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Programa na TV Cultura discute neurodiversidade em filmes e séries

Tempo de Leitura: < 1 minutoO programa Metrópolis lançou, em 2 de maio, uma edição dedicada ao tema da neurodiversidade. O assunto, que é geralmente associado ao autismo, também está presente em séries e filmes que abordam autismo e outros transtornos.

Além de alguns exemplos de filmes que tratam de neurodiversidade, a edição trouxe a participação do jornalista e pesquisador Tiago Abreu, autor do livro ‘O que é neurodiversidade?’.

Assista:

As origens da neurodiversidade — Canal Autismo / Revista Autismo

As origens da neurodiversidade

Tempo de Leitura: 2 minutosUma dúvida recorrente é sobre as origens da Neurodiversidade. Neurodiversidade é o conceito em que as diferenças neurológicas são vistas como variações naturais do funcionamento humano. Dessa forma, mais que um conjunto de déficits, são variações nos perfis das pessoas. Ou seja, são perfis que podem contribuir na cultura e tecnologia. Portanto, a neurodiversidade são variações de diferentes modos de funcionamento, evolução e adaptação do cérebro humano.

Modelo Social da Deficiência e Neurodiversidade

Hoje, a percepção sobre a deficiência é diferente. Não se limita a uma lesão que limita a pessoa. Ou que seja uma estrutura de humilhação, segregação e opressão. De acordo com o modelo social da deficiência, essa experiência se constrói pelas barreiras impostas pela sociedade. Isso inclui práticas e atitudes excludentes. Logo, existe juízo de valor no modelo biomédico. O que, certamente, rotula existências e classifica as vidas como desejáveis ou aceitáveis ao convívio social.

O termo “neurodiversidade” foi criado pela socióloga australiana Judy Singer em 1998. Dessa forma, o resultado é que a neurodiversidade garante a estabilidade social e cultural. Assim como a biodiversidade garante a estabilidade do ecossistema. No final da década de 1990, havia poucas categorias de deficiência. Uma delas era a psiquiátrica. A princípio, essa última enquadraria o autismo. No entanto, tal classificação não dava conta de caracterizar as nuances do autismo. Especialmente em casos mais sutis, que não apresentavam prejuízo cognitivo ou de linguagem.

Judy Singer e as origens da Neurodiversidade

Singer introduziu o conceito da neurodiversidade a partir da estranheza de sua própria família. Em outras palavras, a família da pesquisadora reconheceu na família, uma série de fracassos e tragédias. Então, Singer culpava a mãe pela infância sofrida. Segundo Singer, a mãe confundia as expectativas das atitudes de alguém. Aliás, a mãe era uma pessoa difícil de se conviver. Não percebia o óbvio nas interações sociais. Ou o que se passava com os outros.

O pai da socióloga buscou ajuda com psiquiatras, antes de se divorciar da esposa. Entretanto, ele não obteve respostas sobre a ‘esquisitice‘ de sua mulher. Por isso, ele se contentou em acreditar que 20todos são diferentes em algum grau. Mas Singer concluiu que a mãe era uma pessoa preguiçosa. Além disso, ela havia feito escolhas equivocadas em sua vida. Contudo, Singer viria a repensar essa conclusão no futuro.

E foi o que aconteceu quando a socióloga teve sua filha. Ela estava com 2 anos, quando Singer leu uma descrição sobre autismo. Então, ela percebeu essas características em sua filha. No entanto, os amigos acreditavam que ela projetava as relações familiares vivenciadas com a mãe, na filha. Mas, Judy Singer via a filha desenvolver comportamentos similares aos da mãe dela. Portanto, começou a desconfiar de que haveria uma deficiência hereditária na família. Porém, ela não sabia o que era. Apenas intuía que se tratava de algo de origem orgânica, não psicológica.

Autistas como grupo social

Durante os estudos sobre deficiências, Singer percebeu que tinha medo de ser autista. Além disso, Singer observou que, como existem grupos de pessoas negras ou queers, poderia haver grupos de pessoas com as mesmas características de seus familiares. Desse modo, retornou à Academia para’ estudar sociologia da deficiência’. Nessa época, a filha, então com nove anos, foi diagnosticada autista. Dois anos depois, a própria pesquisadora recebeu o mesmo diagnóstico.

Nem o nome da condição era um consenso, à época. Variava de termos como Autismo de Alto Funcionamento e Síndrome de Asperger. O diagnóstico era definido por prejuízos na qualidade da interação social e comportamentos restritos e repetitivos. Mas sem atrasos de cognição ou linguagem.

Para Judy, o valor do ativismo no Espectro Autista está em apresentar uma política de diversidade neurológica. Portanto, traz uma expansão na forma de se perceber o mundo. Desse modo, o ativismo autista amplia as noções do modelo social da deficiência. Ou seja, coloca em xeque a crença de um padrão na maneira de sentir e de perceber os fenômenos. Assim, o “neurologicamente diferente” seria uma adição ao debate dos grupos sociais. Tais como etnia, classe e orientação sexual.

Estatuto da Neurodiversidade é discutido em audiência pública no Recife

Tempo de Leitura: 2 minutosA Câmara Municipal do Recife discutiu, na última quinta-feira (7), a criação do Estatuto da Neurodiversidade. Proposta pela vereadora Liana Cirne (PT-PE), a audiência teve como tema a situação de autistas, pessoas com TDAH, dislexia e outros transtornos em relação a atendimento médico e escolar. O debate incluiu ativistas com deficiência, mães e outros parlamentares.

O vereador Ivan Moraes (PSOL-PE) estava presente e afirmou que a ação tem, como contexto, um maior debate sobre o autismo. “Dentro da diversidade do autismo, existe gente que precisa de pouca atenção, que precisa de alguma atenção e que precisa de um centro de referência, de um neuro acompanhando. Fico curioso para saber o que já está sendo feito na Secretaria de Saúde e quais são os nossos desafios”, afirmou.

Mônica de Lucena, que é mãe de um menino autista e faz parte do grupo de 200 famílias chamado Vivendo Com Autismo, afirmou que existe uma invisibilidade das pessoas com deficiência e suas famílias e uma falta de serviços especializados. “Eu passo as minhas experiências para muitas mães. É preciso nos unirmos. Conheço mães que tiram a vida porque não suportam a discriminação que, muitas vezes, começa em casa”.

O evento também trouxe a participação do pesquisador e jornalista Tiago Abreu, autor do livro O que é neurodiversidade?. Ele explicou o conceito por trás do termo “neurodiversidade”. “Assim como existe o termo biodiversidade, a neurodiversidade seria sobre a diversidade neurológica que existe em toda a população. É sobre as pessoas com transtornos, mas também sobre os chamados neurotípicos. Todos nós colaboramos para novas perspectivas de mundo”, afirmou.

Segundo a vereadora Liana Cirne, que também é mãe de autista e diagnosticada com TDAH, a expectativa é que os debates avancem rapidamente e que seja apresentado algo mais concreto até o Dia do Orgulho Autista, que ocorre em 18 de junho.

Assista a transmissão:

Museu de Arte Moderna de SP promove aula sobre neurodiversidade

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) promove a aula gratuita “O que é neurodiversidade?”, programada para esta terça-feira (5.abr.2022), às 16h00. A aula será ministrada pelo jornalista e pesquisador Tiago Abreu, autor do livro “O que é neurodiversidade?” (2022), que é a primeira obra sobre o tema em língua portuguesa.

Segundo a organização do evento, a aula abordará o contexto histórico da neurodiversidade e as implicações do tema. As inscrições podem ser feitas online, com metade das vagas reservadas para profissionais e estudantes da rede pública de ensino. A atividade faz parte da formação em arte e acessibilidade oferecida pelo museu.

CONTEÚDO EXTRA

Link para inscrição e programação completa: https://mam.org.br/evento/formacao-em-arte-e-acessibilidade-o-que-e-neurodiversidade-com-tiago-abreu/

Semana de Celebração da Neurodiversidade é comemorada em vários países — Canal Autismo / Revista Autismo

Semana de Celebração da Neurodiversidade é comemorada em vários países

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Neurodiversity Celebration Week, ou Semana de Celebração da Neurodiversidade, é uma data existente desde 2018 para celebrar a diferenças neurológicas da população, sobretudo as com deficiências. Em vários países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, eventos tem sido promovidos entre 21 de março até 27 de março.

A Semana de Celebração da Neurodiversidade ocorre geralmente cerca de 1 a 2 semanas antes do Mês da Conscientização do Autismo, marcado pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo, que se dá em 2 de abril.

Jornalista lança primeiro livro brasileiro sobre neurodiversidade

Tempo de Leitura: 2 minutosNa próxima sexta-feira (4.fev.2022), o jornalista e podcaster Tiago Abreu lança o livro “O que é neurodiversidade?”. Publicado pela Cânone Editorial, essa é a primeira obra  sobre o assunto escrita no Brasil.

Para o autor, a ausência de publicações em português sobre este tema foi a sua principal motivação para escrever o livro. “A maioria das referências que temos são em inglês. Isso dificulta bastante a vida de quem quer entender o mínimo sobre neurodiversidade”, afirma.

O termo neurodiversidade foi criado pela socióloga australiana Judy Singer, na segunda metade da década de 1990, e diz respeito à diversidade neurológica na população humana. Desde então, o tema é frequente nas discussões sobre autismo e deficiência. Mais recentemente, questões sobre neurodiversidade se tornaram presentes em debates de gênero, sexualidade, meio ambiente e mercado de trabalho.

Contexto histórico

Jornalista lança primeiro livro brasileiro sobre neurodiversidade - Tiago Abreu - Canal Autismo / Revista Autismo

Capa do livro “O que é Neurodiversidade”, do jornalista Tiago Abreu.

A obra traz o contexto histórico do conceito de neurodiversidade, as repercussões sociais, as críticas e, também, a perspectiva do uso da expressão no Brasil ao longo do tempo. “A ideia foi ser um livro introdutório, com um panorama geral sobre o tema e acessível para a maioria das pessoas, mas ao mesmo tempo rigoroso e acadêmico”, explica o Tiago Abreu.

A leitura é imprescindível para quem deseja conhecer mais sobre termos como neurodivergente, diversidade neurológica e sua ligação com o autismo, transtorno de déficit da atenção com hiperatividade (TDAH) e outras condições de saúde. Em texto leve e muito acessível, o jornalista traz as principais informações sobre o tema de maneira muito concisa e fluida.

Como comprar

O livro impresso e digital pode ser comprado no site da editora Cânone Editorial ou em demais livrarias, como a Amazon Brasil e muitas outras.

O autor

Tiago Abreu é podcaster, jornalista, escritor e colaborador deste Canal Autismo / Revista Autismo. Há uma década, estuda e pesquisa neurodiversidade no contexto do ativismo autista no Brasil. Atualmente, é  apresentador e produtor do Introvertendo, principal podcast sobre o autismo no país. Também é autor do livro Histórias de Paratinga (2019).

Contatos

Twitter: @otiagoabreu

Instagram: @introvertendo

Cânone Editorial: canoneeditorial.com.br

Livro digital (para Kindle) na Amazon: amazon.com.br

 

[Atualizado em 04/02/2022, 18h43, com os links para venda do livro]

‘Não quero que a neurodiversidade se torne uma mercadoria’, diz Judy Singer

Tempo de Leitura: < 1 minutoResponsável por cunhar a expressão neurodiversidade, a socióloga australiana Judy Singer, de 70 anos, conversou com o escritor argentino Alan Robinson sobre neurodivergência, mercado de trabalho e o seu livro Neurodiversith, lançado em 2016.

Judy disse ter preocupações com o uso das discussões sobre neurodiversidade nas corporações como forma de lucro. “Não quero que a neurodiversidade se torne uma mercadoria, um insumo, outro produto do capitalismo”, disse ela.

A socióloga também afirmou que tem enfrentado dificuldades para ter o seu trabalho reconhecido na Austrália. Questionada sobre sua atividade acadêmica atual, Singer afirmou que deixou o ambiente da universidade para cuidar de sua mãe e sua filha, ambas autistas. Atualmente, Judy e sua filha vivem juntas na Austrália com a renda da obra da socióloga e de pensões do Estado.

“É um pequeno livro. Estou muito velha e cansei de lidar com um editorial e publicidade. Não estou anunciando, mas está vendendo”, contou.

‘A neurodiversidade é para ser aceita, não consertada’

Tempo de Leitura: 5 minutos

Por Fábio Cordeiro

Presidente da ONDA-Autismo e membro do conselho de autistas.

 

Fabio Cordeiro, o Aspie Sincero — Canal Autismo / Revista AutismoCada dia mais a neurodiversidade está em evidência.

Quem vive dentro dessa realidade do TEA se depara quase que diariamente com essa palavra e, felizmente, até para quem não tem algum familiar ou conhecido dentro do espectro do autismo, o termo começa a ficar conhecido.

Mas o que é neurodiversidade de fato e por que é tão importante?

Hoje vou falar um pouco sobre esse assunto que não é tão simples quanto parece e o porquê de ser tão importante que as pessoas entendam e aceitem esse conceito.

Foi uma socióloga, jornalista e pessoa autista australiana, Judy Singer, quem cunhou tal termo, no final da década de 1990, através de sua tese de doutorado que mais tarde até se transformaria em um livro de nome “Neourodiversity: The Birth of an Idea” , e depois disso o conceito foi se popularizando cada vez mais.

A ideia central é simples, ela prega que o desenvolvimento neurológico atípico, ou diverso, seria algo esperado dentro do desenvolvimento biológico da raça humana, portanto, algo a ser aceito e levado em conta na constituição da espécie, não algo a ser corrigido ou consertado na pessoa para que ela se adeque a um padrão de normalidade tido como típico.

Como eu disse, a ideia é simples, mas a prática nem tanto. Desde que o mundo é mundo, existem pessoas diversas e se formos buscar na história podemos citar vários exemplos de pessoas notáveis que se enquadravam nesse desenvolvimento atípico, chego a duvidar que teríamos alcançado esse nível de desenvolvimento em que estamos se não fosse essa diversidade.

Também é verdade que, seja por falta de conhecimento, por preconceito, ou de tudo junto, o ser humano não lida bem com as diferenças e há não muito tempo, crianças autistas eram acorrentadas em manicômios e segregadas da sociedade, e mesmo quando não chegavam a ser internadas e lá deixadas, eram separadas do convívio das outras, seja nas escolas ou em qualquer outro ambiente comunitário.

Hoje, não basta apenas inserir a pessoa autista com leis de inclusão onde ela tem o direito de escolher em qual escola estudar, ou buscar garantir acesso as diversas terapias que visam ajudar no desenvolvimento do indivíduo e possibilitam uma vida adequada na sociedade.

A cultura neurodiversa prega muito mais do que isso. Essa tem como premissa um olhar social sobre a deficiência em detrimento a uma abordagem exclusivamente médica da mesma. Busca não uma cura para a pessoa autista ou para o autismo, mas sim aceitação e diz que não é apenas a pessoa com desenvolvimento atípico quem necessita de tratamento e sim a sociedade como um todo, pois reitero, não basta que o indivíduo atípico se adeque e sim que toda a comunidade se ajuste às várias maneiras de existir e a todas as configurações cerebrais.

Claro que com isso não estou dizendo que leis e políticas de inclusão não são importantes.

Mais do que isso, são muito úteis e necessárias pois são o caminho para esse fim que busca o movimento da neurodiversidade e são instrumentos de equidade. Também, essa abordagem não é excludente, e sim complementar ao modelo médico, pois a medicina atua atrelada aos conhecimentos científicos e baseada em evidências contribuindo para um desenvolvimento pleno.

Exemplificando e trazendo para o mundo real o porquê de tamanha importância de todo esse conceito, podemos observar alguns dados recentes divulgados em estudos científicos e pesquisas.

Dados mostram que quase 85% das pessoas autistas estão fora do mercado de trabalho, mesmo tendo potencial para desenvolver um ótimo trabalho nas mais diversas áreas.

Publicado na prestigiada revista Lancet Psychiatry em 2014, por Segers e Rawana, um estudo realizado com autistas mostrou que 66% dos participantes relataram pensar em suicídio e que 35% destes, tentaram ao menos uma vez no passado, suicidar-se. Um outro estudo publicado em 2017 por duas pesquisadoras do Reino Unido, Sarah Cassidy e Jacqui Rodgers, mostra que dados preliminares acerca do tema suicídio no TEA são alarmantes. Hirvikoski e colaboradores corroboram esses fatos em outro estudo reportando o suicídio como uma das principais causas de morte prematura em pessoas autistas.

Mas por que essa incidência tão grande no TEA? Uma revisão realizada por Richa e colaboradores em 2014 mostrou os principais fatores de risco em indivíduos autistas. São eles:

• Distúrbios de comportamento (comportamentos opositores, agressivos, explosivos e impulsivos).

• Sintomas depressivos (a depressão é uma das comorbidades mais presentes no autismo).

• Histórico como vítima de bullying.

• Histórico de abuso sexual (dados mostram que em pessoas com deficiência a incidência desse tipo de abuso é mais que o dobro que na população geral e que em autistas é ainda maior).

• Eventos de estresse emocional (comuns no autismo relacionados a eventos como mudança de rotina ou de rituais específicos por exemplo).

• Faixa etária (principalmente adolescência).

• Tendência ao isolamento físico e falta de possibilidade de interação com os pares da mesma idade.

Agora notem dentre os principais fatores que, nem tudo tem a ver com o TEA. Logo de cara podemos observar que o bullying, abuso sexual e faixa etária não são inerentes ao autismo sendo os dois primeiros relacionados a intolerância e maldade alheia, e o terceiro a um fator biológico. A tendência ao isolamento físico apesar de ser um dos principais déficits nos transtornos do espectro do autismo, não se dá apenas pela dificuldade do autista em socializar como também pela falta de aceitação das diferenças e muitas vezes pela insistência de que a pessoa atípica se comporte de maneira típica, algo que além dela não ser capaz, causa sofrimento pela frustração ao tentar e não conseguir.

Até mesmo os distúrbios de comportamento e os eventos estressores, que são diretamente relacionados ao autismo, não tem seus alicerces apenas baseados nisso, pois a agressividade, oposição e impulsividade podem ser abrandadas quando existe acesso universal as intervenções adequadas, o que não é uma realidade principalmente em países como o Brasil. Já as mudanças de rotina e rituais, que também são íntimas do TEA, têm a possibilidade de serem amenizadas com práticas de inclusão e adaptação melhores trabalhadas, tanto na escola quanto no mercado de trabalho, por exemplo.

Com tudo isso fica fácil entender porque a depressão, que também não é algo de dentro do autismo, está tão presente e como tudo isso culmina nessa alta taxa de mortes precoces por suicídio.

Por isso, não basta falar em neurodiversidade, é preciso praticar, é preciso aceitar! Incluir é um dever de todos e não apenas de políticas públicas e de instituições. Prédios e leis não incluem; pessoas incluem!

É preciso ouvir os autistas, promover a auto aceitação e o orgulho de ser como é, bem como a aceitação de todos. Não busque a cura e sim o cuidado. Promova o desenvolvimento das potencialidades e a atenuação das dificuldades, pois o mundo precisa dessa diversidade para que o ser humano continue a evoluir.

Introvertendo e O Mundo Autista liberam áudio reportagem sobre neurodiversidade

Tempo de Leitura: 2 minutos

Em comemoração ao Dia do Orgulho Autista, celebrado anualmente em todo 18 de junho, o podcast Introvertendo e o portal O Mundo Autista anunciaram o lançamento da áudio reportagem “Neurodiversidade”. Constituída de quatro partes, liberadas diariamente entre 15 a 18 de junho, o material incluiu entrevistas com autistas, profissionais, além de material documental sobre a neurodiversidade.

“A neurodiversidade (e o movimento político em torno dela) é um dos temas mais populares sobre o autismo na última década, mas eu nunca vi sendo discutida numa perspectiva brasileira. O nosso referencial é sempre estrangeiro e nós queríamos apresentar uma visão inédita em áudio”, contou o podcaster Tiago Abreu.

A reportagem foi construída por um dos apresentadores do podcast, o jornalista Tiago Abreu, em parceria com o jornalista Victor Mendonça, ambos autistas. Na ocasião, os jornalistas conversaram com ativistas autistas, consultaram vários livros e materiais sobre o movimento da neurodiversidade, o que resultou numa série de quatro episódios.

O último episódio da série, que trata sobre o Dia do Orgulho Autista, inclusive, também é um artigo escrito por Victor Mendonça que faz parte da edição nº 009 da Revista Autismo, disponibilizada este mês em formato físico e digital.

A ideia é que reportagens sejam lançadas de tempos em tempos no Introvertendo. “É um formato que queremos apresentar pelo menos uma vez a cada três meses, e o Victor já é um parceiro nesse trabalho jornalístico. Já temos planos de falar ainda este ano de temas como mercado de trabalho e religião no contexto da comunidade do autismo”, disse Tiago.

“Essa reportagem corrobora a minha ideia de que o jornalismo científico pode ser algo ao mesmo tempo interessante, esclarecedor, acessível e, em alguns momentos, até engraçado. Espero que os ouvintes se divirtam e aprendam tanto quanto eu e o Tiago durante esses quatro episódios”, afirmou Victor Mendonça.

A série “Neurodiversidade” pode ser ouvida em aplicativos de música e podcast como o Spotify, na playlist abaixo: