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Software de realidade virtual insere autistas em situações sociais

Tempo de Leitura: < 1 minutoUm administrador e uma psicóloga do Mato Grosso do Sul trabalharam no desenvolvimento de um software de realidade virtual para ensinar habilidades sociais para autistas. Eles foram um dos contemplados pelo Programa Centelha MS, que fomenta ações tecnológicas no estado.

“É como um game, no qual o ‘jogador’, nesse caso o paciente, entra em um jogo completamente imersivo, onde são recriadas de forma muito realistas situações como uma festa, um passeio ao shopping, uma visita à casa de um amigo, entre outras. A inteligência artificial do programa faz indagações ao ‘jogador’ quanto às emoções e sentimentos dos personagens durante estas interações e fornece recompensas conforme o jogador avança nos desafios”, disse a psicóloga Francyelle Marques de Lima, em nota divulgada pelo Governo do Mato Grosso do Sul.

As habilidades adaptativas e o autismo

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Profª Claudia Moraes 

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado;
Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

As habilidades adaptativas são referentes às capacidades do ser humano em se adaptar e satisfazer as demandas do seu entorno, seja no grupo familiar, de trabalho ou no grupo social, de acordo com sua faixa etária (APA,2002). A partir delas, o sujeito é capaz de se tornar mais autônomo e de enfrentar os desafios cotidianos.  

            Segundo o DSM-V, para pessoa autista,

as capacidades adaptativas costumam estar abaixo do QI medido. Dificuldades extremas para planejar, organizar e enfrentar a mudança causam impacto negativo no sucesso acadêmico, mesmo para alunos com inteligência acima da média. Na vida adulta, esses indivíduos podem ter dificuldades de estabelecer sua independência devido à rigidez e às dificuldades contínuas com o novo. 

            A pessoa autista transita em diversos meios no decorrer de sua vida, por isso, é necessário que desenvolva essas habilidades, inicialmente em casa com a família, e posteriormente sendo potencializadas com intervenções terapêuticas e educacionais.  

            Devido à variedade de sujeitos que compõem o espectro autista, nem todas as habilidades a serem trabalhadas seguem uma regra fixa, enquanto alguns sujeitos ainda não apresentam determinadas habilidades de acordo com a escala de desenvolvimento relativa à sua idade, outros podem ter essas habilidades já consolidadas. Ou seja, a pessoa autista pode apresentar habilidades acima da média em determinada área e um nível inadequado para outra. Por isso, cada pessoa deve ser avaliada, e sua intervenção individualizada.  

            Posto isso, a avaliação deverá identificar que se identifiquem aptidões, competências, áreas deficitárias, nível de motivação e prontidão, para a realização das tarefas elencadas.  Depois da avaliação feita pelo terapeuta, é importante que ele forneça uma listagem de habilidades que sejam favoráveis ao autista, de acordo com o foi elencado na avaliação, e priorizando aquelas mais necessárias.

            Nesse sentido, seguem elencadas três técnicas que podem ser utilizadas para trabalhar habilidades adaptativas:   

  1. Instrução: dividir a atividade elencada em etapas, poucos passos por vez.
  2. Para alguns sujeitos, haverá maior sucesso se for utilizada a técnica “De trás para frente”, isto é, trabalhar a última etapa, depois a penúltima e assim por diante, para que fique entendido que a atividade foi concluída.
  3. Pode-se também usar a técnica de Modelagem, que funciona bem com alguns autistas, uma pessoa serve de modelo ou guia e atua com uma determinada sequência de ações, indicando como realizar a atividade.

            Também podemos dizer que a aquisição de habilidades adaptativas pode-se favorecer por fatores internos (pessoais)  e externos (do ambiente). Por exemplo: capacidades únicas (e inatas) do sujeito que apresentem aspectos favoráveis como memória, atenção, partilha, entre outros; características do ambiente, contextos seguros que eliminem superproteção e permitam trabalhar autonomia. 

            Dessa forma, ao trabalhar a autonomia da pessoa autista, oportuniza-se melhor qualidade de vida, maior bem-estar físico e emocional, além de prover ferramentas para que tenha sucesso no trabalho ao qual se dedica. Podemos apontar como medida de sucesso: maior aceitação e inclusão nos meios em que circula. 

 

Referências Bibliográficas  

APA – AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Retardo mental. In: AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION.DSM IV TR: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. p. 71-80  

DSM V- Autismo. On-line:http://www.alex.pro.br/DSM_V%20Autismo.pdf