11 de janeiro de 2024

Tempo de Leitura: 2 minutos

Antes de ler essa matéria e, se você está se sentindo sem esperança, ligue agora para 188 – Centro de Valorização da Vida.

Janeiro já nos premia com inúmeras noticias que afetam diretamente as pessoas com deficiência: a notícia da Folha de S.Paulo sobre planos de saúde e as comparações entre ‘doenças’ nos custos mensais, despreparo de um reality para receber uma pessoa com deficiência – Inclusão não é apenas receber –,  e a pior de todas, ao meu ver: o filicídio seguido de suicídio de uma mãe de autista de 27 anos. Aconteceu entre 6 e 07 de janeiro e foi descoberto dia 9 pelo mau cheiro vindo do apartamento.

Esse é um crime do Estado. Um Estado que não se movimenta para acolher, rever, oferecer, capacitar atendimento para autistas e seus familiares. Um Estado que assina projetos de Lei, mas que não os cumpre. “Até quando?”, questionaram muitos ativistas nas redes sociais sob o título desse crime bárbaro.

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Penso apenas na solidão dessa mulher. De uma vida toda e, até na hora de sua morte. Esse não é o primeiro caso que ouvimos que os corpos foram descobertos pelo cheiro de morte e não pela vida, pela saudade, pelo afeto. Fico me perguntando que são as pessoas que choram esses corpos que foram abandonados.

O filho dessa mulher de 63 anos, dentista, tinha 27 anos. Alguém me responda, por favor, o que é feito dos autistas adultos? Onde estão, quem os atende? Quem cuida dessas mães que, já sabemos de outras matérias que são 78% solitárias?

Muito ainda precisa ser feito por essas mulheres que recebem toda sorte de adjetivos durante uma vida, dos ‘guerreira’ até os ‘irresponsável’; são mulheres desqualificadas nos consultórios médicos, na família, nas escolas, nas clínicas de atendimento e ainda, desacreditadas em sua luta. Falta-lhes tudo, principalmente se dependem dos atendimentos públicos.

O mesmo reality que citei acima tem uma participante que é mãe de um garoto autista; ela chora ao narrar como os colegas do filho se divertem sobre ele. E ninguém nunca faz nada: coisa de criança.

Volto a dizer, Inclusão não é apenas receber. A atenção aos familiares/cuidadores das pessoas com deficiência e/ou autismo precisa ser permanente, contínua. Para as mães/familiares que querem uma rede e não se sentirem tão sós, indico entrar acessar o Teamm/Unifesp e preencher os formulários para frequentar a roda de conversa. Os encontros são semanais, permanentes e abertos.

Para você que conhece o grupo, ajude a espalhar a informação. Muitas mulheres e familiares poderão se beneficiar desses encontros. Não queremos mais notícias como as de Águas Claras.

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É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

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