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Autista sofre bullying na escola e tenta suicídio no ES

Tempo de Leitura: < 1 minutoUm menino autista de 10 anos tentou suicídio após sofrer bullying em Serra, na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. Após o ato, a criança foi levada às pressas para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), depois para um hospital público de Vitória e, por fim, uma internação num hospital de Vila Velha.

Segundo o Século Diário, o menino estava reclamando de bullying há cerca de 2 semanas e ela buscou ajuda com pedagogos da instituição. Além do autismo, a criança também é diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositor Desafiador (TOD). A mãe recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

“Ele estava muito nervoso a semana inteira. E na quinta-feira, surtou na escola. Algum aluno disse que ele é burro, ou feio. A pedagoga pegou ele, tentou acalmar, mas ela disse que ele estava muito nervoso, dizendo que não aguentava mais e que ia se matar”, disse a mãe. “Eu preciso de médico, psicólogo, terapeuta, uma rede de apoio, para saber lidar melhor com essa situação toda”, complementou.

Exclusão – Você não queria, mas… você me feriu

Exclusão – Você não queria, mas… você me feriu

Tempo de Leitura: 3 minutosLembra, quando criança, você percebeu que eu não lidava bem com certas brincadeiras e ainda assim brincou? Pois é. Você me feriu. Hoje tais brincadeiras se chamam bullying. Mas você ainda acredita que elas não machucam ninguém. Ah, se você soubesse…

Na infância, você não queria, mas… você me feriu.

Ainda na infância, quando eu me queimei com a gordura quente e duas grandes bolhas logo apareceram? Eu sei que você não queria me machucar. Mas você me feriu. E ficou tranquilo quando eu não chorei e disse para todos que não doía. Você disse que a culpa era minha, ainda que eu fosse criança. Hoje, sei que não doeu por causa da hipossensibilidade. Exclusão – Você não queria, mas… você me feriu.

Na adolescência…

Já na pré-adolescência, quando eu emiti minha opinião sobre o jogo de futebol, você me fez sair da sala. Embora não quisesse me ferir, você me feriu. Disse que criança não pode “dar pitacos”. Mas doeu muito mais, quando eu comecei a tossir e a espirrar sangue. Eu estava com coqueluche. Você pediu que eu tossisse no terreiro. Que a casa não era minha. Aqui também, você me feriu. Hoje, justifica que criança só atrapalha.

Na escola, você não queria, mas… você me feriu.

Na escola, quando fazia minhas perguntas, você me pedia para calar. Explicava que eu estava “passando o carro à frente dos bois.” Abri a boca para perguntar o que isso queria dizer, mas, fechei imediatamente. Seu olhar me recriminava. Afinal, eu falava demais, perguntava demais. Eu sei que você não queria, mas isso me feriu.

Depois disso, à medida que os anos passavam, percebi que não havia resposta certa para o professor(a). Existia a resposta certa do professor. De novo, todas as tentativas de argumentar foram cerceadas. Eu sei, eu sei. Você nunca quis me ferir. Mas você me feriu.

Na faculdade…

Já na faculdade, apostei que seria diferente. Estava enganada. Você se repetia, seguia no automático. Entretanto, você se justificava e dizia que, na faculdade, o aluno só quer enrolar. Por isso, você descartou o sentimento de que havia me ferido. Mas você me feriu.

Todas as vezes que tentei explicar que a realidade de cada aluno era diferente, você zombou de mim. E você me feriu. Aliás, você sempre tinha uma explicação genérica. “Não podemos analisar caso a caso. Universitário quer vida mansa. Não que você quisesse me ferir. Mas você me feriu.

Você, em algumas aulas práticas, surtava e dizia que no mercado de trabalho, seria assim e pronto. Ainda me lembro da sua expressão de incredulidade, quando eu o alertei que no mercado de trabalho, você poderia se deparar comigo como sua chefe. Certamente, eu agiria diferente. Seu olhar de comiseração não desejou me ferir. Mas, adivinhe? Você me feriu.

No mercado de trabalho…

E, como profissional, todas as vezes que percebia seu olhar de vigília, da cobrança antes do prazo, da falta de respeito ao se dirigir à equipe, e o pior, do receio de eu não conseguir, você me feriu. Sequer se arrependia, ao receber o trabalho no prazo, com a excelência necessária. Desse modo, eu podia jurar que, como tantas outras vezes, você chamaria para si, a eficiência do resultado. Novamente desconsiderava a equipe. Também nunca percebeu, isso mesmo, NUNCA, de que o controle de qualidade do meu trabalho é MEU. Logo, sua cobrança era completamente inócua. De novo, você não queria. Mas você me feriu.

No relacionamento humano, você não queria, mas… você me feriu.

E quando a esperança de encontrar com um companheiro instigante, que me fizesse melhor a cada dia e vice-versa, se desfez, você me feriu. E eu que pensava que o amor é proativo, agregador, autêntico, uma construção diária e verdadeira, pleno de gratidão, me estrepei. Você me feriu. Não que o amor não seja tudo isso. A apropriação humana dele é que pode ser insuficiente. E, esta forma torta de amar, me feriu. E sim, eu sei, você não queria.

Amigos? Sim, sempre desejei tê-los. Mas, à moda de Vinícius, como sabê-los? Manter é tão complicado! Na sua forma de se afastar, sem ao menos me explicar o motivo, você me feriu. Isso é exclusão – Você não queria, mas… você me feriu.

O que me salvou, então? O que me salvou, e salva, é que hoje me conheço mais. E, ao me conhecer, percebo nossas diferenças. E, ao perceber as diferenças, constato: você não é todo mundo. Existem pessoas diferentes. Mais ricas em sua humanidade, mais interessadas em sua coletividade. Sim, foi isso que me salvou. Hoje você não me fere mais.

Autista de 13 anos sofre agressão verbal de médico, segundo família

Tempo de Leitura: < 1 minutoUma mãe de um autista de 13 anos afirmou que o filho foi desrespeitado por um médico em Rio das Ostras, no interior do Rio de Janeiro, quando buscava atendimento para uma síndrome gripal. Segundo ela, o médico mandou o menino “caçar trabalho”.

“Ele logo se atentou para a roupa do meu filho. Quis saber se ele trabalhava. Meu filho disse que não e ele perguntou porque estava com aquela blusa, e que se ele não trabalha, era para trabalhar sim, para ele dar valor ao dinheiro e, quando ele quiser comprar um tênis, ele vai ter que saber ganhar dinheiro. Esse é o tratamento que merecem os cidadãos que trabalham honestamente para cuidar da sua família. Estou indignada. Isso é um abuso, um absurdo. Ele tratar uma mãe com um menor de idade que procura atendimento médico”, disse ela ao O Dia.

Adolescentes autistas que sofrem bullying tem 2 vezes mais chances de pensar em suicídio, diz estudo

Tempo de Leitura: < 1 minutoOs pesquisadores Johnny Downs e Rachel Holden publicaram um artigo chamado “Por que é fundamental perguntar a adolescentes autistas sobre o bullying” no Spectrum News, um portal de divulgação científica sobre o autismo. O texto chama a atenção para o risco de suicídio entre pessoas diagnosticadas com o autismo, sobretudo na adolescência.

De acordo com os autores, o bullying é um dos fatores para suicídio para adolescentes de desenvolvimento típico. No caso do autismo, o estudo destacou que adolescentes autistas que sofrem bullying têm duas vezes mais chances de terem pensamentos suicidas.

“Pedimos aos médicos que lutem contra essa tendência e façam um esforço conjunto para perguntar às crianças com autismo sobre o bullying. E quando um jovem autista relata o bullying a profissionais de saúde mental, isso precisa ser levado a sério. Nossa pesquisa sugere que o bullying não apenas contribui para o risco de suicídio, mas também impacta no tratamento dos jovens”, dizem os autores do estudo.

Autistas na mira do bullying escolar — Revista Autismo

Autistas na mira do bullying escolar

Tempo de Leitura: 3 minutos

Ações devem ser contínuas e alcançar toda a comunidade escolar, inclusive os familiares dos alunos

O bullying

Da década de 1980 para cá, o bullying assumiu maior projeção no cenário global e surgiu a necessidade de elaboração de uma norma brasileira que dispusesse sobre o assunto. Em fevereiro de 2016, entrou em vigor a Lei nº 13.185/2015 (Lei de Combate à Intimidação Sistemática), que conceituou a intimidação sistemática, ou bullying como sendo “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.

Em razão do aparecimento de novos formatos, tal lei dispôs que existem oito tipos de bullying, a saber: verbal, moral, sexual, social, psicológico, físico, material e virtual.

Veja-se que o bullying assumiu uma dimensão complexa e tal lei veio dispor sobre o acometimento junto, principalmente, às escolas.

Mais tarde, a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) para estabelecer que as escolas devem “promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying)” e “estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz”.

Desta forma, resta indiscutível que a escola possui responsabilidade sobre o bullying ocorrido em seu espaço físico oferecido como educacional e deve criar medidas preventivas para o que se pode denominar “um dos maiores males do século”.

O Autista

O autista, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA), é pessoa com deficiência para todos os fins legais. Portanto, todas as normas que amparam as pessoas com deficiência, também acodem este público cuja condição é tão peculiar, dada sua diversidade no espectro. Os graus de autismo podem estar distantes entre si, mas todos com suas distintas necessidades para que o autista seja incluído na sociedade da forma adequada e alicerçada no respeito às particularidades que o espectro proporciona em cada indivíduo nesta condição.

Essas peculiaridades tornam o autista a vítima perfeita para o bullying, em especial no ambiente escolar, local que frequenta e passa tempo substancial do dia.

Ocorre que, em razão de sua hipersensibilidade sensorial e da forma como enxerga (ou sente) o mundo, o autista, em regra, não é dado a convenções sociais e, por vezes, suas ações destoam daquelas esperadas pelos neurotípicos (não autistas).  É comum que os autistas tenham estereotipias, ou seja, ações gestuais, como por exemplo: balançar as mãos (flapping), movimentar-se de um lado para o outro (“pendular”) e gostar de girar (a si ou a um objeto). Além disso, a maioria deles não costuma (há exceções) entender metáforas e possuem uma grande dificuldade em compreender o que é abstrato.

Com essas características, dentre outras várias (tendo em vista a diversidade do espectro), o autista se destaca no meio acadêmico de modo a ser uma fácil vítima de bullying, justamente por não se enquadrar nas convenções sociais, ou mesmo nas brincadeiras dos colegas.

O Combate

As ações devem ser contínuas, bem como devem alcançar toda a comunidade escolar, de modo a envolver, inclusive, os familiares dos alunos.

Conseguir prevenir o bullying é um desafio para todas as escolas e combatê-lo se faz necessário na medida em que crianças e adolescentes autistas podem ter suas vidas afetadas pela violência e por consequentes traumas.

Não é simples conseguir fazer com que os alunos se interessem e se candidatem a elos de uma corrente “anti-bullying”. No entanto, com as orientações corretas e o incentivo da escola, é possível que muitos alunos possam contribuir e detectar possíveis vítimas autistas, bem como descobrir se um colega nesta condição está prestes a se tornar uma.

É necessário convencer os gestores escolares da importância de imprimir ações que vão ao encontro das Leis nº 13.185/2015 e nº 13.663/2018, bem como é preciso conseguir sensibilizar toda a comunidade escolar sobre a  importância do combate ao bullying.

Por isso, uma forma de combate é incitar os gestores a providenciar palestras e atividades pedagógicas que façam os alunos e familiares refletirem sobre as consequências do bullying, inclusive nos âmbitos criminal e civil.

Com relação ao aluno autista, que é uma potencial vítima aos oito tipos de bullying, há que se destacar a interferência do Poder Judiciário. Existem jurisprudências (julgados) que condenam os agressores ou seus responsáveis legais a pagar indenização por danos morais às vítimas (lembrando que a escola e a administração pública também podem ser acionadas). Desde que existam as provas necessárias, dificilmente a vítima perderia uma ação judicial neste sentido.

Além disso, importante destacar que existe um liame muito tênue entre o bullying e alguns crimes tipificados no Código Penal, sendo que cada caso deve ser analisado à luz das fontes de direito que o ordenamento jurídico brasileiro dispõe.

Assim, com a sensibilização da comunidade escolar, inclusive dos familiares dos alunos, será possível diminuir e até mesmo extinguir as intimidações sistemáticas dentro da escola e evitar ações judiciais.