Por

Selma Sueli Silva

"Jornalista e relações públicas, diagnosticada com autismo, autora dos livros "Minha Vida de Trás pra Frente", "Dez Anos Depois" e "Camaleônicos", mantém o site "O Mundo Autista" no Portal UAI e o canal do YouTube "Mundo Autista"."

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Iniciativas vitoriosas de autistas ganham o mundo

14 de maio de 2021

Tempo de Leitura: 3 minutosNo início deste segundo ano de confinamento forçado, nos reunimos com editor da Revista Autismo e propusemos a pauta sobre autistas e mercado de trabalho. Francisco Paiva Júnior ponderou que já tinham sido abordados vários aspectos desse assunto. Como eu e minha filha Sophia Mendonça já estávamos esboçando o roteiro de um documentário que iria ao encontro dos autistas que já estivessem no mercado, resolvemos manter a pauta e escrever sobre isso. E assim fizemos. (Matéria Autwork, da Revista Autismo número 12, de março.2021, páginas 12 e 13).

Nesta quinta, 13.mai.2021, recebemos o comunicado de que o filme “AutWork – Autistas no Mercado de Trabalho”, uma produção do “Mundo Autista” dirigida por Sophia Mendonça & Selma Sueli Silva, com edição da cineasta Radija Ohanna de Oliveira, foi selecionado para o festival “List-Off Global Network: First-Time Filmmaker Sessions”, no Reino Unido.

Ficamos animadas, pois já havíamos recebido vários retornos de como “esse trabalho tocou a alma e coração de quem o assistiu, dando voz a tantos e diferentes autistas”, conforme palavras da terapeuta ericksoniana, Mônica Cabanas, que atualmente reside na cidade do México.

Uma de nossas entrevistadas, à época, foi Joyce Rocha, 28 anos, UX Designer, abreviação de User Experience ou “Experiência do Usuário”, com foco em acessibilidade digital. Ela é autista e teve o diagnóstico há 6 anos.

Joyce atua, também, no Hackathon Autismo Tech, elaborado e promovido pela FIAP – Faculdade de Tecnologia de São Paulo, em parceria com a startup aTip. Nascido em 2018, o Hackathon Autismo Tech já está na terceira edição e busca encontrar soluções tecnológicas que promovam a inclusão de profissionais no espectro autista. Depois de integrar a primeira edição, Joyce sugeriu a participação expressiva de autistas, por serem eles, a fonte das demandas da competição. “Eu sou UX Designer, trabalho com a experiência do usuário, então não adianta criar nada para um usuário que você não tenha o contato direto com ele”.

A segunda edição aconteceu durante a pandemia e o Hackathon Autismo Tech foi readaptado para ocorrer virtualmente, o que foi, segundo os participantes, um grande aprendizado e oportunidade para receber equipes de todo o Brasil, o que resultou em variadas maneiras de se pensar a inclusão. Nasceu, nesta edição, a empresa Inclusão Humanizada que hoje atua na área da consultoria a empresas que se abrem para a contratação de pessoas autistas.

Milena Yamamoto é fundadora da iniciativa Inclusão Humanizada, e embaixadora do movimento “Autismo Tech”. É pós-graduanda em Web Full Stack pela PUC Minas e teve o diagnóstico em 2018, aos 28 anos e, desde então, se empenha em construir projetos voltados para autistas.

Ela explica que na terceira edição, além do Hackathon, a competição em que a galera vira a noite trabalhando em ideias inovadoras, alguns autistas serão capacitados em 3 trilhas, mini-cursos, que são: game Developer (jogos), Salesforce Developer (programação), Testes & QA (testes e controle de qualidade). Ao todo, serão selecionados 60 autistas, 20 por trilha (curso), que serão capacitados em 11 semanas. As inscrições foram abertas em 02 de abril e se encerram em 20 de junho.

Já para o Hackathon as inscrições serão abertas em 05 de julho e vão se encerrar em 29 de agosto. O evento é totalmente on line e gratuito e contará com uma semana para o desenvolvimento do projeto, de 04 a 10 de outubro. São 150 vagas (considerando as 60 pessoas já inscritas nas trilhas de capacitação) para times multidisciplinares.

Milena enfatiza a oportunidade de os autistas se unirem em torno desse propósito de capacitação e da competição, para fazer uso como plataformas de transformação social, empoderamento e inclusão, com os autistas como protagonistas de todo esse processo.

Os times possuem autistas que se identificam com gênero diferente dos padrões pré-estabelecidos socialmente e isso é algo muito amplo, o que levou inclusive, à criação de um chat, o Discord, para interação entre os autistas. Muitos dos participantes se dizem, finalmente acolhidos como pessoas e não como o rótulo do autismo. Hoje, portanto, o Hackathon AutismoTech deixou de ser somente um evento e passou a ser um movimento, um coletivo, um espaço para discussão, debate e acolhimento.

Confira o documentário “Autwork – Autistas no Mercado de Trabalho”:

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