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Rede de Estudantes pela Inclusão — Canal Autismo / Revista Autismo

Alunos apresentam ações de inclusão em SP

Tempo de Leitura: 3 minutos

Rede de Estudantes pela Inclusão, do Instituto ComViver e SMPD de São Paulo, iniciou-se em fevereiro de 2022

Em 21 de junho de 2022, o projeto Rede de Estudantes pela Inclusão, realizado pelo Instituto ComViver e a SMPD, recebe a todos e aos gestores das escolas envolvidas no projeto para a apresentação de ações de inclusão realizadas pelos alunos que participaram do projeto.

O projeto foi selecionado por edital da SMPD e teve início em fevereiro de 2022 com alunos de escolas públicas e privadas de 15 a 18 anos. O objetivo maior era mobilizar alunos para organizarem ações inclusivas dentro das suas escolas e despertarem os jovens para o tema da acessibilidade. Foram encontros quinzenais de uma hora e meia cada, com conversa, apresentações de materiais sobre Inclusão, acessibilidade e marcos legais dirigidos pela equipe de psicólogos Leonardo Golodne, Ilana Joveleviths, Renata Chican, além de mim — e contanto ainda com a colaboração de Giovana Bertolini na ação junto às redes sociais.

Alunos da EMEF Julio Mesquita montaram uma peça de teatro sobre situações que as pessoas com deficiência vivem no seu dia a dia, como o capacitismo e falta de acessibilidade. Focaram um público mais novo da escola para que o impacto pudesse ser reproduzido para os anos posteriores. Apresentavam uma situação de exclusão, davam uma pausa e discutiam com as salas as diversas formas para incluir a pessoa representada. Então, uma nova cena, desta vez de inclusão, nascia da reflexão com os alunos.

O gestor do colégio relata que todo o trabalho foi dos alunos e que os alunos com deficiência protagonizaram depoimentos sobre como os exemplos os afetaram e como poderia de fato haver mudanças. Segundo Rodrigo Tsuzuki, a ação demonstra ser potente para mudanças. “Aprendemos nos encontros sobre os direitos das pessoas com deficiência e a forma correta de tratar as pessoas”, afirmou.

A apresentação dos trabalhos foi mediada e comentada pela educadora Maria da Paz Castro, Gunga. Ela ressalta a importância de cada ação, como uma semente que possa gerar frutos para a inclusão.

Os alunos do Colégio Gracinha apresentaram seus slides do projeto: formar um coletivo da inclusão. Apresentaram em todas as salas e anos do Fund II e Ensino Médio. A ideia do grupo é tratar o quanto mesmo sendo uma escola inclusiva e acolhedora, como há desafios a serem vencidos no dia a dia para uma verdadeira acessibilidade. O objetivo foi “furar” bolhas e oferecer espaço para que todos possam ser vistos e ouvidos. Utilizaram o curta Loui’s Shoes para sensibilizar os colegas.

“Estou muito triste com o fim do projeto. Aprendi muito e coloquei esse aprendizado no meu dia a dia”, disse Lígia Mori, gestora do Colegio Gracinha, que parabenizou os alunos para o desafio da construção de um espaço inclusivo e democrático como o Coletivo.

Wagner Borja, diretor, diz que ver os alunos tomando a frente para um projeto maior com questões complexas e difíceis, não é qualquer coisa. “Inclusão é para todos. Obrigada ao pessoal da Rede, trabalho de gente grande”, acrescentou.

Alunos do EMEF Educandário Dom Duarte fizeram uma pesquisa sobre a interação dos alunos típicos e dos alunos com deficiência buscando identificar as maiores dificuldades. Nas salas com maior dificuldade de interação, apresentaram partes da série Atypical e do curta Cordas. A equipe ainda trouxe para perto, alguns alunos com deficiência e ofereceram participação nas ações que realizaram.

A EMEF Brigadeiro Correia de Mello realizou a gravação de um episódio de podcast sobre inclusão, entrevistando uma professora especialista no assunto. O episódio foi reproduzido pela rádio da escola e todos puderam ouvir. Foi um trabalho de “um homem só” e teve por objetivo atingir o maior número de pessoas possível. Os jovens emocionaram pela seriedade com que se envolveram e desenvolveram suas ações.

O projeto foi inspirado no Jovem Solidário — uma iniciativa minha (Paula Ayub) e da Helena Maffei Cruz —, sendo um dos projetos que participam do ESA (Empreendedorismo Social com foco no Autismo), da Revista Autismo. Esperamos inspirar mais e mais pessoas para a acessibilidade e inclusão da diversidade.

“Ouvir jovens falando dessa luta é outro nível de inclusão.”

Maria Amélia – Instituto ComViver

Para que serve a escola? Qual a função de um professor?

Tempo de Leitura: 5 minutos

Por Fábio Cordeiro

Presidente da ONDA-Autismo
Essas são perguntas que me faço cada vez que penso em inclusão e no processo de aprendizado, principalmente quando se trata de alguém que não esteja dentro dos padrões que a nossa sociedade impõe como modelo de normalidade.
A escola deveria ser um ambiente de aprendizado. O professor deveria ser um guia para esse processo do aprender. Mas, por muito tempo e ainda hoje, deturpamos o real sentido do que é importante aprender. Pior ainda, resolvemos quantificar em forma de escalas se alguém aprendeu algo e fazemos juízo de valor sobre esse aprendizado qualificando, de 0 a 10, para definir se o aluno aprendeu ou não.
Aluno bom é aquele que tira nota alta! Esse tem o mérito de seguir adiante, de passar para a próxima fase. E as fases esqueceram o crescimento intelectual, cognitivo, moral, esqueceram o crescimento interior onde se aprende a viver entre os pares. As fases ignoram os intelectos e supervalorizam as notas.
O ensino, ao invés de ser algo que apresenta aos alunos novos conhecimentos e desafios que os incita a evoluir, neurofisiologicamente falando, tornou-se algo que busca apenas um número para dizer se alguém é bom ou não.
Como exemplo disso, vamos pensar juntos aqui, quantos de nós hoje na vida adulta lembramos da fórmula de Bhaskara? Quantos aqui são capazes de explicar uma ligação covalente? Para não ficar só nesse campo, desafio a pensarmos quantos aqui são capazes de realizar uma análise morfológica de uma expressão?
Aposto que os que conseguem responder afirmativamente as perguntas acima são apenas as pessoas que decidiram trabalhar nas determinadas áreas em questão. Ainda assim, muito provavelmente, se consegue responder uma delas, não tem tanto sucesso assim nas outras por serem de áreas diferentes. Indo mais longe, ouso arriscar que, mesmo para quem consegue lembrar-se de alguma dessas questões, deve-se ao fato de que o assunto foi revisitado em sua graduação, e não porque lembra do que lhe foi apresentado no ensino regular.
E aonde quero chegar com isso? Apenas quero mostrar que é importante sim que tenhamos sido apresentados a essas questões durante os anos letivos. Porém, não para tirar uma nota boa, mas sim para que, naquele momento do nosso desenvolvimento, nosso cérebro seja desafiado a trabalhar de forma que nosso cognitivo avance e alcancemos nosso máximo potencial neurológico.
Não é para saber Bhaskara que nos ensinam a fórmula, mas sim porque, naquela fase do desenvolvimento, são aquelas habilidades que precisamos desenvolver, e isso se dá através do desafio que aquela atividade propõe ao nosso cérebro. Não tem nada a ver com nota de 0 a 10. Tem a ver com a fase de desenvolvimento que estamos a seguir naquele momento.
Imaginem, por exemplo, outra fase de nossas vidas, um pouco antes dessa quando somos apresentados às ligações covalentes ou às fórmulas de Física. Quando um aluno está nos primeiros anos da sua vida escolar e a atividade é fazer um recorte de um desenho e uma colagem… Naquele momento, fica até ridículo pensar que alguém daria nota 10 ou nota 5 para aquele recorte. É fácil de entender que o que importa naquele momento é que o aluno ganhe habilidades, que desenvolva, ao usar uma tesoura, sua coordenação motora fina, para que mais adiante possa segurar um lápis com destreza para executar movimentos de escrita.
Então, como nos outros exemplos, na vida adulta, não é necessário que você tenha sido o melhor recortador para que tenha êxito no seu desenvolvimento. Basta que tenha sido exposto àquilo e que tenha sido útil para seguir à fase adiante. O recorte “nota 10” não é melhor que o recorte “nota 5”; desde que o segundo tenha alcançado seu máximo potencial, o objetivo foi alcançado.
E tem a ver com isso, com desenvolver o seu potencial. E aí, todos são diferentes. Alguém pode ser um ótimo físico, um ótimo matemático, médico ou engenheiro, outro pode ser o melhor cozinheiro, ou o melhor pintor, músico, cabeleireiro ou mecânico. E todos esses papéis são importantes em nossa sociedade. O problema é que essa sociedade, nossas escolas, punem esse segundo grupo, como se fossem menos dos que os nota 10. E o ser humano não é uma nota. Não é um número que define se alguém é bom ou ruim, ou pelo menos não deveria ser. Com certeza, não deveriam ser os professores esses que pensam que a nota é o que importa. Mas são!
Meu filho é adolescente e está no Ensino Médio. Ele, já há algum tempo, não acompanha essas fórmulas matemáticas, não entende por que tantas letras nas contas e não apenas números. Ele não sabe a fórmula de Bhaskara. Durante o ensino fundamental, ele foi exposto a todas essas questões e teve seu desenvolvimento intelectual, na mesma medida em que seus pares, estabelecido ao ponto a que eram propostos esses desafios.
Ele não tinha notas boas, mas os professores entenderam que aquele aluno acompanhava o intelecto propício para seguir em frente e assim o aprovavam para a próxima fase.
Ele evoluiu. Ele é muito inteligente, muito! E ele não sabe a fórmula de Bhaskara. Isso não importa, ele quer ser chefe de cozinha. Para ser mais exato, isso não deveria importar, mas sempre tem a questão das notas. Aposto que ele pode ser um dos melhores chefes de cozinha do mundo. Ele é muito inteligente, não deve nada aos pares da mesma idade.
Porém, sempre tem a questão das notas! Agora, no Ensino Médio, lhe falta a base para fazer cálculos complexos que exigiriam aquelas fórmulas que ele não trouxe lá de trás. Ele não vai ter notas boas. Porém, ele trouxe muito mais coisas lá de trás. Essas realmente importantes que são o pilar para uma vida digna.
Ele trouxe a força de sempre ser visto como alguém que está aquém do que a cor no número do boletim exigia, mas que seguia em frente. Ele trouxe uma compreensão da vida que poucos de sua idade têm. Ele trouxe uma maneira diferente de fazer as coisas: sempre vê um lado bom mesmo nos momentos mais difíceis e eu duvido que alguém que converse com ele e que se proponha a conhecê-lo, sem olhar antes para uma nota num boletim, tenha a capacidade de dizer que ele não é inteligente e que não deveria estar na série escolar em que está.
Se fosse apenas por notas, talvez ele ainda estivesse na sexta série. Mas e que ganho ele teria em perder a chance de estar com seus pares da mesma idade e se desenvolver como cidadão? Que ganho teria a sociedade em, ao não reconhecer que um indivíduo não é apenas uma nota, podar as aspirações desse aluno quando qualquer professor que se propor a conhecê-lo mais a fundo vai perceber que ele é tão ou mais capaz que aquele outro aluno nota 10?
Mas agora, como eu já disse, meu filho está no Ensino Médio. Essa semana, ao conversar com os professores dele numa reunião que marquei porque ele está muito preocupado com suas notas que não são boas, ao explicar todas essas questões de que ele não acompanha bem os conteúdos acadêmicos desde o Ensino Fundamental, mas que seu intelecto vai muito bem em relação aos pares da mesma idade, ao deixar claro que, nos anos letivos anteriores, ele sempre seguiu adiante, pois a perda seria muito maior em relação ao seu desenvolvimento se ele ficasse retido na mesma série do que simplesmente o contexto acadêmico demandava, a reposta que eu tive foi avassaladora.
“Os professores aqui não vão dar nota!”
Em nenhum momento eu pedi nota. Eu pedi foi para que ele pudesse seguir adiante. Pedi para que vissem que ele é capaz independentemente de nota. Pedi para ele ter a chance de terminar o Ensino Médio e fazer a faculdade de Gastronomia. Ele está no primeiro ano do Ensino Médio e reprovar não fará com que ele resgate toda a bagagem de fórmulas e análises que ele não pegou lá no Ensino Fundamental. Reprová-lo só vai punir. E ensino não deveria ser punição. Para que serve a escola? Qual a função do professor? Punir?
“Alguns professores são mais compreensivos, outros não.”
Essa foi outra afirmação que ouvi naquele dia. Inclusão não deveria depender de compreensão. Inclusão deveria ser uma regra, e não a exceção.
Meu filho é autista. Ele não aprende da mesma maneira que outras pessoas talvez aprendam. Ele é inteligente! Ele é muito inteligente! Ele não sabe a fórmula de Bhaskara!

Vereadores de Araçatuba aprovam lei que substitui sirene de escolas para autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Câmara de Vereadores de Araçatuba aprovou nesta quarta-feira (2) um projeto de lei que determina a substituição de sinais sonoros de escolas públicas e privadas. A ideia é que sejam trocados por sirenes mais suaves como medida de acessibilidade para autistas que tem hipersensibilidade auditiva.

O texto foi proposto pelo vereador Coronel Guimarães (PSL-SP) e passou por algumas modificações para que a substituição não fosse imediata e, sim, progressiva, à medida que fosse necessário. Ele defendeu a medida. “As pessoas não entendem a questão do autismo, tem tratado com pouco caso, mas é uma questão séria. O número de autistas é grande e requer cuidado”, disse ele em entrevista ao Hoje Mais.

Durante a mesma sessão, um adolescente autista de 17 anos foi homenageado pela Câmara por ter sido aprovado no curso de Medicina na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ele cursou o ensino médio numa escola técnica de Araçatuba.

Trecho sobre vida escolar do e-book gratuito TEAcolher, de Fátima de Kwant

Tempo de Leitura: 5 minutos

Por ONDA-Autismo

Sobre a vida escolar

Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes. 

(Paulo Freire)

 

Quais dicas de como escolher uma escola? 

⁃ Sobre opções educacionais: Regular sempre que possível; Especial, se necessário, porém, com a intenção de voltar para a escola regular quando possível;

⁃ Sobre objetivos educacionais de acordo com a cognição que o autista apresenta no momento (não o que ele DEVE aprender, mas, o que ele PODE aprender nessa fase em que se encontra);

⁃ A importância do PEI (Planejamento Educacional Individual). Solicitar o PEI e demais adaptações escolares;

⁃ A importância do diálogo da família com a escola em benefício da criança.

Qual escola é melhor para meu(minha) filho(a)? O melhor tipo de escola é aquele em que seu filho aprenderá. A inclusão é para todos e seu (sua) filho (a) tem direito de estar na escola que você eleger. Pense no que é melhor para ele (ela), no momento. Se a inclusão na escola regular estiver difícil, ou você achar que seu (sua) filho (a) sofre, pode ser que ele (ela) se beneficie da Educação Especializada, temporariamente, até conseguir acompanhar o ensino regular.

Peça ajuda para os profissionais que o (a) acompanham e, caso decidam pela educação especial, solicite que façam um laudo justificando a necessidade de uma escola especial, isso vai ajudar muito na solicitação dessa vaga junto à Secretaria de Educação da sua cidade.

A decisão sempre cabe aos pais, em benefício da criança.

Como informar à escola sobre o TEA? A opção em revelar o autismo de seu filho é individual. A vantagem de informar sobre o autismo é que a escola estará advertida e poderá cooperar quando houver dificuldades de a criança acompanhar o ritmo dos colegas. Quando a escola tem ciência sobre o autismo do aluno, ele terá direito a uma avaliação diferenciada, de acordo com a capacidades e desenvolvimento individual. 

Os pais podem pedir aos professores e à direção que não revelem aos colegas e a outros pais que seu filho é autista.

A desvantagem de não informar sobre o autismo do seu filho é que ele não poderá usufruir de direitos, como professor (a) auxiliar, provas adaptadas, material alternativo, entre outros.

Como explicar o autismo para outras crianças? É muito importante explicar o autismo para todas as crianças de forma descomplicada, especialmente aquelas que convivem com um autista. Elas precisam compreender que o (a) colega com autismo tem um jeito diferente de se comunicar, de se relacionar, de brincar, de superar seus desafios, e que todos nós somos diferentes e temos algo a aprender e a ensinar. 

O que faz o professor auxiliar? O professor auxiliar é um direito das pessoas com autismo que necessitarem desse profissional. Ele é chamado para assistir a criança autista na sala de aula regular, sempre que for necessário compreender o material apresentado pela professora, as tarefas, as atividades a serem feitas e nas interações sociais com outras crianças. É muito importante entender que, de acordo com a Lei 12.764/12, esse profissional deve ser especializado, isto é, deve entender de autismo. 

Uma grande lacuna da lei é não dizer qual o tipo de especialização que esse profissional precisa ter. Normalmente são estagiários de pedagogia, psicologia, fonoaudiologia.

 

O que faz o assistente terapêutico (AT)? É o que aplica a terapia na criança sob supervisão do terapeuta responsável, normalmente um psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou analista do comportamento. 

Esse profissional pode ser um estagiário em psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, enfermagem ou mesmo pessoas que já tenham passado por algum tipo de treinamento.

O que faz o cuidador?  É aquele que acompanha a criança e a auxilia nas atividades de vida diária – AVD: como se alimentar, trocar de roupa, fazer higiene pessoal, ir ao banheiro, etc. Esse profissional não precisa ter especialização em autismo, mas é importante que tenha experiência no cuidado com crianças. 

O que é Ensino Estruturado?[1] O uso dele possibilita desenvolver nos alunos a organização do pensamento e assim passar de forma bem clara os conceitos relativos aos que desejamos ensinar. A utilização de pistas visuais deixa bem claro aos alunos o que devem fazer, como devem fazer, quando começam e quando terminam a atividade.  Há alteração e melhora nos comportamentos inadequados; melhor dizendo, acontece a diminuição da frequência deles até sua possível extinção. A generalização do conteúdo é favorecida nos ambientes estruturados e com atividades nesse mesmo viés, em que o objetivo maior de qualquer professor, que é a aprendizagem, se torna mais facilitado.

  

Quais as vantagens do Ensino Estruturado? [2] Ele oferece autonomia. Isso se dá porque ele antecipa o que acontecerá, aumenta a compreensão do aluno sobre o ambiente ao seu redor e do que se espera dele, melhora a aprendizagem, organiza a realização das tarefas e melhora problemas comportamentais. Além do que já foi citado, podemos ver seus efeitos benéficos em relação à promoção da inclusão, de melhorar as habilidades sociais, tanto quanto aumentar a comunicação, a atenção, a motivação, etc.  

Um (a) aluno (a) com autismo deve ser avaliado de acordo com suas próprias potencialidades? Esse é um ponto muito delicado e individual. Para alguns, revisar a prova antes de receber para verificar se o enunciado foi entendido será suficiente; para outros, será preciso dicas visuais, ilustrações; outros precisarão de provas em local separado da turma; para outros, a prova oral será o ideal; enquanto outros somente trabalharão com um assunto parecido, mas de uma forma menos complexa. 

Cada pessoa com autismo tem direito à avalição e à nota em boletim, e suas potencialidades sempre serão avaliadas de acordo com o seu próprio desenvolvimento.

Como sabemos se é necessário ter material adaptado? Esse é mais um ponto extremamente individual. Muitas pessoas com autismo precisam ter materiais adaptados. Quem faz isso são laudos médicos e de profissionais como psicólogo (a) e fonoaudiólogo (a), pois ajudam a deixar claro sobre as necessidades específicas do aluno.  

 

Quem é o (a) responsável pela elaboração do material adaptado? A escola! Sem qualquer custo para o aluno ou sua família. Algumas escolas têm salas de recursos especiais, e os profissionais que trabalham ali fazem a adaptação do material. Em outros locais, isso é feito pelo professor auxiliar, sempre sob supervisão do professor regente da turma. O psicólogo, o fonoaudiólogo e o terapeuta ocupacional que acompanham a criança podem auxiliar a escola nesse processo, passando informações sobre as necessidades adaptativas, mas não é função deles preparar esse material. 

Qual a importância da parceria Família & Escola? Precisamos entender que pais e escola não estão em lados opostos numa batalha. Tanto um quanto o outro devem trabalhar em prol do desenvolvimento do autista. Pais, auxiliem os professores a entenderem, estimularem e ensinarem seus filhos. Os pais são as pessoas que mais entendem sobre como o aluno é motivado, animado e produtivo, mas muitas vezes não sabem como ensinar seus filhos. Professores têm as técnicas de ensino, sabem o que é esperado e têm estratégias para o ensino, mas muitas vezes não sabem o que motiva, o que anima e o que desregula seu aluno. Quando nós, pais, mostrarmos para a escola que estamos dispostos a uma parceria e não a uma disputa de poder ou de conhecimento, poderemos juntos otimizar o desenvolvimento e evolução do nosso filho, aluno da escola. 

 

[1] Por Claudia Coelho de Moraes. Professora; Pedagoga; Pós-graduada em Ensino Estruturado para TEA; Mestranda em Educação; Coordenadora do Instituto Ninho; Palestrante; Coautora do livro “Portfólio de Atividades para o Ensino Estruturado” e do livro “Autismo, O Transtorno do Implícito”; Membra do Conselho de Honra da REUNIDA; Membra Fundadora do AUTISUL e Membra do NAPNE IFRJ/Resende. @institutoninho @claudia.moraes.7330.

[2] Ibid.

‘Volta às aulas se aproximando, e mais um ano eu fico a meditar’

Tempo de Leitura: 2 minutosSerá que este ano as crianças irão respeitar as crianças com deficiência?

E acredite, esse tal respeito deveria ser ensinado em casa, e infelizmente temos pais que não fazem o menor esforço para educarem seus filhos ditos “normais” a respeitarem o coleguinha que tem algum tipo de deficiência, seja ela visível ou não.

O recado é para esses pais, os pais de crianças típicas (sem deficiência), então vamos lá responder:

— Será que, se fosse seu filho o motivo de exclusão, de piadinha na escola, você gostaria?

— Você gostaria que seu filho chegasse ao ponto de não querer ir mais para a escola porque o colega da escola faz bullying com ele?

— Você ficaria bem com seu filho sendo excluído na hora do recreio pelo fato de não conseguir iniciar um diálogo?
Pelo fato dele ter dificuldade de socializar?

— Você gostaria que seu filho não fosse convidado para a festinha do amiguinho pelo fato de ter uma deficiência que compromete o comportamento dele diante dos convidados?

— Você gostaria que seu filho não tivesse nenhum amigo para fazer os trabalhos em grupo?

Pais, eeei, acordem!
Não dá mais para tolerar esse tipo de preconceito e não fazer nada, deixarem que seus filhos ditos “normais” continuem tratando os nossos com deficiência de forma cruel.

Esse tipo de educação é de responsabilidade dos pais, e não somente da escola. É de dentro de casa que vem a educação, já dizia o ditado: “educação vem de berço”.

Pensem nisso, eduquem seus filhos para respeitarem a diferença, a conviverem com quem não tem voz, não tem pernas, a conviverem com os autistas. Ensinem! Não vai lhes custar nada, a não ser um diálogo entre vocês e seus filhos. E isso não dói, o que dói é continuarmos vendo o que nossos filhos sofrem dentro das escolas com tanto preconceito.

Policial que agrediu autista é condenado a pagar indenização

Policial que agrediu autista no Reino Unido é condenado a pagar indenização

Tempo de Leitura: < 1 minutoEm janeiro de 2020, um vídeo de um policial agredindo um autista de 10 anos numa escola para pessoas com deficiência do Reino Unido viralizou. Em agosto deste ano, Christopher Cruise, de 57 anos, participou de uma audiência disciplinar e foi multado e condenado a pagar taxas de multa e indenização pela atitude.

De acordo com a revista Crescer, a família não ficou satisfeita com a decisão e acreditam que a punição deveria ser maior. “Acho que ele deveria ter sido preso. A sentença dele foi tão branda. Ele é um valentão, isso é tudo que ele é, apenas um valentão”, afirmou um parente.

Voltando às aulas, a pergunta é: e os autistas? — Canal Autismo / Revista Autismo

Voltando às aulas, a pergunta é: e os autistas?

Tempo de Leitura: 2 minutosEm época de pandemia, ninguém será obrigado a voltar às aulas presenciais, portanto, é uma escolha dos pais enviarem, ou não, seus filhos. Caso tenha retirado o filho da escola, o responsável deverá matriculá-lo de volta, mesmo no caso de escola pública. 

Alunos com autismo não podem ter regras diferentes para voltar às aulas presenciais. Entretanto, pessoas com autismo não são obrigadas a usar a máscara na escola (o mesmo se aplica ao uso, em transporte, avião, supermercado, clínicas ou qualquer local público). O uso opcional da máscara está previsto na Lei 14019/2020, § 7º. Imprimir a lei e andar com ela pode facilitar, pois a maioria das pessoas a não conhece. Se todos os alunos retornam as aulas, impedir o autista por causa do autismo, ou porque ele não usa a máscara, é discriminação e não pode ser admitido. Vale lembrar, logicamente, que, apesar de ser um direito, não usar a máscara expõe a própria pessoa a grande risco e o melhor, segundo estudos científicos, para quem não consegue usar a máscara, é ficar em casa, isolado, durante a pandemia de Covid-19.

Com ou sem pandemia, os aspectos a seguir devem ser observados:

  1. não existe limite de aluno de inclusão por sala de aula;
  2. se houver vaga disponível na turma e horário desejado para matricular seu filho, negar por qualquer motivo é discriminação e não inaceitável;
  3. alunos com autismo têm direito a educação e avaliação individualizada. Isso significa que o aluno com autismo precisa ser ensinado e avaliado de acordo com as suas capacidades.
  4. alunos com autismo têm direito à adaptação de material sem custo adicional. Uma vez que nem sempre os alunos com autismo conseguem acompanhar os outros, utilizando o mesmo material didático, a adaptação do ensino e do material é responsabilidade da escola, sem qualquer custo adicional para os pais.
  5. alunos que não frequentam aulas presenciais, têm direito a aprender da mesma forma que os que frequentam.

Até que seja liberado o retorno às aulas em 100% das escolas, as aulas precisam ser híbridas, isto é, online e presencial, para que o ensino aconteça de fato.

  • alunos com autismo que necessitam de mediação no âmbito pedagógico, têm direito a um profissional capacitado a exercer esse papel junto ao educando autista, sem custo adicional, de acordo com a Lei 12764/2012.

É preciso, porém, comprovar que o aluno necessita desse profissional. Isso pode ser feito por laudo médico (no site Autismo Legal há um modelo).

Caso aconteça qualquer infração ao que foi exposto aqui, denuncie!

Defensoria Pública, Ministério Público, Secretaria de Educação e boletim de ocorrência online são vias para que as medidas contra as infrações sejam encaminhadas.

  • artigo 88 da Lei 13.146/2015: Lei Brasileira de Inclusão
  • artigo 3º Parágrafo único da Lei 12.764/2012: Lei Berenice Piana

Autistas relembram aulas de educação física em podcast

Tempo de Leitura: 2 minutos

O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, lançou nesta sexta-feira (18) o seu 133º episódio, chamado “Autismo e Atividades Físicas”. O conteúdo foi conduzido pela podcaster e engenheira Thaís Mösken, que é autista, e contou com as participações do jornalista Tiago Abreu e da estudante de Arquitetura Carol Cardoso, também autistas.

Segundo a equipe do podcast, o episódio surgiu como intenção de relembrar as aulas de educação física no período escolar e como se exercitam nos dias de hoje. Além disso, também foram abordados conceitos como psicomotricidade, diferenças entre atividades esportivas e lúdicas, e questões de gênero nas socializações das aulas.

“Todas as minhas memórias [das aulas de educação física] são ruins e tudo aquilo me parecia muito desagradável. A forma como isso era imposto é algo que até hoje me traz algumas dificuldades para lembrar com tranquilidade”, disse Thaís, responsável pela apresentação do episódio.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Mudanças de formação e reportagem

Nas últimas semanas, o Introvertendo publicou uma reportagem sobre autismo e religião, chamada “Fé no Espectro”, que é capa da nova edição da Revista Autismo. O conteúdo foi conduzido por Tiago Abreu, um dos apresentadores do podcast, juntamente com o jornalista Victor Mendonça, um dos responsáveis pelo portal O Mundo Autista.

Ao fim da reportagem, o podcast publicou o episódio “Autistas Ex-Evangélicos“. O tema foi o último do Introvertendo com a participação de Marcos Carnielo Neto, um dos fundadores do projeto. Na última segunda-feira (14), foi anunciada nas páginas do podcast a saída de Marcos. Os motivos, segundo a equipe, são dificuldades de gravação intensificadas pela pandemia.

“Foi muito difícil abrir mão do Marcos, mas chegamos a essa conclusão amigavelmente. Ele não gravava com a gente desde novembro de 2019 e, no mês que vem, vai embora para a Inglaterra. Então teremos que seguir cada um o seu caminho. Mas somos todos muito amigos”, disse Tiago Abreu.

Em sua homenagem, a equipe lançou o episódio 132, chamado “Valeu, Marcos!“, com depoimentos dos outros quatro fundadores do podcast, Luca Nolasco, Michael Ulian, Otavio Crosara e Tiago Abreu. Segundo Abreu, não serão acrescentados novos integrantes. “Já somos uma equipe imensa e o Marcos é insubstituível. Podemos até trazer alguma pessoa nova algum dia, mas definitivamente não será por agora”, concluiu.

Autistas na mira do bullying escolar — Revista Autismo

Autistas na mira do bullying escolar

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Ações devem ser contínuas e alcançar toda a comunidade escolar, inclusive os familiares dos alunos

O bullying

Da década de 1980 para cá, o bullying assumiu maior projeção no cenário global e surgiu a necessidade de elaboração de uma norma brasileira que dispusesse sobre o assunto. Em fevereiro de 2016, entrou em vigor a Lei nº 13.185/2015 (Lei de Combate à Intimidação Sistemática), que conceituou a intimidação sistemática, ou bullying como sendo “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.

Em razão do aparecimento de novos formatos, tal lei dispôs que existem oito tipos de bullying, a saber: verbal, moral, sexual, social, psicológico, físico, material e virtual.

Veja-se que o bullying assumiu uma dimensão complexa e tal lei veio dispor sobre o acometimento junto, principalmente, às escolas.

Mais tarde, a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) para estabelecer que as escolas devem “promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying)” e “estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz”.

Desta forma, resta indiscutível que a escola possui responsabilidade sobre o bullying ocorrido em seu espaço físico oferecido como educacional e deve criar medidas preventivas para o que se pode denominar “um dos maiores males do século”.

O Autista

O autista, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA), é pessoa com deficiência para todos os fins legais. Portanto, todas as normas que amparam as pessoas com deficiência, também acodem este público cuja condição é tão peculiar, dada sua diversidade no espectro. Os graus de autismo podem estar distantes entre si, mas todos com suas distintas necessidades para que o autista seja incluído na sociedade da forma adequada e alicerçada no respeito às particularidades que o espectro proporciona em cada indivíduo nesta condição.

Essas peculiaridades tornam o autista a vítima perfeita para o bullying, em especial no ambiente escolar, local que frequenta e passa tempo substancial do dia.

Ocorre que, em razão de sua hipersensibilidade sensorial e da forma como enxerga (ou sente) o mundo, o autista, em regra, não é dado a convenções sociais e, por vezes, suas ações destoam daquelas esperadas pelos neurotípicos (não autistas).  É comum que os autistas tenham estereotipias, ou seja, ações gestuais, como por exemplo: balançar as mãos (flapping), movimentar-se de um lado para o outro (“pendular”) e gostar de girar (a si ou a um objeto). Além disso, a maioria deles não costuma (há exceções) entender metáforas e possuem uma grande dificuldade em compreender o que é abstrato.

Com essas características, dentre outras várias (tendo em vista a diversidade do espectro), o autista se destaca no meio acadêmico de modo a ser uma fácil vítima de bullying, justamente por não se enquadrar nas convenções sociais, ou mesmo nas brincadeiras dos colegas.

O Combate

As ações devem ser contínuas, bem como devem alcançar toda a comunidade escolar, de modo a envolver, inclusive, os familiares dos alunos.

Conseguir prevenir o bullying é um desafio para todas as escolas e combatê-lo se faz necessário na medida em que crianças e adolescentes autistas podem ter suas vidas afetadas pela violência e por consequentes traumas.

Não é simples conseguir fazer com que os alunos se interessem e se candidatem a elos de uma corrente “anti-bullying”. No entanto, com as orientações corretas e o incentivo da escola, é possível que muitos alunos possam contribuir e detectar possíveis vítimas autistas, bem como descobrir se um colega nesta condição está prestes a se tornar uma.

É necessário convencer os gestores escolares da importância de imprimir ações que vão ao encontro das Leis nº 13.185/2015 e nº 13.663/2018, bem como é preciso conseguir sensibilizar toda a comunidade escolar sobre a  importância do combate ao bullying.

Por isso, uma forma de combate é incitar os gestores a providenciar palestras e atividades pedagógicas que façam os alunos e familiares refletirem sobre as consequências do bullying, inclusive nos âmbitos criminal e civil.

Com relação ao aluno autista, que é uma potencial vítima aos oito tipos de bullying, há que se destacar a interferência do Poder Judiciário. Existem jurisprudências (julgados) que condenam os agressores ou seus responsáveis legais a pagar indenização por danos morais às vítimas (lembrando que a escola e a administração pública também podem ser acionadas). Desde que existam as provas necessárias, dificilmente a vítima perderia uma ação judicial neste sentido.

Além disso, importante destacar que existe um liame muito tênue entre o bullying e alguns crimes tipificados no Código Penal, sendo que cada caso deve ser analisado à luz das fontes de direito que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe.

Assim, com a sensibilização da comunidade escolar, inclusive dos familiares dos alunos, será possível diminuir e até mesmo extinguir as intimidações sistemáticas dentro da escola e evitar ações judiciais.