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A vida voltando ao normal devagar

Tempo de Leitura: < 1 minutoDepois de exatamente 2 anos em casa, trabalhando apenas com cursos e palestras virtuais, posso dizer oficialmente que voltamos com a nossa carreira de palestras presenciais. E o que eu posso dizer sobre isso?! Eu vou ser bem sincero. Eu gostei e não gostei disso ao mesmo tempo. 

Eu gosto muito de deixar mensagens para as pessoas, mas não dá pra esconder o fato de que eu acabei me desacostumando demais com o lance de sair de casa, viajar, falar com outras pessoas e de frequentar lugares públicos. Além disso, há também o fato de eu estar muito restritivo e ainda muito inseguro com o Coronavírus. E isso é terrível, pois acaba se desenvolvendo muito mais medo por conta de toda essa quantidade de informação e de a maioria das pessoas, infelizmente, não entenderem o fato de que os riscos do Coronavírus não acabaram completamente e acharem que podem se tocar a vontade e não usar máscara ou algo do tipo. Mas, não havia outra saída para mim e para minha família, pois esse é o nosso trabalho principal, e vamos com ele até onde pudermos com muita precaução. E eu ainda não falei isso, mas eu senti que acabei regredindo durante essa pandemia sem fazer nenhuma palestra em público, pois eu acabava ficando sem me comunicar com outras pessoas. Estava caminhando no autismo leve até voltar novamente para o moderado. Não que eu esteja triste com isso, mas é só pra dizer que a vida continua. 

Honestamente não sei o que pode acontecer daqui pra frente, mas de uma coisa eu sei e eu posso dizer: os meus sonhos mudaram e agora são outros. Agora é só deixar acontecer e vida que segue. 

Espero poder encontrar vocês em algum dos eventos de que participarei em 2022. 

Experiência fantástica

Tempo de Leitura: 2 minutosEste ano de 2022 já começou cheio de surpresas! E por que eu estou dizendo isso?! Bom, para começar, minha família e eu AINDA não estamos dando palestras por conta da pandemia (e com razão). Porém, depois de quase 2 anos sem viajar, minha mãe recebeu uma proposta de atendimento pessoal em uma cidade do interior de Minas Gerais. Quando fiquei sabendo disso, eu não vou mentir, fiquei super desconfortável e com muito medo, achando que era uma má ideia, que seria perigoso, que talvez não fosse seguro etc.

Mas, eu fui incentivado pelos meus pais, que foram me ensinando e “quebrando minhas objeções” (expressão que aprendi agora). Eles me explicaram tudo e me deixaram mais confortável. Me disseram que íamos ter experiências diferentes e que era muito importante para nós, profissionalmente. Minha mãe já foi em outros lugares (Recife, Rio de Janeiro etc.), mas dessa vez ela achou que seria legal eu ir junto e ajudar a aplicar os protocolos. E de certo modo, acabou dando tudo muito certo. Eu até me surpreendi ajudando a aplicar os testes e eu servi como reforçador também, porque a menina que foi atendida já me conhecia da Internet. Resultado: foi maravilhoso, de verdade.

Conhecemos uma família muito legal e muito querida, e eu acabei fazendo amizades novas nessa viagem. Não que tenha sido um completo “passeio no parque”, pois a gente sofreu uns bocados. Ficamos sem energia, sem internet, pegamos chuvas na estrada, mas eu tenho consciência de que, para mim, foi um grande avanço em relação à minha maturidade. Eu tenho certeza que se eu fosse uma criança, ou até mesmo um adolecente nessas situações, eu entraria em crise muito fácil. E isso me dá uma sensação muito boa só de pensar que fui bastante maduro pelo fato de ter ficado uma semana fora de casa, em um lugar que eu não queria estar.

Ah, e também nós fomos muito mimados lá. Ganhamos presentes (muito legais, por sinal!), comemos coisas diferentes e eu experimentei tudo que me deram de diferente, além das conversas com minhas novas amigas. São duas irmãs gêmeas, de 19 anos, que são muito simpáticas, legais, inteligentes e muito agradáveis. Além dos pais delas, das pessoas que trabalhavam lá, enfim, tudo maravilhoso de verdade!

Sim, eu tive dúvidas se seria bom e tive muita insegurança, mas foi uma experiência fantástica. Mas, não tem lugar melhor que o lar, ainda mais nessa época de pandemia. Voltamos para casa com a missão cumprida e foi muito legal o fato de eu fazer novas amizades e conversar pessoalmente com outras pessoas depois de quase 2 anos. Obviamente, com todas as precauções, porque todos tinham que usar máscara o tempo todo.

Será que irei para mais lugares? Não sei! Vai depender de onde será, e se minha mãe vai me levar como ajudante. Se for seguro, eu vou. Afinal, já sou um homem e preciso trabalhar.

Nicolas Brito — coluna: Tudo o que podemos ser

Meu sonho é 100%

Tempo de Leitura: 2 minutosHoje eu estou aqui para dizer que eu e meus pais já estamos vacinados com as 2 doses contra a Covid-19. Isso é um grande alívio, pois conseguimos chegar até aqui sem nos contaminarmos. Mas, nem tudo são flores. Acho que vocês já devem saber que eu tenho baixa imunidade, e tive uma doença chamada Púrpura de Henoch Schoenlein; minha mãe tem asma e meu pai é obeso. Então, todo mundo aqui em casa estava no grupo de risco. Resultado: quase dois anos sem trabalhar e nossas economias foram embora. Até um terreno que minha mãe tinha conseguido comprar para deixar para mim. Tudo se foi, menos nossa saúde, graças a Deus!

Com os problemas financeiros, eu sei que temos que voltar a dar palestras, mas com esses problemas de saúde, confesso que fico com receio e eu fico com muitas dúvidas na minha cabeça sobre a minha volta às palestras presenciais. Olha, muito provavelmente, isso ainda está bem longe de acontecer. E eu me arrisco a dizer que nunca mais pode acontecer, mas ainda é só um palpite. E porque eu digo isso? Bom, porque além de eu ter baixa imunidade, existem pessoas que ainda não estão vacinadas e podem se aglomerar com outras pessoas.

Eu, por exemplo, estou vacinado, mas também não quer dizer que eu vou voltar a viajar ou até mesmo ir em casa de amigos e ficar abraçando e beijando! Longe disso. Eu vou continuar fazendo palestras virtuais, escrevendo livros, escrevendo textos para nossa querida Revista Autismo, além de trabalhar com os cursos do Clube da Inclusão, pelo qual, inclusive, eu sou apaixonado. Então gente, eu espero que vocês entendam que eu estou muito ansioso com tudo isso, mas ao mesmo tempo eu estou feliz e bem com o que eu estou fazendo atualmente.

Eu não vou voltar a fazer palestras presenciais (pelo menos não ainda) mesmo vacinado, pois eu quero evitar ao máximo correr riscos com outras pessoas que não se vacinaram ainda. Hoje (enquanto escrevo esta coluna), não temos nem 50% de pessoas totalmente vacinadas e minha mãe disse que será mais seguro quando tivermos pelo menos 75% a 80% da população. Meu sonho é 100%! Até lá, eu continuarei fazendo tudo virtualmente e vou continuar trabalhando com o nosso querido e amado Clube da Inclusão. Que inclusive, eu recomendo a vocês fazerem parte também: www.clubedainclusao.com.br.

Meu segundo livro infantil

Tempo de Leitura: 2 minutosRecentemente eu escrevi e lancei o meu mais novo livro infantil “Patovão: Uma Amizade Inesperada”! E devo dizer que essa foi uma experiência excelente, pois eu já havia escrito esse livro na minha cabeça e já aproveitei a oportunidade para escrever no “papel”, e assim poder compartilhar essa minha mais nova obra. 

Bem, o que eu tenho a dizer sobre isso? Eu fiquei muito feliz em terminar de escrever a minha nova história (depois do sucesso da “Ivana e a Cura Para o Preconceito”), mas eu confesso que não fiquei muito satisfeito com o resultado… E por que eu digo isso? Porque eu pretendia lançar esse livro impresso, mas por conta da pandemia e da falta de dinheiro, ele acabou tendo que ser lançado digitalmente pelo site da “Amazon”. Infelizmente, esse site não faz livros impressos para o Brasil, somente para os EUA e para os países da Europa. Eu, honestamente, acho isso totalmente injusto!

Resultado: o livro infelizmente não teve boas vendas e acabou não alcançando um resultado satisfatório (pelo menos por enquanto). Mas isso ainda não é o fim, pois eu estou pretendendo lançar esse livro impresso o quanto antes para poder compartilhar essa história com muitas famílias. Eu tenho fé que conseguirei fazer com que o meu mais novo livro veja a luz do dia, como o da “Ivana”, para que os dois livros “irmãos” sejam bem vendidos para muitas famílias. 

E mais, eu pretendo escrever mais histórias infantis e tentar seguir o mais longe possível com a minha carreira de escritor.

Esse novo livro fala de pessoas terem de aprender com as diferenças. É um universo formado somente por pássaros e os personagens principais são um pato e um pavão, que ficam grudados devido a um acidente envolvendo uma experiência científica e precisam aprender a se dar bem. 

Enquanto estão grudados, eles brigam, enfrentam bullying e sofrem muito, até aparecer uma solução. 

É um livro necessário para as pessoas ensinarem a respeitar os outros e a entender que todos somos diferentes.

Influência da pandemia

Tempo de Leitura: 2 minutosHoje, eu vou falar sobre autismo adulto na pandemia, sendo mais específico, sobre o meu autismo e a influência que a pandemia teve sobre ele. 

Acho que a maioria de vocês sabe que eu já falei de autismo na pandemia, mas agora eu gostaria de falar um pouco sobre o que aconteceu comigo, em meio a esse tempo de minha vida adulta. 

Antes da pandemia, quando não precisávamos ficar isolados, eu e minha família fazíamos palestras com muita frequência, estávamos sempre na estrada, de carro, ou em aeroportos, viajando de avião. Nós sempre tivemos a oportunidade de conhecer várias pessoas de culturas e costumes diferentes. Sempre fomos recebidos com muito carinho em suas cidades, em suas famílias, para participarmos dos eventos sobre autismo. 

Essas experiências de viajar, encontrar pessoas, falar nas palestras, me ajudavam bastante, pois além de conhecermos vários lugares, a gente também conversava com as pessoas que nos recebiam e eu tinha a oportunidade de me socializar em vários momentos. Isso me ajudou muito a trabalhar o meu processo de aquisição vocabular e me fazer uma pessoa mais social com os outros. Além de tudo isso, também experimentávamos diversas comidas típicas, que inclusive me ajudavam no processo de melhorar minha seletividade alimentar. 

Mas, por que eu estou contando isso? Bom, eu não sei se vocês sabem, mas quando eu era criança, eu tinha um autismo mais severo. E desde aquela época, eu sempre fui incentivado pelos meus pais a me comunicar e socializar de alguma forma, até conseguir evoluir para um autismo, digamos assim, mais moderado. 

Pois bem, vários anos se passaram e veio a minha fase de palestrante, e isso trouxe muitos desafios, mas, depois de muitos anos socializando, eu sentia que minhas dificuldades diminuíam cada vez mais, até que acabei chegando na forma mais leve do autismo. 

Só que existe um “porém” nessa história: com a pandemia e a necessidade de ficar em isolamento, além da falta de contato social, fora o da minha família, eu sinto que acabei regredindo. Eu voltei ao autismo moderado, estou com mais estereotipias, sinto-me com falta de raciocínio com pensamentos mais imaturos e atitudes imaturas. E devo confessar que isso me deixou muito preocupado, mas sei também que não é o fim do mundo. Ainda tenho muita coisa pra aprender nessa vida e sei que, no meu tempo, eu chegarei lá. Espero realmente, do fundo do coração, evoluir novamente para o grau leve de autismo e recuperar todas as minhas habilidades. E eu também espero o mesmo para todas as famílias e para todas as pessoas com autismo.

Planejamento para o futuro

Tempo de Leitura: 2 minutosRecentemente, recebi uma proposta de trabalho que pode ser boa para o meu futuro. E isso é ótimo, já que é uma grande oportunidade de eu conseguir o meu próprio emprego e conseguir mais independência na minha vida. Confesso que estou um pouquinho ansioso, mas de uma forma boa, e estou preparado para tudo. Estou preparado para aprender a trabalhar com horário fixo, a ter que assumir mais responsabilidades etc. E estou preparado também para não dar certo, afinal, tem coisas na vida que dão certo e outras não. Mas queria muito que desse certo.

Eu estava muito feliz com meu trabalho de antes da pandemia, porque eu ia às palestras, vendia meus livros, dava meus cursos e guardava meu dinheiro honestamente. Mas, depois da pandemia, eu não pude mais trabalhar e as pessoas não compram o livro pela Internet. É muito raro a gente vender uns 5 livros em um mês, por exemplo, o que não dá nem para fazer compras de comida. Aí, nós resolvemos fazer doces para vender e isso tem nos ajudado, mas não é o bastante, porque tem que vender muito doce para pagar aluguel, fazer compra e assim por diante. Não tem sido fácil, mas tem sido divertido e de muito aprendizado. Afinal, a vida não é fácil para ninguém, não é mesmo? Pelo menos, eu acho.

Esse novo trabalho é um negócio um pouco arriscado, já que eu terei que ser treinado e terei responsabilidades. Como vocês sabem, eu tenho TDAH, ansiedade, discalculia, deficiência intelectual bem leve e autismo. Porém, eu estou extremamente confiante e bastante empolgado, porque minha vida inteira eu fui treinado para superar minhas dificuldades e usar minhas habilidades. E eu tenho muitas habilidades que eu acho que vão me ajudar nesse trabalho. Eu sou muito organizado, tenho vontade de aprender, sei que preciso procurar ajuda, não sou mentiroso, sou pontual, tenho muito foco nas coisas que eu preciso fazer e sou carismático. Apesar do TDAH, eu consigo me manter em uma atividade que eu sei que é importante e evito distrações perto de mim. Isso ajuda muito a manter o foco e a terminar mais rápido.

Esse é um assunto que eu gostaria muito de falar, pois o planejamento para o futuro é muito importante de ser falado e pensado. E sabendo que essa é uma grande oportunidade, acaba sendo ainda mais importante. Tenho pesquisado muito sobre o local, sobre coisas que posso comprar mais pro futuro, sobre onde eu e minha família podemos morar mais para frente etc. Também recebi bastantes elogios dos meus pais falando que estou cada vez mais proativo com as coisas e cada vez mais preparado. E isso é maravilhoso de ouvir. Pode até demorar um pouco pra tudo isso acontecer, mas é sempre bom já deixar tudo preparado para garantir que tudo vai dar certo como planejado. E se não der, apesar da frustração, aprendi que se não deu é porque não era para mim e “vida que segue”! Deus não nos dá nada errado!!!

Sinto que a minha independência está cada vez mais forte, ainda mais com essa oportunidade que está vindo pela frente. Agora, é só o futuro que pode nos dizer se vai dar tudo certo. Torçam por mim.

Amor no Espectro, mas com spoilers

Tempo de Leitura: 3 minutosHoje, eu vou falar um pouco sobre a série “Amor no Espectro”, da Netflix, que eu assisti recentemente e achei excelente. Bom, antes de tudo, algumas pessoas que ainda não assistiram a essa série podem se interessar em assistir, mas já aviso que esse texto tem spoiler. Então, para quem ainda não assistiu e se incomoda com isso, eu vou recomendar que ainda não leiam este texto. Assiste lá e volta aqui, ok? Bom, “alerta de spoiler” dado, vamos prosseguir.

Eu adorei essa série, pois retrata pessoas com autismo que têm dificuldades de comunicação e querem um relacionamento. Cada um deles segue um rumo na vida com planos e jornadas diferentes. Por exemplo, nós temos o Michael que é um autista adulto e que tem planos de se casar em um futuro próximo. Ele tem planos de ter uma mulher na vida, mas sem ter filhos, porque, segundo ele, ter filhos pode prejudicar a vida financeira dele, e isso é engraçado. Ele também é muito romântico e tem um ideal de fazer sua esposa uma rainha em sua vida e ele diz que fará de tudo por ela.

No decorrer da história, vamos conhecendo mais pessoas com autismos diferentes e cada uma delas vai tendo encontros para ver se consegue encontrar um par. Para algumas delas, é a primeira vez que têm um encontro romântico e muitas nunca nem beijaram na boca, mesmo já tendo mais de 20 anos de idade. É possível ver nos encontros, como essas pessoas têm potencial e boa vontade, mas também têm muitas dificuldades de comunicação, o que atrapalha bastante para o encontro ter sucesso.

Meus pais me ensinam constantemente sobre relacionamentos e me dão muitos exemplos sempre. Até fazemos “histórias sociais” para praticar uma possível paquera e isso me deixa mais confortável e confiante. E assistindo ao seriado, eu aprendi muitas outras coisas que me ajudaram a entender ainda mais o que se deve ou não dizer ou fazer. Por exemplo, [Spoiler alert!] tem um momento na série em que o Mark e a Maddi, ambos autistas, vão se encontrar em um restaurante. Ao pedir a conta, Mark fica insatisfeito com o valor da conta, porque Maddi havia pedido um prato que, para ele, era bastante caro e decidiu que os dois pagariam separados. Eu percebi que a Maddi ficou sem graça, mas não disse nada. Aquilo mexeu muito comigo e já perguntei à minha mãe qual é a coisa certa a se fazer, e ela me ensinou, me dando exemplos de possíveis situações.

Aprendi muito em relação às pessoas que são apresentadas nessa série e acredito que isso sirva para ajudar pessoas neurotípicas também a ver como é difícil para algumas pessoas com TEA se comunicarem. Além disso, a série também mostra casais com TEA, como é o caso do Jimmy e da Sharnae, que falam bastante sobre como é a relação deles e de como eles planejam o casamento deles, que inclusive eu achei bem legal.

Bom, para resumir, a série nos ensina bastante de como pode ser o amor no espectro e nos dá dicas do que fazer e não fazer com as pessoas com TEA. Inclusive, tem coisas na série que eu vi e me identifiquei, outras nem tanto.

E sobre meu futuro, eu acredito que tenha aprendido com meu passado e planejo me casar e ter uma família linda! Eu quero ser um marido excelente e ter as tarefas de casa bem divididas para eu ajudar minha esposa e, talvez, meus filhos. E é por isso que eu busco minha independência para, um dia, poder ter minha família e fazê-los felizes.

Vai passar

Tempo de Leitura: 2 minutosAtualmente, todos nós estamos passando por uma pandemia por conta desse coronavírus. Muitas pessoas estão tendo que ficar em casa e isso, no geral, está estressando a muitos por conta dos trabalhos, compras, passeios, visita aos familiares que não estão conseguindo fazer.

Além de tudo isso, também há muitas crianças com autismo que estão querendo sair de casa e muitos pais estão ficando estressados por conta disso, porque elas não podem devido à pandemia, mas não entendem. Mas também tem pessoas (com ou sem autismo) que gostam de ficar em casa, assim como outras que não gostam. E o que eu acho de tudo isso?

Eu acho realmente uma situação complicada, mas realmente necessária para proteger as pessoas de baixa imunidade e com outras doenças, como diabetes, problemas do coração, asma etc. Agora, para as pessoas que realmente precisam sair de casa para trabalhar, fazer compras (uma vez ou outra), eu já acho realmente muito legal essas pessoas arriscarem a vida para fazer o melhor pela família, só que não é para qualquer um. No meu caso, eu fiquei 1 mês e 10 dias dentro de casa e, apesar de eu ser caseiro, e não me importar muito de ficar dentro de casa, eu queria ver um pouco de como estava o mundo lá fora. Vejam bem, até eu estava ficando um pouco “pirado” depois de 1 mês sem sair para lugar nenhum. Então, como meu pai precisava ir buscar os remédios dos meus avós, eu decidi sair pelo menos um pouco e ficar dentro do carro para ver como estavam as ruas. Eu percebi que quase não tinha ninguém e boa parte das pessoas estavam usando máscaras. Eu, particularmente, fiquei feliz em ver que boa parte das pessoas estão levando esse caso a sério e eu espero que tudo isso acabe o mais breve possível. E quanto às outras crianças autistas e seus pais, eu espero que eles fiquem bem e que consigam boas “atividades distrativas” para os seus filhos.

Meu recado a vocês é que não relaxem pois esse vírus é coisa séria, mata e pode tirar da gente o que a gente mais ama, que são nossos entes queridos e talvez nossa própria vida. Cuide de quem você ama e se cuide. Isso tudo vai passar.

Nicolas Brito — coluna: Tudo o que podemos ser

Todo ser humano é único

Tempo de Leitura: 2 minutos

coluna: Tudo o que podemos ser

Quando eu era pequeno, tinha um autismo mais severo, pois não me comunicava, me autolesionava, tinha muitos comportamentos rígidos e muita dificuldade na escola. Hoje, apesar dos meus 20 anos, ainda enfrento muitas dificuldades e ainda tenho muitas coisas para descobrir e para aprender. Ainda hoje, tenho dificuldade de me comunicar, pegar transportes públicos, esperar em filas longas, etc. Acho que a maioria das pessoas que me conhecem sabe disso, mas isso é uma conversa para outra história, porque hoje eu quero falar sobre “obrigações”.

Apesar de eu viajar o Brasil inteiro para fazer as minhas palestras, acreditem ou não, eu nunca gostei de viajar, mas esse é o meu trabalho. E se eu tenho que viajar a trabalho, eu não me importo. E é claro, existem outras coisas que eu não gosto de fazer e que de vez em quando eu até sou incentivado pelos meus pais e amigos a fazer. Mas tem coisas que eu não quero fazer de jeito nenhum! Por exemplo, quando meus pais querem viajar para o interior para descansar, o que eu mais gosto de fazer nesse período é ficar sozinho em casa, porque isso me dá paz e sossego. Pois é, vocês não leram errado! Esses dias atrás até li uma frase na internet que me identifiquei bastante que “para algumas pessoas ficar em casa sozinho significa solidão! Já para mim significa paz absoluta!” E devo confessar que eu concordo muito com isso.

Muitas pessoas conhecidas que têm filhos (ou qualquer outro parente) com autismo passam por coisas parecidas e acabam sendo criticadas. Nós temos que entender que se não for para o bem deles, acaba piorando e estressando cada vez mais os filhos com autismo e, provavelmente, até os filhos neurotípicos. E isso pode interferir no comportamento deles.

Em muitas ocasiões, nós não nos sentimos bem em um lugar e, como dizem os brasileiros neurotípicos, nós nos sentimos como um “peixe fora d’água”! E isso pode, sim, interferir no desenvolvimento da pessoa com autismo. Porém, isso não precisa acontecer para sempre, pois existem lugares que seus filhos com autismo podem acabar aceitando ir junto e isso, inclusive, faz muito bem para estimular a vida deles, para que eles consigam ser mais independentes, pois todos nós já sabemos que, como diz minha mãe, “pais não são eternos”!

Então, meu conselho é vocês se lembrarem de que somos seres humanos únicos, e isso serve para qualquer um. Incentivar seu filho é uma coisa, forçá-lo a fazer o que você quer, é outra! Lembre-se de incentivar a pessoa com autismo aos poucos, vendo o que faz bem e o que faz mal a ela. Autista é gente e merece ser respeitado em sua individualidade. Todo ser humano é único!