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Fátima de Kwant

Jornalista, mãe de um autista adulto, radicada na Holanda desde 1985, escritora — autora do livro Caminhos do Espectro (lançado no Brasil em dezembro de 2021) —, especialista em autismo & desenvolvimento e autismo & comunicação, além de ativista internacional pela causa do autismo.

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Lugar de autista é em todo lugar!

1 de março de 2022

Tempo de Leitura: 2 minutos

Tema do Dia Mundial de Conscientização do Autismo 2022 pede inclusão na sociedade, em todos os aspectos

O tempo voa, muita coisa mudou com a pandemia, mas uma das que permanecem – graças a Deus – é a comemoração do Dia Mundial de Conscientização do Autismo (dia 2 de abril), data criada pela ONU – Organização das Nações Unidas – em 18 de dezembro 2007. A primeira celebração desse dia foi feita em 2 de abril de 2008, com a iluminação de prédios e monumentos marcantes da cor azul, eleita como “a cor do autismo”, com a finalidade de chamar a atenção da sociedade para a causa do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

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De 2008 até os dias atuais houve mudanças em vários temas relacionados ao autismo, a começar pela contestação da cor azul e do símbolo do quebra-cabeças por um grande grupo de autistas adultos que se manifestam pelas redes sociais; autistas que encontraram uma forma de informar a sociedade sobre suas diversas perspectivas em relação ao TEA. 

Dentre as informações que merecem destaque nos informes do Dia Mundial do Autismo 2022 está a alteração da taxa de incidência de autismo, recentemente estimada em 1 a cada 44 crianças, pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention — o Centro de Controle de Doenças e Prevenção do governo dos EUA), que serve de referência mundial. Além do aumento de diagnósticos de TEA, a introdução dos dados de autismo no Censo 2022, e a nova classificação de autismo na atualização da CID-11 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas Relacionados com a Saúde – são ocorrências que não passam despercebidas para as comunidades do autismo do Brasil. Porém, não somente as novidades científicas merecem ser compartilhadas publicamente, como também as transformações advindas da gradual mudança de paradigma pela qual passa a deficiência em geral, e, no caso do TEA, das concepções da sociedade sobre o que, de fato, significa ser autista. Afinal, o significado do autismo, e como a sociedade lida com uma pessoa neurobiologicamente atípica, passa por uma transição iniciada há mais de uma década pelos movimentos internacionais do TEA para reconhecimento e inclusão da pessoa autista. 

“Lugar de autista é em todo lugar” é o tema eleito pelas comunidades de autistas e de suas famílias para celebrar o dia 2 de abril de 2022; uma frase que expressa o anseio básico de quem lida com o TEA no dia a dia, por respeito, aceitação, acolhimento e inclusão – o objetivo de todos que lutam pela causa do autismo. Não há inclusão sem a consciência de que pessoas autistas podem ser tão capazes quanto as não autistas, que elas têm habilidades e limitações como qualquer outra pessoa, que suas vidas têm o mesmo valor, e que a inclusão não é favor, mas um direito humano. 

Pessoas não autistas costumam ter dificuldade de entender o que é tão óbvio para quem bem conhece o universo autista. Uma delas, que o autismo é mais frequente do que pensam, e que a maior parte dos autistas não é como a maioria dos autistas que conhecem. É, portanto, para a sociedade que desejamos que o Dia Mundial do Autismo seja repleto de informações que aumentem seu conhecimento sobre o TEA, um Transtorno do Neurodesenvolvimento intrigante, onde nenhum autista é igual ao outro, mas também onde todos, absolutamente todos, merecem estar em qualquer lugar onde desejem estar.

Feliz Dia Mundial de Conscientização do Autismo!

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