9 de setembro de 2026

Tempo de Leitura: 3 minutos

Esperar é uma habilidade necessária em muitas áreas da vida, como durante interações sociais e dentro da comunidade. É uma parte inevitável da vida que é difícil para muitos, especialmente para crianças com autismo. Envolve entender o tempo, paciência, autocontrole, lidar com gratificação atrasada e confiar que o que foi pedido realmente acontecerá. Quando ensinamos uma criança a esperar, ajudamos a desenvolver habilidades que são necessárias por toda a vida.

O que torna o ensino do esperar possível

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A habilidade de esperar deve ser ensinada de forma planejada e estruturada. Ao começar a ensinar essa habilidade, há dois elementos fundamentais a considerar: o item desejado que está sendo esperado e a duração do tempo de espera. Portanto, é melhor começar a ensinar de forma previsível e organizada. Se as primeiras aulas acontecerem em um ambiente que não pode ser controlado, como em uma fila ou restaurante, o tempo de espera é incerto, e é mais provável que a criança fique frustrada e sem sucesso.

Em uma situação de ensino estruturado, o adulto sabe exatamente:

  • O que a criança quer
  • Quanto tempo a criança vai esperar

A importância de ensinar a pedir antes de ensinar esperar

Ensinar a esperar é mais eficaz quando a criança já aprendeu a pedir o que deseja de forma funcional, seja por meio de fala, PECS (Sistema de Comunicação de Troca de Figuras) ou outros recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Se fôssemos ensinar esperar antes que a criança possa pedir consistentemente o que quer e precisa, correríamos o risco de prejudicar o valor da comunicação.

O papel dos suportes visuais no ensino do esperar

Um dos desafios de ensinar a esperar é que se trata de um conceito abstrato. Até adultos têm dificuldade para esperar, por isso muitos ambientes usam pistas visuais para sinalizar que haverá um atraso.

Para crianças, especialmente aquelas que ainda estão desenvolvendo habilidades de comunicação, esperar pode parecer confuso sem apoio. Suportes visuais tornam a expectativa concreta. Quando combinamos a palavra falada “espere” com uma pista visual, fornecemos um acordo claro e consistente de que um atraso vai ocorrer — mas que terá acesso em seguida.

Por exemplo, um cartão “ESPERE” dá à criança uma representação tangível do atraso. Segurar ou ver o cartão ajuda a tornar o tempo mais compreensível e previsível. Em vez do atraso parecer incerto, a criança aprende que esperar faz parte de um processo confiável.

Primeiro, esse intervalo deve ser curto, apenas alguns segundos, e sempre seguido por reforço positivo. Gradualmente, o tempo de espera aumenta.

Exemplo prático:

  • Criança pede Cubo de mágico usando o PECS
  • O adulto imediatamente entrega o cartão “ESPERE”
  • Adulto diz calmamente: “Espere”
  • Criança segura o cartão
  • Adulto conta silenciosamente 1 segundo
  • Então o adulto diz: “Boa espera!”
  • Adulto pega o cartão “ESPERE”
  • Adulto entrega o Cubo mágico para a criança e nomeia “Cubo mágico”

Como aumentar o tempo de espera

O aumento do tempo de espera deve acontecer em pequenas etapas, quase imperceptíveis para a criança. Mesmo com esse cuidado, é possível que protestos ocorram. Nessas situações, é essencial que o adulto permaneça calmo e evite reagir de forma que não reforce o protesto intencionalmente. Embora o tempo às vezes precise ser ajustado naquele momento, encurtar consistentemente a espera quando uma criança fica chateada pode prejudicar a aprendizagem dessa habilidade.

Conclusão

Esperar é uma das habilidades de comunicação essenciais e aumenta a participação da criança autista em casa, na escola e na comunidade. Ensinar uma criança a esperar não é simplesmente atrasar o acesso a algo que ela deseja. Ajuda a criança a entender que a comunicação leva a resultados, mesmo que o resultado não seja imediato. Isso fortalece a resiliência, reduz a frustração e aumenta a confiança da criança de que o ambiente é consistente e confiável.

Quando ensinado com suporte visual, previsibilidade e progressão gradual, esperar deixa de ser um momento tenso, mas sim uma oportunidade de aprendizado. Ao desenvolver essa habilidade, promovemos autonomia, inclusão e qualidade de vida, preparando a criança autista para relacionamentos mais positivos e independentes na sua vida.

Referências

Bondy, A., & Frost, L. (2011). A Abordagem Educacional da Pirâmide: Um Guia da ABA Funcional. Newark, DE: Consultores Educacionais Pyramid.

Bondy, A., & Frost, L. (2024). The Picture Exchange Communication System® (PECS®) Training Manual (3rd ed.) Newark, DE: Pyramid Educational Consultants, LLC.

Bondy, A., & Frost, L. (2011) A picture’s worth: PECS and other visual communication strategies in autism (2nd ed.). Woodbine House.

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Fonoaudióloga, mestre em estudos linguísticos pela Universidade de Londres, tem curso avançado de autismo credenciado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Diretora geral da Pyramid Consultoria Educacional do Brasil, tem uma sólida experiência de trabalho com crianças e adultos com ampla gama de dificuldades de comunicação por razões variadas: físicas, mentais, sociais e emocionais. O primeiro curso PECS que frequentou foi em 2002 e desde então PECS tornou-se parte de sua prática diária.

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