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Meme sincero: dificuldade em demonstrar sentimentos e expressões

Tempo de Leitura: < 1 minutoComumente a pessoa autista tem dificuldades em demonstrar sentimentos e expressões. Isso é um fato marcante no autismo e por ser verdade é que se tem o mito de que autistas não tem empatia, pois às vezes, apesar de estarmos muito tristes ou felizes, a nossa feição não acompanha tal sentimento como o padrão neurotípico espera.

Outras vezes, não demonstramos tais sentimentos pela própria dificuldade de externar o que estamos sentindo mesmo, o que passa a imagem de insensibilidade. Eu por exemplo, por mais triste que esteja, é muito difícil que eu chore, o que faz parecer que uma situação que causaria tristeza em qualquer pessoa não me afeta.

Porém, existe esse outro lado que quem convive mais de perto com pessoas autistas já deve ter notado. Tem vezes que, ao contrário dessa falta de reatividade que expliquei anteriormente, nós autistas somos muito transparentes e não temos o traquejo social de esconder sentimentos em situações onde os neurotípicos têm facilidade em manter a discrição para dar suporte a certas ocasiões de socialização onde tal postura seria bem-vinda.

Resumindo, somos péssimos em executar essas “mentirinhas sociais” que são inerentes do convívio. Algumas vezes por não ver motivo em dizer ou demonstrar algo que não é verdade, outras por não perceber que aquilo faz parte do contexto de socialização implícito onde parece ser comum dizer algo que é o contrário dos fatos simplesmente porque na maioria das vezes as pessoas neurotípicas fazem perguntas esperando uma afirmação e não uma resposta.

“Estamos sendo negligenciados”, diz Willian Chimura a Danilo Gentili

Tempo de Leitura: 2 minutos

O youtuber e pesquisador Willian Chimura, diagnosticado com autismo, participou do programa The Noite, exibido pelo SBT e apresentado por Danilo Gentili em edição exibida nesta terça-feira (29). Na ocasião, Willian foi convidado no contexto de polêmicas envolvendo o humorista Léo Lins e os desdobramentos causados dentro da comunidade do autismo.

Chimura falou sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), desde o ponto de vista profissional, social e educacional. Em suas falas, destacou uma invisibilidade de adultos que, na sua visão, ainda é pouco discutida no Brasil e que estaria diretamente relacionada ao descontentamento de autistas e seus familiares com as declarações de Léo Lins.

“Nós estamos sendo negligenciados muitas vezes, e em certas situações pode ser difícil, na perspectiva de quem não vivencia o transtorno, de se entender algumas coisas. As pessoas que estão historicamente, em todo contexto, tendo os seus apoios e os seus suportes negligenciados, quando a gente tem a oportunidade, finalmente, de se posicionar em alguma coisa, a gente se posiciona”, disse.

Willian também explicou a diferença entre “comunidade do autismo” e “comunidade autista”, afirmou que, pela sua perspectiva, autismo não deve ser classificado enquanto doença e também chegou a dizer que não se identifica com um ativismo pautado, segundo ele, por atitudes punitivistas.

“Tem uma corrente do ativismo que é baseada em punição, por exemplo, que não é uma corrente que eu corroboro tanto. Por outro lado, eu vejo a necessidade de falar que não é simplesmente uma questão de tolerar, levar na boa. E eu me posiciono neste sentido”, destacou.

A participação de Willian Chimura no The Noite com Danilo Gentili foi a primeira vez que uma pessoa autista esteve sozinha num programa de televisão de alcance nacional. Outros autistas já apareceram em programas relevantes na televisão, mas sempre acompanhados de especialistas ou familiares.

Willian Chimura estreou seu canal no YouTube em fevereiro de 2019 e, em cerca de um ano de atividade, alcançou mais de 100 mil inscritos. Atualmente, seu canal é o maior de um autista na plataforma e um dos maiores feitos por uma pessoa com deficiência, com 168 mil inscritos. Além disso, Chimura também é membro do podcast Introvertendo.

A entrevista completa pode ser assistida abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ipqzYxrUSXM
Humor com inteligência não precisa ofender deficiência — Revista Autismo

Humor com inteligência não precisa ofender deficiência

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Dois humoristas — não vale mencionar seus nomes, nem lhes dar importância; atenhamo-nos aos fatos — fizeram piada a respeito de uma banda de rock de Brasília (DF) formada por pessoas com autismo, a “Time Out” — que foi destaque na sessão “Espectro Artista” da Revista Autismo, edição nº 6 (setembro de 2019). Meninos extraordinários, vale ouvir!

Humoristas, façam humor, mas com o primor de fazer rir e pensar, nem só um, nem só o outro. Há recursos para isso e técnicas mil. Fazer valer-se de ofender alguém, ainda mais por qualquer deficiência ou transtorno, é mais que ausência de inteligência. É ser inútil à sociedade, prescindível. A Revista Autismo veementemente repudia atitudes como esta.

Definitivamente, humor com inteligência não precisa ofender nem autismo, nem deficiência.