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Disfunções sensoriais e confecção de atividades

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado;  Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores

Estímulos táteis considerados aversivos podem reprimir a socialização de forma considerável ou desencadear estereotipias. Em alguns casos, movimentos repetitivos podem ser uma forma de buscar alívio de sensações aversivas causadas pela Hipersensibilidade Sensorial.

Amo o meu trabalho e me dedico a ele com afinco, tanto no preparo das aulas como nos detalhes de cada atividade que confecciono. Minhas (meus) alunas (os) sabem o quanto procuro para passar dicas, apoiar o trabalho delas (deles) e transferir meus conhecimentos de maneira clara, afinal conhecimento compartilhado é benefício para os autistas nas salas de aula e consultórios. Passo tudo aquilo que aprendi a duras penas, até aquilo que aprendi na base do erro/acerto, e passo sem reservas, de maneira desprendida. 

Desde 2020, ano em que a pandemia me fez afastar das salas de aula (como todos), tive a oportunidade de observar mais as atividades que professores postam nas redes sociais, e refletir bastante em cima de algumas ideias.  

Gostaria então, de passar uma dica quanto a questões sensoriais no autismo e a confecção de materiais estruturados.

A maioria dos professores que tem alunos autistas sabe o quanto é importante para a confecção de materiais individualizarmos, adaptarmos currículos, cuidarmos da qualidade e entendimento das imagens… isso é fato. Mas não vejo muito a preocupação com a parte sensorial dos alunos, para quando forem manusear e utilizar esses materiais. 

Ao confeccionar, procuro me colocar no lugar do aluno autista: eu iria gostar disso? Eu me importaria de tocar naquilo? Isso pode me machucar? Isso é irritante? 

Cuidados que tenho com base nos déficits sensoriais que alguns alunos podem apresentar e nos meus próprios (não suporto algumas texturas e sons), então não utilizo nas minhas atividades isopor, por exemplo… além do toque poder ser irritante, o isopor pode se quebrar facilmente e não atender o critério de durabilidade. Tenho o cuidado de encapar as atividades em que uso papel paraná ou papelão, assim como também encapo as caixas que contenham escritos, pois podem interferir no critério clareza para o entendimento do aluno, como também no critério de estética. Elimino qualquer ponta, fio, ranhura… esse esmero atende o critério de segurança. Uma atividade bonita e bem cuidada para oferecermos ao nosso aluno, atende o melhor dos critérios: a afetividade.

Estou dizendo com isso que todos os alunos autistas não devam nunca ter contato com esses materiais? Não!

Estou dizendo que na hora de utilizarmos uma atividade pedagógica estruturada não é bom que tenham exceto, se houver certeza absoluta que o aluno não se incomodará, pois, o déficit sensorial pode comprometer o engajamento e a conclusão da tarefa. 

Pensar bastante antes de escolher as matérias-primas para as atividades é sempre muito importante.

A Integração Sensorial como abordagem do terapeuta ocupacional em crianças autistas

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Marilia Morande

Terapeuta Ocupacional. Conselheira Estadual de Santa Catarina da ONDA-Autismo, Especialista em Neurologia e pós-graduada em Psicomotricidade.

 

A Integração Sensorial (IS) é uma técnica de tratamento que foi preconizada pela terapeuta ocupacional Jean Ayres. Inicialmente foi dirigida a crianças que apresentavam distúrbio de aprendizagem e atualmente a sua utilização se ampliou também as disfunções neurológicas. A integração sensorial é baseada na teoria que trata a forma como os humanos desenvolvem a capacidade de organizar sensações para o propósito de executar atividades auto dirigidas e significativas. Sua base está nos estudos neurocomportamentais.

Ayres define a integração sensorial como sendo a organização de informações sensoriais, proveniente de diferentes canais sensoriais e a habilidade de relacionar estímulos de um canal a outro, de forma a emitir uma resposta adaptativa. Para Ayres resposta adaptativa é uma ação apropriada na qual o indivíduo responde com sucesso a alguma demanda ambiental.

Uma explanação de como a criança desenvolve a capacidade de organizar seu próprio comportamento é central para a teoria. Esse processo de organizar a informação sensorial no cérebro para promover respostas adaptativas é o que Ayres chamou de Integração Sensorial.

Levando em consideração que cada criança é única e o seu comportamento está diretamente direcionado a maneira como ela recebe, processa e integra as informações sensoriais pelos sete sentidos: visual, auditivo, gustativo, olfativo, tátil, proprioceptivo e vestibular, esse processo neurológico é capaz de organizar as sensações do próprio corpo e do ambiente, tornando possível essa importante relação entre ambos.

Estudos recentes mostram que mais de 90% das crianças com autismo apresentam déficits no processamento sensorial, o que acaba interferindo significativamente em suas habilidades de interação com o mundo. Entender como a criança processa a informação sensorial é de extrema importância para auxiliá-la no dia a dia.

Tratando-se do diagnóstico precoce de autismo observa-se os sinais de disfunção sensorial muito presentes, os quais muitas vezes levam os pais a busca por tratamento. Visto que o transtorno do processamento sensorial impacta o desempenho funcional destas crianças na realização das atividades da vida diária, bem como dificulta a dinâmica de seus familiares.

O terapeuta ocupacional é o profissional que utiliza desta abordagem terapêutica que compreende a criança do ponto de vista do processamento sensorial e do seu funcionamento autônomo.

Cabe ao terapeuta ocupacional que utiliza dos procedimentos de Integração Sensorial preparar o ambiente que conduza a criança a organizar sua própria conduta, encorajando-a e estimulando-a ou não para que ela vença seus próprios desafios e as suas atividades sejam realizadas com êxito.

Referências

AYRES, A.J. Sensory integration and leaming disorders. Los Angeles, 1972.

CARVALHO, Ligia Marida de Godoy. Ciclo Integrado de Estudos em Saúde e Educação. Itatiba 2009.

REINOSO, Gustavo; BLANCHE, Erna Imperatone. Déficit de procesamiento sensorial en el espectro de autismo. 2009.

Arsenal inaugura sala sensorial para autistas — Canal Autismo / Revista Autismo

Arsenal inaugura sala sensorial para autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Arsenal, time de futebol de Londres, inaugurou uma sala sensorial para autistas no Emirates Stadium. A iniciativa é parte de uma tendência de clubes de futebol do Reino Unido em criar ambientes acessíveis para autistas.

Segundo o Metrópoles, outros clubes como o Sunderland, West Bromwich, Watford, Liverpool e Southampton também fizeram ações semelhantes.

Shopping em São José dos Campos inaugura sala sensorial dedicada para autistas

Tempo de Leitura: 2 minutosO Vale Sul Shopping, localizado em São José dos Campos, em São Paulo, inaugura nesta quarta-feira (1) uma sala sensorial dedicada para autistas. A Sala Azul é um espaço dedicado para relaxamento e conforto, bem como para auxiliar autistas em momentos de crise. O evento de inauguração do espaço reunirá figuras públicas do município.

De acordo com informações divulgadas pela Revista Urbanova, a Sala Azul possui piso de tatame em EVA, uma iluminação mais leve e discreta, assentos confortáveis, se localiza numa área mais distante e menos barulhento do shopping, e também inclui profissionais treinados para lidar com autistas. O autor do projeto é o técnico de edificações Felipe Souza, que é pai de autista.

Cínica de imunização Vaccine Care Jd. Bonfiglioli, em SP — Canal Autismo / Revista Autismo

Etapas da imunização com pictogramas, para dar previsibilidade a autistas.

Clínica de imunização em SP

Outra iniciativa inaugurada recentemente, no último dia 9 de agosto, com sua arquitetura pensada para pessoas com autismo, foi a clínica de imunização Vaccine Care Jd. Bonfiglioli, em São Paulo (SP). Com projeto de comunicação visual da designer Ana Paula Chacur, o local tem espaços pensados para atender pessoas com deficiência, com um olhar em particular para autistas, contando, por exemplo, com uma sala sensorial, além das etapas para imunização em pictogramas, desenvolvido em parceria com a empresa Voz em Papel, para dar previsibilidade às pessoas dentro do espectro do autismo.

Na sala sensorial, há luzes indiretas (veja a foto a seguir) que têm controle de intensidade e de cor, conforme a necessidade de cada um no momento. “Espaços pensados para pessoas com autismo, promovem autonomia, potencializam aprendizagem e aquisição habilidades respeitando as etapas do seu desenvolvimento afetivo motor e cognitivo”, explicou Chacur.

Cínica de imunização Vaccine Care Jd. Bonfiglioli, em SP — Canal Autismo / Revista Autismo

Sala sensorial da Cínica de imunização Vaccine Care Jd. Bonfiglioli, em São Paulo (SP).

Podcast lança episódios sobre hipersensibilidade no autismo

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, liberou três episódios relacionados a hipersensibilidade no autismo nas últimas semanas. São “Seletividade Alimentar”, “Hora de Dormir” e “Hipersensibilidade e Hipossensibilidade”. “Seletividade Alimentar” foi apresentado por Luca Nolasco, enquanto os dois últimos por Tiago Abreu.

Em “Seletividade Alimentar”, foram exploradas as dificuldades na infância na alimentação, incluindo restrições alimentares e situações familiares desagradáveis. “Hora de Dormir” envolveu distúrbios do sono e a dificuldade, de alguns autistas, com a qualidade do descanso. Já “Hipersensibilidade e Hipossensibilidade”, lançado nesta sexta-feira (31), é focado de forma mais geral nas reações atípicas que autistas costumam ter em relação a estímulos do ambiente.

Sobre o tema, Willian Chimura, pesquisador, youtuber e um dos integrantes do podcast, chegou a dizer: “Não é a pessoa que é hipo ou hipersensível, mas sim interpretar e entender que aquela pessoa pode ter uma hipo ou hiper-reatividade, na verdade. Ou seja, a forma que a pessoa reage a determinados estímulos que estão no ambiente dela ali pode ser desproporcional dependendo da situação”.

Os episódios estão disponíveis para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.