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Empatia no autismo

Tempo de Leitura: 2 minutosFelizmente, o entendimento sobre a empatia no autismo deixa para trás, a crença de que autistas não são empáticos. Ou seja, isso acontece, à medida em que se ampliam os estudos sobre aspectos cognitivos e emocionais sobre a empatia. Afinal, esse é um conceito de complexa definição científica no qual vários fatores se entrelaçam.

Entretanto, autistas tendem a ser autocentrados. Contudo, às vezes, há uma má interpretação sobre o que essa característica significa. Certamente, essa característica não quer dizer, necessariamente, que a pessoa seja egoísta ou egocêntrica. Ou, ainda, que não se importe com os outros. Ou qualquer outro juízo de valor.

A empatia e o autista autocentrado

Quando se é autocentrado, até o seu sofrimento do outro, você enxerga a partir de sua própria percepção. Então, é essa percepção que, em diversos momentos, leva você a mover céus e terras para ajudar uma pessoa. Mesmo que ela não necessite ou precise desse auxílio. Ou ainda, sem que ela sequer tenha solicitado sua ajuda. Desse modo, você não compreende porque o ouro tem um modo diferente de vivenciar tal sentimento que provoca a dor. Às vezes, o outro tem uma maneira bem mais leve de encarar a situação. Entretanto, para o autista, se ele pensa que estaria sofrendo nessa mesma experiência do outro, nasce, instantaneamente , o desejo de levar a melhor solução à outra pessoa.

Nada é um mal ou um bem em si

Isso me levou à reflexão. Fiquei pensando se há benefícios em ter um funcionamento mais autocentrado. No contato com outras pessoas, essa característica é, muitas vezes, rotulada como algo negativo. Ao longo da minha vida, ouvia como uma crítica, a percepção de que eu era autocentrada. Em outras palavras, que seria algo a ser compensado por outras características. Por exemplo, as capacidades acadêmicas.

Ser autocentrada não é necessariamente algo ruim. Nada é um bem ou mal em si. O que define o impacto das características em nosso dia a dia, é como lidamos com elas.

Empatia no autismo e a ética

Precisamos ter ética com o outro. Se eu conheço e sei lidar com o meu funcionamento autocentrado, consigo ampliar ou até mesmo, otimizar o meu cuidado com o outro. Por muito tempo, acreditei que esse traço só faria mal aos outros. Como se eu não tivesse, sequer, a noção do que faz mal ao outro. Não. Não é bem assim.

Por ser autocentrada, eu sempre me autoanalisava. Ao mesmo tempo em que ser uma pessoa autocentrada me dificulta perceber algumas necessidades alheias, também me possibilita conhecer as minhas próprias necessidades. E a trabalhá-las para me tornar mais plena no encontro com o outro.

‘Autistas de fato tem empatia’, diz psicólogo sobre estereótipos do autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoO podcast Introvertendo, produzido por autistas adultos e com diálogos sobre o autismo, lançou nesta sexta-feira (24) o seu 188º episódio, chamado “Empatia e Teoria da Mente”. O episódio trouxe, como entrevistado, o psicólogo, professor e autista João Paulo Martins, que discorreu sobre as dificuldades de autistas em torno da Teoria da Mente.

João afirmou que a Teoria da Mente não é uma teoria, como algumas pessoas podem pensar. “O que ela quer dizer, na verdade, é uma habilidade. Ela não é uma teoria literal, é uma habilidade de você reconhecer ou não estados mentais, estados emocionais ou aquilo que leva uma pessoa a fazer determinada coisa por uma situação emocional”, contou.

O episódio foi conduzido pela engenheira Thaís Mösken e o jornalista Tiago Abreu, que perguntaram sobre estereótipos de que autistas não possuem empatia. João Paulo também abordou isso. “Autistas de fato tem empatia. A questão é o reconhecimento e a forma de demonstração. E aí entra propriamente na própria questão do que é esperado que uma pessoa responda, o que a gente chama do que é adequado, e essa é a própria questão da adequação do que é pra responder em uma determinada situação é uma coisa que eu acho que dá muito assunto”, afirmou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

‘Há uma má interpretação sobre autistas serem autocentrados’, afirma Sophia Mendonça

Tempo de Leitura: < 1 minutoA jornalista e escritora Sophia Mendonça publicou nesta segunda-feira (16) um vídeo sobre empatia no autismo no canal “Mundo Autista“, do qual é uma das apresentadoras. A youtuber defende que ocorre uma dissolução da crença de que autistas não seriam empáticos após o aumento de estudos sobre aspectos cognitivos e emocionais da empatia. Ela também afirma que há uma má interpretação sobre o funcionamento autocentrado de pessoas no Espectro, como se isso significasse necessariamente egocentrismo.

“Quando você é autocentrado, até o seu sofrimento você deposita na percepção do outro. Então, muitas vezes você move terras por uma pessoa que nem quer a sua ajuda, que vivencia o sofrimento de uma maneira até mais leve do que você, mas você acha que porque você estaria sofrendo nessa situação, você quer dar o seu melhor para ela dessa maneira”, pontua a jornalista. “No contato com outras pessoas isso é visto como algo até negativo. Ao longo da minha vida, ouvia isso como uma crítica ou algo que deve ser compensado. Ser autocentrado não é necessariamente algo ruim. A questão de ser autocentrada me faz ter uma possibilidade de cuidar melhor dos outros se eu souber lidar com essa característica. Por ser autocentrada, eu olhava para mim e fazia uma autoanálise. Eu consigo trabalhar alguns pontos em mim para ser mais plena no contato com o outro”, finaliza.

Assista o vídeo:

Empatia, falta de empatia ou antipatia — Canal Autismo / Revista Autismo

Empatia, falta de empatia ou antipatia

Tempo de Leitura: 2 minutosCoisa que sempre me pareceu estranha é a dita “falta de empatia” autista.

A princípio, ignorei a questão tomando como “não sabem o que dizem”. Agi assim até perceber que para toda a experiência de vida que um colega relata, meu padrão é o de relembrar algum acontecimento semelhante que me ocorreu, e então sim, a partir desta perspectiva – que eu vivi –  ponderar sobre a dor ou o sentimento do outro.

Tomar consciência deste comportamento mexeu com meu brio! Será que finalmente encontrei o significado do que se quer dizer com “autista não tem empatia”? Será que a empatia que demonstro, no fundo, é apenas comigo mesma, logo, não é empatia? 

Conversando com colegas autistas, não foi difícil encontrar relatos e confirmações de que muitos deles operam da mesma forma. Em resumo, não existe o colocar-se no lugar do outro. Para compreendermos o sentimento do outro, o que ocorre é o inverso: trazemos o outro para o nosso lugar. 

Como autista, obviamente sei que nem todas as pessoas sentirão o mesmo ao experienciar os fatos da vida. Neste caso, tenho um leque de probabilidades para supor, mas imaginar é muito mais superficial, confesso. Por isso, frases como “sinto muito” me soam absolutamente estranhas e descabidas, se eu não estiver sentindo nada. Eis o motivo pelo qual utilizo tão raramente expressões deste tipo. No entanto, quando as utilizo há uma sinceridade tão absoluta que literalmente dói!

Eu me pergunto: De fato, entre neurotípicos, isso funciona de forma diferente? É tão comum observarmos que os mais versados nas dificuldades da vida compreendem melhor quando o assunto é dor ou alegria. Estes conseguem abandonar opções binárias, a de bom ou mau, apercebendo-se mais comumente que o ser humano é demasiado complexo e por vezes vestir-se-á de uma ou outra roupagem, a depender do contexto.

Outra questão é: Operar de maneira diferente na compreensão dos sentimentos alheios pode ser chamado de falta de empatia?  Todos os autistas operam da mesma forma na questão empática?

Não tenho respostas, mas uma coisa eu sei: Autistas se importam com o outro, ainda que tenhamos que “olhar para dentro de nós” para compreender o sentimento.

Creio que ruim mesmo é a falta de interesse real para com o próximo, muitas vezes também associada ao excesso de sensibilidade em relação a si mesmo, mas todos podemos observar que isso não é um problema restrito ao autista. Creio que isto sim é não empático, pior do que isso: é antipático!