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O que é verdade, fake ou exagero na notícia alarmante de uma possível retirada do nível 1 do espectro do autismo
Nos últimos dias, circulam nas redes sociais mensagens afirmando que pesquisadores estariam estudando retirar o autismo nível 1 do diagnóstico de transtorno do espectro do autismo (TEA) e criar outro diagnóstico para essas pessoas.
Fato
É verdade que pesquisadores discutem, há anos, formas de melhorar a classificação do autismo, uma condição bastante heterogênea. Por isso, alguns grupos de pesquisa propõem novos modelos de classificação que representem melhor essa diversidade. Essa discussão científica é constante.
Também é verdade que existem estudos sugerindo a criação de subgrupos ou novas categorias para facilitar pesquisas, tratamentos e planejamento de serviços de saúde.
Fake
Até o momento, nenhum dos principais sistemas internacionais de diagnóstico, como o DSM-5-TR (5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais) e a CID-11 (11ª edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), anunciou ou aprovou uma mudança desse tipo.
Também é falso dizer que pessoas com autismo nível 1 deixarão de ser autistas ou perderão automaticamente seu diagnóstico.
Não existe qualquer mudança oficial nesse sentido.
O que existe são discussões científicas e hipóteses sendo estudadas. Entre uma proposta feita por pesquisadores e uma mudança oficial nos critérios diagnósticos existe um longo caminho, que envolve anos de pesquisas, análises, consenso entre especialistas e aprovação pelos órgãos responsáveis.
Ou seja, uma ideia em debate não significa que ela será adotada.
Cautela
Cuidado com postagens tendenciosas que simplificam um debate científico complexo e transmitem uma impressão de consenso e iminência que não existe.
Na ciência, esse tipo de debate é comum e faz parte da evolução do conhecimento. Já postagens contendo imagem de impacto, texto curto, sem menção de fontes científicas, confundem e geram tumulto desnecessários, simplesmente, porque nada mudou além das conjeturas comuns no meio científico e das discussões comuns nas redes sociais.
Informação de qualidade reduz a desinformação e ajuda a proteger as pessoas autistas e suas famílias de preocupações desnecessárias.
(Por @fatimadekwant, jornalista investigativa do TEA, autista, mãe de autista, ativista pelos direitos dos autistas,
com colaboração de @rochelezago — diretora de TV, autista, especialista em Neurociência e Educação)
Fátima de Kwant





