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Homeschooling: quem se beneficia com isso? — Canal Autismo / Revista Autismo

Homeschooling: quem se beneficia com isso?

Tempo de Leitura: < 1 minutoHomeschooling: quem se beneficia com essa prática educacional?

Segundo o STF (Superior Tribunal Federal), as crianças precisam da escola para conviverem com socialmente com grupos diversos e, com eles aprenderem sobre outras crenças, valores e vivências distintas.

Nossa Constituição prevê a educação em cooperação entre família e Estado, inviabilizando uma educação exclusiva dos pais e, o Código Penal considera a educação domiciliar como abandono intelectual.

Se a Constituição e o Código Penal consideram tal prática algo prejudicial, o que leva o atual governo a tomar essas medidas?

Somos um país amplamente diverso; um país de camadas socioculturais antagônicas que, inclusive diferem no modo de vida. Prever leis com regras para a educação domiciliar no momento é, minimamente, colocar a sujeira para debaixo do tapete.

A educação no Brasil necessita urgentemente de recursos para sua melhoria e não diminuição desses recursos em função de baixa de alunos por homeschooling.

Durante a pandemia tivemos uma evasão escolar de 171%, segundo relatório do Todos pela Educação. Além disso, 25.100 denúncias de violência contra crianças sendo 84% dos casos ocorridos dentro das próprias casas.

O impacto do afastamento social para crianças e jovens autistas durante a pandemia, vem sendo estudado por vários especialistas. Além de um grave descumprimento da Lei 12.764/12, os efeitos de um isolamento prolongado pode afetar severamente física e emocionalmente a todos.

Se pudermos pensar em algo de bom sobre a pandemia, é que ela nos ensinou o que NÂO se deve fazer com crianças e jovens: Não afastá-los das escolas.

A educação de pessoas adultas autistas

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado;  Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

No Brasil sentimos uma grande lacuna na oferta de serviços educacionais e outras intervenções para adultos com TEA.

Penso ser pelo fato de que ainda não conseguimos desconsiderar o autismo como sendo especificamente infantil, então não nos damos conta que  jovens e adultos continuam ao longo da vida necessitando de atenção. Se apenas ofertamos educação em período obrigatório, impedimos que pessoas adultas usufruam de atenção educativa.

É necessário e urgente que pensemos na ampliação do conceito de educação que contemple todas as etapas da vida do indivíduo, levando em conta que o autismo é de ordem crônica, e não se limita a infância.

Ninguém é impassível as mudanças proporcionadas por uma educação adequada, que entenda especificidades, respeite estilos de aprendizagem, contemple habilidades e ofereça possibilidades.

Ao pensarmos em bom programa educacional para adultos, ter em mente a promoção de: habilidades de comunicação, sociais, emocionais, cognitivas e também as vocacionais.  Investirmos de forma positiva em áreas como atenção, memória e funções executivas.

Proporcionar flexibilidade na formação, pode fazer com que adultos autistas desenvolvam melhor o controle de situações, encontrem soluções para reduzir o stress e a ansiedade, ser capaz de melhor generalizar, desenvolver ou aumentar empatia, lidar com as emoções, ter melhor autoestima, entre outros.

Em relação a adaptações curriculares,  o que é algo ainda difícil para educadores que lidam com pessoas autistas adultas,  propor conteúdos com bastante estrutura e pistas visuais, respeitar o ritmo de aprendizagem, eleger prioridades, sequenciar,  respeitar os gostos e a vontade do aluno quanto a conteúdos (pode ser que o aluno já tenha visto  o conteúdo proposto repetidamente ou foge aos seus centros de interesse, aí ele não se anima, ou até mesmo se nega a cumprir as atividades)  e  por fim, é  imprescindível que o currículo proposto seja adequado ao nível de funcionamento da pessoa com TEA.

Educadores busquem aprimorar e obter formação para o atendimento educacional de adultos, e não pensar que conhecimentos relativos ao desenvolvimento infantil sejam adequados para atender aos de idade mais avançada.

Também vemos ser importante perceber que muitos alunos com TEA podem estar mais aptos para lidar com questões de aprendizagem aos 20 anos, do que estavam com 10; sendo que ao chegarem a idade adulta, muitos deles possam ter aprendido a lidar melhor com certos comportamentos,  a  gerir  conflitos relativos ao stress e ansiedade, possam lidar melhor com as dificuldades relativas  aos interesses restritos.

Na vida e na educação é essencial termos objetivos, para a educar adultos com TEA, os objetivos devem ser voltados as competências, identificar os interesses pessoais e os vocacionais, priorizar habilidades e aptidões para orientar os alunos em formações acadêmicas e profissionais, visando também a sua empregabilidade.

Autistas apresentam potenciais que por vezes nem sequer imaginamos, isso se dá por darmos mais foco as limitações do que as possibilidades, a nossa visão limitada aliada por vezes a nossa inércia, faz com que desprezemos imensas capacidades.

Arregacemos as mangas e lutemos para que todos possam ter acesso a educação ao longo da vida e ao mercado de trabalho, não apenas os considerados “ grau leve” ou os que usufruem de privilégios econômicos. Para sermos uma sociedade mais justa a educação deve realmente ser direito de todos.

Que o trabalho e contribuição dos pais sejam valorizados e reconhecidos, abrindo espaço para parceria entre educadores e pais.  Antes de planejar programas, adaptar e promover ações, consultar os pais ou outros membros da família que sejam importantes para o desenvolvimento do adulto com TEA.

Investir na educação de pessoas adultas com autismo é investir na capacidade humana de se desenvolver ao longo da vida; todos podem aprender e seguir no aprendizado, adquirir novas habilidades e se tornarem seres humanos mais completos, mais produtivos e mais felizes!

Autista faz estágio como professor em escola no interior de SP

Tempo de Leitura: < 1 minutoLeonardo Soares Barbosa, de 20 anos e morador de Sertãozinho, interior de São Paulo, é autista e iniciou um estágio como professor na rede pública. O caso ganhou notoriedade com a chegada do Dia do Professor e também porque Leonardo, no passado, sofreu bullying e agora pode auxiliar outras crianças com deficiência.

“O professor tem que ter uma didática boa com salas heterogêneas, porque os alunos são diferentes uns dos outros. Posso até não ter tido um bom tratamento no começo, mas depois vi que as coisas eram completamente diferentes e mudei minha opinião”, disse ele ao G1. Leonardo tem o desejo de ser professor de matemática.

Programa Conexão aborda alfabetização de crianças autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO programa Conexão, do canal Futura, lançou no último dia 23 de setembro uma edição dedicada à alfabetização de crianças autistas. A produção trouxe, como entrevistadas, a professora e ativista Luciana Viegas, além de Diana Serpe, especialista nos direitos das pessoas com deficiência.

Luciana Viegas abordou os desafios da alfabetização. “O processo de aprendizagem é muito complexo e contínuo. Ele acontece ao longo do tempo”, disse. Diana Serpe, por sua vez, destacou problemas em torno da aplicação da legislação educacional no país. “A lei brasileira de inclusão determina a capacitação dos profissionais […] e chama de sistema educacional inclusivo, porque a educação inclusiva você insere o aluno na sala de aula e isso não é inclusão de fato”, afirmou.

O vídeo pode ser assistido na plataforma Globoplay.

Unicamp constrói núcleo de capacitação em autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está trabalhando na construção do Programa de Atenção aos Transtornos do Espectro do Autismo (PRATEA), parte da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. O objetivo é que o PRATEA seja um campo de capacitação para professores da educação infantil e profissionais médicos que trabalham com diagnóstico para identificar as demandas e necessidades de crianças autistas.

Segundo a instituição, o prédio foi financiado com recursos de emendas parlamentares da ordem de R$1,75 milhão de reais do deputado federal Paulo Freire Costa (PL). A coordenadora do PRATEA, Eloisa Valler Celeri, estima que existam cerca de 10 mil autistas em Campinas. “É necessário que haja disseminação de informações que facilitem aos familiares, educadores e profissionais da saúde no auxílio à percepção precoce de sinais do TEA. A despeito dos avanços no reconhecimento e nas garantias legais, ainda há grande escassez de recursos de cuidado”, afirmou.

Escola ideal para autistas existe?

Tempo de Leitura: 2 minutosAvaliamos 5 pontos essenciais para que o aluno com autismo possa ter a melhor experiência no ambiente escolar

A escola é um ambiente essencial para qualquer aluno se desenvolver. No caso daqueles que estão no espectro do autismo, esse local é essencial para adquirir habilidades, interagir socialmente e também aprender o conteúdo didático. 

No entanto, uma escola ideal para pessoas com autismo precisa de algumas adaptações para fazer com que esse momento seja produtivo e eficaz para a pessoa no TEA. Nesse artigo, separamos quatro tópicos essenciais que tornam a escola um excelente ambiente para autistas. Veja a seguir: 

Adaptar materiais escolares e conteúdos

Todo mundo tem a capacidade de aprender, inclusive quem está no espectro do autismo. No entanto, nesses casos o aprendizado acontece de uma forma diferente e, por isso, é preciso que os materiais e conteúdos didáticos sejam adaptados de acordo com a necessidade do aluno. 

Normalmente, essa adaptação de materiais é feita por um profissional capacitado e que acompanha o aluno em cada uma das etapas de aprendizado. Ele também vem a seguir, pois sua presença é essencial para pessoas com autismo na escola.

Ter um professor de educação inclusiva especialista em TEA

Além do professor, alguns alunos com autismo podem precisar também do apoio de um professor de educação inclusiva que o acompanha na sala de aula. Esse profissional deve ser especialista em TEA e ter conhecimento do histórico escolar e das dificuldades do aluno, pois só assim será possível auxiliá-lo no aprendizado. 

O professor de educação inclusiva também é responsável pela criação do PEI, um importante instrumento de avaliação do aluno no TEA que explicamos a seguir. 

Ter um Plano Educacional Individualizado do aluno

Conforme explicado anteriormente, o Plano Educacional Individualizado (ou PEI) do aluno é feito pelo professor de educação inclusiva, junto a outros profissionais da pedagogia e até a família do aluno, se for preciso. 

A ideia desse documento é entender o repertório do aluno, suas dificuldades e, assim, criar um instrumento que proponha o planejamento e acompanhamento do aluno durante o ano letivo. 

Entender e respeitar a diferente forma de pensar e agir do aluno com autismo 

Muitas vezes, pessoas com autismo relatam a dificuldade em conseguir focar em um tópico por muito tempo. Por isso, pode ser preciso que o aluno saia da sala de aula para descansar um pouco a mente e, em seguida, retornar quando se sentir melhor. 

Em alguns casos, o ambiente escolar pode incluir, também, uma sala sensorial. Este local é protegido e com riscos controlados que vão ajudar na regulação emocional e deixar o aluno mais confortável em retornar à aula. 

Promover a inclusão do aluno com autismo nas atividades extracurriculares

Além de ser um ambiente de aprendizado, a escola é também um dos principais locais no qual o autista terá a oportunidade de socializar com pessoas da mesma idade e transpor algumas barreira da interação social. 

Por esse motivo, é essencial que a escola esteja disposta a incluir o estudante no espectro nas atividade extracurriculares, ou seja, festas fora do turno da aula, atividades como apresentações de dança, tarefas em grupos etc. 

(Academia do Autismo)

Alfabetização, autismo e educação inclusiva

Tempo de Leitura: 3 minutosImportante é lembrar que para cobrar algo é necessário conhecer este algo. Cada autista tem suas próprias peculiaridades, sendo necessário um acompanhamento multidisciplinar integrado com a escola. Ocorre que esta, de longe, é a realidade de muitas famílias brasileiras de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em idade escolar. Pois bem, entre o mundo real e o mundo ideal existe uma distância muito grande.

Neste contexto, o processo de alfabetização de uma criança típica é completamente diferente do processo de uma criança atípica, haja vista suas peculiaridades dentro do espectro. Somente os profissionais que possuem capacitação e um olhar treinado, baseado em evidências científicas, serão capazes de intervir na educação e tratamento de pessoas com autismo, por serem capazes de reconhecer tais peculiaridades e propor as adaptações necessárias para garantir o ensino-aprendizagem na escola regular.

Como dito, o ideal e o real nem sempre caminham juntos, e esta é a realidade da educação inclusiva no Brasil. Mas, será que você sabe os princípios da educação inclusiva? Sabe por que não conseguimos aplicar o modelo de inclusão total? Sabe como se dá o modelo de integração entre métodos terapêuticos e metodologias de ensino na alfabetização? Como aplicar a metodologia ABA na escola?

Pois é, os professores do ensino regular, da educação básica e das outras etapas de ensino, também não sabem, pois isto não faz parte da formação acadêmica, tanto no ensino superior quanto no magistério. O professor não é uma máquina, nem uma fonte inesgotável de conhecimento, capaz de registrar e guardar informações por tempo indeterminado, muito menos precisa ter conhecimento de todas as técnicas de alfabetização para suprir peculiaridades de cada aluno. Será que todos os professores da educação básica precisam ter formação em ABA, sistema braille,ou língua de sinais? Impossível! 

Professores, vocês são heróis da educação, mas precisamos reconhecer que todos temos limites, e que não dá para imputar culpa àqueles que estão na base de sustentação do ensino!

Cabe lembrar, que nem todo autista é leve, que nem toda família possui formação superior, que nem todo autista possui tratamento multidisciplinar, e que autismo não é romance! Ou seja, temos uma situação que precisa ser analisada por todos os aspectos, mas, se estamos falando de autistas, vamos reduzir esta discussão ao nosso universo, que é apenas nosso!

A Lei Berenice Piana, de 2012, que criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA, a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, e a nossa Constituição Federal, de 1988, garantem plenamente os direitos de pessoas com autismo frequentarem a escola regular. Garantem também a obtenção de diagnóstico precoce, tratamento multidisciplinar, acompanhante especializado na escola, Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) em contraturno escolar, entre outros direitos. Tudo isto está no texto da lei, mas será que todos os autistas conseguem acessar esses direitos? Não! Logo, para cada autista na escola regular seria ideal um professor assistente, especialista em autismo, para garantir o processo de ensino-aprendizagem e o aproveitamento dos conhecimentos ministrados na sala de aula regular. Será que nós temos estes profissionais para todos os autistas em idade escolar? Não!

Ou seja, trata-se de uma conta simples: há mais autistas na escola do que profissionais capacitados para suprir as necessidades do processo educacional. Portanto, se a conta não fecha, então não serão todos os autistas a se alfabetizarem? Não!

Será que o erro está na forma de ensinar? Ou na metodologia de ensino? Nenhuma das perguntas possui uma resposta única, mas, em se tratando de alfabetização, são muito difundidas as metodologias que utilizam a psicogênese da escrita e a consciência fonológica para alfabetizar e letrar crianças. Isto significa que treinos de ligação fonética, que são aqueles que utilizam o: “/b/ com /a/, faz /ba/, /b/ com /é/, faz /bé/”, ainda são utilizados no ensino regular até hoje. Precisamos pensar em mudar, se está dando certo? Pode dar certo para crianças típicas, mas nem sempre funciona para crianças atípicas. 

Um profissional especializado em autismo e alfabetização pode ser capaz de reconhecer e entender os motivos dos desvios na aprendizagem, fazer adaptações, quando necessárias, garantir o aprendizado da criança com autismo e colocá-la novamente no rumo do ensino regular. Logo, será que estamos preocupados com este processo de ensino-aprendizagem, ou apenas em colocar a criança na escola e esperar que algum milagre aconteça?

Faz sentido agora? Educação inclusiva não é colocar a criança com autismo no ensino regular e esperar que ela aprenda, apenas por estar naquele ambiente. É necessário um acompanhamento diferenciado, pois, os autistas, em princípio, não possuem comprometimento cognitivo,  e são tão capazes de aprender quanto qualquer criança. Mas para isto, é necessário saber ensinar a criança com autismo!

Assim, o trabalho integrado, multidisciplinar e individualizado com os autistas, poderá contribuir com o processo de alfabetização e demais etapas do ensino regular, proporcionando o que as leis buscam garantir: a educação efetiva e inclusiva!