Por

Fabio Cordeiro, o "Autie Sincero"

Presidente da ONDA-Autismo e membro do Conselho de Autistas; ativista; administrador da página @autiesincero no Instagram, servidor público federal, palestrante e escritor.

Instagram de Fabio Cordeiro, o

Meme Sincero: ‘opinião de especialista’

5 de dezembro de 2021Meme Sincero: 'opinião de especialista' — Canal Autismo / Revista Autismo

Tempo de Leitura: 2 minutosFelizmente, temos cada vez mais profissionais estudando e se especializando no que diz respeito ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Acreditem: há menos de duas décadas, a situação era bem diferente. Encontrar um profissional que entendesse de TEA era uma raridade. Para que alguém tivesse a oportunidade de conhecer algum, era preciso a soma de vários fatores.

Publicidade
Academia do Autismo

Com isso, o que tínhamos eram diagnósticos equivocados, conclusões precipitadas e a perda de oportunidade de conseguir um tratamento adequado no melhor tempo para a pessoa, em que se pudesse ser aproveitado todo o potencial da neuroplasticidade.

Era comum ver pais e mães que suspeitavam que o desenvolvimento do filho não estava de acordo com os seus pares da mesma idade voltarem para casa após uma consulta com o pediatra apenas com a famigerada afirmação de que cada criança tem seu tempo e que logo iria falar ou andar, que bastava ter paciência.

Receber um diagnóstico após a infância, então, enquanto adolescente ou adulto, era quase impossível! Porém, ainda hoje, pasmem, temos grandes problemas nessa questão, apesar dos grandes avanços no conhecimento acerca do autismo.

Muitos mitos ainda persistem e rondam o TEA. E, apesar de termos os critérios de diagnóstico mais bem definidos, mais especialistas muito competentes, ainda temos muitos profissionais que emitem opinião mesmo sem ter o embasamento necessário para isso.

Não é incomum que alguém, ao buscar sanar uma dúvida sobre o filho ou si próprio em relação ao autismo ou a atrasos no desenvolvimento, ouça da boca de um profissional, médico, psicólogo entre outros, que a pessoa não pode ser autista, porque fala, porque casou, porque trabalha, porque não teve atraso de fala, porque olha nos olhos, porque não é gênio, porque não apresenta fala com maneirismos, porque tem amigos, etc.

E aí é que está o grande problema de tudo isso. Como eu disse, há algumas décadas, quase não tínhamos profissionais que entendessem profundamente do TEA, mas hoje temos muitos e tornou-se muito mais fácil indicar algum especialista para analisar algo que não temos como responder.

Não é papel da família ou da própria pessoa fazer seu próprio diagnóstico. A eles, cabe suspeitar e procurar ajuda e, quando a buscam, por não saberem exatamente o que está causando aquela demanda, muitas vezes não sabem ao certo qual especialidade profissional procurar, então cabe ao profissional ter a iniciativa de encaminhar para o especialista mais adequado.

É questão de ética entender que não sabe o suficiente para dar uma resposta embasada em estudo, tecnicidade e evidências. Do contrário, estará apenas opinando sobre algo que não domina, e o verdadeiro especialista não opina, reponde com todo o peso de seu conhecimento. O bom profissional não pode se dar ao luxo de apenas opinar. Dizer que não sabe e encaminhar para um colega que entenda mais do assunto não faz de você inferior, apenas faz de você um profissional melhor ainda.

Compartilhe

Secretaria de SP visita associação de autismo em Santa Bárbara d'Oeste — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / Amai

Secretaria de SP visita associação de autismo em Santa Bárbara d’Oeste

/
Por Redação do Canal Autismo
Laura Muller Machado, secretária de Desenvolvimento Social do…