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Autonomia x independência — Canal Autismo / Revista Autismo

Autonomia x independência

Tempo de Leitura: 2 minutosAutonomia e independência são palavras muito usadas atualmente quando abordamos o autismo em adultos. Falamos de um trabalho visando a autonomia e de atividades que promovam a independência. Mas o que isso quer dizer?

Há famílias que nos relatam que o autista se locomove pela cidade com independência, mas que não sabe agendar um horário no médico. Como isso se explica?

Apesar de estarem relacionados, são conceitos diferentes; muitas vezes interdependentes e, outras vezes não. Como assim?

Autonomia até pode ser considerado um conceito mais complexo, já que exige do indivíduo o saber fazer o que deve ser feito sem interferências do meio. Por exemplo, quando entro na cozinha e vejo a pia cheia de louça, logo penso: “nossa, preciso lavar a louça”. Arregaço a manga e, pronto! Louça limpa. Isso é autonomia. Minha cabeça coça e já sei que meu cabelo está sujo e preciso lavar. Ninguém precisa me dizer o que deve ser feito; eu percebo, reconheço a necessidade e realizo a ação.

Se eu consigo realizar as ações sozinha, então sou independente. Caso contrário, tenho autonomia, mas dependo de alguém para me ajudar a realiza-las.

Ao que me parece, a autonomia é mais difícil de ser conquistada. Sempre há alguém dizendo: vai tomar banho, vai fazer lição, vai colocar o sapato, vai… é sempre uma demanda de fora para dentro. O que por vezes pode deixar a pessoa ‘de s… cheio’ de tantos comandos.

Ah, mas se não mando não faz!

Vamos pensar que, se não mandarmos tanto, podemos criar necessidades. Aquelas que vêm de dentro para fora, quando o indivíduo percebe a necessidade por si mesmo. Parece difícil. É difícil. Principalmente para mães e educadores. Mas posso garantir que o exercício vale a pena, principalmente se pensarmos no longo prazo.

O exercício a que me refiro é o de nós mães e pais nos afastarmos um pouco, darmos espaço para que nossos filhos possam aprender suas necessidades. Nosso papel, na realidade, é nos tornarmos dispensáveis nas vidas deles, para nos reconectarmos às nossas próprias.

Como já disse uma vez, o futuro cresce dentro de casa.

A vida voltando ao normal devagar

Tempo de Leitura: < 1 minutoDepois de exatamente 2 anos em casa, trabalhando apenas com cursos e palestras virtuais, posso dizer oficialmente que voltamos com a nossa carreira de palestras presenciais. E o que eu posso dizer sobre isso?! Eu vou ser bem sincero. Eu gostei e não gostei disso ao mesmo tempo. 

Eu gosto muito de deixar mensagens para as pessoas, mas não dá pra esconder o fato de que eu acabei me desacostumando demais com o lance de sair de casa, viajar, falar com outras pessoas e de frequentar lugares públicos. Além disso, há também o fato de eu estar muito restritivo e ainda muito inseguro com o Coronavírus. E isso é terrível, pois acaba se desenvolvendo muito mais medo por conta de toda essa quantidade de informação e de a maioria das pessoas, infelizmente, não entenderem o fato de que os riscos do Coronavírus não acabaram completamente e acharem que podem se tocar a vontade e não usar máscara ou algo do tipo. Mas, não havia outra saída para mim e para minha família, pois esse é o nosso trabalho principal, e vamos com ele até onde pudermos com muita precaução. E eu ainda não falei isso, mas eu senti que acabei regredindo durante essa pandemia sem fazer nenhuma palestra em público, pois eu acabava ficando sem me comunicar com outras pessoas. Estava caminhando no autismo leve até voltar novamente para o moderado. Não que eu esteja triste com isso, mas é só pra dizer que a vida continua. 

Honestamente não sei o que pode acontecer daqui pra frente, mas de uma coisa eu sei e eu posso dizer: os meus sonhos mudaram e agora são outros. Agora é só deixar acontecer e vida que segue. 

Espero poder encontrar vocês em algum dos eventos de que participarei em 2022. 

Moradias para pessoas com deficiência intelectual são criadas nos EUA

Tempo de Leitura: < 1 minutoUma das preocupações mais relatadas por familiares de pessoas com deficiência intelectual é a pergunta “o que será dele(a) quando eu morrer?”. Pensando nisso, pais tem se movido nos últimos anos para criar moradias comunitárias para seus filhos com deficiência.

A maioria dessas moradias são menores, com profissionais responsáveis a todo tempo pelo cuidado. Mas uma iniciativa nos Estados Unidos apresentou um conceito diferente de moradia.

A The Arc Jacksonville Village é uma comunidade em estilo de apartamento e, estruturado como um bairro, permitiria a socialização entre diferentes pessoas. Segundo a AARP, os residentes vem de todos os Estados Unidos.

ONG lança moradia independente para pessoas com deficiência no Rio de Janeiro

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Instituto JNG anunciou o lançamento de uma moradia independente para pessoas adultas com deficiência no Uliving, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. A iniciativa já contou com cinco primeiros moradores, Juliana, Manuela, Nicolas, Pedro e Eduardo.

Em uma publicação no Facebook, a organização destacou o ineditismo da iniciativa. “Em nossa visão, a moradia independente é estratégia para a vida adulta emancipada, pois todo ganho de autonomia é um exercício gradativo de escolhas que fortalecem a autoestima, a autoconfiança e a independência”, disseram.

Autistas adultos comentam desafios diários de autocuidado em podcast

Tempo de Leitura: 2 minutosO podcast Introvertendo, produzido por autistas adultos e com diálogos sobre o autismo, lançou nesta sexta-feira (10) o seu 186º episódio, chamado “Autocuidado e Autonomia”. O episódio foi conduzido pela engenheira Thaís Mösken, a arquiteta Carol Cardoso e o jornalista Tiago Abreu, todos autistas. Os três conversaram sobre os desafios em torno de autocuidado, mesmo nos casos do autismo dito “leve”.

Um dos argumentos dos podcasters é que autonomia não é um patamar constante, como defendeu Carol Cardoso. “Eu entendo que a autonomia não é exatamente como se fosse um patamar a que se chega e que é inabalável. Eu acho que principalmente no autismo, quando a gente tem habilidades muito boas em um campo e habilidades bem ruins em outros campos, é muito difícil a gente dizer que alguns têm autonomia e outros não tem”, argumentou.

Thaís mora sozinha desde 2018, quando se mudou de São Paulo para Florianópolis ao passar num processo seletivo de trabalho, e contou que algumas situações ainda são desafiadoras em sua vida. “Às vezes, por mais que você tenha planejado, coisas que saem completamente do planejamento acontecem. Existem alguns casos, dependendo de como tá a minha estabilidade emocional naquele momento, parece uma coisa desesperadora, é alguma coisa pequena que saiu do esperado, que saiu ali da minha rotina e eu não sei como lidar com aquilo por algum tempo”, disse.

Já Tiago viveu parte de sua vida em Goiânia e se mudou para Porto Alegre em 2021. Ele defendeu a ideia de que, em alguns casos, questões sociais e de renda podem ser um impeditivo para maior autonomia de autistas. “Eu conheci vários autistas que, do ponto de vista da convivência, eu sabia que eles tinham aquilo que a gente poderia chamar de potencial, tinham habilidades muito boas pra algumas coisas. E tinha uma coisa terrível que era muito evidente de que marcaria a vida daquela pessoa negativamente para sua autonomia, que é falta de dinheiro. E isso era muito triste”, afirmou.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Cérebro neurodivergente e as atividades de vida diária

Tempo de Leitura: 2 minutosComo vocês sabem, sou autista e mãe de uma mulher autista, de 24 anos. Recorrentemente, ao observá-la, cenas de minha vida retornam à minha mente com riqueza de detalhes e, infelizmente com os mesmos sentimentos da época em que foram vividas. Quem já passou por isso, sabe como o ressentimento, ressentir emoções já passadas, é nocivo desgastante.

Quando Sophia era adolescente, meu psicólogo, não raras vezes, me orientou como lidar com ela. Eu, apavorada, contra-argumentava: “Não consigo, você está me pedindo que eu lide com minhas próprias neuroses”. Então, ele me ensinava o passo a passo, o que me deixava mais segura. Uma de suas orientações era para que a Sophia (e eu) relativizasse a situação que a perturbava. O cérebro neurodivergente pode apresentar algumas armadilhas e uma delas é exatamente intensificar as emoções: ou estamos muito felizes ou, profundamente, infelizes. Coisas do tipo: “Meu mundo caiu e me fez ficar assim… você conseguiu (…)”. Dessa maneira, nosso cérebro potencializa os sentimentos envolvidos na situação, mesmo que não saibamos como nominá-los ou expressá-los para quem nos pergunta: “o que aconteceu.” Essa pode ser a maior dificuldade da pessoa autista: comunicar suas emoções. Mesmo quando é expert em discursar sobre seus hiperfocos.

Quando estamos naquela fase em que nosso cérebro ainda não é totalmente maduro, até os 25 anos aproximadamente, segundo estudos da Neurociências, perceber e relativizar as situações é algo muito, mas muito difícil mesmo. E é nessa fase, que os pais são mais rigorosos e cobram mais [email protected] [email protected] que não é mais criança. Mesmo que, paradoxalmente, muitos deles ainda infantilizem seus filhos autistas, numa atitude que beira ao capacitismo e só complica o amadurecimento do cérebro neurodivergente que pode se dar mais lentamente que o cérebro típico. Mas criança, nenhum adulto autista é.

O que é necessário nessa fase é ensinar o passo a passo de como lidar com as mais diversas situações. Vale até simular algumas delas como: ouvir de alguém da família algo que se discorde frontalmente; ouvir um não a algo que se quer muito; estar chateado porque não pode passar o tempo todo nos jogos eletrônicos – exceto se você faz disso um hiperfoco que vá se transformar em seu trabalho.

Uma outra orientação é que não precisamos responder a uma pergunta imediatamente. Há sempre como ganhar tempo dizendo: Ainda não estou bem [email protected] Vou pensar mais um pouco e te retorno.” Essa pode ser também, uma boa estratégia para que a gente não seja levada pela impulsividade que nos assombra a vida.
Não precisamos aceitar a ansiedade, quase uma constante ao cérebro neurodivergente, porém em doses mais elevadas que nos cérebros típicos, não precisamos aceitar a ansiedade como uma sentença imutável. E nem como desculpa que nos libere de construir melhores reações. Para tanto, é bom que [email protected] autista treine a respiração que é forte aliada nos momentos de crise ou de ansiedade.

Um exercício muito bom, vem da terapia cognitivo comportamental: é preciso analisar o que de real existe num medo paralisante e o que é uma construção de nossas vivências. Eu tenho pavor de ir a lugares que não conheço, dirigindo. Percebi que os motivos são: medo de me perder. Para esse, o GPS e coração sereno, caso contrário, não conseguimos entender nem as indicações do GPS. Medo de estar sozinha pois quando estou nervosa não consigo me expressar direito. Para esse, a companhia daquela pessoa que é nosso suporte mesmo quando somos adultos (uma prima, um colega, pai, mãe, terapeuta/acompanhante.) Medo do imprevisível e incontrolável. Para esse, a vida me ensinou que não tem estratégia 100% eficaz. Por isso, diminuímos a tensão com o que podemos, de alguma maneira, controlar para enfrentar o imprevisível que, no mínimo, nos servirá de um rico aprendizado.

Autistas promovem reflexões sobre exigências da vida adulta em podcast

Tempo de Leitura: < 1 minutoO podcast Introvertendo, produzido por autistas e com discussões sobre autismo, lançou nesta sexta-feira (21) o seu 175º episódio, chamado “Limites da Resiliência”. Conduzido por três adultos autistas, o episódio teve como intuito discutir o significado da expressão “resiliência”, as exigências da vida social e os impactos na saúde mental de autistas.

O estudante de Medicina Otavio Crosara, que está prestes a concluir o curso de graduação na Universidade Federal de Goiás, fez um desabafo sobre as cobranças que vem sentindo. “Eu estou, simplesmente, em pânico. Não me sinto preparado para exercer a minha profissão e isso tem me consumido bastante nos últimos meses, de forma que eu não tenho conseguido lidar, a minha cabeça tem cada vez mais se ocupado com isso e eu tenho saído menos, eu tenho me isolado mais, e esses não são mecanismos saudáveis de lidar com as coisas”, lamentou.

Thaís Mösken, engenheira de formação, afirmou que possui mecanismos para identificar quando está esgotada e também formas de evitar sobrecarga. “Aprender a delegar funções foi também uma coisa que eu demorei muito pra fazer, porque eu não confiava nas pessoas. E, por último, manter sempre no meu dia a dia, atividades que me tragam prazer”, concluiu.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Podcast Introvertendo discute autonomia de autistas leves

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O podcast Introvertendo liberou, nesta sexta-feira (3), o seu 48º episódio, cujo título é Morando Sozinho. Gravado por Marcos Carnielo Neto, Michael Ulian, Otavio Crosara e Tiago Abreu, todos autistas, o conteúdo aborda experiências de independência financeira e, também, na emancipação dos pais.

episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas, como o Spotify, iTunes, Google Podcasts, e também no canal do YouTube do Introvertendo. Neste último caso, também há uma versão alternativa do episódio sem músicas de fundo, feita especialmente para autistas com sensibilidade auditiva.