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Autista é escolhido para presidir a Reunida-Autismo pela primeira vez

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Decisão é um marco na jornada da conscientização e inclusão das pessoas com TEA na sociedade brasileira

A Reunida-Autismo — Rede Unificada Nacional e Internacional pelos Direitos dos Autistas —, que tem como missão promover e/ou fazer cumprir as políticas públicas com base nos direitos das pessoas com TEA, dá mais um passo enorme na direção da verdadeira representatividade das pessoas autistas em nossa sociedade.

Firmando-se definitivamente como uma das grandes instituições em nosso país, quando tratamos do espectro do autismo, na vanguarda do respeito aos conceitos da neurodiversidade, do lugar de fala e do protagonismo dos autistas, a Rede me anunciou como seu novo presidente: “Fábio Cordeiro, 41 anos, autista e ativista da causa, para exercer o papel de liderança, dar voz e trabalhar em prol de toda a comunidade do autismo, contribuindo com sua perspectiva e visão — de alguém que vê o mundo do lado de dentro do espectro —, e que atua para que a maneira de existir das pessoas autistas seja respeitada com mais equidade, sem preconceito e sem intolerância”.

A importância de termos à frente da Reunida-Autismo uma pessoa que estampa um dos valores fundamentais nessa caminhada — o clamor do “nada sobre nós sem nós”, nada sobre as pessoas autistas sem que os principais envolvidos, os próprios autistas, sejam ouvidos e realmente levados em consideração, que suas demandas sejam sanadas —, é o maior ganho que a comunidade autista poderia ter nesse sentido, pois ao constituir essa nova fase de organização e trabalho, ficam claros o objetivo e os caminhos que essa organização busca seguir.

Primeiras palavras

Minhas primeiras palavras, como presidente da Reunida-Autismo foram:

Recebo essa missão com muito orgulho, e estejam certos que podem contar comigo para o que for possível na luta por inclusão e respeito.

Às pessoas autistas, contem comigo! Eu não sou a voz do autismo, mas busco dar voz aos Autistas. Através de mim sintam-se representados e tenham liberdade para contribuir com suas experiências para que cresçamos juntos.

Pais, mães, todos os familiares, profissionais e pessoas simpatizantes da causa, também podem contar comigo para alcançarmos o bem comum. Aqui busco união, porque unidos é que alcançaremos nossos objetivos.

O protagonismo autista importa, representatividade importa, a voz dos autistas importa e agora é a vez do autista. Venham comigo!”

“Há pouca representatividade de pretos no movimento autista”, afirma Polyana Sá

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O podcast Introvertendo, produzido por autistas e dedicado a discutir autismo, lançou nesta sexta-feira (13) o seu 144º episódio, chamado “Representação e Representatividade Autista'”. O episódio contou com a participação da estudante de Bioprocessos e Biotecnologia e ativista Polyana Sá, que dissertou sobre a participação de autistas nas discussões online sobre autismo.

Na ocasião, Polyana chegou a afirmar que o fato de ser negra é a característica que mais chama a atenção das pessoas em interações sociais e os efeitos do racismo no Brasil. “Há pouca representatividade de pretos, pretas, pretes, no movimento autista, porque a nossa população é uma população que tem pouco acesso às políticas públicas de saúde mental, tanto é que você não encontra muitos estudos a respeito disso”, lamentou.

Ela também refletiu sobre a possibilidade (ou impossibilidade) de ser completamente representativo quando o assunto é autismo. “Eu acredito que seja humanamente impossível a gente criar essa representatividade plena, mas um caminho pra gente seguir em busca de chegar próximo disso é a gente se preocupar em procurar esses autistas que se encontram em recortes mais ‘aprofundados’ do que os nossos e que às vezes não tem uma acessibilidade tão grande aos meios que nós já temos mais facilidade”, destacou.

Além de Polyana, também participaram do episódio o youtuber e pesquisador Willian Chimura e a estudante de arquitetura Carol Cardoso, ambos autistas. Os três ainda discutiram as diferenças dos níveis de autismo, a caracterização do autismo em produções culturais e jornalísticas, e questões regionais brasileiras relacionadas ao diagnóstico.

O episódio está disponível para audição em diferentes plataformas, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e CastBox, ou no player abaixo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.