Por

Paulo Alarcón

Mestre em Computação Aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), analista de sistemas, professor, marido, pai de pets, autista e integrante do podcast Introvertendo.

Revelar ou não revelar o autismo? Eis a questão…

1 de junho de 2022Revelar ou não revelar o autismo? Eis a questão... — Canal Autismo / Revista Autismotio .faso / Revista Autismo

Tempo de Leitura: 2 minutosReceber o diagnóstico de autismo é uma verdadeira jornada para a maioria dos autistas, incluindo idas a médicos e avaliações. Quando se recebe o diagnóstico, há o baque sobre como isso afetará a sua vida, levando ao seguinte questionamento: A quem contar sobre o diagnóstico?

Há 4 anos obtive meu diagnóstico de autismo ‒ o que na época foi uma longa jornada ‒ e as dúvidas sobre a quem falar e como falar sobre o diagnóstico foram uma constante por muito tempo. 

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A princípio, dei tal notícia às pessoas mais íntimas, como meus pais e alguns poucos amigos. Cada pessoa teve reações diferentes, alguns aceitaram prontamente, reconhecendo que fazia bastante sentido, enquanto outros, como meus pais, negaram o diagnóstico, já que eu havia me desenvolvido “tão bem”. Com o passar do tempo, a postura de todos tendeu à aceitação, compreendendo que meus comportamentos tinham padrões incomuns para a maioria das pessoas.

No decorrer do tempo, eu aceitei o autismo, e falar sobre ele se tornou algo natural, principalmente após integrar o Introvertendo e o podcast ganhar visibilidade. Passei a observar certos padrões e testar diferentes estratégias avaliando como as pessoas lidavam com a notícia de que eu sou autista. Percebi alguns padrões relacionados ao nível de conhecimento sobre o autismo e à tolerância das pessoas àquilo que é diferente. 

A maioria das pessoas sabe muito pouco sobre o autismo e isso não é necessariamente um problema, visto que é impossível ter conhecimento sobre tudo, mas faz total diferença estar aberto a aprender e ouvir as vivências diferentes ‒ e aqui está o ponto chave. Muitas dessas pessoas cometem gafes, como dizer que você “não parece autista”. Essas pessoas podem fazer um melhor uso do conhecimento adquirido para ajustar tanto a sua postura como o ambiente às suas prévias restrições. 

Por outro lado, pessoas menos tolerantes tendem a continuar tratando mal um autista, mesmo sabendo que ele o é. Uma coisa bastante comum é que, sem conhecimento do autismo, tais pessoas tratem o autista como “lerdo”, “burro” e “excêntrico”. Porém, igualmente comum é saber que o indivíduo é autista e, ainda assim, tratá-lo como “incapaz” e alguém instável.

Um questionamento é se não seria mais seguro manter essa informação em sigilo, mas o que observei é que neurotípicos percebem muito bem os comportamentos de outras pessoas e identificam facilmente aqueles que destoam do normalmente esperado. A pessoa intolerante irá agir de forma negativa, sabendo ou não, entretanto, o mais provável é que ela demore mais para perceber.

Uma abordagem para saber se vale a pena comunicar o diagnóstico de autismo é avaliar se a convivência será frequente, como em uma relação de trabalho, ou se o ambiente é potencialmente mais estressante do que o normal, como numa internação em hospital ou em viagens.

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