Por

Haydée Jacques Freire

É casada e mãe de dois filhos, sendo o mais moço autista severo. Formou-se em odontologia, exerceu a profissão até 2006, quando decidiu dedicar-se integralmente ao filho.

Dois de abril

1 de junho de 2022Dois de abril — Canal Autismo / Revista AutismoFernanda Barbi Brock / Revista Autismo

Tempo de Leitura: 2 minutosFiquei encantada com as celebrações do dia de conscientização do autismo! Quantas referências! Quantas pessoas participando! Mais uma data a ser lembrada, sem qualquer estranhamento. Excelente!

Mas, nem sempre foi assim. Lembro-me dos primórdios, quando ninguém tinha ideia do que era, realmente, esse dois de abril. Inclusive nós, pais e mães de pessoas dentro do espectro. 

Publicidade
Academia do Autismo

Estávamos começando a nos unir, alguns poucos pais e mães, bastante perdidos nesse universo do autismo. O objetivo era “Como ajudar nossos filhos?” Alguns tinham mais conhecimentos, pessoas que vinham de fora do Brasil, principalmente dos Estados Unidos. Outros, como eu, entravam na batalha de peito aberto, aprendendo por tentativa e erro. Assim, unir nossas forças e parcos conhecimentos era vital. Foi o que fizemos: pequenos núcleos, em cidades diversas. Depois das discussões nos grupos online, e-mails e Orkut, claro! Um grupo mais numeroso começou a se formar em São Paulo, com membros de cidades do entorno. Nós nos reuníamos, discutíamos, consolávamos uns aos outros e partíamos para nossas cidades, para difundir o que fora aprendido. 

Também começamos a discutir possíveis tratamentos. Na época, percebíamos um desconhecimento geral sobre o que era autismo, inclusive dos próprios médicos e terapeutas. Nossas crianças eram tão distintas, comportamentos tão diferentes, como então o “tratamento” para todos ser o mesmo? Começamos a ver alternativas de terapias e tratamentos clínicos. 

E assim fomos seguindo, com muito auxílio de algumas Igrejas (que nos davam o suporte físico, o precioso espaço para reuniões) e de algumas associações civis. E muito trabalho! Trabalho intelectual e emocional. A pouca literatura disponível era em inglês, voluntários traduziam e publicavam nos grupos. Pais e mães com diagnósticos recentes eram recebidos, amparados em seu luto e encorajados a seguir em frente. Tempos heroicos, com uma energia muito positiva.

Depois veio a necessidade de alcançar mais famílias e divulgar o autismo. Então, tomamos conhecimento do Dia Mundial de Conscientização do Autismo! E fomos à luta! Falar com vereadores, usar luzes azuis nos prédios públicos, vestir azul, acender luzes azuis nas casas… e pequenas passeatas. Cartazes, mães e pais, filhos e amigos, cachorros heheheh. Tudo era muito amador, feito com muita garra, com muita vontade de passar informações para a sociedade. E vejam como estamos agora! Do alto dos meus quase 70 anos me congratulo e parabenizo todos vocês que continuam nessa jornada!

Compartilhe

Livro sobre estudos da deficiência na educação é lançado de forma gratuita — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / Editora UDESC

Livro sobre estudos da deficiência na educação é lançado de forma gratuita

/
Por Tiago Abreu
O livro Estudos da deficiência na educação: anticapacitismo,…
Familiares de autistas e professores participam de encontro sobre autismo no interior do RS — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / Prefeitura de Caxias do Sul
Professores de AEE em Teresina participam de conversa sobre autismo — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / Ascom Semec

Professores de AEE em Teresina participam de conversa sobre autismo

/
Por Redação do Canal Autismo
Professores que atuam no atendimento educacional especializado…