Por

Paula Ayub

É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

Facebook de Paula AyubTwitter de Paula AyubInstagram de Paula AyubCanal no Youtube de Paula Ayub

‘As We See It’ — como nós pensamos

10 de março de 2022As We See It – como nós pensamos - artigo de Paula Ayub - Canal Autismo / Revista Autismodivulgação / Ali Goldstein / Amazon StudiosAs We See It Rick Glassman (Jack), Sue Ann Pien (Violet), Albert Rutecki (Harrison)

Tempo de Leitura: 2 minutos

Seguindo a dica do Canal Autismo sobre o podcast Introvertendo, fui ouví-lo logo após assistir ao primeiro episódio de “As We See It“, série da Amazon sobre pessoas autistas e independência.

Academia do Autismo

Parabéns aos envolvidos, belíssimo e cuidadoso trabalho do Introvertendo!

Após 35 anos atendendo pessoas autistas, posso dizer que o espectro é mais amplo do que se possa imaginar e, como terapeuta, posso dizer que nossos ouvidos devam estar abertos para autismos e pessoas e não para características.

Sem diálogo não há compreensão e, sem compreensão não há protagonismo.

Sim, quero muito falar da Mandy, a cuidadora, tutora, ou seja lá o nome que o seu trabalho tenha na série.

Spoilers

[ALERTA: a partir deste trecho, pode haver spoilers sobre a série]

Mandy faz reuniões de grupo com os autistas que, moram sozinhos, trabalham e buscam por autonomia. O ponto comum das reuniões é o fato de serem autistas, pois nada mais em suas vidas os colocaria no mesmo ponto de identificação. Como haver empatia, diálogo se o que os une os separa?

Jack, como muito bem dito no Introvertendo, já deveria ter entendido que não se chama o chefe de burro. Ele, um autista de 25 anos e, extremamente inteligente, teria toda a condição do mundo para encontrar adjetivos mais sutis para convencer seu chefe sobre seu posicionamento.

Harrison, um autista adulto que não sai de casa e gosta de comer, parece ser alheio a tudo o que o incomoda. Mandy o coloca na rua, como seu principal objetivo terapêutico, sem a menor previsibilidade de possíveis acontecimentos e/ou proteção para hipersensibilidades.

Violet, adulta e seu principal ponto é querer namorar a qualquer custo. Apesar de limites impostos em não poder ter aplicativos de namora (que os tem mesmo proibida), seu interesse não é trabalhado e nem mesmo a escolha de sua abordagem.

O que aprendemos com a série? Que continuamos capacitistas e que há muito que caminhar em termos de escuta terapêutica. 

 

CONTEÚDO EXTRA

Veja também: Autistas fazem análise da série As We See It

Compartilhe

Comentários

Neurodiversidade na IBM Brasil — Canal Autismo / Revista Autismo

Neurodiversidade na IBM Brasil

/
Por Selma Sueli Silva
No dia 12 de abril deste ano, a IBM Brasil realizou o evento…
Rio Branco, no Acre, terá semana de conscientização sobre o autismo — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / G1

Rio Branco, no Acre, terá semana de conscientização sobre o autismo

/
Por Redação do Canal Autismo
Tião Bocalom, prefeito de Rio Branco, no Acre, sancionou a lei…
Adolescente autista lança primeiro livro — Canal Autismo / Revista Autismo

Adolescente autista lança primeiro livro

/
Por Redação do Canal Autismo
Pedro Henrique, de 17 anos, está iniciando sua trajetória como…