer o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens que se encontram em idade escolar (entre os 6 e os 18 anos de idade) e consagrar a universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir dos 5 anos de idade, que desde 2015 passou para os 4 anos”.

Gráfico de 2010 a 2018: alunos com NEE que frequentam UEE versus os em escolas regulares.

Em 2018, 10 anos passados de vigência do Decreto Lei 3/2008, este foi revogado pelo Decreto Lei 54/2018. Este diploma estabelece o “direito de cada aluno a uma educação inclusiva que responda às suas potencialidades, expectativas e necessidades no âmbito de um projeto educativo comum e plural que proporcione a todos a participação e o sentido de pertença em efetivas condições de equidade, contribuindo assim, decisivamente, para maiores níveis de coesão social”.

As principais alterações passam pelo abandono dos sistemas de categorização de alunos, incluindo a “categoria” necessidades educativas especiais, abandono do modelo de legislação especial para alunos especiais e pelo estabelecimento de um continuum de respostas para todos os alunos. Passou também a colocar o enfoque nas respostas educativas e não em categorias de alunos e perspetiva a mobilização, de forma complementar, sempre que necessário e adequado, de recursos da saúde, do emprego, da formação profissional e da segurança social.

Este diploma causou algum “barulho” pela novidade e nesta altura, janeiro de 2019, ainda existem escolas a adaptarem-se à nova realidade.

Desde o ano de 2008 muito se fez na área da educação, mas muito ainda há a fazer, principalmente dotar as escolas de meios técnicos e humanos capazes, proporcionando aos profissionais formação prática com recurso às associações especializadas, de modo a haver melhores resultados com as crianças e jovens com autismo.

CONTEÚDO EXTRA