7 de outubro de 2026

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O 8º Congresso Internacional Sabará-Pensi de Saúde Infantil, realizado de 1º a 3.out.2026, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP), reservou parte da programação ao autismo. O simpósio dedicado ao tema reuniu conferências e mesas sobre saúde mental, diagnóstico, genética, comorbidades, avaliação multiprofissional, seletividade alimentar e intervenções. Durante o evento, a Revista Autismo entrevistou a infectologista pediátrica Daniella Gregori Bomfim Prado da Silva, diretora técnica do Sabará Hospital Infantil e médica técnica responsável pelo congresso.

Segundo Daniella, a presença ampliada do autismo na programação acompanha a relevância crescente do tema e os desafios ainda existentes no país. “Falta evidência científica de qualidade baseada na casuística brasileira”, afirmou. Ela destacou que muitos dos instrumentos utilizados no diagnóstico foram desenvolvidos em outros países, o que impõe dificuldades para sua validação no contexto brasileiro, além dos obstáculos enfrentados pelas famílias para ter acesso à avaliação e ao acompanhamento adequados.

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Integração: saúde, escola e assistência social

A médica também ressaltou que o cuidado não deve ficar restrito a uma única especialidade. Saúde, escola e assistência social precisam atuar de forma articulada para oferecer suporte tanto à criança quanto à família. “É muito importante que todo mundo esteja falando a mesma língua e cada um contribua com a sua área de conhecimento para que essa criança tenha todo o suporte necessário”, disse. Nesse cenário, o pediatra desempenha um papel importante na identificação de sinais, nos encaminhamentos e no acompanhamento contínuo do desenvolvimento infantil.

Diante da grande quantidade de informações disponíveis atualmente, Daniella defendeu a formação permanente e o desenvolvimento do senso crítico entre os profissionais. “Não deixem de fazer boas perguntas. Procurem pessoas que estão dispostas a ensinar, a trocar conhecimento”, aconselhou. Para ela, encontros científicos ajudam os participantes a diferenciar conteúdos fundamentados em evidências de informações que circulam sem respaldo adequado.

A especialista ainda alertou para o risco de reduzir a criança ao diagnóstico de autismo. Crianças autistas também podem apresentar doenças comuns da infância e outras condições que exigem acompanhamento pediátrico, enquanto crianças com quadros crônicos complexos podem ter maior probabilidade de apresentar transtornos do neurodesenvolvimento. “A gente não pode definir a criança por um diagnóstico e esquecer que ela é um todo”, concluiu.

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Stefani Carvalho, nutricionista especialista em saúde infantojuvenil pela Universidade Federal de São Paulo.

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