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Reino Unido lança programa multimilionário para apoio de autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoO governo do Reino Unido anunciou, nesta quarta-feira (21), o lançamento da Estratégia do Autismo, um programa multimilionário que visa ajudar o acesso à saúde de pessoas autistas, incluindo diagnóstico precoce, remoção de barreiras a educação e a emprego e combate à desigualdade.

Segundo o governo, serão disponibilizados cerca de £ 75 milhões no primeiro ano e um valor recorrente de £ 50 milhões nos anos subsequentes. O programa será executado até 2026 e pretende apoiar os mais de 700 mil autistas que vivem no país.

Governo aprova teto de 140 mil para carros PcDs, mas surdos ficam de fora

Tempo de Leitura: < 1 minutoO presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou, na última quinta-feira (15), o teto de R$ 140 mil de isenção de imposto sobre produtos industrializados (IPI) para compra de carros para pessoas com deficiência. A única exceção é para pessoas surdas, que não estão contempladas, por justificativa do Ministério da Economia de que a inclusão de todas as PcDs afetaria as contas públicas.

Segundo a Quatro Rodas, a lei também prevê um aumento do prazo para que o proprietário do veículo venda o carro, que antes era de 2 anos e, agora, passa a ser de 3 anos.

Comissão convida médicos e advogado para discutir educação de autistas

Tempo de Leitura: < 1 minutoA Comissão de Educação da Câmara dos Deputados fará uma discussão nesta sexta-feira (25) sobre educação no contexto do autismo, a partir de sugestão do deputado Otoni de Paula (PSL-RJ). O evento terá transmissão online e terá ênfase nas contribuições da neurociência para autistas.

O evento terá quatro convidados: Ana Rosa Airão Barboza, chefe do ambulatório de Neuropediatria do Hospital Universitário Gaffré e Guinle da Unirio; Renato Fernandes de Paulo, fisioterapeuta e PhD em neurociência; José Otávio Pompeu e Silva, fisioterapeuta e professor da UFRJ e o advogado Igor Luis Pereira e Silva.

“A educação autista envolve desafios singulares. Alguns alunos precisam de mais cuidados, enquanto outros são mais  independentes. Entretanto, todos exigem alguma atenção diferenciada”, disse Otoni de Paula para a Agência Câmara de Notícias.

A relação entre a não extradição de Julian Assange e o autismo

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Nesta segunda de manhã (4.jan.2021), a Justiça do Reino Unido decidiu a não extradição de Julian Assange para os EUA, e um dos argumentos tem ligação direta com o autismo.

Desde setembro de 2020, a imprensa britânica passou a noticiar que Assange recebeu o diagnóstico de Síndrome de Asperger — uma categoria de diagnóstico em desuso hoje, popularmente conhecida como uma espécie de “autismo leve”.

Asperger contém, então, duas características centrais do que compreendemos hoje como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA): dificuldade de interação social e comunicação, e comportamentos restritos/repetitivos.

Diagnóstico

A avaliação de autismo na vida adulta geralmente concentra relatos familiares, testes de habilidades sociais e uma investigação de características do autismo ainda na infância e uma série de profissionais. É um diagnóstico difícil de ser feito e muitas vezes negligenciado.

No caso de Assange, ele foi descrito como uma pessoa inteligente, com interesse rígido em certos tópicos (o que geralmente chamamos de hiperfoco), dificuldade de gerir conversas e interações, poucas amizades ao longo da vida e muitas atividades solitárias.

Uma descrição bem aprofundada sobre o debate em torno das características (e até mitos) do autismo no tribunal estão na cobertura do caso, feita pelo tabloide britânico Daily Mail.

Traços de autismo

O debate em torno de Assange ser autista não é novo. O próprio Julian Assange disse em 2011 que enxergava traços de autismo em si mesmo e ainda fez uma provocação ao dizer que “todos os hackers” teriam Asperger.

Um lado interessante deste debate é o quanto o autismo dito “leve” sempre foi beneficiado (inclusive culturalmente) pela ideia de sujeitos desajeitados, extremamente inteligentes e de poucos amigos. E isso voltou à tona — aqui tem um artigo de opinião interessante, da escritora australiana Kathy Lette: “I knew Assange was autistic – it explains why people read him unfairly“.

É curioso também observar o quanto o autismo — como um diagnóstico — tem ilustrado casos peculiares de obstrução da Justiça. Recentemente, o hacker preso por atacar sistemas do TSE, de 19 anos, se declarou Asperger.

Por fim, vale reforçar que a nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a CID-11, entra em vigor em 2022. E, a partir de então, o termo “Síndrome de Asperger” pode ser finalmente sepultado — e tudo estará integrado no TEA.

CONTEÚDO EXTRA

Primeiro vereador autista do Brasil é eleito em São Paulo

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Segundo apuração da Agência Pública, 19 candidatos autistas pleitearam cargos de vereador(a) pelo Brasil nas eleições municipais de 2020. Isso foi um passo praticamente inédito na história do nosso país e no ativismo do autismo. Foram candidaturas em várias legendas de todo o espectro político, como a UP, PCdoB, PDT, PTC e PSL.

Inicialmente, nenhum dos 19 candidatos conseguiu vencer. Mas ocorreu uma exceção, em Guarulhos (SP). Jorginho Mota, do Partido Trabalhista Cristão (PTC), tinha recebido uma quantidade de votos suficientes para se eleger, mas teve problemas documentais na Justiça. Em 1 de dezembro, no entanto, sua candidatura foi deferida e ele assumirá em janeiro.

Jorginho nasceu em 1977 e já tinha sido cogitado a ser candidato a vice-prefeito no cenário político de sua cidade. Além de autista, também é pai de autista e afirma em suas redes sociais que seu diagnóstico é recente. Guarulhos, de acordo com o IBGE, tem a 13º maior população do Brasil, com quase 1,4 milhão de habitantes.

 

Candidaturas de autistas nas eleições 2020 é tema de podcast

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O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, lançou nesta sexta-feira (22) o seu 140º episódio, chamado “Autistas na Política”. O conteúdo foi apresentado por Tiago Abreu, jornalista e autista, e contou com as participações do ativista e pesquisador Willian Chimura e do advogado Engels Bandeira, também autistas.

“Autistas na Política” teve como pressuposto candidaturas nas eleições de 2020 por autistas que ocorreram em diferentes locais do Brasil e por diferentes legendas. O contexto eleitoral, inclusive, pode levar o Brasil a ter, pela primeira vez em sua história, vereadores autistas.

Acerca desse fenômeno, Chimura acredita que o sistema político, em seus moldes atuais, não é inclusivo para autistas. “Nós estamos falando de uma pessoa que necessariamente vai precisar se relacionar com o público, que vai precisar defender os interesses da população e negociar com com outras pessoas, com seus pares. E eu imagino que a forma atípica de se expressar, compreender alguma coisa, de usar algum termo de uma forma um pouco atípica pode até acabar criando alguma tensão que nunca foi a intenção realmente dessa pessoa autista”, afirmou.

O advogado Engels Bandeira, convidado do episódio, afirmou que defende cotas para pessoas com deficiência na política. “A luta pelos direitos das pessoas autistas é uma luta da comunidade toda em geral. É uma luta das associações, das pessoas autistas, pais, dos familiares. Não é uma luta de A, B, ou C, não podemos personificar essa luta jamais”, disse ele, em referência ao interesse público sobre a temática do autismo.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.