Posts

Fake news sobre autismo de Messi é tema de podcast

Tempo de Leitura: < 1 minuto

O podcast Introvertendo, produzido por autistas, lançou seu 113º episódio nesta sexta-feira (26), cujo título é “Messi não é autista!”. Apresentado pelo jornalista Tiago Abreu, diagnosticado com Síndrome de Asperger, o episódio contou com a participação do podcaster Pedro Henrique Quiste, convidado.

O episódio conta, passo a passo, como um texto de um jornalista brasileiro, em 2013, que dizia que o jogador argentino Lionel Messi era autista, distorceu fatos e causou impactos não só nacionais, mas internacionais. Entre os temas, são apresentadas a resposta da família, de profissionais e o papel do Jornalismo neste processo.

Sobre o caso de Messi, Abreu também chamou a atenção para as chamadas histórias de superação. “As pessoas adoram histórias de pessoas que são baseadas em históricos negativos como forma de inspiração. Isso é um problema, porque revela o nosso preconceito ao achar que pessoas com deficiência, por exemplo, não podem alcançar status na sociedade. E, para piorar, reforça uma ideia meritocrática do tipo ‘se aquela pessoa conseguiu, imagina eu que sou normal’?”, disse.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts, e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

Fake News: Um Autista No Filme ‘Amargo Pesadelo’ - Revista Autismo

Fake news: Um autista no filme ‘Amargo Pesadelo’

Tempo de Leitura: 2 minutos

Há muitos anos circula na internet um boato que sempre reaparece e se relaciona a um duelo musical entre um banjo e um violão, no filme “Amargo Pesadelo” (“Deliverance”, no título original, em inglês), de 1972. Dirigido por John Boorman, a película é baseada no romance de mesmo nome, escrito por James Dickey, que aparece no filme, no papel de um xerife.

O boato original:

Consta ser uma cena verídica. O garoto da cena não é ator, apenas um autista e cego que residia no local onde estavam sendo feitas as filmagens. A equipe parou num posto de gasolina para abastecer e aconteceu a cena mais marcante que o diretor teve a felicidade de encaixar no filme. No início está distante, mas à medida que toca seu banjo ele cresce com a música e vai se deixando levar por ela, até transformar sua expressão num sorriso contagiante, transmitindo a todos sua alegria. A alegria de um autista que é resgatada por alguns momentos, graças a um violão forasteiro. O garoto brilha, cresce e exibe o sorriso preso nas dobras da sua deficiência, que a magia da música traz à superfície. Depois, ele volta para dentro de si, deixando sua parcela de beleza eternizada “por acaso” no filme “Amargo Pesadelo” (Ano: 1972).

Tudo Mentira

Fake News: Um Autista No Filme ‘Amargo Pesadelo’ - Revista Autismo
Billy Ridden atualmente (foto: Bobby Bank/WireImage)

Na verdade, o jovem Billy Redden — nascido em 1956, em Rabun County, na época tinha 16 anos — teria sido escolhido em sua escola, Clayton Elementary School, para fazer uma participação no filme por conta de sua “aparência exótica”, mas não é autista e não tem qualquer deficiência ou síndrome.
Sua extrema habilidade com o banjo também é fake. Um músico profissional fica por trás dele, vestindo uma camisa de quatro mangas, e faz parecer que o garoto é um gênio do banjo. Depois deste filme, o ator fez “Peixe Grande” (“Big Fish”, em 2003) e “Outrage: Born in Terror” (2009). Para o filme de 2003 ele teria sido “descoberto” pelo diretor Tim Burton, num minúsculo estabelecimento, o “Cookie Jar Café”, lavando pratos e servindo mesas, na cidade de sua infância: Clayton, Georgia (EUA).
Em 2012, 40 anos após o emblemático filme, ele teria dito para um documentário: “Eu gostaria de ter todo o dinheiro que pensei que ganharia após aquele filme. Eu não estaria trabalhando no Walmart agora. E me esforçando para sobreviver.”
Na versão online deste texto você pode ver a cena do duelo musical, o trailer do filme e trechos do documentário com o ator em 2012.

CONTEÚDO EXTRA

Vídeo da cena:

Billy Redden mais velho: