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O aumento do volume dos testículos pode gerar preocupação entre familiares de meninos e adolescentes com Síndrome do X Frágil (SXF). Uma das dúvidas mais comuns é se a alteração pode indicar hidrocele, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido ao redor do testículo. No entanto, segundo o urologista Dr. Mark Neumaier, a característica associada à síndrome é a macroorquidia, ou seja, o aumento do próprio testículo.
“Muita gente confunde a hidrocele com a macroorquidia, mas são situações bem diferentes. Na Síndrome do X Frágil, o que pode ocorrer é a macroorquidia, quando o próprio testículo apresenta um volume maior. Na hidrocele, há um acúmulo de líquido ao redor do órgão”, explica o médico.
A macroorquidia está relacionada a alterações provocadas pela deficiência da proteína FMRP, característica da Síndrome do X Frágil. O aumento envolve especialmente as células de Sertoli e os túbulos seminíferos. Apesar da mudança no tamanho, isso não significa que exista uma produção maior de testosterona ou de espermatozoides.
De acordo com o urologista, a macroorquidia costuma se tornar mais evidente durante ou após a puberdade e, geralmente, ocorre de maneira bilateral e relativamente simétrica, atingindo os dois testículos. Além disso, tende a ser indolor. Essas características ajudam a diferenciá-la de outras causas de aumento da bolsa escrotal.
A hidrocele também costuma ser indolor, mas frequentemente afeta apenas um dos lados. A condição pode aparecer em diferentes faixas etárias e precisa ser avaliada para que seja diferenciada de outras alterações. “No exame físico, muitas vezes já conseguimos identificar se o aumento está no testículo ou se existe líquido ao redor dele. O ultrassom também ajuda a definir o diagnóstico”, afirma Neumaier.
Nem todo aumento do volume testicular em uma pessoa com Síndrome do X Frágil deve, portanto, ser automaticamente atribuído à macroorquidia. Hidrocele, infecções, inflamações como orquite ou epididimite e até tumores testiculares também podem provocar alterações. Nas inflamações, é mais comum haver dor, vermelhidão ou sensibilidade, enquanto outras condições podem evoluir sem desconforto.
Entre os sinais que merecem atenção estão o aumento repentino, a diferença acentuada entre os lados, a presença de caroço ou endurecimento, dor, vermelhidão, calor local, febre ou qualquer mudança que não corresponda ao padrão habitual. Nessas situações, a recomendação é procurar avaliação médica, sem tentar estabelecer o diagnóstico apenas pela aparência.
Para Luz Maria Romero, gestora do Programa Eu Digo X, ampliar o acesso a informações confiáveis também ajuda a reduzir a ansiedade das famílias. “Essa é uma dúvida frequente nos grupos de pais, principalmente quando os meninos chegam à puberdade e as mudanças se tornam mais perceptíveis. Explicar a diferença entre macroorquidia e hidrocele ajuda as famílias a reconhecer uma característica da síndrome, mas também a entender quando é necessário buscar uma avaliação especializada”, destaca.
O acompanhamento de rotina com pediatra, médico de família ou especialista permite observar a evolução ao longo do desenvolvimento. Quando houver dúvida, o exame físico e, se necessário, a ultrassonografia da bolsa escrotal pode confirmar a origem do aumento e indicar se existe necessidade de acompanhamento ou tratamento.
Sabrina Muggiati





