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Um estudo coordenado pela psicóloga Marina Zotesso, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), aborda as dificuldades enfrentadas por estudantes autistas no ensino superior. Em entrevista ao jornal O Globo, a pesquisadora afirma que, embora as universidades brasileiras tenham ampliado o acesso de pessoas autistas, ainda existem limitações para garantir sua permanência e conclusão dos cursos.
Entre as barreiras mencionadas estão dificuldades de interação social, sensibilidade sensorial, desregulação emocional e adaptação à flexibilidade da rotina acadêmica. “Na minha pesquisa de pós-doutorado, os alunos relataram que professores universitários não entendem nem mesmo o que é autismo. Não fazem material pedagógico ou provas específicas. Não aceitam que usem abafador de som na aula. E isso tudo por conta de políticas institucionais muito frágeis, que tratam o TEA de forma genérica sem considerar as particularidades. Não basta a inclusão no formato padrão, é preciso considerar as singularidades de cada aluno”, afirmou.
A desregulação emocional pode ocorrer diante de situações de sobrecarga, incluindo ambientes com muitos estímulos sonoros e sociais. De acordo com Zotesso, esse processo pode resultar em choro, comportamentos autolesivos ou tentativa de deixar o ambiente como formas de recuperar a regulação emocional. A pesquisadora relaciona essas dificuldades às condições de saúde mental dos estudantes, mencionando ansiedade, depressão, burnout, solidão e dificuldades para concluir a graduação.
A situação pode envolver questões específicas para mulheres autistas, devido ao chamado masking, pelo qual características do autismo podem ser disfarçadas. Segundo a pesquisadora, isso pode contribuir para diagnósticos tardios e para a presença de estudantes que não foram identificadas como autistas durante a vida escolar. Ela também aponta que aspectos relacionados ao gênero e ao autismo podem contribuir para dificuldades de reconhecimento e acesso a suporte.
As medidas sugeridas pela psicóloga são várias, como ajustes de iluminação e assentos, permissão para uso de abafadores, pausas durante as aulas, flexibilidade em períodos de crise, espaços para regulação e acesso a acompanhamento psicológico. Também são citadas instruções objetivas e por escrito, além de estratégias para facilitar a participação em atividades coletivas.
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