Posts

Escola no DF usa animais para ajudar na inclusão de autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Escola Classe Granja do Torto, no Distrito Federal, é pública e foi fundada na década de 1960 pela Embaixada do México. Recentemente, a instituição ganhou destaque por utilizar animais para ajudar na adaptação e inclusão de três alunos autistas matriculados na escola.

De acordo com o G1, tudo começou em 2019, quando familiares de uma menina autista queriam matriculá-la na escola. “Aí vi uma reportagem onde um veterinário levou para o apartamento dele uma mini cabra que tinha sido rejeitada pela mãe, e a filha dele melhorou em todos os aspectos pedagógicos, criando essa mini cabra. Aí, nós fomos atrás”, disse a diretora Danielle Vieira Salles.

Segundo Danielle, a ideia de ajudar autistas no ambiente escolar com animais tem dado certo. “Eles se aproximam mais. A interação, primeiro com os animais, leva à interação com o ambiente e, consequentemente, com as outras crianças que fazem parte desse ambiente. Acaba aproximando tudo, é muito natural”, completou.

Criança autista em Porto Velho é impedida de assistir aula por falta de cuidador; mãe questiona nas redes

Tempo de Leitura: < 1 minutoMabel Colares é mãe de Gustavo Berillo, de 9 anos, que é autista. Na última segunda-feira (16), Mabel publicou um vídeo no Instagram afirmando que seu filho foi impedido de assistir aulas presenciais pela escola por falta de cuidadores. Isso, segundo ela, causou um desconforto em Gustavo, que questionou o fato de sua irmã continuar na escola e ele não. O caso viralizou nas redes.

Em entrevista ao G1, ela explicou o desconforto. “Me programei, estou desde a semana passada conversando com ele que ele vai pra escola, que tem que ir pra escola pra ficar inteligente, comprei uniforme novo, comprei tênis novo, comprei material que precisa, sacolinha pra guardar a máscara, máscara nova, álcool, organizei a mochila dele. Vim trazer ele hoje e ele foi retirado de sala, porque não tem ninguém que olha meu filho, não tem ninguém que possa acompanhar ele, isso é uma injustiça com uma mãe que tem um filho autista”, afirmou.

Mabel registrou boletim de ocorrência. A unidade de ensino, por sua vez, não se manifestou até o fechamento desta edição. O apresentador Marcos Mion, por sua vez, chegou a conversar publicamente com o prefeito de Porto Velho em busca de providências e o cumprimento de políticas públicas em Rondônia.

Vídeo

Na noite desta terça-feira (17), o apresentador Marcos Mion fez um vídeo com Mabel e o prefeito de Porto Velho. Nele, a autoridade municipal oferece uma vaga para o Gustavo numa escola pública municipal. Assista a seguir:

 

[Atualizado em 18/08/2021 com o vídeo do Marcos Mion com a mãe e o prefeito da cidade]

Os médicos precisam de reciclagem – não existe “cara de autista”

Tempo de Leitura: 2 minutos“Você não tem cara de autista.” Ouvi essa frase de muitos profissionais da saúde. Médicos pensam que são Deus. Claro que não é bem assim. Generalizações são perigosas. Na verdade, só a maioria. As exceções ficam na conta daqueles médicos que se reconhecem seres humanos e conseguem, assim, enxergar a humanidade de seus pacientes. Resta a essa maioria que persiste por um caminho que não cabe mais no mundo do século 21, fazer uma boa reciclagem, urgente.

Toda vida importa

O mundo caminha para a inclusão. Toda vida importa. Todo ser humano também. Outro dia, me consultei com um clínico geral. Muito competente e pouco empático. Para ele, bastava me examinar, pedir exames, checar o resultado dos exames e prescrever a medicação.

Minhas perguntas o incomodavam. Como se eu, como paciente, não fosse acrescentar nada à anamnese feita por ele. Expliquei que meu cérebro neurodivergente, precisava entender o que estava acontecendo comigo para a eficácia do tratamento. Foi o que bastou. Se já estava ruim, ficou pior.

“Você não tem cara de autista”

O doutor, olhou para mim e proferiu a tão conhecida quanto antipática frase: “Você não tem cara de autista.” E aí sim, o médico-deus pareceu ter adquirido salvo conduto para ignorar minhas preocupações. Não validava nada que eu dizia, era como se o autismo me fizesse menos capaz diante de pessoas típicas. Esses profissionais da saúde salvam vidas, mas podem nos matar, lentamente, toda vez que enxergam o diagnóstico e não a pessoa. Lembrei das mil vezes que minha filha foi ignorada pelos médicos. Muitos só enxergaram suas limitações sem validar a cidadã e mais, de ser humano. Lembrei de Carlos Drummond de Andrade: “Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo. Mais vasto é meu coração.”

Cérebro: por que as pessoas negam as doenças mentais e a neurodivergência?

Tempo de Leitura: 2 minutosPsicofobia – o preconceito contra as pessoas que apresentam transtornos e/ou deficiências mentais.

Você nasceu com a perna com músculos que apresentam um funcionamento diferente do padrão, sua caminhada é um tantinho cambaleante. Não é doença, não há como ‘consertar’. Ninguém te julga. Ao contrário, perguntam se você precisa de ajuda, tiram obstáculos de seu caminho.

Porém, se você está em meio à uma crise de ansiedade, ou com depressão, ou é disléxico, tem TOC, cérebro neurodivergente, a maioria das pessoas julga você. Essas pessoas cobram que você reaja, seja forte. Não oferecem ajuda e, ao contrário, passam a evitar você. É como se isso fosse contagioso ou depusesse contra você o que, mesmo que inconscientemente, justifica essa ação.

Saúde do corpo e da mente são igualmente importantes

Por que as pessoas têm aversão a qualquer assunto relacionado à mente, ao cérebro? Por que ignoram ou debocham, ou julgam ou desejam segregar quem tem cérebro neurodivergente, diferente ou alguma outra condição que não esteja dentro de uma ‘normalidade’ que ninguém sabe de onde surgiu? Ninguém é só cérebro ou só corpo. Somos um inteiro chamado ser humano. Essa humanidade se dá exatamente, nas relações sociais. A pessoa se faz ser humano na convivência que permite a troca de códigos sociais e culturais dessa humanidade.

Nós somos coletivos, por isso criamos valores materiais trocamos coisas, estabelecemos trocas sociais e de comunicação. A base fundamental dos seres humanos é serem criadores de valor. Negar isso a qualquer pessoa, é negar a ela a sua própria humanidade. Por que tanto medo da mente? Do cérebro?

A evolução do cérebro

O homem da caverna possuía o cérebro reptiliano que garantiu a sobrevivência de sua espécie. Essa parte do cérebro, ainda existente em nós, é responsável pelas rotinas, hábitos, rituais, a disciplina e o fazer diário constante.

Com a nossa evolução, desenvolvemos uma parte do cérebro chamada de límbico, que é a estrutura cerebral que todo o mamífero tem. A palavra límbico significa fronteira. O cérebro límbico é responsável pelas emoções e sentimentos. É onde processamos o que queremos e desejamos.

Já a terceira parte de nosso cérebro é a neo-cortex que ocupa 85% de nossa massa cerebral – é o nosso intelecto, que representa o pensamento lógico e criativo. No cérebro neo-cortex criamos nossos mapas mentais.

Plasticidade cerebral

A plasticidade cerebral é a capacidade de nosso sistema nervoso mudar sua estrutura e seu funcionamento ao decorrer de nossa vida, como reação a diversidade de nosso entorno. As conexões cerebrais se processam em nossa vida de acordo com nossas vivências. Portanto, negar as fragilidades ou diferenças cerebrais é impedir o desenvolvimento pleno da humanidade.

Empatia é inclusão

Esta semana, estava numa reunião de palestra com minha filha Sophia e ela falava de seus desafios e consequentes vitórias da faculdade até o mestrado. De repente, ela me forneceu um novo e amplo conceito de inclusão: “A rede de amigos que finalmente, consegui criar na universidade foi a minha Rede de Inclusão. Houve troca, aprendi e ensinei por meio do diálogo empático e humanístico com meus amigos.”

Essa fala tão simples quanto profunda nos faz voltar à essência de nossa humanidade: “O ser humano só é ser humano na convivência que permite as trocas sociais.” Para essa prática criativa, não precisamos de métodos. Precisamos sim, resgatar nossos princípios humanísticos.

Referência: Curso Certificación Internacional Licensed Practitioner en PNL, Programaciòn Neurolinguística.

Empresa Amiga da Pessoa Autista: a inclusão na prática

Tempo de Leitura: 2 minutosComo as pessoas autistas e seus familiares estão sendo tratados nas empresas e instituições, públicas ou privadas, em relação ao atendimento, mercado de trabalho e acesso aos serviços e execução de sua cidadania na realidade do nosso cotidiano?

Foi com essa demanda que a REUNIDA-Autismo idealizou o projeto Empresa Amiga da Pessoa Autista, em que pretende oferecer, em três etapas, treinamento e consultoria para as diversas instituições, para que a comunidade do autismo seja tratada com respeito, dignidade e conforme o previsto na Lei 12.764/2012, que visa garantir os direitos da pessoa com TEA.

Entendemos que muitas vezes os atos de discriminação e preconceito nos meios profissional e corporativo, provém de desconhecimento e falta de treinamento. E já está mais do que na hora das empresas se preocuparem com a responsabilidade social.

Apesar das garantias legais, todos os dias temos relatos de familiares e de pessoas autistas que tiveram sua dignidade ferida e seus direitos desrespeitados como cidadãos e pessoas com deficiência.

Para combater isso, usando da educação como caminho de inclusão, esse projeto da REUNIDA-Autismo traz esse compilado de palestras, sendo uma etapa voltada ao atendimento, a seguinte para a adaptação dos processos de contratação de pessoas autistas e o último visando a permanência do indivíduo no emprego propiciando adequações estruturais, atitudinais e orientação aos colegas de trabalho para otimização do ambiente.

Posto isso, a primeira etapa desse nosso projeto já está em execução, pronta para tornar qualquer empresa que trabalhe com atendimento ao público mais inclusiva e capaz de atender a comunidade do autismo da maneira que ela tem direito e merece.

Acreditamos que com isso todos ganham, porque essa comunidade, além de ser uma parcela volumosa da nossa sociedade, que se bem tratada e fidelizada pode trazer maiores lucros e prestígio aos estabelecimentos, temos também a convicção de que uma sociedade mais inclusiva é um ganho para todos pois a diversidade está em todo lugar e ela que nos faz crescer.

Para solicitar informações do projeto Empresa Amiga da Pessoa Autista, requerer os treinamentos para sua Empresa/Instituição ou para sugerir para uma empresa que você ache que precisa conhecer essa iniciativa da REUNIDA-Autismo, entre em contato pelo e-mail: [email protected].

 

Revista Autismo destaca o trabalho de inclusão de Mauricio de Sousa

Revista Autismo destaca o trabalho de inclusão de Mauricio de Sousa

Tempo de Leitura: 2 minutos

Capa de setembro tem Mauricio de mãos dadas com André, personagem autista, em seus estúdios

A edição de setembro da Revista Autismo, publicação gratuita, impressa e digital,
especializada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), destaca a inclusão e
o acolhimento da Turma da Mônica, não só dentro das histórias, mas também
dentro dos Estúdios da Mauricio de Sousa Produções (MSP).

Com capa produzida pelos desenhistas da MSP — em que Mauricio de Sousa
aparece de mãos dadas com André, o personagem autista da Turma da Mônica —
, a reportagem principal mostra um dia especial para fãs autistas, que foram
convidados a conhecer os Estúdios da MSP em São Paulo (SP). “Acompanhei a
visita e foi incrível! Pude ver, por dentro e nos bastidores, o quão inclusivo eles
são, assim como as histórias que publicam. Sabe aquele ambiente que não tem
valores que aparecem só no marketing da empresa? Então, é lá”, relatou o
jornalista Francisco Paiva Junior, editor-chefe da Revista Autismo.

Outro destaque é a história em quadrinhos do André, que aparece, desde
fevereiro, quando o Instituto Mauricio de Sousa fez parceria com a Revista
Autismo, em histórias exclusivas em toda edição da publicação. No número de
setembro, André estrela o que o editor chamou de “a mais inclusiva de todas
histórias”. Com seu “sincericídio”, ele deixa a Mônica muito brava. E como criança
tem que ser criança — independente de ter autismo ou não —, ela sai correndo
atrás do André, furiosa, girando seu famoso coelhinho. “Claro que ela não vai
bater no André, mas é importante o autismo aparecer nas histórias de forma
natural, como acontece no dia a dia com meu filho, por exemplo. Não apenas nas
importantes cartilhas educativas ou informativos sobre o transtorno. “O autismo é
só mais uma das características do André e do meu filho. Eles não são o
autismo!”, disse Paiva, que tem um filho com autismo, Giovani, de 12 anos.

A revista, que é totalmente gratuita, pode ser retirada numa das mais de 60 cidades em que há a distribuição, em todos os estados do Brasil, ou é possível baixar em arquivo digital com 100% do conteúdo no site RevistaAutismo.com.br. Outra forma de conseguir a revista impressa é fazer assinatura (em Assine.RevistaAutismo.com.br) e recebê-la pelo correio, pagando-se apenas o frete. Todas as informações estão no site ou nas redes sociais da publicação.

André e a Turma da Mônica em: Sincericídio — Revista Autismo
O André, o personagem autista da Turma da Mônica, aparece nesta edição da #RevistaAutismo na mais inclusiva de todas histórias. Com seu “sincericídio”, ele deixa a Mônica muito brava. E como criança tem que ser criança — independente de ter autismo ou não —, ela sai correndo atrás do #André, furiosa, girando seu famoso coelhinho. Claro que ela não vai bater no André, mas é importante o autismo aparecer nas histórias de forma natural, como acontece no dia a dia com meu filho, por exemplo. Não apenas nas importantes cartilhas educativas ou informativos sobre o transtorno. O autismo é só mais uma das características do André e do meu filho. Eles não são o autismo! (Francisco Paiva Junior)
Dia Mundial de Conscientização do Autismo de 2016 - Revista Autismo

Secretário-geral da ONU publica mensagem para o Dia Mundial do Autismo

Tempo de Leitura: 2 minutos

António Guterres, secretário-geral da ONU (foto: The British Foreign and Commonwealth Office)

Anualmente, a ONU publica uma mensagem do secretário-geral para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Como neste ano (2019) o tema é  “Tecnologias assistivas, participação ativa” — tratando do uso de ferramentas tecnológicas para auxiliar no dia a dia, além de proporcionar voz aos autistas (veja o texto da Revista Autismo sobre o tema) —, o secretário-geral, o português António Guterres, frisou a importância das tecnologias e, principalmente, no intuito de usá-las para a inclusão, citando também a Agenda 2030 da ONU.

Guterres, que foi primeiro-ministro de Portugal de 1995 a 2002, citou ainda o documento “Estratégia para Novas Tecnologias” (veja o PDF aqui), lançado por ele em 2018, a fim de alinhar a inovações tecnológicas com os valores humanitários da ONU.

Abaixo, segue uma tradução livre da mensagem, cujo texto original (em inglês) pode ser visto no site da ONU em: https://www.un.org/en/events/autismday/sgmessage.shtml.

Mensagem do secretário-geral

“No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, nos manifestamos contra a discriminação, celebramos a diversidade de nossa comunidade global e fortalecemos nosso compromisso com a plena inclusão e participação de pessoas com autismo. Apoiá-los para atingir seu pleno potencial é uma parte vital de nossos esforços para manter a promessa central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: não deixar ninguém para trás.

O debate deste ano ressalta a importância de tecnologias assistenciais acessíveis para apoiar pessoas com autismo a viver vidas independentes e, de fato, exercer seus direitos humanos básicos. No mundo todo, ainda existem grandes barreiras ao acesso a essas tecnologias, incluindo altos custos, indisponibilidade e falta de consciência de seu potencial.

No ano passado, lancei o [documento] “Estratégia para Novas Tecnologias” para garantir que as tecnologias novas e emergentes estejam alinhadas com os valores consagrados na Declaração das Nações Unidas, no direito internacional e nas convenções de direitos humanos, incluindo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, reafirmamos nosso compromisso com esses valores — que incluem igualdade, equidade e inclusão — e promovemos a plena participação de todas as pessoas com autismo, assegurando que tenham as ferramentas necessárias para exercer seus direitos e liberdades fundamentais.”

(António Guterres)

Autistas na mira do bullying escolar — Revista Autismo

Autistas na mira do bullying escolar

Tempo de Leitura: 3 minutos

Ações devem ser contínuas e alcançar toda a comunidade escolar, inclusive os familiares dos alunos

O bullying

Da década de 1980 para cá, o bullying assumiu maior projeção no cenário global e surgiu a necessidade de elaboração de uma norma brasileira que dispusesse sobre o assunto. Em fevereiro de 2016, entrou em vigor a Lei nº 13.185/2015 (Lei de Combate à Intimidação Sistemática), que conceituou a intimidação sistemática, ou bullying como sendo “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.

Em razão do aparecimento de novos formatos, tal lei dispôs que existem oito tipos de bullying, a saber: verbal, moral, sexual, social, psicológico, físico, material e virtual.

Veja-se que o bullying assumiu uma dimensão complexa e tal lei veio dispor sobre o acometimento junto, principalmente, às escolas.

Mais tarde, a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) para estabelecer que as escolas devem “promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying)” e “estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz”.

Desta forma, resta indiscutível que a escola possui responsabilidade sobre o bullying ocorrido em seu espaço físico oferecido como educacional e deve criar medidas preventivas para o que se pode denominar “um dos maiores males do século”.

O Autista

O autista, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA), é pessoa com deficiência para todos os fins legais. Portanto, todas as normas que amparam as pessoas com deficiência, também acodem este público cuja condição é tão peculiar, dada sua diversidade no espectro. Os graus de autismo podem estar distantes entre si, mas todos com suas distintas necessidades para que o autista seja incluído na sociedade da forma adequada e alicerçada no respeito às particularidades que o espectro proporciona em cada indivíduo nesta condição.

Essas peculiaridades tornam o autista a vítima perfeita para o bullying, em especial no ambiente escolar, local que frequenta e passa tempo substancial do dia.

Ocorre que, em razão de sua hipersensibilidade sensorial e da forma como enxerga (ou sente) o mundo, o autista, em regra, não é dado a convenções sociais e, por vezes, suas ações destoam daquelas esperadas pelos neurotípicos (não autistas).  É comum que os autistas tenham estereotipias, ou seja, ações gestuais, como por exemplo: balançar as mãos (flapping), movimentar-se de um lado para o outro (“pendular”) e gostar de girar (a si ou a um objeto). Além disso, a maioria deles não costuma (há exceções) entender metáforas e possuem uma grande dificuldade em compreender o que é abstrato.

Com essas características, dentre outras várias (tendo em vista a diversidade do espectro), o autista se destaca no meio acadêmico de modo a ser uma fácil vítima de bullying, justamente por não se enquadrar nas convenções sociais, ou mesmo nas brincadeiras dos colegas.

O Combate

As ações devem ser contínuas, bem como devem alcançar toda a comunidade escolar, de modo a envolver, inclusive, os familiares dos alunos.

Conseguir prevenir o bullying é um desafio para todas as escolas e combatê-lo se faz necessário na medida em que crianças e adolescentes autistas podem ter suas vidas afetadas pela violência e por consequentes traumas.

Não é simples conseguir fazer com que os alunos se interessem e se candidatem a elos de uma corrente “anti-bullying”. No entanto, com as orientações corretas e o incentivo da escola, é possível que muitos alunos possam contribuir e detectar possíveis vítimas autistas, bem como descobrir se um colega nesta condição está prestes a se tornar uma.

É necessário convencer os gestores escolares da importância de imprimir ações que vão ao encontro das Leis nº 13.185/2015 e nº 13.663/2018, bem como é preciso conseguir sensibilizar toda a comunidade escolar sobre a  importância do combate ao bullying.

Por isso, uma forma de combate é incitar os gestores a providenciar palestras e atividades pedagógicas que façam os alunos e familiares refletirem sobre as consequências do bullying, inclusive nos âmbitos criminal e civil.

Com relação ao aluno autista, que é uma potencial vítima aos oito tipos de bullying, há que se destacar a interferência do Poder Judiciário. Existem jurisprudências (julgados) que condenam os agressores ou seus responsáveis legais a pagar indenização por danos morais às vítimas (lembrando que a escola e a administração pública também podem ser acionadas). Desde que existam as provas necessárias, dificilmente a vítima perderia uma ação judicial neste sentido.

Além disso, importante destacar que existe um liame muito tênue entre o bullying e alguns crimes tipificados no Código Penal, sendo que cada caso deve ser analisado à luz das fontes de direito que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe.

Assim, com a sensibilização da comunidade escolar, inclusive dos familiares dos alunos, será possível diminuir e até mesmo extinguir as intimidações sistemáticas dentro da escola e evitar ações judiciais.

 

A educação de pessoas adultas com autismo

Tempo de Leitura: 3 minutos

Investir na educação de autistas adultos é investir na capacidade humana

No Brasil, sentimos uma grande lacuna na oferta de serviços educacionais e outras intervenções para adultos com TEA. Penso ser pelo fato de que ainda não conseguimos desconsiderar o autismo como sendo especificamente infantil, então não nos damos conta de que jovens e adultos continuam ao longo da vida necessitando de atenção. Se apenas ofertamos educação em período obrigatório, impedimos que pessoas adultas usufruam de atenção educativa.

É necessário e urgente que pensemos na ampliação do conceito de educação que contemple todas as etapas da vida do indivíduo, levando em conta que o autismo é de ordem crônica, e não se limita à infância.

Ninguém é impassível às mudanças proporcionadas por uma educação adequada, que entenda especificidades, respeite estilos de aprendizagem, contemple habilidades e ofereça possibilidades.

Ao pensarmos em bom programa educacional para adultos, ter em mente a promoção de: habilidades de comunicação, sociais, emocionais, cognitivas e também as vocacionais — investirmos de forma positiva em áreas como atenção, memória e funções executivas.

Proporcionar flexibilidade na formação, pode fazer com que adultos autistas desenvolvam melhor o controle de situações, encontrem soluções para reduzir o estresse e a ansiedade, sejam capazes de melhor generalizar, desenvolver ou aumentar empatia, lidar com as emoções, ter mais auto-estima, entre outros.

Em relação a adaptações curriculares, o que é algo ainda difícil para educadores que lidam com pessoas autistas adultas, é preciso propor conteúdos com bastante estrutura e pistas visuais, respeitar o ritmo de aprendizagem, eleger prioridades, sequenciar, respeitar os gostos e a vontade do aluno quanto a conteúdos (pode ser que o aluno já tenha visto o conteúdo proposto repetidamente ou que este fuja aos seus centros de interesse, aí ele não se anima, ou até mesmo se nega a cumprir as atividades) e, por fim, é imprescindível que o currículo proposto seja adequado ao nível de funcionamento da pessoa com TEA. Educadores, busquem aprimorar e obter formação para o atendimento educacional de adultos, e não pensem que conhecimentos relativos ao desenvolvimento infantil sejam adequados para atender aos de idade mais avançada.

Também vemos ser importante perceber que muitos alunos com autismo podem estar mais aptos para lidar com questões de aprendizagem aos 20 anos, do que estavam com 10; sendo que ao chegarem à idade adulta, muitos deles podem ter aprendido a lidar melhor com certos comportamentos, a gerir conflitos relativos ao estresse e ansiedade, a lidar melhor com as dificuldades relativas aos interesses restritos.

Na vida e na educação, é essencial termos objetivos. Para educar adultos com TEA, os objetivos devem ser voltados às competências, identificar os interesses pessoais e os vocacionais, priorizar habilidades e aptidões para orientar os alunos em formações acadêmicas e profissionais, visando também a sua empregabilidade.

Autistas apresentam potenciais que por vezes nem sequer imaginamos, isso se dá por colocarmos mais foco às limitações do que às possibilidades, a nossa visão limitada aliada por vezes à nossa inércia, faz com que desprezemos imensas capacidades.

Arregacemos as mangas e lutemos para que todos possam ter acesso à educação ao longo da vida e ao mercado de trabalho, não apenas os considerados “grau leve” ou os que usufruem de privilégios econômicos. Para sermos uma sociedade mais justa, a educação deve realmente ser direito de todos.

Que o trabalho e contribuição dos pais sejam valorizados e reconhecidos, abrindo espaço para parceria entre educadores e pais. Antes de planejar programas, adaptar e promover ações, consultar os pais ou outros membros da família que sejam importantes para o desenvolvimento do adulto com TEA é primordial.

Investir na educação de pessoas adultas com autismo é investir na capacidade humana de se desenvolver ao longo da vida; todos podem aprender e seguir no aprendizado, adquirir novas habilidades e se tornar seres humanos mais completos, mais produtivos e mais felizes!

Dia do Orgulho Autista 2016 lembrou desafio da inclusão

Tempo de Leitura: < 1 minutoCelebrado todo 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista foi comemorado neste ano em sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal na sexta-feira 17.junho.2016. A solenidade reuniu familiares, pessoas com autismo, educadores e militantes numa celebração cuja mensagem principal foi a da necessidade de inclusão. Implementação dos direitos previstos em leis e preparação das escolas estão entre os desafios.

Veja o texto original completo no site da Câmara Legislativa do Distrito Federal— em http://www.cl.df.gov.br/ultimas-noticias/-/asset_publisher/IT0h/content/dia-do-orgulho-autista-lembra-desafio-da-inclusao;jsessionid=C336B1E042AE0EF002A6759CA8ED6136.liferay1?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cl.df.gov.br%2Fultimas-noticias