Posts

‘Desenvolvimento da fala até os 4 anos’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo nesta segunda-feira (24), comentando a respeito do desenvolvimento da fala até os quatro anos de idade.

Liberalesso fala sobre o equívoco de alguns médicos em dizer que a criança não falar até os quatro anos de idade é normal e que faz parte do processo. Paulo comenta: “Ela pode, sim, ter algumas alterações motoras na fala, mas até completar esses quatro anos, a criança tem que estar em um processo de evolução constante, com a fala quase perfeita”. Ele ainda destaca a importância de uma intervenção precoce quando se constata alguma alteração no desenvolvimento da fala.

Vídeo

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

PECS

Tempo de Leitura: 3 minutos

Sistema por figuras é boa ferramenta de comunicação para autistas

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) abarca um amplo universo de alunos com quadro clínico de déficit, em maior ou menor grau, nas áreas de interação social, comportamento e comunicação. Aqui darei foco na área da comunicação.

Para ensinar comunicação, precisamos entendê-la melhor: o que é comunicação? É um comportamento que exige duas pessoas. Uma pessoa identificada como “falante” (que entrega a mensagem) e a outra como “ouvinte” (que recebe esta mensagem e responde adequadamente). O método de comunicação mais difundido e usado com alunos com TEA é o PECS.

O PECS — Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (Picture Exchange Communication System) — é um sistema para ajudar pessoas de várias idades que não conseguem se fazer entender através da fala, ou que têm uma fala muito limitada. Ou seja, o PECS é uma comunicação aumentativa e alternativa.

É equivalente à voz do aluno. Cada um precisará ter sua própria voz, sua pasta de comunicação PECS. Nós não compartilhamos vozes, então os alunos não devem compartilhar as pastas de comunicação. O aluno será ensinado a carregar a pasta para todos os lugares.

Para o sucesso no sistema, o elemento mais importante é a identificação de um poderoso conjunto de reforçadores. A equipe deve identificar itens e atividades que o aluno goste ao longo do dia. Oportunidades de comunicação devem ser planejadas e monitoradas cuidadosamente para que o acesso aos reforçadores identificados seja limitado.

As figuras deverão ser feitas antes da primeira lição do PECS. Recomendamos que seja identificado um conjunto de figuras, fácil para reproduzir e manter. O aluno poderá pedir vários itens diferentes durante uma atividade. Cada vez que o reforçador muda, a figura correspondente é colocada diretamente na frente do aluno.

Durante as fases iniciais, a figura funciona como um ticket que o aluno deve trocar com um parceiro de comunicação. Nas fases mais avançadas, os alunos aprendem a discriminar, formar frases, usar modificadores/atributos, responder perguntas e fazer comentários.

O PECS foi desenvolvido há 33 anos, nos EUA. O protocolo que está associado com o PECS é de propriedade intelectual de seus criadores, Andy Bondy e Lori Frost, fundadores da Pyramid Educational Consultants, nos EUA, e donos da empresa Pyramid Consultoria Educacional, no Brasil.

Várias instituições, clínicas, famílias e escolas no Brasil já adotaram o método PECS, que está se tornando popular por ser baseado em evidência, bem estabelecido, manualizado e de baixo custo para implementar. A eficácia do método é atestada por 150 publicações.

Para o aluno aprender a usar o PECS, é preciso ser ensinado por alguém treinado no método. Pesquisas mostraram que são obtidos maiores benefícios quando o PECS é implementado com fidelidade. Pais e profissionais de várias áreas podem fazer o curso para aprender a utilizar este sistema.

Convido a assistirem ao vídeo “Uma Imagem Clara:  O uso e benefício do PECS”, no site www.pecs-brazil.com/videos.php, apresentado pela cocriadora do PECS, Lori Frost. Esse vídeo não é  um substituto para o treinamento do PECS, ele fornece apenas uma boa visão geral sobre o protocolo.

Acredito que ensinando uma comunicação funcional ao aluno, este conseguirá expressar-se em relação ao mundo ao seu redor e uma vez que essa comunicação passe a ser compreendida, ele irá interagir melhor com as pessoas com quem convive. Desta forma, ensinando comunicação estamos melhorando a qualidade de vida dos alunos e de  seus familiares.

Para maiores informações sobre Pyramid Consultoria Educacional do Brasil e PECS, acesse www.pecs-brazil.com ou entre em contato com [email protected].

 

ABA e o ensino da fala — Celso Goyos — Revista Autismo

ABA e o ensino da fala

Tempo de Leitura: 3 minutos

Com evidências científicas, ABA é ferramenta útil no ensino da fala como linguagem natural

A fala antecede a aquisição da linguagem complexa e é uma das características mais marcantes que o ser humano apresenta, sendo, para muitos, o divisor de águas entre seres humanos e infra-humanos. Quando, após a idade de 18 meses, a criança não apresenta a fala, ou a apresenta, mas de forma menos desenvolvida do que outras crianças de mesma idade e de nível sócio-econômico-cultural semelhante, é motivo de grande preocupação para os pais. Se a ausência, ou atraso, da fala persiste após os 18 meses, e a criança não apresenta prejuízo na estrutura auditiva e na estrutura da fala, tampouco apresenta prejuízos neurológicos significativos que justifiquem a condição, esta criança pode estar sob suspeita do diagnóstico de autismo. Este diagnóstico pode se confirmar, ou não, a depender das outras características definidoras apresentadas na condição do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A partir deste diagnóstico, a necessidade de tratamento é imediata e intensa (conforme Lovaas publicou, em 1987). Aqui, é interessante fazer uma comparação para se ter uma real dimensão do trabalho a ser imediatamente enfrentado. A criança com desenvolvimento típico adquire nove palavras novas por dia (como Gândara e Befi-Lopes escreveram, em 2010) a partir dos 18 meses, ou seja, aos três anos de idade a criança deverá apresentar um léxico correspondente a 5 mil palavras. Para não perder contato com a linha de desenvolvimento típico, é necessário atendimento imediato e eficaz. A decisão sobre qual terapia é a mais eficaz requer atenção muito especial da parte dos pais.

Dentre as possibilidades de tratamento disponíveis para o TEA, está a Análise de Comportamento Aplicada, cuja sigla mais conhecida é ABA, do inglês, Applied Behavior Analysis. Trata-se de uma ciência relativamente antiga, que se tornou mais conhecida a partir do trabalho de Lovaas em 1987. Não se trata de qualquer modismo, como muitas outras formas de tratamento atuais. A análise de comportamento tem origem no início do século 20 e, como alicerce, evidências experimentais sólidas e fidedignas e os resultados de sua tecnologia encontram-se ampla e fartamente divulgados em periódicos científicos de reconhecimento nacional e internacional.

Existem sólidas evidências científicas de que ABA se constitui na mais eficaz estratégia para o tratamento do autismo. As evidências iniciais datam da década de 1980, tendo sido o primeiro trabalho científico a mostrar como terapia comportamental intensiva e precoce pode ajudar crianças autistas, dando os primeiros sinais de esperança e alento para os pais.  Esses resultados foram replicados em diversos estudos posteriores (como Howard, Sparkman, Cohen, Green & Stanislaw, em 2005; Virués-Ortega, em 2010; Eikeseth, Klintwall, Jahr & Karlsson, em 2012; e Howard, Stanislaw, Green, Sparkman & Cohen, em 2014).

Particularmente, os avanços recentes registrados na área de linguagem foram extraordinários. A partir da concepção sobre o comportamento verbal, foram desenvolvidas novas teorias comportamentais sobre a linguagem: a Teoria da Nomeação (estudada por Horne & Lowe, em 1996), a Teoria da Equivalência de Estímulos (em 1994) e a Teoria dos Quadros Relacionais (de Hayes, Barnes-Holmes, & Roche, em 2001). O resultado destes avanços podem ser observados na enorme variedade de procedimentos de ensino que tem sido desenvolvida, com possibilidades notáveis de aplicação prática, particularmente com crianças com autismo, mas não restritamente a elas.

Um exemplo da conjunção dessas teorias comportamentais sobre o comportamento verbal encontra-se no livro “ABA: Ensino da fala para pessoas com autismo” — de minha autoria, publicado no fim de 2018. O programa de ensino proposto nesta obra é uma alternativa e/ou complemento a outros existentes, já descritos na literatura analítico-comportamental. Enfatizamos, neste livro, a importância do ensino da fala como linguagem natural da criança que não possui qualquer impedimento para a fala. A fala é entendida como comportamento como outro qualquer, com a especificidade de se apresentar como resposta verbal oral e, como tal, é instalada e mantida pelas consequências que ela produz sobre o meio ambiente.

Antes de se dar início ao desenvolvimento da fala propriamente dita, há que se pavimentar a estrada para a sua ocorrência, através da instalação de seus pré-requisitos ou de eliminação de barreiras. Os primeiros constituem-se em comportamentos pivotais ou cúspides comportamentais, tais como, contato visual sob controle instrucional, conceito de imitação generalizada, o conceito de identidade e o ouvir generalizado, dentre outros. As barreiras são basicamente todos os comportamentos que se incompatibilizam com o ensino dos comportamentos pivotais. Em seguida, ensina-se a fala, através do operante verbal conhecido como ecoico para, como base fundamental, em seguida, ensinar os operantes verbais de mando, tato e intraverbal, a leitura com compreensão, a composição da linguagem, falada e  escrita, de forma ordenada, o passado, o futuro, a linguagem matemática e mais outras formas de linguagem complexa.

Na intervenção fonoaudiológica é preciso avaliar e tratar o quanto antes

Tempo de Leitura: 2 minutos

por Renata de Lima Velloso

Nos casos de autismo ou transtornos do espectro do autismo (TEA), é de extrema importância a adequada avaliação e intervenção de linguagem, uma vez que é um aspecto notadamente comprometido. As alterações de linguagem influenciam no prognóstico destes quadros, podendo variar de acordo com a severidade do quadro. A  adequada avaliação de linguagem auxiliará no  diagnóstico e pro-verá um adequado planejamento de intervenção.

A habilidade de linguagem se desenvolve em diferentes níveis de forma ordenada e contínua: o nível fonológico (fonemas, sons da fala formando palavras), sintático (formação de sentenças), lexical (vocabulário), semântico (significado) e pragmático (uso funcional da comunicação). Na intervenção, serão trabalhadas as habilidades necessárias, ou seja, os aspectos onde foram apresentadas dificuldades durante a avaliação.

Um aspecto muito importante na intervenção dos quadros de TEA é a comunicação funcional. Os indivíduos com TEA em sua maioria apresentam dificuldade em utilizar a linguagem com funções comunicativas em um contexto de interação, em iniciar a comunicação e mantê-la de forma funcional, ou seja, apresentam alteração no nível pragmático.

Podem apresentar dificuldades de nível fonológico e sintático, como atraso ou ausência de fala, alterações de articulação, de prosódia (fala monótona), inversão pronominal (uso de “ele”, em vez de “eu”) e ecolalia (repetição da fala dos outros). Nos casos de ausência de fala, deve-se pensar junto à família a necessidade do uso de um sistema de comunicação suplementar e alternativa.

Outras dificuldades são comumente observadas no nível semântico, como a rigidez de significados (um único significado para um significante, acarretando dificuldades para a compreensão de ambiguidades e metáforas – muito comuns em piadas).

Outro aspecto alvo na intervenção é a teoria da mente, pois os indivíduos com TEA apresentam normalmente dificuldade na compreensão do estado mental dos outros e do seu próprio, não conseguem se colocar a partir do ponto de vista do outro, dificultando muito o diálogo e a interação social.

A habilidade de atenção compartilhada é um dos componentes que auxiliam na construção da Teoria da Mente e essencial também na intervenção. O foco da intervenção desta habilidade está em fazer com que o indivíduo com TEA consiga dividir adequadamente sua atenção entre os objetos e eventos a seu redor, usando contato ocular, gestos e/ou vocalizações.

Os jogos sociais têm um papel significante no desenvolvimento da habilidade de compartilhar interesses e no desenvolvimento da linguagem. É também muito importante que o processo de simbolização (capacidade simbólica, brincadeiras de faz-de-conta, imaginação) seja também trabalhado em intervenção. Esses aspectos podem ser trabalhados em terapia fonoaudiológica, visando a adaptação do indivíduo com TEA a contextos educacionais e sociais. A intervenção com orientações junto à escola e a casa dos indivíduos complementa o trabalho realizado em consultório.

As avaliações específicas das diferentes especialidades envolvidas completam-se como atividade de equipe, é muito importante a avaliação e discussão multidisciplinar. É essencial também o conhecimento por profissionais que atuam na área da saúde e infância, a respeito do desenvolvimento esperado na normalidade, para identificação precoce de possíveis desvios e condutas adequadas. O diagnóstico precoce possibilita intervenções terapêuticas e educacionais mais produtivas.


Renata de Lima Velloso é fonoaudióloga do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo (SP), além de ser mestre e doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e trabalhar com autismo desde 2002, e-mail: [email protected]


Conteúdo Extra