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Policial que agrediu autista é condenado a pagar indenização

Policial que agrediu autista no Reino Unido é condenado a pagar indenização

Tempo de Leitura: < 1 minutoEm janeiro de 2020, um vídeo de um policial agredindo um autista de 10 anos numa escola para pessoas com deficiência do Reino Unido viralizou. Em agosto deste ano, Christopher Cruise, de 57 anos, participou de uma audiência disciplinar e foi multado e condenado a pagar taxas de multa e indenização pela atitude.

De acordo com a revista Crescer, a família não ficou satisfeita com a decisão e acreditam que a punição deveria ser maior. “Acho que ele deveria ter sido preso. A sentença dele foi tão branda. Ele é um valentão, isso é tudo que ele é, apenas um valentão”, afirmou um parente.

Escola ideal para autistas existe?

Tempo de Leitura: 2 minutosAvaliamos 5 pontos essenciais para que o aluno com autismo possa ter a melhor experiência no ambiente escolar

A escola é um ambiente essencial para qualquer aluno se desenvolver. No caso daqueles que estão no espectro do autismo, esse local é essencial para adquirir habilidades, interagir socialmente e também aprender o conteúdo didático. 

No entanto, uma escola ideal para pessoas com autismo precisa de algumas adaptações para fazer com que esse momento seja produtivo e eficaz para a pessoa no TEA. Nesse artigo, separamos quatro tópicos essenciais que tornam a escola um excelente ambiente para autistas. Veja a seguir: 

Adaptar materiais escolares e conteúdos

Todo mundo tem a capacidade de aprender, inclusive quem está no espectro do autismo. No entanto, nesses casos o aprendizado acontece de uma forma diferente e, por isso, é preciso que os materiais e conteúdos didáticos sejam adaptados de acordo com a necessidade do aluno. 

Normalmente, essa adaptação de materiais é feita por um profissional capacitado e que acompanha o aluno em cada uma das etapas de aprendizado. Ele também vem a seguir, pois sua presença é essencial para pessoas com autismo na escola.

Ter um professor de educação inclusiva especialista em TEA

Além do professor, alguns alunos com autismo podem precisar também do apoio de um professor de educação inclusiva que o acompanha na sala de aula. Esse profissional deve ser especialista em TEA e ter conhecimento do histórico escolar e das dificuldades do aluno, pois só assim será possível auxiliá-lo no aprendizado. 

O professor de educação inclusiva também é responsável pela criação do PEI, um importante instrumento de avaliação do aluno no TEA que explicamos a seguir. 

Ter um Plano Educacional Individualizado do aluno

Conforme explicado anteriormente, o Plano Educacional Individualizado (ou PEI) do aluno é feito pelo professor de educação inclusiva, junto a outros profissionais da pedagogia e até a família do aluno, se for preciso. 

A ideia desse documento é entender o repertório do aluno, suas dificuldades e, assim, criar um instrumento que proponha o planejamento e acompanhamento do aluno durante o ano letivo. 

Entender e respeitar a diferente forma de pensar e agir do aluno com autismo 

Muitas vezes, pessoas com autismo relatam a dificuldade em conseguir focar em um tópico por muito tempo. Por isso, pode ser preciso que o aluno saia da sala de aula para descansar um pouco a mente e, em seguida, retornar quando se sentir melhor. 

Em alguns casos, o ambiente escolar pode incluir, também, uma sala sensorial. Este local é protegido e com riscos controlados que vão ajudar na regulação emocional e deixar o aluno mais confortável em retornar à aula. 

Promover a inclusão do aluno com autismo nas atividades extracurriculares

Além de ser um ambiente de aprendizado, a escola é também um dos principais locais no qual o autista terá a oportunidade de socializar com pessoas da mesma idade e transpor algumas barreira da interação social. 

Por esse motivo, é essencial que a escola esteja disposta a incluir o estudante no espectro nas atividade extracurriculares, ou seja, festas fora do turno da aula, atividades como apresentações de dança, tarefas em grupos etc. 

(Academia do Autismo)

Estudante autista barrada na USP ganha bolsa nos Estados Unidos

Tempo de Leitura: < 1 minutoElisa Fremer, estudante autista de 17 anos que ficou conhecida recentemente por não poder cursar Engenharia civil na Universidade de São Paulo (USP) após ter obtido a quinta melhor nota do processo seletivo da Fuvest, recebeu uma bolsa de estudos na StartSe University, localizada em San Francisco, nos Estados Unidos.

Uma das polêmicas em torno de Elisa foi o fato de ter desenvolvido seus estudos em casa. Por adotar o homeschooling, a estudante não tinha certificado de conclusão do ensino médio. Além disso, é diagnosticada com autismo.

Junior Borneli, CEO da StartSe, destacou que a bolsa também cobre seus gastos no exterior. “Nós, da StartSe, acreditamos que não são os diplomas que definem nossas habilidades, mas sim o conhecimento que se adquire. Por isso, decidimos acompanhar a Elisa no seu desenvolvimento”, afirmou.

Autistas relembram aulas de educação física em podcast

Tempo de Leitura: 2 minutos

O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, lançou nesta sexta-feira (18) o seu 133º episódio, chamado “Autismo e Atividades Físicas”. O conteúdo foi conduzido pela podcaster e engenheira Thaís Mösken, que é autista, e contou com as participações do jornalista Tiago Abreu e da estudante de Arquitetura Carol Cardoso, também autistas.

Segundo a equipe do podcast, o episódio surgiu como intenção de relembrar as aulas de educação física no período escolar e como se exercitam nos dias de hoje. Além disso, também foram abordados conceitos como psicomotricidade, diferenças entre atividades esportivas e lúdicas, e questões de gênero nas socializações das aulas.

“Todas as minhas memórias [das aulas de educação física] são ruins e tudo aquilo me parecia muito desagradável. A forma como isso era imposto é algo que até hoje me traz algumas dificuldades para lembrar com tranquilidade”, disse Thaís, responsável pela apresentação do episódio.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Mudanças de formação e reportagem

Nas últimas semanas, o Introvertendo publicou uma reportagem sobre autismo e religião, chamada “Fé no Espectro”, que é capa da nova edição da Revista Autismo. O conteúdo foi conduzido por Tiago Abreu, um dos apresentadores do podcast, juntamente com o jornalista Victor Mendonça, um dos responsáveis pelo portal O Mundo Autista.

Ao fim da reportagem, o podcast publicou o episódio “Autistas Ex-Evangélicos“. O tema foi o último do Introvertendo com a participação de Marcos Carnielo Neto, um dos fundadores do projeto. Na última segunda-feira (14), foi anunciada nas páginas do podcast a saída de Marcos. Os motivos, segundo a equipe, são dificuldades de gravação intensificadas pela pandemia.

“Foi muito difícil abrir mão do Marcos, mas chegamos a essa conclusão amigavelmente. Ele não gravava com a gente desde novembro de 2019 e, no mês que vem, vai embora para a Inglaterra. Então teremos que seguir cada um o seu caminho. Mas somos todos muito amigos”, disse Tiago Abreu.

Em sua homenagem, a equipe lançou o episódio 132, chamado “Valeu, Marcos!“, com depoimentos dos outros quatro fundadores do podcast, Luca Nolasco, Michael Ulian, Otavio Crosara e Tiago Abreu. Segundo Abreu, não serão acrescentados novos integrantes. “Já somos uma equipe imensa e o Marcos é insubstituível. Podemos até trazer alguma pessoa nova algum dia, mas definitivamente não será por agora”, concluiu.

Autistas na mira do bullying escolar — Revista Autismo

Autistas na mira do bullying escolar

Tempo de Leitura: 3 minutos

Ações devem ser contínuas e alcançar toda a comunidade escolar, inclusive os familiares dos alunos

O bullying

Da década de 1980 para cá, o bullying assumiu maior projeção no cenário global e surgiu a necessidade de elaboração de uma norma brasileira que dispusesse sobre o assunto. Em fevereiro de 2016, entrou em vigor a Lei nº 13.185/2015 (Lei de Combate à Intimidação Sistemática), que conceituou a intimidação sistemática, ou bullying como sendo “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.

Em razão do aparecimento de novos formatos, tal lei dispôs que existem oito tipos de bullying, a saber: verbal, moral, sexual, social, psicológico, físico, material e virtual.

Veja-se que o bullying assumiu uma dimensão complexa e tal lei veio dispor sobre o acometimento junto, principalmente, às escolas.

Mais tarde, a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) para estabelecer que as escolas devem “promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying)” e “estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz”.

Desta forma, resta indiscutível que a escola possui responsabilidade sobre o bullying ocorrido em seu espaço físico oferecido como educacional e deve criar medidas preventivas para o que se pode denominar “um dos maiores males do século”.

O Autista

O autista, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA), é pessoa com deficiência para todos os fins legais. Portanto, todas as normas que amparam as pessoas com deficiência, também acodem este público cuja condição é tão peculiar, dada sua diversidade no espectro. Os graus de autismo podem estar distantes entre si, mas todos com suas distintas necessidades para que o autista seja incluído na sociedade da forma adequada e alicerçada no respeito às particularidades que o espectro proporciona em cada indivíduo nesta condição.

Essas peculiaridades tornam o autista a vítima perfeita para o bullying, em especial no ambiente escolar, local que frequenta e passa tempo substancial do dia.

Ocorre que, em razão de sua hipersensibilidade sensorial e da forma como enxerga (ou sente) o mundo, o autista, em regra, não é dado a convenções sociais e, por vezes, suas ações destoam daquelas esperadas pelos neurotípicos (não autistas).  É comum que os autistas tenham estereotipias, ou seja, ações gestuais, como por exemplo: balançar as mãos (flapping), movimentar-se de um lado para o outro (“pendular”) e gostar de girar (a si ou a um objeto). Além disso, a maioria deles não costuma (há exceções) entender metáforas e possuem uma grande dificuldade em compreender o que é abstrato.

Com essas características, dentre outras várias (tendo em vista a diversidade do espectro), o autista se destaca no meio acadêmico de modo a ser uma fácil vítima de bullying, justamente por não se enquadrar nas convenções sociais, ou mesmo nas brincadeiras dos colegas.

O Combate

As ações devem ser contínuas, bem como devem alcançar toda a comunidade escolar, de modo a envolver, inclusive, os familiares dos alunos.

Conseguir prevenir o bullying é um desafio para todas as escolas e combatê-lo se faz necessário na medida em que crianças e adolescentes autistas podem ter suas vidas afetadas pela violência e por consequentes traumas.

Não é simples conseguir fazer com que os alunos se interessem e se candidatem a elos de uma corrente “anti-bullying”. No entanto, com as orientações corretas e o incentivo da escola, é possível que muitos alunos possam contribuir e detectar possíveis vítimas autistas, bem como descobrir se um colega nesta condição está prestes a se tornar uma.

É necessário convencer os gestores escolares da importância de imprimir ações que vão ao encontro das Leis nº 13.185/2015 e nº 13.663/2018, bem como é preciso conseguir sensibilizar toda a comunidade escolar sobre a  importância do combate ao bullying.

Por isso, uma forma de combate é incitar os gestores a providenciar palestras e atividades pedagógicas que façam os alunos e familiares refletirem sobre as consequências do bullying, inclusive nos âmbitos criminal e civil.

Com relação ao aluno autista, que é uma potencial vítima aos oito tipos de bullying, há que se destacar a interferência do Poder Judiciário. Existem jurisprudências (julgados) que condenam os agressores ou seus responsáveis legais a pagar indenização por danos morais às vítimas (lembrando que a escola e a administração pública também podem ser acionadas). Desde que existam as provas necessárias, dificilmente a vítima perderia uma ação judicial neste sentido.

Além disso, importante destacar que existe um liame muito tênue entre o bullying e alguns crimes tipificados no Código Penal, sendo que cada caso deve ser analisado à luz das fontes de direito que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe.

Assim, com a sensibilização da comunidade escolar, inclusive dos familiares dos alunos, será possível diminuir e até mesmo extinguir as intimidações sistemáticas dentro da escola e evitar ações judiciais.