Posts

‘Não podemos relativizar nossos direitos’, diz Willian Chimura sobre vacinas para autistas

Tempo de Leitura: 2 minutosO ativista e youtuber Willian Chimura comentou a aplicação de vacinas em autistas no episódio 180 do podcast Introvertendo, cujo título é “Os Autistas Foram se Vacinar e Olha no que Deu”. Na ocasião, Chimura discutiu sobre casos de diferenciação entre autistas “leves”, “moderados” e “severos” no processo de vacinação contra a Covid-19 em municípios como Salvador, na Bahia.

“Eu vejo que esse caso de Salvador tá um pouco nebuloso da gente conseguir descriminar o o que realmente foi falado, como está sendo feito, se houve ou não discriminação nesse sentido. O que é plenamente possível de ser feito porém no meu entendimento leigo, é que o município poderia priorizar um grupo, por exemplo, de pessoas com deficiência com comorbidade, e aí essa comorbidade seria, por exemplo, deficiência intelectual, por exemplo, para priorizar ela, como aconteceu no caso da Síndrome de Down”, afirmou.

Em seguida, Willian completou. “O que não pode ser feito é: ‘vamos vacinar pessoas com deficiência’, chega lá na hora e se vacina todas as pessoas com deficiência exceto autismo leve, porque afinal de contas autismo, para todos os efeitos legais, de acordo com a Lei Berenice Piana, é uma condição de deficiência”, destacou.

Outros conflitos comuns no processo de vacinação se deram na avaliação de profissionais que a Síndrome de Asperger, por exemplo, não estaria enquadrada nos critérios de deficiência permanente. Sobre isso, Willian Chimura defendeu a importância de pessoas autistas terem um apoio de psiquiatras e outros profissionais para a emissão de laudos conforme a necessidade. Ele também criticou uma percepção opinativa de pessoas sobre quem tem direito a vacina ou não.

“A gente não pode relativizar o que é do nosso direito. Se vai vacinar pessoas com deficiência, temos que vacinar autistas. Por mais que no seu critério não mereceriam. ‘Ah, mas aí ele trabalha. Ai, mas ele estuda. Ah, mas ele tem uma vida independente’. Não importa. A gente não pode flexibilizar garantias de direito. Porque na medida que a gente começa a fazer isso, nenhuma lei, nenhuma política faz mais sentido de existir na sociedade. Então é extremamente importante a comunidade se mobilizar para que garanta sim o direito de vacinação, não importa o nível de prejuízo, comprometimento, grau, se tem ou não tem deficiência intelectual”, afirmou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Castbox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Willian Chimura: ‘Acho muito não empático pedir para que autistas tolerem capacitismo’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO ativista e youtuber Willian Chimura concedeu entrevista ao portal Autismo e Realidade em matéria publicada nesta quarta-feira (27). Na ocasião, Chimura comentou as reações de autistas consideradas extremas ou radicais pela internet frente a atos preconceituosos de figuras públicas.

“Seria muito não empático julgarmos essa pessoa por conta de uma reatividade mais agressiva frente uma situação de preconceito. Eu acho muito não empático pedir para que autistas tolerem preconceito, tolerem capacitismo. Até formular a própria frase soa errado por si só”, observou.

Apesar disso, ele considerou que a agressividade pode gerar efeitos negativos. “Aí fica agressão contra agressão e o produto final disso acaba não sendo tão benéfico”, afirmou. Para isso, Willian afirmou que pretende ter uma postura mais moderada. Isso não significa, segundo ele, que ações mais enérgicas de outros autistas não sejam necessárias.

“Entendo que o movimento como um todo, inevitavelmente, vai ser composto por uma parte de autistas, de ativistas que também vão reagir dessa forma mais agressiva e eu considero, sim, uma parcela importante. Acho que é só uma questão de ponderar. A gente não pode ser quase 100% agressivo e também não podem faltar formas mais incisivas de se cobrar mudanças, principalmente em situações que envolvem mudanças sociais importantes. Também vejo importância na história do ativismo e dos movimentos sociais em que reações ditas violentas, ditas agressivas, em algumas situações foram as atitudes necessárias para provocar mudanças importantes”, completou.

“É o mínimo”, afirma Willian Chimura sobre aceitação do autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoO pesquisador e youtuber Willian Chimura promoveu uma reflexão sobre o Dia Mundial da Conscientização do Autismo no 165º episódio do podcast Introvertendo – do qual é um dos integrantes. Sob o título “Dia Mundial do Autismo: Conscientização ou Aceitação”, o episódio foi conduzido pelo jornalista Tiago Abreu.

Na ocasião, Chimura comentou o fenômeno do ativismo autista que contesta o foco negativo do autismo no dia 2 de abril, para uma noção de que ao invés da conscientização, a aceitação fosse o principal objetivo. Para ele, “é o mínimo que a sociedade deveria ter, aceitar”.

“No meu entendimento, o objetivo de quem propaga essas mensagens é justamente o oposto, é justamente deixar muito claro que eles querem além do que só uma conscientização, que conscientização é o mínimo. A gente quer respeito, a gente quer interagir, a gente quer participar da sociedade, a gente quer serviços, enfim, tudo que envolve possibilitar uma melhor qualidade de vida”, argumentou.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Chimura fala do último dia da Síndrome de Asperger

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Por ocasião do Dia Internacional da Síndrome de Asperger, no último dia 18 de fevereiro de 2021, o youtuber Willian Chimura, que também é pesquisador e autista, fez um vídeo muito interessante sobre em 2021 termos tido “O último dia da Síndrome de Asperger”, designação que cairá em desuso nos diagnósticos a partir de 2022, quando entra em vigor o CID-11.

Em seu vídeo, Chimura, esclarece que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) passou a constar na nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a CID-11 (ICD-11 na sigla em inglês para International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems),lançada em junho de 2018 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que entra em vigor no próximo ano, a partir de 1º de janeiro de 2022 (leia nosso artigo com detalhes sobre o assunto).

DSM-5 e CID-11

O CID-11 seguiu a alteração feita em 2013 na nova versão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, o DSM-5 (na sigla em inglês para: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que reuniu todos os transtornos que estavam dentro do espectro do autismo num só diagnóstico: TEA — inclusive a Síndrome de Asperger.

Mais informações (em inglês) no site da OMS (http://www.who.int/health-topics/international-classification-of-diseases).

Veja as fontes citadas por Chimura em seu vídeo:

Vídeo de Wiliiam Chimura

https://youtu.be/YB_HjSa7KN4

(Publicado originalmente no Portal da Tismoo, em 19.fev.2021)

“Estamos sendo negligenciados”, diz Willian Chimura a Danilo Gentili

Tempo de Leitura: 2 minutos

O youtuber e pesquisador Willian Chimura, diagnosticado com autismo, participou do programa The Noite, exibido pelo SBT e apresentado por Danilo Gentili em edição exibida nesta terça-feira (29). Na ocasião, Willian foi convidado no contexto de polêmicas envolvendo o humorista Léo Lins e os desdobramentos causados dentro da comunidade do autismo.

Chimura falou sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), desde o ponto de vista profissional, social e educacional. Em suas falas, destacou uma invisibilidade de adultos que, na sua visão, ainda é pouco discutida no Brasil e que estaria diretamente relacionada ao descontentamento de autistas e seus familiares com as declarações de Léo Lins.

“Nós estamos sendo negligenciados muitas vezes, e em certas situações pode ser difícil, na perspectiva de quem não vivencia o transtorno, de se entender algumas coisas. As pessoas que estão historicamente, em todo contexto, tendo os seus apoios e os seus suportes negligenciados, quando a gente tem a oportunidade, finalmente, de se posicionar em alguma coisa, a gente se posiciona”, disse.

Willian também explicou a diferença entre “comunidade do autismo” e “comunidade autista”, afirmou que, pela sua perspectiva, autismo não deve ser classificado enquanto doença e também chegou a dizer que não se identifica com um ativismo pautado, segundo ele, por atitudes punitivistas.

“Tem uma corrente do ativismo que é baseada em punição, por exemplo, que não é uma corrente que eu corroboro tanto. Por outro lado, eu vejo a necessidade de falar que não é simplesmente uma questão de tolerar, levar na boa. E eu me posiciono neste sentido”, destacou.

A participação de Willian Chimura no The Noite com Danilo Gentili foi a primeira vez que uma pessoa autista esteve sozinha num programa de televisão de alcance nacional. Outros autistas já apareceram em programas relevantes na televisão, mas sempre acompanhados de especialistas ou familiares.

Willian Chimura estreou seu canal no YouTube em fevereiro de 2019 e, em cerca de um ano de atividade, alcançou mais de 100 mil inscritos. Atualmente, seu canal é o maior de um autista na plataforma e um dos maiores feitos por uma pessoa com deficiência, com 168 mil inscritos. Além disso, Chimura também é membro do podcast Introvertendo.

A entrevista completa pode ser assistida abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ipqzYxrUSXM

“Todo mundo responsável entende as consequências do vírus”, diz Willian Chimura

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O pesquisador e youtuber Willian Chimura participou do 106º episódio do podcast Introvertendo, lançado nesta sexta-feira (5), cujo título é Saúde Mental na Pandemia. Apresentado por Tiago Abreu e com a presença de Luca Nolasco, o episódio centra-se nas discussões em torno da pandemia de COVID-19 dentro da comunidade do autismo.

Na ocasião, Willian Chimura traçou uma reflexão sobre a importância de tratamentos e atendimentos profissionais para autistas. “Quando a gente tá falando sobre autismo, a gente não está falando apenas de um serviço que tudo bem continuar depois. Você está perdendo um tempo de desenvolvimento que pode ser valioso pra pessoa”, afirmou.

Além disso, ele também avaliou algumas decisões do Governo Federal. “Todo mundo responsável entende as consequências do vírus e não podemos considerar apenas como uma ‘gripezinha’, mas ao mesmo tempo, quando você tem, por exemplo, decisões como já foram tomadas agora no sentido de abrir academias, manicure e outros estabelecimentos, eu começo a questionar: ‘Poxa, isso é serviço essencial mas uma terapia não é?'”, perguntou.

A discussão também inclui questões comuns em autistas adultos, incluindo comorbidades como depressão e ansiedade, construção de rotinas, procrastinação, interações sociais, acompanhamento médico, uso de medicações e o isolamento social.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.