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O que o amor tem a ver com o autismo?

Tempo de Leitura: 3 minutosQuando eu era mais jovem, meu contato com o amor romântico era o que eu via na ficção. Adorava filmes de romance. Principalmente, quando me identificava com a protagonista. Tinha crushes por atores famosos. Tudo como costuma acontecer com os adolescentes. Entretanto, eu não tinha coragem de chegar perto de nenhum garoto na vida real. E me perguntava o que o amor tem a ver com o autismo?

Na realidade, nessa fase, eram poucos os meninos com os quais eu conversava. Mesmo se tratando de amizade. Em geral, os rapazes tinham comportamentos muito diferentes de mim e das outras meninas. Assim, era mais difícil compreender seus gestos e atitudes.

A minha primeira paixão aconteceu aos 17 anos. Foi quando percebi a mistura de atração física e atração pela personalidade. No entanto, apesar de ser amiga do garoto, era um desafio entender seus interesses e senso de humor. Aliás, um desafio muito maior do que quando estava com minhas colegas do sexo feminino.

Amor no Espectro

A série da Netflix “Amor no Espectro” mostra que a maior parte das pessoas deseja encontrar seu par romântico. Certamente, com quem é autista não é diferente. Assim, a ideia de que não temos interesse em criar vínculos românticos é mito. Portanto, conscientes disso, familiares e profissionais se esforçam para aprender sobre a sexualidade e a afetividade no TEA.

Em entrevista à Revista Gama, a psicóloga e pesquisadora autista Dra. Táhcita Mizael observa que: primeiro, há uma dificuldade com o uso de ironias e metáforas comuns a relacionamentos. Além disso, autistas podem não conseguir evidenciar o interesse constante no parceiro. Ou seja, os jogos do flerte são desafiadores. É que eles envolvem habilidades de comunicação verbal e não verbal.

A arte de se relacionar

Amar e ser correspondida é uma experiência intensa.  Vivenciar um romance nos tira de qualquer acomodação. Afinal, nos leva a sair da previsibilidade. Então, deixamos de ter o pensamento voltado apenas para os próprios desejos e necessidades. Dessa forma, é um convite à construção conjunta.

No caso de autistas, a experiência do amor ganha contornos ainda mais complexos. Para nós, já é desafiador entender, com clareza, os nossos sentimentos individuais. Imagina quando adicionamos uma outra pessoa ao nosso turbilhão bagunçado de emoções?

O doutor em Psicologia e autista Vicente Cassepp-Borges pondera, em artigo para “O Mundo Autista”: a hipersensibilidade é outro fator a ser considerado na relação entre amor e autismo. Portanto, autistas percebem e elaboram os sentimentos de maneira bem mais intensa que pessoas típicas. Logo, a instabilidade de um romance também, pode se manifestar intensamente.

Por isso, somente após os 20 anos de idade tentei alguns relacionamentos. A sensação de encontrar os “pretendentes” era esquisita demais. Sair com rapazes me deixava desconfortável. Por exemplo, parecia mais algo que eu precisava fazer porque todo mundo faz. E não uma possibilidade real de conhecer alguém com quem eu pudesse me envolver.

Assim, eu não tive nenhuma relação íntima durante a adolescência e início da vida adulta. Meu primeiro beijo, proposto por um amigo, só veio aos 22 anos. Embora sentisse atração pelo sexo masculino, cheguei a cogitar que eu fosse assexual. Tanto que o meu primeiro relacionamento com status de namoro se transformou em uma grande amizade.

Minha descoberta do amor

As relações que eu buscava me pareciam bem diferentes dos envolvimentos românticos mostrados nos filmes. As atitudes de muitos rapazes que se disseram interessados em mim, me fizeram mal. Sentia-me usada e enganada por eles. Na verdade, eu continuava a alimentar algumas paixões platônicas. Desse modo eu me conformava com a possibilidade de nunca ter um relacionamento sério.

Minha mãe dizia para eu não ficar ansiosa à espera de alguém. Ela usava a analogia de que, durante a enxurrada, os primeiros gravetos que aparecem são os mais frágeis. Os mais resistentes só aparecem depois. Da mesma forma, os primeiros homens que apareceram na minha vida, foram relações frágeis. Mas hoje, estou em um relacionamento com um homem maravilhoso. Ele me valoriza, me instiga a ser melhor e a construir uma nova história conjunta. Sem dúvida, isso é amor!

Netflix anuncia segunda temporada de Amor no Espectro

Tempo de Leitura: < 1 minuto21 de setembro é a data de estreia da segunda temporada da série Amor no Espectro na plataforma de streaming Netflix. A produção australiana, que traz autistas adultos em encontros amorosos, foi originalmente lançada em 2019 pela ABC TV e, transmitida no Brasil pela Netflix em 2020. A nova temporada apresenta personagens já introduzidos na primeira temporada, mas também inclui novas pessoas, todas dentro do espectro do autismo.

A temporada já foi exibida no país original. Em entrevista ao Autism Awareness Australia, parte do cast comentou as expectativas e como foi participar da segunda temporada. Mark, por exemplo, disse que “o programa ficou melhor e muito maior, e o fato de ter ido ao ar na Netflix fez eu sentir que Love on the Spectrum se tornou mundialmente conhecido. Sempre me senti confiante trabalhando na primeira temporada, na segunda não foi diferente”, destacou.

Ronan é uma das novidades da segunda temporada. Ele decidiu participar da série após assistir a primeira temporada e disse ter gostado da experiência. “Eu realmente não tinha certeza do que esperar porque era muito novo para mim, mas eu sempre gosto de tentar coisas novas e estava animado para fazer parte do show. Aprendi muito durante as filmagens e toda a equipe foi tão legal e me fez sentir valorizado”, comentou.

Por abordar namoro e relacionamento, a primeira temporada recebeu atenção e comentários de autistas, inclusive no Brasil.

Assista ao trailer:

[Atualizado em 19/09/2021 com a data de estreia para 21.set.2021]

tio .faso: ‘O machismo causa nos homens autistas um sério problema de autoestima’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO designer, ativista e bonequeiro Fábio Sousa, conhecido como “tio .faso” (assim mesmo, com espaço e ponto!), participou do episódio “Precisamos Falar Sobre Autistas que não Transam” do podcast Introvertendo, que é produzido por autistas adultos. Na ocasião, faso comentou as questões em torno da dificuldade de alguns homens autistas que relatam não conseguir relacionamentos e sexo em publicações nas redes sociais.

“Como o autista não vem com esse guia social para poder conviver na sociedade, o homem autista só tem como referência imediata o que ele vê. E o que ele vê é a reprodução do machismo. E a reprodução do machismo fala que ele por não conseguir transar, por não ter uma namorada, não ter nada, ele é menos homem”, disse ele.

Desta forma, .faso considerou que a sensação de inferioridade é comum entre vários homens autistas adultos. “Então, a gente acaba observando nos grupos isso, que o machismo causa nos homens autistas um sério problema de autoestima, em que eles se sentem menos homens por nunca terem transado ou se relacionado com alguém”, afirmou.

Em 2020, uma reportagem do Spectrum News demonstrou uma proximidade de autistas em comunidades de celibatários involuntários, algumas delas conhecidas apenas pela expressão “incel”. Na discussão, os podcasters também apontaram a hipótese de apenas uma parcela minoritária de pessoas em aplicativos como o Tinder terem sucesso com seus perfis.

episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Castbox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Amor no Espectro: segunda temporada no ar na Austrália

Tempo de Leitura: < 1 minutoA série australiana Amor no Espectro, cuja primeira temporada foi retransmitida no Brasil pela Netflix e conta a história de autistas que buscam relacionamentos amorosos, ganhou uma segunda temporada, já disponível na Austrália por sua emissora original, a ABC TV. A história dá seguimento a alguns personagens da primeira, e insere novos nomes, todos autistas.

Em entrevista ao Autism Awareness Australia, parte do cast comentou as expectativas e como foi participar da segunda temporada. Mark, por exemplo, disse que “o programa ficou melhor e muito maior, e o fato de ter ido ao ar na Netflix fez eu sentir que Love on the Spectrum se tornou mundialmente conhecido. Sempre me senti confiante trabalhando na primeira temporada, na segunda não foi diferente”, destacou.

Ronan é uma das novidades da segunda temporada. Ele decidiu participar da série após assistir a primeira temporada e disse ter gostado da experiência. “Eu realmente não tinha certeza do que esperar porque era muito novo para mim, mas eu sempre gosto de tentar coisas novas e estava animado para fazer parte do show. Aprendi muito durante as filmagens e toda a equipe foi tão legal e me fez sentir valorizado”, comentou.

Por abordar namoro e relacionamento, a primeira temporada recebeu atenção e comentários de autistas, inclusive no Brasil. Apesar disso, ainda não há informações se a segunda temporada será retransmitida pela Netflix.

No Dia dos Namorados: artigo trata de relacionamento entre pessoas com deficiência intelectual

Tempo de Leitura: 2 minutosCom extrema sensibilidade e delicadeza, a psicoterapeuta Nancy Pereira da Costa, da ONG Friendship Circle São Paulo, escreveu um artigo para o Dia dos Namorados (hoje, 12 de junho), falando sobre o relacionamento entre pessoas com deficiência intelectual. O texto — intitulado “Namorar para quê?” — foi publicado no Portal da Tismoo, ontem.

Nancy, que é psicoterapeuta infantil, do adolescente, de adulto e familiar, e tem especialização na área das deficiências, com enfoque em Gestalt Terapia, destacou num dos trechos: “Existem mitos e lendas criadas ao longo da história, que desfavorecem o namoro das pessoas com deficiência intelectual. Arquétipos criados pela sociedade rotulando-as como não controladoras de seus impulsos sexuais; assexuadas ou que possuem a sexualidade exacerbada; são inférteis; ou são carentes de responsabilidades“, escreveu ela, que se define como uma pessoa que atua na área da educação com o objetivo de enaltecer e valorizar a diversidade como qualidade em uma educação para todos.

Vale a leitura do artigo para esta data e refletir com humanidade a respeito de relacionamentos entre pessoas, quaisquer pessoas. Acesse o texto completo de Nancy Pereira da Costa, no Portal da Tismoo, em: tismoo.us/comunidade/namorar-para-que/.

Friendship Circle

A Friendship Circle é uma ONG de transformação e inclusão social que oferece a crianças e adolescentes com deficiência e suas famílias, a oportunidade de um convívio social sem preconceito. Visa e trabalha pela transformação da sociedade na criação de um mundo mais empático e inclusivo por meio da promoção da amizade entre crianças e jovens com deficiência e jovens voluntários.

No Dia dos Namorados: artigo trata de relacionamento entre pessoas com deficiência intelectual — Canal Autismo / Revista Autismo

O casal Francine Otte Ferreira Lima e Guilherme Campos.

Autistas comentam sobre Amor no Espectro, nova série Netflix

Tempo de Leitura: 2 minutos

O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, lançou o seu 122º episódio nesta sexta-feira (14). “Amor no Espectro” é baseado na série Amor no Espectro, produção australiana distribuída globalmente pela Netflix no final de julho deste ano, e originalmente lançada pela emissora ABC no final de 2019.

O episódio, apresentado por Tiago Abreu, que é jornalista e autista, contou com as participações do epidemiologista e professor universitário Paulo Martins-Filho, a estudante de arquitetura Carol Cardoso e de Táhcita Mizael, que é doutora em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Os três são diagnosticados com autismo.

Na ocasião, os três falaram sobre pontos positivos da série. “É uma série que mostra o autismo na vida real, sem o viés da ficção ou de extrapolar a forma como é o realmente o autismo se coloca. E a série é interessante porque realmente ela desmistifica muitas ideias que rodeiam o transtorno”, disse Paulo Martins-Filho.

Táhcita, que é psicóloga, fez elogios à Jodi Rodgers, uma das profissionais que aparecem na série. “Ela vai primeiro vendo qual que é a concepção que cada uma das pessoas tem. Do ponto de vista profissional, isso é o que a gente chama de linha de base, você vê qual que é o repertório que a pessoa tem para a partir disso verificar quais habilidades que a gente pode aprimorar, que a gente pode trabalhar para que essas dificuldades que foram trazidas pela própria pessoa possam ser trabalhadas”, contou.

Entre as discussões, os três disseram que não se identificaram com um personagem específico, mas com as situações em geral contadas na produção. Carol chegou a fazer observações pontuais sobre o comportamento de alguns personagens na série; Paulo, por sua vez, se incomodou com a predominância de encontros apenas entre pessoas com deficiência.

Sobre as questões de sexualidade na série, Carol fez críticas pontuais. “Eu sinto que já é difícil ter representação de pessoas LGBT nas mídias de um modo geral, quando a gente faz um recorte ainda mais restrito como o do autismo acaba sendo um pouco complicado. Como uma mulher lésbica, sinto muita falta desse tipo de representação”, destacou.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Introvertendo lança episódio especial sobre aplicativos no Dia dos Namorados

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O podcast Introvertendo, produzido por autistas, lançou seu 107º episódio nesta sexta-feira (12), cujo título é Autistas em Apps de Relacionamento. Apresentado por Luca Nolasco e com a presença de Marcos Carnielo Neto e Tiago Abreu, o episódio foi divulgado como forma de comemorar o Dia dos Namorados.

O episódio centra-se em aplicativos de relacionamento pela internet, como o Tinder, e quais são as formas que autistas interagem em processos de paquera e flerte. Além disso, há uma breve discussão sobre sexualidade no autismo na vida adulta. O episódio também conta com a participação da publicitária e podcaster AnaLu Oliveira, que não é diagnosticada com autismo, mas tem um namorado autista.

Sobre aplicativos, Marcos Neto defendeu sua utilização por autistas. “Os apps oferecem uma alternativa boa porque a gente não tem muito desenvolvida aquela habilidade social de chegar pessoalmente. Muitas vezes não nos sentimos seguros o suficiente pra conhecer novas pessoas pessoalmente, então os aplicativos na internet oferecem uma opção pra quem tem poucas habilidades sociais de conhecer pessoas novas e com interesses parecidos e depois marcar de ver pessoalmente”, disse.

Autistas em Apps de Relacionamento é o primeiro episódio recente do Introvertendo apresentado por Luca Nolasco. Desde o início de 2020, além de Luca, Thaís Mösken e Yara Delgado passaram a apresentar episódios específicos. Até o ano passado, o podcast era apresentado apenas por Tiago Abreu, jornalista e um dos fundadores da produção.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.