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Pessoas com deficiência física podem se candidatar a tomar a 'xepa da vacina' na Grande SP - Canal Autismo / Revista Autismo

Pessoas com deficiência física podem se candidatar a tomar a ‘xepa da vacina’ na Grande SP

Tempo de Leitura: 2 minutosNa Grande SP, região metropolitana de São Paulo (SP), 10 dos 39 municípios estão oferecendo, a pessoas com deficiência, a “xepa da vacina”— uma fila de espera para receber as doses remanescentes da campanha de vacinação contra a Covid-19 que são aplicadas em outros públicos, além daqueles que já são prioritários, conforme reportagem de hoje, no G1. Em algumas cidades, estão aptos a participar da “xepa” pessoas com mais de 18 anos e que possuem comorbidades ou deficiência física. Mas cada cidade, incluíndo a capital (São Paulo), tem suas regras e requisitos, vale conferir, pois as idades e as exigências variam. Não há informações de que  autistas, sem as comorbidades exigidas, possam se candidatar.

Geralmente, não há sobra de doses da vacina, por esse motivo, ainda são poucas as cidades que adotaram essa conduta. Vale destacar também que algumas cidades fazem o agendamento prévio para vacinação, podendo assim ter um controle maior sobre o número de doses aplicadas. Toda Unidade Básica de Saúde (UBS) é orientada a não abrir novos frascos no fim do dia, exatamente para evitar qualquer excedente. Quando isso é impossível, a alternativa é aplicar as doses remanescentes nas pessoas que seriam as próximas da fila. A ordem é não desprezar nenhuma dose!

Na capital paulista, segundo o Programa Municipal de Imunização (PMI), já foram aplicadas, em média, 2.046 doses remanescentes por dia, com dados até terça-feira (25), segundo reportagem do G1. Para se inscrever na lista da “xepa”, basta comparecer à UBS mais próxima munido de um documento de identificação (RG ou CPF), comprovante de condição de risco (exames, receitas, laudo, relatório ou prescrição médica), contendo o CRM do médico, e um comprovante de residência.

Veja todos os detalhes de cada municípios na reportagem do G1.: ‘Xepa da vacina’ é oferecida em 10 dos 39 municípios da Grande São Paulo.

Pessoas com deficiência física podem se candidatar a tomar a 'xepa da vacina' na Grande SP - Canal Autismo / Revista Autismo / G1

Grupos ligados ao autismo e pessoas com deficiência defendem a priorização na vacinação

Tempo de Leitura: 5 minutos

Associações e movimentos de pessoas com deficiência pedem que essa população seja priorizada nos planos de vacinação contra Covid-19

Autistas e demais pessoas com deficiência não estão priorizados no Plano Nacional de Imunização no Brasil. E este tem sido um assunto que ganha cada vez mais repercussão nas redes sociais com a chegada da possibilidade real de nos vacinarmos contra o novo coronavírus. Cresce dia após dia um movimento pedindo a priorização dessa população nos planos de vacinação durante a pandemia.

Uma carta aberta (veja aqui na íntegra), assinada por diversas instituições e grupos, pede a priorização das pessoas com deficiência nos planos de vacinação. O documento é endereçado a todos os gestores de Saúde, das três esferas: federal, estadual e municipal. A carta cita, inclusive, o pedido da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no mês passado (11.dez.2020), num ofício que cita toda a legislação que justificaria tal medida.

Grupo de risco

Segundo alguns médicos que a reportagem da Revista Autismo ouviu, o motivo das pessoas com deficiência não serem consideradas parte do grupo de risco para os planos de imunização é o seguinte: o risco avaliado nos planos é o risco de a pessoa desenvolver uma forma grave de Covid-19 (precisando de internação) e risco de morte. Não se leva em conta o risco de contaminação. Assim, segundo essa análise, uma criança de 10 anos com deficiência intelectual (DI) e outra criança da mesma idade, sem deficiência, têm, ambas, o mesmo risco de desenvolver uma forma grave de Covid-19. Não se leva em conta que a criança com DI tem mais risco de contaminação, pois não consegue seguir todas as regras de higiene e conduta para evitar o contato com o novo coronavírus. Assim acontece também com um adulto cego e um adulto que enxerga (vidente), ambos têm a mesma chance estatística de desenvolver Covid-19 grave; ou ainda um idoso cadeirante e um não cadeirante, novamente, os dois com as mesmas chances. Em resumo: ignora-se o risco de ser contaminado, avaliando apenas o risco da pessoas desenvolver uma forma de Covid-19 grave ou morte.

Preservar pessoas e serviços de saúde

Para Paula Ayub, diretora do Centro de Convivência Movimento, temos que discutir o tema. “Sou psicóloga e trabalho com pessoas com autismo há mais de 30 anos. E, nesse período, fui chamada para acompanhar essas pessoas, jovens, crianças, adultos, em vários hospitais, na rede pública e privada, por conta de uma total falta de aptidão ou de costume dos médicos e enfermeiros atender essas pessoas e dar o tratamento necessário. Já tive de fazer plantão em UTI e pedir para o médico oferecer sedação e agir rápido em função do tempo de reação daquela pessoa ao medicamento. Já tive que correr atrás de enfermeiro e ouvir um ‘não consigo segurar’ e eu ter que dizer ‘isso não é força, é o modo de fazer’ para conseguir segurar a pessoa. Já presenciei uma extubação em que o médico pedia ao paciente para apertar sua mão se estivesse lhe ouvindo. E eu tive de explicar que não era assim, que ele não iria apertar a mão, que a gente precisava procurar outras formas de observar se ele estava reagindo, outros sinais”, contou Paula, que reconheceu que na rede pública encontra profissionais com aptidão até maior, pela prática com a diversidade de pacientes que atendem.

Ela explica que “para fazer um exame de sangue, diversos outros procedimentos, tem que ter acompanhamento”. E ainda questiona: “Se uma pessoa dessas precisa ir para a UTI com Covid-19, no caos que nós estamos, como essas pessoas vão se salvar? Como teremos dois ou três médicos para atender? Quatro enfermeiros para segurar? Como teremos um acompanhante lá dentro o tempo todo? Pensando nisso, temos que preservar essas pessoas com deficiência e preservar o serviço de saúde também!”, argumentou ela de forma enfática.

Síndromes raras, cegos e baixa visão

“Muitas das crianças e adultos com síndromes raras colocam tudo na boca. Inclusive o vírus da Covid-19. Além disso, muitas têm deficiência imunológica. Por esses dois principais motivos, pedimos prioridade na vacinação”, declarou Sandra Doria Xavier,  médica, mãe do Caio de 8 anos (neurotípico) e do Luis Fernando de 15 anos (com síndrome de Cri du Chat), que representa a ABCDC (Associação Brasileira da Síndrome de Cri Du Chat).

Para Anderson Almeida Batista, assistente social e especialista na área da deficiência visual, “é fundamental que pessoas com deficiências sejam consideradas nos grupos prioritários de acesso à vacinação. No caso específico das pessoas cegas e com baixa visão, por terem que aproximar objeto dos olhos, tocar corrimões, botoeiras, objetos e de necessitarem de atendimento especializado, da ajuda de terceiros em algumas situações específicas, dentre outras, isso as coloca em vulnerabilidade e maior risco de contrariem a Covid-19”, relatou ele, que atua na Instituição Laramara desde 1999.

Alguns especialistas ouvidos temem que a quantidade de pessoas com deficiência, mas que não precisam realmente de priorização na “fila” da vacina contra Covid-19 pelas suas boas condições de saúde e características, inviabilize o pedido por tornarem o grupo grande e generalizado  demais diante da inicial pouca oferta de vacina.

Signatários

Assinam o documento: a Revista Autismo, o 
Instituto Rafa, o 
Centro de Convivência Movimento, a 
Associação de Pais Inspirare, a Associação Paulista de Autismo, a 
Escola Mosaicos, a Instituição Laramara, a REUNIDA (Rede Unificada nacional e Internacional pelos Direitos dos Autistas), o MOAB (Movimento Orgulho Autista Brasil), a 
Incluir Treinamentos, a 
Associação Paulista de Autismo, o 
Instituto UniTEA, o Movimento Down, o 
CODDEDE (Conselho das Pessoas com Deficiência do DF) a Amaviraras, o projeto
”A Fada do Dente”, a 
Abre-Te (Associação Brasileira de Síndrome de Rett), a 
Pastoral das Pessoas com Deficiência da Região Episcopal Ipiranga (SP) e Fórum da Pessoa com Deficiência da Regional Vila Mariana (SP), o 
Instituto Lagarta Vira Pupa, além de mães de autistas e demais pessoas com deficiência.

O documento está também num site de abaixo-assinado (neste link) para quem quiser divulgar a ação e também assinar o documento virtualmente “engrossar o coro” desta solicitação ao Poder Público.

A seguir, a pedido de inúmeras pessoas, deixamos um link para quem quiser baixar o arquivo da carta aberta e assiná-la, para enviar às autoridades que tiverem contato e reforçarem tal pedido.

CONTEÚDO EXTRA

Imagens da campanha do Movimento Down:

Bienal Virtual do Livro de SP terá Mauricio de Sousa falando de personagens com deficiência

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Live terá também a participação de representantes da Casa Hunter, Sarepta e Revista Autismo

No dia 10 de dezembro de 2020, às 15h00, acontece uma live com tema muito importante na Bienal Virtual do Livro de São Paulo: diversão e inclusão – a importância dos personagens com deficiência nas histórias infantis. Para um tema como esse, ninguém mais indicado que o pai da Turma da Mônica, o desenhista Mauricio de Sousa. Além dele, participarão também Antoine Daher, presidente da Casa Hunter, e Fábio Ivankovich, diretor da Sarepta Brasil. Quem media o debate é o jornalista Francisco Paiva Junior, editor-chefe da Revista Autismo.

Dividida em quatro setores virtuais, o live acontece na “Conexão Turma da Mônica” com participação gratuita. O debate deve girar em torno do tema inclusão e diversidade, além dos diversos personagens com deficiência da Turma da Mônica, como Luca (cadeirante), André (autista), Tati (com Síndrome de Down), Edu (com Distrofia Muscular de Duchenne) entre outros.

Live: Diversão e inclusão – a importância dos personagens PcD nas histórias infantis
Quando: 10 de dezembro às 15h00 (horário de Brasília)
Duração: 1 hora
Onde:  Espaço Infantil Turma da Mônica na 1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo