Por

Roberta Pedroni Gava

É formada em pedagogia, com especialização em ensino estruturado com base no modelo TEACCH pela Unesc, Five Day Tranning TEACCH pela Universidade da Carolina do Norte e também participa do programa Plural, da Suzano S.A.

A importância do modelo Teacch para o desenvolvimento da criança com TEA

15 de dezembro de 2020

Tempo de Leitura: 2 minutosCrianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) demonstram dificuldades nos mecanismos cognitivos que interferem nos estados mentais e nos padrões de interação social, gerando mudanças nos padrões dos jogos simbólicos, criatividade, originalidade e pragmática. Para que haja aprendizagem nestas crianças, não se pode depender de uma compreensão implícita a respeito dos eventos, o processo de aprendizagem é realizado através da mediação com foco na aprendizagem explícita, fato que torna a função do professor ou mediador ainda mais relevante

Tendo em vista que o TEA gera atrasos em áreas importantes do desenvolvimento da criança, faz-se necessário a implementação de intervenções a fim de oportunizar o seu aprendizado, seja em suas relações familiares, no âmbito escolar, ou nos demais ambientes da vida cotidiana. Neste contexto, qual a importância do modelo TEACCH para o desenvolvimento de crianças com TEA?

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Academia do Autismo

O modelo TEACCH (Tratamento e Educação para Crianças com Autismo ou Desordens Relacionadas à Comunicação, em português), vinculado à Universidade da Carolina do Norte, iniciou em 1961, pelo Dr. Eric Schopler, e hoje vem sendo aplicado em vários outros países. O objetivo do modelo TEACCH é desenvolver os pontos fortes, habilidades e necessidades das pessoas com TEA, a fim de prepará-las para o alcance de sua independência; aplica-se não apenas aos primeiros anos de vida, mas durante toda a vida. 

O TEACCH configura-se como um modelo de intervenção altamente estruturado, cientificamente comprovado, que combina diferentes materiais visuais para aperfeiçoar a linguagem, o aprendizado, e reduzir comportamentos inapropriados, podendo ser aplicado tanto na esfera clínica quanto educacional. O programa pauta-se nos princípios da organização, rotina, material visualmente mediado, ensino de relações de causa e efeito, comunicação alternativa, espaços com funções, delimitações físicas, eliminação de estímulos concorrentes e manejo do comportamento. 

As principais estruturas recomendadas pelo modelo TEACCH são:

– Sistemas de Trabalho

Os sistemas de trabalho visam informar mediante uma linguagem visual o que fazer, como realizar, por quanto tempo e o que vem depois. As atividades são adequadas à idade cronológica do aluno e ao nível de desenvolvimento. A produtividade das crianças aumenta devido à compreensão do que deve ser feito, de quanto trabalho precisa ser realizado, o que vem em seguida e o conceito de fim. 

– Organização Física

O ambiente é organizado por áreas, favorecendo a realização das atividades e aprendizados específicos, conforme planejado no plano individual de intervenção. Dessa maneira, possibilita-se a clareza dos espaços, fácil acesso aos materiais que devem ser manejados e diminuição dos comportamentos disruptivos, ampliando o engajamento, o foco e o aprendizado.

– Programação diária e o uso das rotinas incorporadas em agendas

Através do planejamento e definição da agenda das atividades, que pode ser indicada visualmente de várias formas, as crianças conseguem prever acontecimentos diários e semanais, bem como atividades que precisarão ser realizadas antes/depois; essa rotina programada faz com que os alunos realizem as atividades de forma independente e diminui a ansiedade da criança.

Em suma, como o TEA afeta o desenvolvimento cognitivo da criança e torna o seu processo de interação social e aprendizado diferente das crianças neurotípicas, faz-se necessário a utilização do ensino estruturado, adaptando os recursos educacionais, de forma a possibilitar a inclusão da criança com TEA no ensino regular, prevista na lei. Neste contexto, o modelo TEACCH apresenta-se como uma importante ferramenta de intervenção psicopedagógica e clínica, a fim de apoiar e impulsionar o desenvolvimento das crianças com TEA.

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