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Habilidades Básicas e ABA

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Chaloê Comim e Gabriela Bandeira

As habilidades básicas são essenciais para o aprendizado de todas as pessoas. Elas são comportamentos simples e iniciais importantes para conquistarmos objetivos mais complexos.

Por exemplo, fazer contato visual é uma habilidade básica para processos mais elaborados, como interagir socialmente e nos comunicarmos.Quando falamos em autismo, sabemos que pessoas no espectro têm dificuldades em dois pontos centrais, conhecido como díade do autismo:

  • Interação e comunicação social
  • Padrão de comportamentos restritos e repetitivos.

Obviamente, essas dificuldades fazem com que o aprendizado de habilidades básicas e complexas seja um pouco mais complicado. Por isso, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA, da sigla em inglês para Applied Behavior Analysis) é a ciência mais indicada para o ensino e treinamento dessas habilidades. Vamos entender mais sobre isso a seguir.

ABA

A ABA ficou conhecida por sua eficácia no tratamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entretanto, na realidade, ela faz parte de uma ciência muito mais ampla, chamada Análise do Comportamento, que pode ser aplicada a qualquer contexto socialmente relevante. Ela também pode ser entendida como a “Ciência da Aprendizagem”, pois suas intervenções visam ampliar repertórios, promover novas aprendizagens e autonomia.

Suas intervenções são baseadas em evidencias, resultado de décadas de estudos e pesquisas sobre o comportamento, particularmente, o comportamento humano

A Análise do Comportamento Aplicada, vai muito além de ser um mero conjunto de intervenções. Resumidamente (bem resumidamente), é a parte aplicada de uma ciência maior chamada Análise do Comportamento.

A Análise do Comportamento, é uma ciência que tem 3 “subáreas”, todas interligadas. São elas:

1 – O Behaviorismo Radical – a Filosofia da Análise do Comportamento, a teoria base desta ciência, que começou com o Skinner.

2 – A Análise Experimental do Comportamento, incumbida de realizar pesquisas, testar e produzir dados nesta ciência, com estudos experimentais sobre relações comportamentais em contextos socialmente relevantes. Para, assim, ir além da teoria, descartando ou comprovando-a.

3 – E finalmente, A ABA! A Análise Aplicada do Comportamento, que planeja e aplica intervenções, baseadas na filosofia Behaviorista e nas evidências obtidas com os estudos da área Experimental do comportamento. Então, os procedimentos que temos hoje na ABA passaram antes por anos de pesquisas.

Behaviorismo

Para começar a entender a ciência por trás da Análise do Comportamento Aplicada é preciso compreender que todo comportamento que temos foi aprendido e, portanto, pode ser modificado. Esse conceito de como as reações humanas acontecem por meio de comportamentos que foram aprendidos é explicado na psicologia pelo que chamamos de behaviorismo.

O behaviorismo se originou com o fisiologista russo Ivan Pavlov, que fez uso do condicionamento clássico para ensinar cães a salivarem ao ouvir o som de um sino. Esse experimento se dava da seguinte forma:

Mais tarde, o professor e pesquisador norte-americano B.F. Skinner acrescentou dois conceitos em sua teoria, a do condicionamento operante: reforço e punição.

Na Análise do Comportamento Aplicada, reforço e punição são compreendidos como fatores que influenciam todos os nossos comportamentos. São eles que determinam que os comportamentos podem ser ensinados e modificados, quando controlamos as consequências em torno daquela ação.

De uma forma simplificada, podemos dizer o seguinte:

  • Reforço é todo estímulo que aumenta a frequência de uma resposta e garante que o comportamento ocorra se mantenha com mais frequência no futuro;
  • Punição é todo estímulo que diminui a frequência de uma resposta e garante que o comportamento ocorra com menos frequência – e até pare completamente de ocorrer – em situações futuras.

Apesar desses conceitos parecerem bem simples, é necessário conhecimento e planejamento de estratégias efetivas, além de um conhecimento abrangente na Análise do Comportamento Aplicada como um todo antes de aplicar reforços e punições positivas e negativas em qualquer pessoa e situação.

Protocolo VB-MAPP

Tempo de Leitura: 4 minutos

O que é e qual sua importância para pessoas com autismo

Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program, mais conhecido pela sigla VB-MAPP é um protocolo para avaliação de pessoas com autismo utilizado dentro da Análise do Comportamento (ABA). Embora muitas famílias de quem está no espectro autista não compreendam sua necessidade, especialistas no tema garantem que essa investigação é de extrema importância para o paciente. 

É por meio dela, por exemplo, que se sabe qual o repertório do paciente e o que de fato ele sabe. Assim, será possível iniciar o ABA e fazer o tratamento adequado para alcançar sua autonomia e garantir o máximo de avanços possível. 

Como funciona?

O VB-MAPP é, sobretudo, uma avaliação baseada em marcos. Isso significa que ela analisa como o paciente está levando em consideração o desenvolvimento típico. Dessa forma, imagine que o paciente em questão seja uma criança de 5 anos diagnosticada dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante as avaliações, os profissionais envolvidos em seu tratamento podem classificá-la como alguém com desenvolvimento semelhante ao de uma criança típica de 0 a 18 meses. 

Vale ressaltar, ainda, que o VB-MAPP funciona em três níveis. São eles:

  • Nível 1: 0 a 18 meses
  • Nível 2: 18 a 30 meses
  • Nível 3: 30 a 48 meses

Protocolo VB-MAPP - Canal Autismo / Revista Autismo

Essas métricas não significam que o protocolo só se aplique a crianças de até dois anos. Pelo contrário, ele pode ser utilizado até os 7 anos, mas nesse caso o marco de desenvolvimento ser de 30 meses, por exemplo.

Componentes do VB-MAPP

Uma das primeiras etapas para iniciar a análise de VB-MAPP em crianças autistas é fazer a avaliação de barreiras. Ela consiste na observação de 24 áreas que podem estar comprometendo a aprendizagem. Assim, vamos supor que os profissionais responsáveis pelo tratamento do paciente ou mesmo a família estejam falhando em ensinar algo a ele. Isso pode acontecer porque há uma barreira que só será descoberta após esse exame.

Existe ainda a avaliação de transição – mas esse método não é tão usado no Brasil, justamente porque o ensino aqui é diferente dos Estados Unidos, de onde o VB-MAPP foi importado. Essa etapa, basicamente, é como tirar a criança da escola de ensino especial e fazer sua inclusão no ensino regular. Para que isso ocorra de forma a melhorar o aprendizado e não causar danos ao paciente, é realizada a avaliação de transição.

Outro importante instrumento para o VB-MAPP é a Task Analysis (lista de tarefas, em português). Por meio dela, é possível pegar uma habilidade específica e dividi-la em pequenas partes que podem ajudar o profissional a compreender o processo e conquistar um objetivo específico – ou seja, a habilidade maior.

Importância

O VB-MAPP é normalmente aplicado pelo terapeuta antes de iniciar o ABA. No entanto, vale lembrar que mesmo que o profissional seja experiente, é essencial que ele aplique a avaliação antes das intervenções. De acordo com o psicólogo Fábio Coelho, especialista em autismo, é esse processo que ajuda a identificar o fato do paciente ter dificuldades em compreender ou mesmo responder a algumas demandas. “Muitas vezes, pela falta de uma compreensão adequada do que causa determinado comportamento, atuamos de forma equivocada como pais, educadores ou terapeutas de pessoas com TEA”. 

Ele ainda reforça a importância do protocolo no ABA. “O Programa é, na minha opinião, essencial pois serve como um sistema de avaliação e rastreamento para avaliar a linguagem, habilidades motoras, sociais e acadêmica de crianças com autismo ou outras deficiências de desenvolvimento. O VB-MAPP é um dos principais protocolos de avaliação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e é amplamente utilizado para avaliação individualizada e planejamento terapêutico/educacional”. 

Quer saber mais?

Conheça o curso avançado em protocolo VB-MAPP da Academia do Autismo e realize a sua pré-inscrição:
https://bit.ly/35lo60o

 

Para que seja possível realizar uma avaliação em ABA, temos protocolos, alguns validados e aceitos mundialmente na Análise do Comportamento.

Atenção: Profissionais que querem dominar o Autismo na escola ou no consultório, é necessária a capacitação e domínio dos protocolos a seguir.

Se não, pode ocorrer de você fechar a porta da sala ou consultório e não vai saber como iniciar o trabalho com aquela criança ou adolescente que está a sua frente.

Tudo começa com uma boa avaliação. É nela que você vai saber o que ensinar, como ensinar, quais desafios que irá enfrentar e quais são os próximos passos da intervenção.

Dentro do sistema de intervenção da Análise do Comportamento, nós temos alguns protocolos mais conhecidos, vamos falar dos principais?

ABLLS, muito parecido com o VB-MAPP, este protocolo é voltado para avaliações de habilidades básicas, de linguagem e aprendizagem.

Com ele, você profissional consegue identificar quais são os pré-requisitos para uma criança: sentar, olhar. Enfim, são mais de 500 habilidades em 25 áreas que o ABLLS está mapeando.

O segundo é um sistema de avaliação de habilidades sociais, do mesmo autor do ABLLS, tem o nome de AFFLS, voltado para habilidades de vida funcional, as famosas AVDS.

Habilidades de autonomia, na escola e de vida independente. Noções de segurança, resolução de problemas, preparo de refeições, habilidades sociais e vocacionais.

O primeiro, não especificamente da Análise do Comportamento, mas é muito utilizado principalmente em um ambiente escolar, é o PORTAGE.

Ótimo para avaliação dos rastreios de habilidades, linhas de base, o que a criança já sabe fazer. Então, na fase inicial, este é um protocolo muito bom!

Ele compara o desenvolvimento de crianças neurotípicas de até 06 anos, bem simples e prático.

Temos alguns testes e questionários que são utilizados para diagnóstico. 

São eles: M-CHAT, Escala CARS, Denver II, ADOS, ATA.

Alguns estão desatualizados, pois levavam em consideração o DSM-4, então serão eficazes para aquele conceito mais clássico de Autismo.

Havendo um pouco mais de dificuldade de mapear quando voltado para crianças com Espectro leve. 

Esses são os chamados testes de avaliações diagnósticas.