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Ativistas brasileiros do autismo participam do Global Disability Summit — Canal Autismo / Revista Autismo

Ativistas brasileiros do autismo participam do Global Disability Summit

Tempo de Leitura: 2 minutosAtivistas brasileiros participam nesta quinta-feira (17) de mais uma edição do Global Disability Summit, a Cúpula Global da Deficiência. O evento é organizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com Gana, Noruega e a International Disability Alliance (IDA). Neste dia, Anita Brito, Nicolas Brito Sales e Willian Chimura vão tratar de questões relacionadas ao autismo.

Sobre a participação, Anita disse em suas redes sociais: “Nicolas e eu falaremos, em apenas 3 minutinhos, as dificuldades enfrentadas para diagnóstico e tratamento do autismo no Brasil para todas as idades”. Willian Chimura, por sua vez, celebrou o evento. “Sem dúvida, é uma chance para trazer mais sobre a realidade do Brasil para uma discussão global”, afirmou.

Sobre o evento, a OMS afirma que “a Cúpula Global da Deficiência é um excelente trampolim que deve ser usado para criar impulso em direção às políticas universais de inclusão da deficiência. Juntos, podemos criar um setor de saúde inclusivo para pessoas com deficiência que respeite o direito à saúde de todas as pessoas. Um mundo onde a cobertura universal de saúde seja verdadeiramente universal e todos estejam protegidos de emergências de saúde”.

Além dos três, o evento também recebeu participação de outros ativistas do autismo na terça-feira (15): como Luciana Viegas, colunista da Revista Autismo, Fernanda Santana a a estudante de engenharia Polyana Sá, que cantou a música autoral “O Sol e a Lua” e a professora de canto e línguas Anne Leblanc. As duas representaram a Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas (Abraça). Na ocasião, Polyana disse em seu Instagram: “Ouçam os jovens com deficiência, saibam de nossas lutas! O futuro só se constrói a partir das pontes de diálogo. Nada sobre nós sem nós!”.

 

[Atualizado em 18/02/2022, 12h38 citando a participação de mais autistas assim que recebemos essa informação via Twitter]

[Atualizado em 24/02/2022, 15h33 citando a participação de Luciana Viegas, assim que soubemos]

Autismo e a nova CID-11

Tempo de Leitura: 5 minutos

A nova CID (11) une os transtornos do espectro num só diagnóstico alinhando-se ao mais atual DSM (5)

Janeiro de 2022 é o mês em que passa a vigorar a nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, mais conhecida pela sigla CID-11 (no original em inglês, ICD-11International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems),lançada em junho de 2018 pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Para o autismo e síndromes relacionadas, o novo documento entra em sintonia com a alteração feita em 2013, no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, o DSM-5 (sigla para: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que reuniu todos os transtornos que estavam dentro do espectro do autismo num só diagnóstico: TEA.

A versão anterior, a CID-10, trazia vários diagnósticos dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD — sob o código F84) como: Autismo Infantil (F84.0), Autismo Atípico (F84.1), Síndrome de Rett (F84.2), Transtorno Desintegrativo da Infância (F84.3), Transtorno com Hipercinesia Associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados (F84.4), síndrome de Asperger (F84.5), Outros TGD (F84.8) e TGD sem Outra Especificação (F84.9). Agora, a versão 11 une todos esses diagnósticos no Transtorno do Espectro do Autismo (código 6A02 — em inglês: Autism Spectrum Disorder — ASD), as subdivisões passaram a ser apenas relacionadas a prejuízos na linguagem funcional e deficiência intelectual. A intenção é facilitar o diagnóstico e simplificar a codificação para acesso a serviços de saúde. A exceção ficou por conta da síndrome de Rett (antigo F84.2), que fica com um código separado: LD90.4 e, portanto, fora do “guarda-chuva” de diagnósticos do TEA. A atualização chega 21 anos depois da CID-10 ter sido lançada, em 1990.

“Quem já tem um laudo ou um documento citando um código da CID-10 não precisa ‘atualizar’ seu diagnóstico para a CID-11, a menos que alguma legislação exija. Os diagnósticos anteriores continuam valendo. Nessa transição para a CID-11, não haverá adequação automática. O médico deverá se adequar à classificação escrevendo o código que compete a seu diagnóstico. Dar um código CID cabe ao médico, então não será automático. Muitos ainda continuarão usando a CID-10 até que a legislação para os novos laudos deixe de aceitar a antiga classificação”, explica a médica Iara Brandão, de São Paulo (SP), que é neuropediatra e geneticista.

 

Autismo na nova CID-11 - Canal Autismo / Revista Autismo - Guarda-chuva de diagnósticos CID-10Autismo na nova CID-11 - Canal Autismo / Revista Autismo - Guarda-chuva de diagnósticos CID-11

Asperger

Outra consequência com essa nova versão é o “fim” do termo “síndrome de Asperger”, que já não consta no DSM desde 2013 e agora, em 2022, sai também da CID e não é mais mencionada como um diagnóstico. Em tese, esse diagnóstico passa a ser de TEA com nível 1 de suporte, ou seja, no CID-11, código 6A02.0: Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional. 

O pesquisador William Chimura fez um vídeo bem didático sobre isso, intitulado “O último dia da Síndrome de Asperger” — que pode ser visto no canal dele no Youtube. Lá, Chimura explica as questões polêmicas envolvendo o médico austríaco Johann “Hans” Friedrich Karl Asperger, que deu nome à síndrome. Oficialmente, portanto, o termo passa a estar em desuso.

“Como no Brasil, oficialmente usa-se a CID — e não o DSM — como base para codificar os diagnósticos e causas de morte, é apenas a partir de janeiro de 2022 que o termo ‘síndrome de Asperger’ sai de cena nacionalmente para todos os efeitos”, detalha o médico psiquiatra Thiago Cabral Pereira, de Curitiba (PR).

Organização Mundial da Saúde

A CID fornece uma linguagem comum que permite aos profissionais compartilhar informações de saúde em nível mundial. O documento da OMS, hoje com aproximadamente 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte, é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o planeta. 

“A CID é um produto do qual a OMS realmente se orgulha. Ela nos permite entender muito sobre o que faz as pessoas adoecerem e morrerem, e agir para evitar sofrimento e salvar vidas,” disse o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no lançamento da nova CID, em junho de 2018.

Versão eletrônica

O trabalho de elaboração do documento levou mais de 10 anos, e a CID-11 é a primeira versão totalmente eletrônica. A ferramenta foi projetada para uso em vários idiomas: uma plataforma de tradução central garante que suas características e resultados estejam disponíveis em todas as línguas traduzidas.

“Um dos mais importantes princípios desta revisão foi simplificar a estrutura de codificação e de ferramentas eletrônicas. Isso permitirá que os profissionais de saúde registrem os problemas (de saúde) de forma mais fácil e completa”, afirma Robert Jakob, líder da equipe de classificação de terminologias e padrões da OMS.

Novos capítulos

Essa é a primeira grande revisão da CID em quase três décadas, que agora traz capítulos inéditos, um deles sobre medicina tradicional. Embora milhões de pessoas recorram a esse tipo de cuidado médico, ele nunca havia sido classificado neste sistema. Outra sessão inédita, sobre saúde sexual, reúne condições que antes eram categorizadas ou descritas de maneiras diferentes — por exemplo, a incongruência de gênero estava incluída em condições de saúde mental. O distúrbio dos jogos eletrônicos foi adicionado à seção de transtornos que podem causar dependência.

A 11ª versão da CID reflete o progresso da medicina e os avanços na pesquisa científica. Os códigos relativos à resistência antimicrobiana, por exemplo, estão mais alinhados ao GLASS (Global Antimicrobial Resistance Surveillance System), o sistema global de vigilância sobre o tema. As recomendações da publicação também refletem, com mais precisão, os dados sobre segurança na assistência à saúde. Ou seja, situações desnecessárias com risco de prejudicar a saúde – como fluxos de trabalho inseguros em hospitais – podem ser identificadas e reduzidas.

Em resumo, como era e como ficou

Segue a listagem de todos os código em vigor da CID-10 e a nova classificação da CID-11:

Autismo na CID-10

  • F84 – Transtornos globais do desenvolvimento (TGD)
    • F84.0 – Autismo infantil;
    • F84.1 – Autismo atípico;
    • F84.2 – Síndrome de Rett;
    • F84.3 – Outro transtorno desintegrativo da infância;
    • F84.4 – Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;
    • F84.5 – Síndrome de Asperger;
    • F84.8 – Outros transtornos globais do desenvolvimento;
    • F84.9 – Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

Autismo na CID-11

  • LD90.4 — Síndrome de Rett
  • 6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)
    • 6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
    • 6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
    • 6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;
    • 6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;
    • 6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;
    • 6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;
    • 6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

 

(Esta foi a reportagem de capa da Revista Autismo nº 15, para o trimestre de dezembro/2021 a fevereiro/2022 — veja aqui o índice da edição completa ou baixe a versão digital neste link)

CONTEÚDO EXTRA

Pesquisa para Relatório Global de Saúde da OMS — Revista Autismo

Pesquisa para Relatório Global de Saúde da OMS

Tempo de Leitura: 3 minutos

No Brasil, estudo está sendo realizado pelo Instituto Ico Project e UFPR

Com a participação de mais de 50 países, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), está fazendo uma pesquisa global para coleta de dados sociodemográficos do perfil de crianças e adolescentes com atrasos no desenvolvimento e suas famílias. O resultado constará no Relatório Mundial da Saúde, que será apresentado em reunião da Organização das Nações Unidas (ONU). Será a primeira vez que dados relacionados ao Brasil farão parte deste importante instrumento. Por isso, a relevância histórica da sua realização. (pesquisa encerrada em 3.out.2020)

Com colaboração do Instituto Ico Project (Brasil) e da fundação Autism Speaks (Estados Unidos), todos os países responderão o mesmo relatório, o que possibilitará análises comparativas entre países e continentes. No Brasil, a responsabilidade técnica da coleta de dados é de Fátima Minetto, professora titular do departamento de educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

De 3 de setembro a 3 de outubro, o acesso à plataforma para coleta de respostas estará disponível no Instagram e Facebook do @icoproject e também no site da Canal Autismo (acesse pelos QR-code  e links). Passada essa data, os pesquisadores iniciarão as análise para que até dezembro possam submeter à OMS. 

“A relevância da pesquisa, além do caráter histórico, permitirá que a comunidade possa exigir políticas públicas dentro das necessidades concretas dessa parcela da população. O relatório poderá apontar, por exemplo, que há regiões do país com maior acesso a diagnóstico e intervenções, que outras. Poderá indicar se dentro dessas famílias, algum de seus membros parou de trabalhar para de dedicar aquele com atrasos no desenvolvimento”, explicou Elyse Mattos, fundadora do Instituto Ico Project.

“É sabido que a construção de políticas públicas sempre toma por base dados concretos. Assim, em 2019, a comunidade do autismo pressionou o congresso nacional e governo para que houvesse 2 questões relacionadas ao autismo no próximo Censo. Dado de grande valia, todavia, incompleto para possibilitar a construção de políticas de saúde e educação adequados, uma vez que não trará dados socioeconômicos detalhados”. Cientes disso, o Instituto Ico Project e a UFPR buscaram seus parceiros internacionais e aderiram a esta oportunidade de pesquisa mundial. 

Acesse a pesquisa por este QR-code usando a câmera de um celular ou clicando aqui.

O âmbito e alcance são nacionais. Assim, quanto maior o número de respostas, maior a fidedignidade dos resultados apresentados no relatório. Por isso, é de suma importância a participação em massa da comunidade.

Importante ressaltar que a pesquisa abrange todos os atrasos de desenvolvimento, como: autismo, deficiência intelectual, síndrome de down, síndromes genéticas, transtorno global do desenvolvimento, atrasos da comunicação, paralisia cerebral, transtorno de déficit da atenção com hiperatividade (TDAH), epilepsia,  entre outros.

“Contamos com sua preciosa ajuda na divulgação dessa pesquisa. Além disso, oportunamente, divulgaremos os resultados para que toda a comunidade relacionada passe a ter acesso a esta poderosa ferramenta para buscar melhores condições de intervenções e qualidade de vida”, contou Elyse.

A pesquisa (encerrada em 3.ou.2020) pode ser acessada online ou no site da Revista Autismo e redes sociais do Ico Project ou diretamente apontando a câmera do seu celular para o QR-code desta página.

Aproveite e responda também a pesquisa Genial Care e Revista Autismo.

>> Link para a pesquisa: (encerrada em 3.ou.2020)

Site do Instituo Ico Project: icoproject.com.br
Facebook: facebook.com/institutoicoproject
Instagram: instagram.com/icoproject

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