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Paula Ayub

É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

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Alunos apresentam ações de inclusão em SP

23 de junho de 2022Rede de Estudantes pela Inclusão — Canal Autismo / Revista Autismo

Tempo de Leitura: 3 minutos

Rede de Estudantes pela Inclusão, do Instituto ComViver e SMPD de São Paulo, iniciou-se em fevereiro de 2022

Em 21 de junho de 2022, o projeto Rede de Estudantes pela Inclusão, realizado pelo Instituto ComViver e a SMPD, recebe a todos e aos gestores das escolas envolvidas no projeto para a apresentação de ações de inclusão realizadas pelos alunos que participaram do projeto.

Academia do Autismo

O projeto foi selecionado por edital da SMPD e teve início em fevereiro de 2022 com alunos de escolas públicas e privadas de 15 a 18 anos. O objetivo maior era mobilizar alunos para organizarem ações inclusivas dentro das suas escolas e despertarem os jovens para o tema da acessibilidade. Foram encontros quinzenais de uma hora e meia cada, com conversa, apresentações de materiais sobre Inclusão, acessibilidade e marcos legais dirigidos pela equipe de psicólogos Leonardo Golodne, Ilana Joveleviths, Renata Chican, além de mim — e contanto ainda com a colaboração de Giovana Bertolini na ação junto às redes sociais.

Alunos da EMEF Julio Mesquita montaram uma peça de teatro sobre situações que as pessoas com deficiência vivem no seu dia a dia, como o capacitismo e falta de acessibilidade. Focaram um público mais novo da escola para que o impacto pudesse ser reproduzido para os anos posteriores. Apresentavam uma situação de exclusão, davam uma pausa e discutiam com as salas as diversas formas para incluir a pessoa representada. Então, uma nova cena, desta vez de inclusão, nascia da reflexão com os alunos.

O gestor do colégio relata que todo o trabalho foi dos alunos e que os alunos com deficiência protagonizaram depoimentos sobre como os exemplos os afetaram e como poderia de fato haver mudanças. Segundo Rodrigo Tsuzuki, a ação demonstra ser potente para mudanças. “Aprendemos nos encontros sobre os direitos das pessoas com deficiência e a forma correta de tratar as pessoas”, afirmou.

A apresentação dos trabalhos foi mediada e comentada pela educadora Maria da Paz Castro, Gunga. Ela ressalta a importância de cada ação, como uma semente que possa gerar frutos para a inclusão.

Os alunos do Colégio Gracinha apresentaram seus slides do projeto: formar um coletivo da inclusão. Apresentaram em todas as salas e anos do Fund II e Ensino Médio. A ideia do grupo é tratar o quanto mesmo sendo uma escola inclusiva e acolhedora, como há desafios a serem vencidos no dia a dia para uma verdadeira acessibilidade. O objetivo foi “furar” bolhas e oferecer espaço para que todos possam ser vistos e ouvidos. Utilizaram o curta Loui’s Shoes para sensibilizar os colegas.

“Estou muito triste com o fim do projeto. Aprendi muito e coloquei esse aprendizado no meu dia a dia”, disse Lígia Mori, gestora do Colegio Gracinha, que parabenizou os alunos para o desafio da construção de um espaço inclusivo e democrático como o Coletivo.

Wagner Borja, diretor, diz que ver os alunos tomando a frente para um projeto maior com questões complexas e difíceis, não é qualquer coisa. “Inclusão é para todos. Obrigada ao pessoal da Rede, trabalho de gente grande”, acrescentou.

Alunos do EMEF Educandário Dom Duarte fizeram uma pesquisa sobre a interação dos alunos típicos e dos alunos com deficiência buscando identificar as maiores dificuldades. Nas salas com maior dificuldade de interação, apresentaram partes da série Atypical e do curta Cordas. A equipe ainda trouxe para perto, alguns alunos com deficiência e ofereceram participação nas ações que realizaram.

A EMEF Brigadeiro Correia de Mello realizou a gravação de um episódio de podcast sobre inclusão, entrevistando uma professora especialista no assunto. O episódio foi reproduzido pela rádio da escola e todos puderam ouvir. Foi um trabalho de “um homem só” e teve por objetivo atingir o maior número de pessoas possível. Os jovens emocionaram pela seriedade com que se envolveram e desenvolveram suas ações.

O projeto foi inspirado no Jovem Solidário — uma iniciativa minha (Paula Ayub) e da Helena Maffei Cruz —, sendo um dos projetos que participam do ESA (Empreendedorismo Social com foco no Autismo), da Revista Autismo. Esperamos inspirar mais e mais pessoas para a acessibilidade e inclusão da diversidade.

“Ouvir jovens falando dessa luta é outro nível de inclusão.”

Maria Amélia – Instituto ComViver

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