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Região dos Lagos do RJ tem inauguração de centro de referência de autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoNa próxima segunda-feira (10) será inaugurado o novo Centro Terapêutico de Desenvolvimento Humano Mosaico, localizado na cidade de São Pedro da Aldeia — Região dos Lagos, RJ.

Todos os profissionais são capacitados pela Academia do Autismo, instituição de ensino especializada na área, auxiliando atualmente 150 crianças e adolescentes, mas tendo capacidade a partir da próxima semana para intervenção de 300 crianças de toda região.

O novo espaço contem sala de integração sensorial, mini-cidade, casa modelo, playground, horta, sala de esportes e 15 salas de atendimento infanto-juvenil, além de um espaço para atendimento de adultos e famílias.

O suporte é prestado de acordo com as necessidades do cliente, tendo uma equipe multidisciplinar, com: fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, psicopedagogos, musicoterapeuta e nutricionista. Além desses, a clínica oferece ainda intervenção comportamental ABA (ciência com robustas evidências cientificas para o desenvolvimento deste público) para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e/ou atrasos no desenvolvimento infantil.

Consulta pública da Conitec gera polêmica com eletroconvulsoterapia para autistas

Tempo de Leitura: 4 minutos

Neuropediatra explica que, apesar de seguro, procedimento não é utilizado para autismo

Uma consulta pública  aberta neste mês (8.dez.2021) pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde – SUS, vinculada ao Ministério da Saúde), sobre o “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo” (publicado mês passado), gerou grande polêmica na comunidade ligada ao autismo, resultando, inclusive, numa carta online, assinada por diversas instituições, exigindo seu cancelamento. O documento cita eletroconvulsoterapia (ECT) como opção de tratamento.

Nesta sexta-feira (17), na Câmara dos Deputados, a liderança do PSOL protocolou o Requerimento de Informação (RIC) 1479/2021, cobrando do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, explicações a respeito da consulta pública.

Consulta pública da Conitec gera polêmica com eletroconvulsoterapia para autistas — Canal Autismo / Revista AutismoEletroconvulsoterapia (ECT)

Para confirmar a falta de indicação de ECT para autistas, nossa reportagem conversou com o médico neuropediatra Paulo Liberalesso, que frisou: “Não há, na literatura, evidências científicas de que a ECT possa ser utilizada em pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), mesmo em pessoas com comportamento violento ou autoflagelatório”, disse ele, que é pós-graduado em análise do comportamento aplicada (ABA), mestre em neurociências, doutor em distúrbios da comunicação humana e diretor do Cerena (Centro de Reabilitação Neuropediátrica do Hospital Menino Deus), em Curitiba (PR).

Porém, para que não se confunda a atual ECT com os procedimentos utilizados no século passado ou ainda com métodos de tortura, o médico ainda explicou as indicações e eficácia do procedimento nos dias de hoje: “A indicação de ECT é bastante restrita: habitualmente indica-se no transtorno depressivo grave, particularmente quando há associação a sintomas psicóticos e ideação suicida; também pode ser indicada em algumas formas do transtorno do espectro da esquizofrenia, principalmente quando há sintomas catatônicos associados; e em algumas formas de mania grave prolongada e resistente ao tratamento farmacológico. Nestes casos, é um procedimento eficaz e baseado em evidências científicas. Mas, perceba, então, que estamos falando de um uso muito restrito do procedimento, basicamente para um grupo bem restrito de pacientes, que têm transtornos mentais muito graves”, descreveu Liberalesso, minuciosamente.

A respeito da segurança da ECT, o neuropediatra foi enfático: “Desde que a indicação seja correta, conforme as que mencionei anteriormente, e os devidos procedimentos com anestesia e relaxantes musculares sejam utilizados, é seguro”. Quanto aos efeitos adversos da ECT, Liberalesso foi direto ao ponto: “Às vezes um procedimento é eficaz, mas traz tanto dano que não valeria a pena fazê-lo. Mas este não é o caso da ECT. Os efeitos mais comuns são déficits cognitivos transitórios, com duração de aproximadamente seis meses e amnésia em momentos que antecedem ou sucedem o procedimento. A ECT não aumenta o risco de óbito desses pacientes. Também está comprovado, através de estudos de neuroimagem, que não houve danos no cérebro após a ECT, portanto é bastante seguro”, salientou.

Por fim, Paulo Liberalesso ainda esclareceu um último ponto: “A ECT é indicada em muitos outros países, como EUA, Canadá, Austrália, Reino Unido, não é um procedimento de exceção, é rotineiramente indicado, mas sempre nesses casos específicos. Não para autismo!”.

Cenário atual, protestos e explicações

Blog Vencer Limites, do Estadão, publica artigos sobre consulta pública da Conitec sombre eletroconvulsoterapia para autistas — Canal Autismo / Revista AutismoDois dos textos mais completos sobre este cenário (vale ler!) são do jornalista Luiz Alexandre Souza Ventura, do blog Vencer Limites, do Estadão, que ouviu diversas instituições, lideranças, parlamentares, além de especialistas sobre o assunto. E deu espaço também ao outro lado da história, publicando nota do próprio Ministério da Saúde. São dois artigos, publicados em dias consecutivos: “Documento da Saúde cita choque elétrico para tratar autistas ‘de comportamento agressivo’” (de 16.dez.2021) e “Instituições e parlamentares repudiam protocolo da Saúde que cita choque elétrico para tratar autistas” (de 17.dez.2021) — ambos atualizados em 19.dez.2021.

Veja a íntegra do protocolo da Conitec, em arquivo PDF, neste link.

O que é a Conitec?

Criada em 2011, para a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde, a Conitec, segundo seu próprio site, “é assistida pelo Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde (DGITIS), tem por objetivo assessorar o Ministério da Saúde – MS nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, bem como na constituição ou alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica”.

A comissão tem a seguinte composição:

Composição da Conitec, do Ministério da Saúde — Canal Autismo / Revista Autismo

Reprodução do site conitec.gov.br em 19.dez.2021.

CONTEÚDO EXTRA

Pais e profissionais inauguram Ico Project em Curitiba

Tempo de Leitura: < 1 minutoOntem (10.nov.2021) foi inaugurado, em Curitiba (PR), o Ico Project, com a missão de “incluir crianças e adolescentes com autismo nos mais diversos exercícios físicos possíveis e mostrar resultados diariamente no tratamento do espectro”. “Entendemos que nosso centro esportivo pode beneficiar não apenas os jovens, mas os pais que podem encontrar no nosso centro um espaço de acolhimento e bem-estar”, explicaram Emiliano e Elyse Matos, o casal idealizador do projeto que acaba de virar realidade.

Os dois idealizam um centro esportivo com profissionais especializados. E dessa forma surgiu o Ico Project, um centro de desenvolvimento físico focado em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O nome foi inspirado no filho, Enrico, mais conhecido como Ico, diagnosticado com autismo aos 3 anos.

Luna ABA

Em parceira com a Luna ABA, no espaço do Ico Project será ofertado diversos serviços terapêuticos de habilidades continuadas, para autistas acima de 7 anos de idade, parar treinamento de atividades de vida diária, comunidade, habilidades sociais e vocacionais. O espaço conta ainda com uma “casa-modelo”, com cozinha, sala, quarto, enfim, tudo que é preciso para simular as necessidades cotidianas de cada um.

Acompanhe as publicações do Ico Project nos Instagram (@icoproject) e na página deles no Facebook. Tema mais informações no site icoproject.com.br.

‘O tratamento do Autismo acaba ou é por toda a vida?’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo nesta sexta-feira (04), explicando sobre a importância do tratamento do autismo contínuo.

“O transtorno do espectro do autismo dificilmente tem um começo, meio e fim, o tratamento não tem tempo pré-determinado”, diz Liberalesso. No vídeo, ele destaca a importância de um diagnóstico precoce, profissionais de boa qualidade, alta intensidade na intervenção com tratamento adequado, além de ser contínuo.

Vídeo

Paulo Liberasso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.